segunda-feira, 31 de março de 2014

Fazer jejum ainda tem sentido?

Fazer jejum ainda tem sentido?

Não comer carne às sextas-feiras. Fazer apenas uma refeição completa na Quarta-feira de Cinzas. Essas práticas ainda existem? Mas qual é valor e o sentido de se abrir mão de algo que seria bom e útil para o nosso sustento?





Frédéric CAPPELLE/CIRIC
O jejum – decisão temporária de não comer nada ou comer menos que o habitual – é praticado não só por motivos religiosos. É considerado pela Igreja um exercício de conversão a Deus. Fortalece o espírito e ensina que o sentido da vida não consiste apenas na satisfação dos desejos ou na busca de bens.

Em termos gerais, jejum significa não comer nada, ou comer menos que o habitual. Trata-se de uma prática comum na sociedade, seja por razões religiosas ou não. Há pessoas que fazem greve de fome por motivos políticos. Já outras mantêm rígida dieta alimentar por razões estéticas. Na Igreja católica, o jejum insere-se no contexto das práticas penitenciais, que são exercícios de conversão a Deus.

O jejum não é algo desconhecido ou rejeitado pela cultura moderna. Na história recente, ficaram famosos os jejuns praticados por Mahatma Gandhi (1869-1948). O líder político indiano jejuou em diferentes ocasiões – em algumas delas por até 21 dias – como forma de protesto contra a colonização britânica.
Além do âmbito político, onde se utiliza o termo “greve de fome”, o jejum é praticado em questões de saúde, como no caso de pessoas que não ingerem uma série de alimentos por prescrição médica. Há também o motivo estético, na busca por uma melhor aparência. E não se pode esquecer do jejum imposto pela necessidade, em situações de fome e miséria.
Na Igreja católica, o jejum é uma prática penitencial. Mas o que é a penitência? É a virtude cristã que inspira o arrependimento pelos pecados. Em sentido mais amplo, a penitência é “uma reorientação radical de toda a vida, um retorno, uma conversão para Deus de todo o nosso coração” (Catecismo da Igreja Católica – CIC –, 1431).
Trata-se de um desejo de mudar de vida, “com a esperança da misericórdia divina e a confiança na ajuda de sua graça”. Esta conversão interior vem acompanhada daquilo que os Padres da Igreja – grandes homens dos inícios da Igreja, aproximadamente do século II ao VII – chamavam de “compunctio cordis”, ou seja “arrependimento do coração” (CIC, 1431).
Nesse sentido, uma das expressões mais tradicionais da penitência cristã é justamente o jejum – ao lado da oração e da esmola –. Sendo assim, o jejum não se reduz apenas à questão alimentar. Jejuar é “privar-se voluntariamente do prazer dos alimentos e de outros bens materiais”, explica o Papa Bento XVI na mensagem para a Quaresma de 2009.
A Igreja estabelece como dia de penitência toda sexta-feira. Já a Quaresma, que constitui um caminho de treino espiritual mais intenso em preparação para a Páscoa, é considerada tempo de penitência. Trata-se de ocasiões especiais para jejuar, dedicar-se à oração e exercitar obras de piedade e de caridade.
A Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa são os dias prescritos para o jejum e a abstinência – não comer carne.
Outro jejum indicado pela Igreja é o eucarístico. Quem vai receber a eucaristia deve se abster, pelo espaço de ao menos uma hora antes da comunhão, de qualquer comida ou bebida, exceto água ou remédios (Código de Direito Canônico, 919 § 1).
A Bíblia e a tradição cristã ensinam que o jejum é de grande ajuda para evitar o pecado e tudo o que a ele induz. Por isso, na história da salvação, é frequente o convite a jejuar. O primeiro jejum foi ordenado a Adão: não comer o fruto proibido. Segundo as Escrituras, Moisés, Esdras, Elias, os habitantes de Ninive jejaram.
Já nas primeiras páginas da Sagrada Escritura, Deus ordena que o homem não coma o fruto proibido: “Podes comer o fruto de todas as árvores do jardim; mas não comas o da árvore da ciência do bem e do mal, porque, no dia em que o comeres, certamente morrerás” (Gn 2, 16-17).
 

Mortificação: uma prática da Idade Média hoje superada?

Mortificação: uma prática da Idade Média hoje superada?

Até um passado não muito distante, a mortificação era vista como prática necessária para dominar o corpo, considerado a fonte dos pecados. Mas será que a mortificação é algo superado e desnecessário ao desenvolvimento da vida cristã?

Alexandre Ribeiro
 
Fr Lawrence Lew OP
 
Para se realizar objetivos, independentemente da motivação originária, é indispensável o esforço pessoal, uma vida pautada pela disciplina. A mortificação, em sentido amplo, é isso: luta de morte a tudo aquilo que obstrui a obtenção de um ideal, que atrapalha a consecução de uma meta. Por essa razão a mortificação é parte integrante da educação humana.

A mortificação é uma dimensão da ascese. O termo ascese tem origem na cultura grega e significa exercício realizado com esforço e método. Para os gregos, ascese indicava qualquer exercício físico, intelectual, moral e religioso, realizado com método e disciplina, tendo como objetivo o progresso constante. Todavia, no âmbito cristão, a ascese, especialmente na Idade Média, ficou marcada por aspectos negativos.

Para os gregos, eram dimensões da ascese, por exemplo, o soldado que se exercitava no uso das armas, o filósofo na meditação, o sábio no exercício das virtudes, e o religioso na contemplação de Deus.

Ascese não era um termo com conotação negativa. Pelo contrário, ela era compreendida como algo necessário ao desenvolvimento humano, pois estimulava e consolidava a disciplina imprescindível à conquista de um objetivo.

Mas em sua assimilação pela cultura cristã, sofrendo influências de correntes de pensamento pessimistas e dualistas – dicotomia alma-corpo –, a ascese ficou marcada preferencialmente pela dimensão abnegativa.

Por várias gerações de cristãos, a mortificação foi interpretada como morte literal ao corpo, considerado a fonte dos pecados. O corpo era visto como a sede das paixões, a parte inferior do homem, em contínua oposição à parte superior, a alma.

A Idade Média foi o período das mais duras asceses corporais. Apesar da influência de Santo Agostinho (354-430) – sendo a ascese definida como esforço para crescer na capacidade de amar – e de São Bento (480-547) – ênfase na humildade –, a espiritualidade ocidental, nesse período, em grande parte acabou aderindo à prática de sacrifícios físicos.

Formas de penitência corporal como a “disciplina” (autoflagelação voluntária) foram aperfeiçoadas. Pelo fim da Idade Média, a “disciplina” cotidiana foi levada ao fanatismo pelos “flagelantes”, causando descrédito à ascese cristã.

Os “flagelantes” eram os membros de movimentos e confrarias medievais que praticavam a penitência com flagelações públicas. Esse movimento teve seu ponto alto na segunda metade do século XIII. Esses grupos de pessoas percorriam cidades e campos flagelando-se a si mesmos ou uns aos outros enquanto rezavam.

Hoje tais práticas são rejeitadas, pois são frutos de uma mentalidade religiosa que não é mais aceita, devido ao seu grande pessimismo antropológico. Mas isso não significa que a mortificação, em seu verdadeiro sentido, seja algo superado e desnecessário ao desenvolvimento da vida cristã.

O batismo, sacramento pelo qual os cristãos são regenerados como filhos de Deus, é a verdadeira fonte da mortificação cristã. Assim, mortificar não significa dar morte ao corpo, mas sim ao pecado. É ter uma vida disciplinada para não desperdiçar a graça de Deus.

O termo “mortificação” tem sua origem no texto bíblico da Carta aos Colossenses, capítulo 3, versículo 5. Logo no início desta passagem, o autor conjuga o verbo “mortificar”, que significa literalmente “mortificai-vos”, ou seja, “dai morte”, “fazei morrer”.

Este verbo está inserido no contexto integral da passagem bíblica, que retoma o tema da morte do “homem velho”, trabalhado por São Paulo no capítulo 6 (versículos 1 a 11), da Carta aos Romanos.

Deste modo, o verbo “mortificar” assume a significação de morte a uma existência pecaminosa. Portanto, o termo mortificação significa morte ao pecado, ao “homem velho”.

Um grande homem --- João Paulo II


Um grande homem

 


“Sinto com emoção que estou a chegar ao fim da minha peregrinação” (1). Foi com estas palavras que o Papa João Paulo II assinalou a sua chegada ao santuário mariano de Lourdes, no passado dia 14 de Agosto. Para evitar mal entendidos, os responsáveis da Santa Sé apressaram-se a explicar que o Papa se referia apenas à sua peregrinação a Lourdes, mas as palavras do Sumo Pontífice não deixaram de gerar alguma inquietação entre os peregrinos presentes, que as interpretaram como uma alusão à sua frágil saúde.

É, de facto, inegável que a saúde do Papa não é das melhores. João Paulo II tem oitenta e quatro anos, sofre de Parkinson, sobreviveu aos ferimentos de um atentado, a várias doenças e a numerosas operações cirúrgicas. Há muito que deixou de ser aquele “jovem” cardeal desportista, que passava horas a esquiar nas montanhas.

O académico britânico Timothy Garton Ash, que se define a si mesmo como um “liberal agnóstico”, escreveu o seguinte a respeito do Papa João Paulo II: “(...) Ainda se vislumbram lampejos da velha magia, à medida que a figura distante, sempre de branco, atrai toda uma multidão para si com um gesto característico, levantando suave mas repetidamente duas mãos completamente abertas. Depois fala para meio milhão de pessoas como se estivesse perante só uma. É a magia que vi na Polónia comunista, onde ele dissolveu o medo instalado por todas as divisões de Brejnev com um acenar daquela mão agora tremente, e continua a admoestar os governantes deste planeta, independentemente da sua cor política, sejam eles Castro ou Clinton. Por fim ainda oferece auxílio aos pobres, fracos, doentes e oprimidos de todo o mundo. Pode pensar-se, a partir deste hino de elogio inicial, que sou católico, ou mesmo um fã papal. Longe disso (...) como liberal agnóstico, ainda que enraízado num húmus rico de Cristianismo, a minha preocupação não é com a Igreja mas com o mundo, e quero afirmar que o Papa João Paulo II é simplesmente o maior líder mundial do nosso tempo”. E continua: “Ao longo destes vinte anos tive a oportunidade de falar com vários candidatos credíveis para o título de “grande homem” ou “grande mulher” –, Mikhail Gorbatchev, Helmut Kohl, Václav Havel, Lech Walesa, Margaret Tatcher –, mas ninguém se compara à combinação única de força concentrada, consistência intelectual, calor humano e simples bondade de Karol Woytila” (2).

Concordo com Timothy G. Ash. Para além do seu inegável papel na queda do comunismo, creio que a inteligência, coerência, determinação e a simples bondade do Papa fazem dele o maior líder do nosso tempo. Além disso, é um homem extremamente corajoso, que luta por tudo aquilo em que acredita, sem olhar a modas ou ao “politicamente correcto”. Criticou o comunismo, mas também não poupa o capitalismo neo-liberal. Acima de tudo, o Papa defende a pessoa humana e a dignidade a que todos temos direito. Para João Paulo II, uma criança de uma favela sul-americana não é menos importante que um rico homem de negócios nova-iorquino. Todos têm direito a uma vida digna. E isto não por razões ideológicas, mas teológicas: para o Papa, a Doutrina Social da Igreja não é uma terceira via entre o capitalismo liberal e o colectivismo marxista. Como ele próprio explica na encíclica “Solicitudo Rei Socialis”, a Doutrina Social da Igreja não é ideologia, mas teologia.

Por outro lado, as suas posições em matéria de moral sexual são consideradas antiquadas por largos sectores da sociedade. Mas estes não compreendem que a Igreja não pode mudar aquilo que sempre defendeu, por muito que isso agradasse. Dois mil anos depois, a Igreja permanece como depositária da missão que Cristo lhe confiou. Ora sendo eternos os ensinamentos de Jesus, são também a Verdade na qual os católicos acreditam. Claro que, aos olhos dos não crentes, tudo isto parecerá um anacronismo reaccionário, pois não compreendem que a Igreja não pode andar ao sabor de modas. E porque, no fundo, encontram na satisfação dos prazeres terrenos a razão de ser da existência humana, ao passo que os católicos pensam na salvação da alma e na vida eterna.

A coerência do Papa em questões de costumes encontra um paralelo na sua determinação contra todas as formas de guerra. Já no tempo da ocupação alemã da Polónia - cujos horrores sofreu na pele - Karol Woytila se opunha à luta armada e a todas as formas de violência. A um amigo que advogava o uso da força contra a ocupação nazi, o então jovem seminarista respondeu: “A oração é a única arma que resulta”.

Todavia, existem aspectos menos consensuais do seu pontificado, mesmo entre os católicos. Há quem o acuse de ter restaurado o “papado monárquico”, e de sufocar o debate dentro da Igreja. Além disso, têm sido tecidas duras críticas às posições do Vaticano a respeito das mulheres e do seu papel na Igreja e na Sociedade. Mas não deixa de ser curioso que as críticas mais ferozes venham precisamente de pessoas e grupos que não entendem o cristianismo e a igreja. Por exemplo, muitas das pessoas que defendem na praça pública a ordenação das mulheres e o fim do celibato dos padres, são assumidamente ateias ou não religiosas. Não compreendem que estas são questões que se encontram fora do seu entendimento. Porque quem não tem fé, não consegue compreender a forma como o Espírito Santo guia e inspira a Igreja: “Eu estarei sempre convosco, até ao fim do mundo” (Mt 28, 20).

Pessoalmente, e quanto à ordenação sacerdotal das mulheres e ao celibato obrigatório, creio que se essa for a vontade de Deus, então o Espírito Santo há de guiar a Igreja nesse sentido, mais tarde ou mais cedo. Mas de qualquer modo, estas são questões que dizem respeito apenas aos católicos, e não áqueles que não compreendem a missão da Igreja.

Quanto a João Paulo II, creio que ficará para a história como um grande líder e um homem extremamente bom e compassivo.

                                                                                                      Filipe Alves

(1) -  Ver jornal “Público”, pág. 24, edição de 15 de Agosto de 2004

(2) -  Ver “Não tenhais medo”, in “História do Presente”, pág. 341, colectânea de ensaios de T. G. Ash - Editorial Notícias, 2001

sábado, 29 de março de 2014

Dar Alma à vida VIII


Dar Alma à vida VIII

 

A vida é um dom de Deus.Eu sou um dom de Deus aos meus pais, à comunidade em geral, à “Humanitude” própria dos seres humanos.

            Tudo partiu de uma iniciativa de Deus em que eu creio e, se com Ele, começamos com Ele não acabamos, é um dom para Deus na Eternidade. Entre o alfa e ómega há um processo que decorre na “Humanitude” que cada um de nós deve ser. Que se faça em mim a tua palavra, Senhor. Em ti me quero transformar e sei quão difícil a minha “humanitude” é tão frágil, mas tenho confiança, espero em ti, Senhor. Sinto-me feliz e agradecido por todas as alegrias e provações que me  tens dado.

            Com a tua ajuda tenho conseguido transmitir à minha vida a Alma vivente ao serviço dos outros neste mundo. De um modo especial pelo sacerdócio a que me chamaste.

            Tu és o meu Deus. É por isso que rezo, mas nem sempre com a humildade, persistência e fé… Sinto-te em actos de Amor na minha alma que me alicerça a permanecer na tua presença, agarrado à capa com todos os outros que se encontram agarrados a este tronco que segura de pé e não vacila. Nasci para vós e livrei-me de tudo que me possa desviar do teu Caminho. Chegar à conversão unido a todos descobrirei a formosura e a felicidade de um dia vos alcançarmos na plenitude dos tempos em que se acabam os relógios, os calendários porque já não haverá tempo mas eternidade.

Tudo teve em nós um principio e queremo-nos prender a ele para que a uma vida seja uma sequência, para além deste mundo de caminhos de felicidade plena para sempre.

Tem dúvidas sobre a Confissão? O Papa Francisco responde

Você tem dúvidas sobre a Confissão? O Papa Francisco responde

A Confissão é uma grande e maravilhosa oportunidade de curar a alma e o coração

Padre Fabián
 
 
                                                                                                               CTV
O Papa Francisco convidou igrejas do mundo inteiro a dedicarem 24 horas ininterruptas ao Senhor, de hoje até amanhã: é uma verdadeira “festa do perdão”, na qual as pessoas podem fazer adoração e se confessar.

Em uma das suas catequeses, o Papa falou precisamente da confissão, um sacramento muitas vezes considerado “fora de moda” e cada vez menos praticado. No entanto, ela é um meio concreto para viver uma experiência da misericórdia do Deus vivo, que liberta o nosso coração do peso do pecado que nos oprime.

Deixemo-nos ensinar pelo Santo Padre, que responde de maneira muito simples e direta a várias objeções que costumamos colocar ao sacramento da Reconciliação.

Os trechos a seguir são palavras do Papa Francisco. O texto completo pode ser lido clicando aqui. Aqui, apenas colocamos alguns títulos, para que identifiquemos melhor seu conteúdo.

Para que serve o sacramento da Confissão?

O Sacramento da Reconciliação é um Sacramento de cura. Quando me confesso é para me curar, para curar a minha alma, o meu coração e algo de mal que cometi. O ícone bíblico que melhor os exprime, no seu vínculo profundo, é o episódio do perdão e da cura do paralítico, onde o Senhor Jesus se revela médico das almas e, ao mesmo tempo, dos corpos (cf. Mc 2, 1-12; Mt 9, 1-8; Lc 5, 17-26).

A celebração deste sacramento é um ato eclesial?

Ao longo do tempo, a celebração deste Sacramento passou de uma forma pública — porque no início era feita publicamente — para a pessoal, para a forma reservada da Confissão. Contudo, isto não deve fazer-nos perder a matriz eclesial, que constitui o contexto vital.

Com efeito, a comunidade cristã é o lugar onde o Espírito se torna presente, que renova os corações no amor de Deus, fazendo de todos os irmãos um só em Cristo Jesus. Eis, então, por que motivo não é suficiente pedir perdão ao Senhor na nossa mente e no nosso coração, mas é necessário confessar humilde e confiadamente os nossos pecados ao ministro da Igreja.

Por que precisamos nos confessar na frente de um padre?

Na celebração deste Sacramento, o sacerdote não representa apenas Deus, mas toda a comunidade, que se reconhece na fragilidade de cada um dos seus membros, que ouve comovida o seu arrependimento, que se reconcilia com eles, os anima e acompanha ao longo do caminho de conversão e de amadurecimento humano e cristão.

Podemos dizer: eu só me confesso com Deus. Sim, podes dizer a Deus "perdoa-me", e confessar os teus pecados, mas os nossos pecados são cometidos também contra os irmãos, contra a Igreja. Por isso, é necessário pedir perdão à Igreja, aos irmãos, na pessoa do sacerdote.

Eu sinto vergonha de me confessar, o que faço?

"Mas padre, eu tenho vergonha...". Até a vergonha é boa, é saudável sentir um pouco de vergonha, porque envergonhar-se é bom. Quando uma pessoa não se envergonha, no meu país dizemos que é um "sem-vergonha": um "sin verguenza". Mas até a vergonha faz bem, porque nos torna mais humildes, e o sacerdote recebe com amor e com ternura esta confissão e, em nome de Deus, perdoa.

A confissão também é um momento de desabafo humano?

Até do ponto de vista humano, para desabafar, é bom falar com o irmão e dizer ao sacerdote estas coisas, que pesam muito no nosso coração. E assim sentimos que desabafamos diante de Deus, com a Igreja e com o irmão.

Não tenhais medo da Confissão! Quando estamos em fila para nos confessarmos, sentimos tudo isto, também a vergonha, mas depois quando termina a Confissão sentimo-nos livres, grandes, bons, perdoados, puros e felizes. Esta é a beleza da Confissão!

Uma pergunta do Papa também para quem está lendo este texto:

Gostaria de vos perguntar — mas não o digais em voz alta; cada um responda no seu coração: quando foi a última vez que te confessaste? Cada um pense nisto... Há dois dias, duas semanas, dois anos, vinte anos, quarenta anos? Cada um faça as contas, mas cada um diga: quando foi a última vez que me confessei? E se já passou muito tempo, não perca nem sequer um dia; vai, que o sacerdote será bom contigo. É Jesus que está ali presente, e é mais bondoso que os sacerdotes, Jesus receber-te-á com muito amor. Sê corajoso e vai confessar-te!

Se você tem outras dúvidas e perguntas sobre a Confissão, escreva-as no campo dos comentários abaixo.
 
 

Papa presidiu o Rito pela Reconciliação

Papa presidiu o Rito pela Reconciliação

"Converter-se não é questão de um momento, é compromisso que dura a vida toda" Papa Francisco

Vatican
 
© FILIPPO MONTEFORTE/AFP
Nesta sexta-feira, 28, Papa Francisco presidiu o Rito pela Reconciliação de mais penitentes com a confissão e absorção individual.

A Celebração da Penitência aconteceu na Basílica de São Pedro e foi aberta ao público. Alguns fiéis alí presentes puderam se confessar com o Santo Padre. O rito seguiu com cantos penitenciais, Celebração da Palavra, homilia e confissão geral dos pecados.

Homilia do Santo Padre:

No período da Quaresma a Igreja, em nome de Deus, renova o apelo à conversão. É a chamada a mudança de vida. Converter-se não é questão de um momento, ou de um período do ano, é compromisso que dura a vida toda. Quem entre nós pode dizer que não tem pecados? Ninguém. Escreve o apóstolo João: “Se dizemos que não temos pecado, enganamo-nos e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo, tanto a nos perdoar como a nos purificar de toda iniquidade” (1Jo 1,8-9). É o que acontece também nesta celebração e em toda esta jornada penitencial. A Palavra de Deus que escutamos nos introduz em dois elementos essenciais da vida cristã.

O primeiro: Revestir-nos do homem novo. O homem novo “criado segundo Deus” (Ef 4,24), nasce no Batismo, onde se recebe a vida própria de Deus, que nos rende filhos e nos incorpora a Cristo e a Sua Igreja. Esta vida nova permite olhar a realidade com olhar diversificado, sem mais ser distraído das coisas que não contam e não possam durar muito. Por isso somos chamados a abandonar os comportamentos de pecado e fixar o olhar no essencial. “O homem vale mais por aquilo que é que por aquilo tem” (Gaudium et spes, 35). Eis a diferença entre a vida deformada pelo pecado e aquela iluminada da graça. Do coração do homem renovado segundo Deus, provém os comportamentos bons: falar sempre com verdade e evitar cada mentira; não roubar, mas compartilhar aquilo que possui com os outros, especialmente com aqueles que precisam; não ceder à ira, ao rancor e a vingança, mas ser manso, magnânimo e prontos ao perdão; não cair na calúnia que destrói a boa fama das pessoas, mas olhar o lado positivo de cada um.

O segundo elemento: Permanecer no amor. O amor de Jesus Cristo dura para sempre, nunca existirá fim porque é a vida mesma de Deus. Este amor vence o pecado e doa a força de realizar-se e recomeçar, porque com o perdão o coração se renova e rejuvenesce. O nosso Pai não se cansa nunca de amar e os seus olhos não pesam no olhar para estrada de casa, para ver se o filho que se foi e se perdeu retornará. E este Pai não se cansa nem mesmo de amar o outro filho que, permanecendo sempre em casa com ele, todavia não compartilha da sua misericórdia, da sua compaixão. Deus não apenas é a origem do amor, mas em Jesus Cristo nos chama a imitar o seu modo de amar: “Como eu vos amei, assim ameis também os outros” (Jo 13,34). Na medida em que os cristãos vivem este amor, se tornam no mundo discípulos verdadeiros de Cristo. O amor não suporta permanecer fechado em si mesmo. Por sua natureza é aberto, se difunde e é fecundo, gera sempre novo amor.

Caros irmãos e irmãs, depois desta celebração, muitos de vocês se tornarão missionários para propor aos outros a experiência da reconciliação com Deus. “24 horas para o Senhor” é a iniciativa que aderiram muitas dioceses em cada parte do mundo. Aos que encontrarem, podeis comunicar a alegria de receber o perdão do Pai e de reencontrar a amizade plena com Ele. Quem experimenta a misericórdia divina, é levado a ser autor da misericórdia entre os últimos e os pobres. Neste “irmãos menores” Jesus nos espera (cfr Mr 25,40), andemos ao encontro! E celebremos a Páscoa na alegria de Deus!
sources: Vatican
 

Pastor Evangélico converte-se ao catolicismo

Pastor, evangélico desde 1994, Adenilton Turquete se converte à Igreja Católica após 20 anos em igrejas evangélicas

Adenilton Turquete
 
Compartilhando a Graça
Hoje faz exatamente 20 anos do meu batismo na Igreja Assembleia de Deus. Foi em 27 de Março de 1994, domingo, na igreja sede da Assembleia de Deus no Brás (Ministério em Madureira, hoje mais conhecida como AD Brás).

Foi um momento marcante em minha vida, eu estava vivendo uma linda experiência de conversão e aquele ato batismal era o cumprimento de uma decisão tomada poucos meses antes, quando aceitei a Jesus como meu Salvador. Sempre fui apaixonado pelo Evangelho desde criança, quando ganhei minha primeira Bíblia aos sete anos, poderia até ver isso como uma vocação sacerdotal.

Passados estes vinte anos eu vivo novamente a experiência da conversão, mas desta vez minha fé me trouxe de volta à Igreja Católica Apostólica Romana.

No período em que estiva na Assembleia de Deus participei de grupos de mocidade, fui professor de Escola Bíblica Dominical e cursei Teologia(Básico) pela EETAD, curso que deixei pela metade para viver o meu sonho de trabalhar em uma emissora de rádio.

Por um período de sete anos eu apresentei um programa chamado "Jovens Para Cristo", que era patrocinado pelos membros da igreja. Neste período eu trabalhei como funcionário desta emissora até o seu fechamento pela Anatel em 2002. Após o fechamento da emissora de rádio, passei por um período de depressão e me afastei da igreja.

Meses depois eu, por conta própria, decidi procurar uma igreja diferente para frequentar, um misto de vergonha e orgulho me impediu de retornar à minha antiga congregação. Deste tempo, até aqui, fui membro de três igrejas diferentes, passei por altos e baixos na minha fé. Apesar de sucessivas decepções, aconteceu a maior dádiva da minha vida, conheci a moça que hoje é minha esposa e mãe de meu filho. Deus me abençoou com uma família maravilhosa.

Nestes últimos anos desenvolvi diversas atividades ministeriais, especialmente voltadas para a evangelização de jovens, também ministrei cursos para formação de lideres e obreiros. Até que cheguei ao pastorado, fui pastor auxiliar pelo período de um ano e pastor titular por outro período de um ano em uma congregação que inaugurei junto ao ministério do qual fazia parte.

Pouco depois do nascimento de nosso filho, por motivos alheios à minha vontade, renunciei à direção da igreja que pastoreava e meses depois entendi que deveria abrir mão do ministério pastoral. Era dia 12 de Outubro de 2012 eu preguei o meu último sermão na igreja sede da igrea que congregava e sabia que não retornaria mais a um púlpito na condição de pastor.

Tudo que eu sempre almejei e alcancei, deixei pra trás, somente restou em meu coração a ardente paixão pelo Evangelho e minha vida consagrada a Cristo. Ao longo desta experiência muita dor, angústia e lágrimas derramadas.

Talvez, nesse ponto, você esteja se perguntando o motivo de atitudes tão drásticas, tão radicais. Tais motivos, claro existem, mas decidi não falar sobre tais assuntos no momento.

Reencontro com o catolicismo

Fui criado católico, fui batizado, fiz a primeira comunhão, mas aos 18 anos, nenhum destes fundamentos fazia o menor sentido pra mim. Na adolescência fiz parte de movimentos ligados à "Teologia da libertação" e com o passar do tempo fui me afastando da igreja. Aos 18 anos aceitei ao convite de um amigo e fui com sua família a um culto da Assembleia de Deus, fiquei maravilhado com aquela atmosfera. Nunca havia sentido uma sensação tão boa,eu me senti tocado por Deus e aceitei seguir aquele caminho.

De modo algum eu quero invalidar este processo de conversão. Foi uma experiência real, verdadeira e produziu frutos em minha vida.

Porém, não é segredo para ninguém que a expansão do Protestantismo no Brasil, especialmente o ramo pentecostal, se deu por conta de uma visão anti-católica que, baseada em textos bíblicos, proclamava a verdadeira salvação por meio apenas de igrejas pertencentes a este seguimento. Igreja Católica era sinônimo de idolatria e o Papa, o próprio Anti-cristo.
 

 

Quando uma mulher sabe amar

Quando uma mulher sabe amar

Conheça a história de Chiara e seu testemunho de amor e doação como mulher e mãe

Clarissa Oliveira
 
                                                                                                                                                              @DR
Em uma época na qual se defende a ideia de que liberdade é poder fazer o que se quer; numa sociedade cada vez mais individualista e confusa diante dos reais valores da vida, surge um grande desafio aos cristãos: ser sinal de contradição para este mundo.

Neste contexto, o testemunho de Chiara Corbella deixa muitos impressionados. Chiara é, como se costuma dizer, da “geração João Paulo II”, uma mulher cheia de vida, alegre e jovem. Conheceu o seu marido, Enrico Petrillo, em Medugorje e, antes de se casarem, em 2008, fizeram um caminho de namoro acompanhados por frades da cidade de Assis.

Logo em sua primeira gravidez, ela teve uma surpresa ao fazer a ultrassonografia e descobrir que sua filha, Maria, foi diagnosticada com anencefalia. O casal decidiu seguir a gravidez até o fim, o que já foi uma surpresa para muitos. Trinta minutos depois de nascer, Maria veio a falecer.

O segundo filho do casal, Davide, ainda no início da gestação, foi diagnosticado com uma deficiência: ele não possuía as pernas e tinha má-formação visceral. Como na vez anterior, contra a expectativa de muitos, os pais decidiram prosseguir. Ambos os filhos, Maria e Davide, chegaram a nascer e, mesmo vivendo poucos minutos, foram acompanhados pelos pais até o último minuto.

Chiara engravidou novamente, desta vez era Francesco. Os exames mostravam que o menino era saudável, para a alegria do casal. Porém, no quinto mês de gravidez, Chiara descobriu uma lesão na língua e logo na primeira cirurgia os médicos diagnosticaram que se tratava de um câncer. Ela tinha duas opções: seguir com a gravidez ou interrompê-la por causa do tratamento do câncer. A escolha de Chiara foi pela vida de seu filho, ato este que colocou em risco sua própria vida. Foi somente após o parto que Chiara pôde dar início ao tratamento com quimioterapia e radioterapia, que ela enfrentou com muita serenidade e irresoluta confiança na Providência.

Diante de cada uma das suas lutas, Chiara sempre reagiu aceitando-as como provações que Deus lhe concedeu viver. Foi então que, no dia 13 de junho de 2012, Chiara não resistiu e veio a falecer. Hoje, o pai Enrico cuida do filho Francesco e testemunha, por onde passa, a alegria de ter lutado pela vida de seus filhos, e também a coragem e fé que sua esposa teve durante sua caminhada neste mundo.

A história de Chiara nos mostra que podemos nos opor à massiva ideologia que despreza vidas indefesas em ventres maternos por tantos e quaisquer motivos. A capacidade e coragem de dizer “sim” à vida, mesmo em momentos de tribulação, é intrínseca nos cristãos.