segunda-feira, 27 de julho de 2015

Dar Alma à Vida LVII

Dar Alma à Vida LVII

 

Dar Alma à Vida é estar disponível para acolher os desafios de Deus. É seguir Jesus que é o Caminho, a Verdade e a Vida.

 
Dar Alma à Vida é escutar, ver, sentir, gostar e discernir sobre o odor da santidade do chamamento para responder dizendo: “Aqui estou, fala Senhor que o Vosso servo escuta!”.

É que Deus chama até pelo próprio nome e a nossa disponibilidade tem de ser total para que a Vida sinta uma Alma nova para seguir o caminho do Amor e da Entrega.

Dar Alma à Vida é viver a coerência na comunhão com Cristo manifestada numa vida nova de Deus.

É o domínio das nossas realidades existenciais de modo a banir da Vida tudo o que hábitos ou actividades desordenadas.

Dar Alma à Vida é, pois, viver momento a momento a Vida com Amor à imagem e semelhança do Deus Amor.

domingo, 26 de julho de 2015

DAR ALMA À VIDA LVI


Dar Alma à Vida

Dar Alma à Vida é dar lugar ao Espírito porque este congrega, aprofunda, dá força, coragem, alegria, paz, paciência, fidelidade e tolerância.

Dar Alma à Vida é dar valor à Comunidade porque ninguém pode sobreviver isolado, é saber ser paroquiano onde, com os outros, celebra a Eucaristia. É saber que a Eucaristia não esgota toda a actividade porque ela é a síntese de toda a comunidade cristã.

Dar Alma à Vida requer partilha de mentalidades, de métodos diferentes, de critérios opostos, divergentes numa grande comunidade de Amor apesar dos conflitos como já surgiram em Jerusalém.

 
Dar Alma à Vida é ter consciência da dimensão comunitária e dinâmica da fé, que uma comunidade no futuro depende do presente e, por isso, não há comunidade cristã sem Eucaristia.

Dar Alma à Vida é ter a Eucaristia como o coração da cristandade, sem ela não há comunhão, nem capacidade para aceitar transformações em Cristo.

A Eucaristia ajuda-nos à mudança e a combater qualquer tipo de resistências às coisas boas e novas. Dar Alma à Vida é viver a Eucaristia com vontade de mudar e melhorar.

Dar Alma à Vida é fazer com que a Vida seja Amor e Deus é Amor. É viver no Amor de Deus e espelhar esse Amor aos outros.

Dar Alma à Vida é ter Fé. É fazer como Eliseu que com a fé ordenou o que o Espírito lhe ditou, insiste e mata a fome (2 Reis, 4, 42-44).

sábado, 25 de julho de 2015

Um povo que não respeita os avós não tem memória, nem futuro


Um povo que não respeita os avós não tem memória, nem futuro

O Dia dos Avós comemora-se em 26 de julho, festa litúrgica de Santa Ana e São Joaquim, pais de Maria e avós de Jesus. Vale a pena recontar a história que envolve Ana e Joaquim. Viviam emNazaré e não tinham filhos. Nunca deixaram de rezar para que Deus lhes desse um filho. Certo dia, apesar da sua idade avançada, Ana foi surpreendida com a notícia que um anj o lhe comunicou, que estava grávida. Nasceu-lhes uma menina a quem deram o nome Maria, que cresceu e foi escolhida por Deus para ser a mãe de Jesus. Santa Ana é também considerada a padroeira das mulheres grávidas e dos que desejam ter filhos.
 

filhos dos filhos, está confiada uma grande tarefa: transmitir a experiência da vida, a história duma família, duma comunidade, dum povo; partilhar, com simplicidade, uma sabedo-ria e a própria fé, que é a herança mais precio-sa! Felizes aquelas famílias que têm os avós perto! O avô é pai duas vezes e a avó é mãe duas vezes. Nos países, onde grassou cruelmente a perseguição religiosa, foram os avós que levaram as crianças para ser batizadas às escondidas, foram os avós que lhes deram a fé. Valentes! Foram valentes na perseguição e salvaram a fé naqueles países! ” Mais recentemente afirmou: “Um povo que não respeita os avós é um povo sem memória e consequentemente, sem futuro”.

Aquando da sua visita ao Brasil, sublinhou:

 
Sobre a importância dos avós, o Papa Fran­cisco afirmou no dia 28 de setembro de 2014: “Aos avós, que receberam a bênção de ver os

o Papa Francisco peüiu aos paares que “fossem ás periferias” e que “saíssem” na busca dos “filhos mais longe” e a Diocese de Vila Real, pela situação geográfica, “está um pouco distante de Fátima e do centro dos grandes meios”. Referiu que em Chaves, a Imagem Peregrina de Fátima percorreu as artérias da cidade e os cristãos colocaram toda a simbologia mariana em locais visíveis. Sublinhou: “Estes símbo­los foram expressivos e, um deles, é a devoção ao rosário. E bom que se ressuscite a ideia de rezar em família”. Disse ainda: “Os trans- montanos são ‘marianos’ e, sobre­tudo, homens de coerência e de

“Como os avós são importantes na vida da fa­mília, para comunicar o patrimônio de humani­dade e de fé que é essencial para qualquer so­ciedade”. (Antônio Jesus Cunha)
V PORTUCALENSE

 

Dar Alma à Vida… LV


Dar Alma à Vida… LV

 


Dar Alma à Vida é dar tempo à Vida em todo o momento que nos é permitido. É aceitar que, um corpo envelhecido, deixe espelhar beleza, afecto, ternura e deixe viver, fisicamente, o corpo com Vida e com Alma do mesmo modo, como quando éramos meninos e moços.
 

 
Para dar Alma à Vida não podemos desperdiçar o tempo porque o presente é sempre o tempo útil de Vida. Não se pode viver o futuro que ainda não é nosso; e o que passou não volta.

Dar Alma à Vida é não deixar morrer o espírito e o psíquico da nossa Vida, no corpo sempre frágil onde a Alma é Vida e é Vida em abundância.

Dar Alma à Vida é fazer com que o envelhecimento do nosso corpo não nos vença. Reconhecemos que assim possa acontecer, mas há outros valores mais altos que é a própria vida, dom de algo absoluto e transcendente.

Dar Alma à Vida é não nos deixarmos vencer pelo mal, como o

desânimo e tudo o que nos afasta de Deus. É verdade que somos mais velhos, mais limitados, mas, dar Alma à Vida é reconhecer que temos de fazer do envelhecimento uma nova vida rejuvenescida cada dia; e fugindo à Mãe Terra, é dar Alma à Vida que não terá mais fim.

Dar Alma à Vida é não nos deixarmos envelhecer espiritualmente, mas viver a Vida em cada momento como se fosse o primeiro sopro que irá muito para além deste mundo no qual vivemos como peregrinos duma Corte Celeste, onde reina o Senhor da Vida para sempre.

O absoluto, o transcendente é o Rei da Vida que não teve princípio, nem fim.
 

 
Dar Alma à Vida não é ter medo da morte, mas ter cuidado para que esta não nos apanhe de surpresa, como as virgens loucas, mas preparados porque, hora a hora, sabemos com qualidade dar Alma à Vida. É que uma Vida com Alma não morre.

Dar Alma à Vida é procurar no outro, no meu semelhante, algo de transcendente e contingente que faz com que seja um ponto de referência.

Dar Alma à Vida é dar à Vida o sopro de Deus, isto é, onde começa a Vida com Alma.
                                                                                                    Santoinho- P. Coutinho

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Dar Alma à Vida LIV

 
Dar Alma à Vida LIV
 
Dar Alma à Vida é restituir  tudo o que Deus nos deu para Viver.
Dar Alma à Vida não é destruir a natureza, a terra, a água e o ar.
É dar à terra o que ela precisa do homem, como seu gestor, a possibilidade de produzir e deixar que dela façam parte todos os animais que foram criados e doados ao homem.
Dar Alma à Vida é dar Vida aos animais que, ao serviço da criação e do Homem, como gestor e co-criador possa governar o mundo como um todo necessário ao equilíbrio da Vida sobre a Terra.
Dar Alma à Vida é lutar contra tudo o que polui a água e o ar, tudo o que polui o Homem e que o destrói.
Dar Alma à Vida é aceitar a evolução tecnológica não para destruir a natureza, mas para a usar em seu benefício.
 
Dar Alma à Vida é lutar pelo equilíbrio entre a destruição e a construção, a infertilidade e a produtibilidade, entre o ser e o não ser, entre o ter e o não ter; é viver com orgulho o Ser Homem na terra com toda a dignidade, não de um gestor qualquer, mas um gestor que se dá até às últimas consequências pelo bem comum da natureza à qual pertencemos.
 
 
Dar Alma à Vida é Amar para poder ser um criador consequente e em comunhão com o Absoluto para um Mundo Melhor!...
Dar Alma à Vida não é desprezar uns e mimar outros porque tudo é obra de Deus e necessária ao Homem.
 
 
 
 
Dar Alma à Vida é criar interiormente no coração do Homem o Jardim do Eden e transformar o orgulho num Homem humilde não porque se sujeita, mas porque ama e por amor sente a necessidade de VIVER com letra grande que se veja e ilumine ao perto e ao longe como o sol ou a lua que sempre está presente em toda a natureza.
 
 













terça-feira, 21 de julho de 2015

MELGAÇO *** DIA DO BRANDEIRO *** Rota Cisterciense do Alto Minho-Galiza


MELGAÇO

DIA DO BRANDEIRO

Rota Cisterciense do Alto Minho-Galiza

José Rodrigues Lima

 

                O Dia do Brandeiro faz parte do calendário festivo de Melgaço.

                Os homens do cajado firme e com “os olhos cheios de memória e pensamentos lavados pela aragem”, os brandeiros de longas caminhadas celebram as memórias seculares vividas na branda da Aveleira, a mil e duzentos metros de altitude.

                No dia 8 de Agosto o convívio animado e o eco das concertinas chegarão aos contrafortes da serra da Peneda.

                A comemoração de homenagem cumpre com o preconizado na “Declaração Patrimonial” torna pública no dia 7 de Setembro de 1996, inserida no Projeto Memória e Fronteira que concretizou a ação “Brandas do Alto Minho”.

                Os amigos das brandas comungarão um património vivo, verificando as denominadas cardenhas. Trata-se de pequenas construções de abrigo cobertas de líquenes, e são bem a imagem da aspereza primitiva da vida das gentes serranas, frugal e dura, revelando uma tendência ancestral inconscientes.

                Os protagonistas serão os brandeiros, estando previstas comunicações referentes à paisagem cultural realizada por estudiosos da branda, e o testemunho do brandeiro Manuel Carvalho, um octogenário com uma longa história de vida para contar.

                É de referir que também as mulheres subiam à branda.

               

ARTES DA SOLIDARIEDADE ATIVA

 

                A Branda da Aveleira, conjunto harmonioso da montanha, contem uma paisagem cultural com tons cinzentos e acastanhados e diferentes aromas, onde o ar é mais brando e as águas cristalinas e leves.

                Os brandeiros que comungaram estes pedaços de terra que estão densos de permanência e universalismo, foram protagonistas e construtores de uma trama espessa e indissolúvel, onde os fatores geológicos, geográficos, ecológicos e económicos operaram uma constante simbiose que contribuiu para a coesão social, em que o ideário celtista deixou marcas perduráveis.

                “As artes da sobrevivência conviveram com a arte de viver na solidariedade ativa”, de acordo com o sociólogo António Joaquim Esteves.

                Os homens do cajado firme, verdadeiros serranos, seguiram anos a fio a rota da transumância, partindo da parte baixa da freguesia da Gave para a Branda da Aveleira, acompanhados de emoções misturadas com a aventura e inseridos numa comunidade agro-pastoril. “Um lençol e duas mantas; alguns potes ou azados; duas broas e um presunto; dois cabaços descascados e a chicolateira velhinha eram os trastes usados” e constituíam o espólio que transportavam para permanecer de Maio a Setembro na branda, olhando pelo “bibo” ou pela “rês”.

                Homens possuidores de mundividências sábias.

                A quadra do saudoso brandeiro José Maria Rodrigues define o território: “Da Peneda até ao Mouro, / Tudo é teu oh minha terra; / Tens a frescura do rio / E o verde escuro da serra.”

 

CONVERSAS FORA DE TEMPO

 

Os apaixonados pelas terras altas e que apreciam descobrir a alma dos lugares poderão ouvir conversas surpreendentes, mesmo de espanto…

                Quem nasce no monete volta pró monte, como o melro puxa à silvareira. O monte é mais bonito porque fica mais perto do céu. Aqui há silêncio, ar puro, contacto com a natureza, não há poluição… Aqui deixa-se correr o tempo, olha-se o gado e as flores lindas. Bebe-se água fresca, dorme-se uma soneca e assobia-se um pouco. É bom!

                Pela canícula o gado descansa nos cortelhos; pela fresca o “bibo bai pró pasto”.

                No fim do dia arranja-se “o comer” e conversa-se com os outros brandeiro. E pronto, é “noute”, e temos de dormir, pois de manhã cedo é preciso abrir os cortelhos para “o bibo” sair outra vez, retouçando as ervas.

                Isto é um sossego…

                Aqui é a branda da Aveleira, concelho de Melgaço. Lá em baixo encontram-se os ribeiros da Aveleira, do Vidoeiro e do Calcado, juntando-se todos entre Antre-os-Portos, formando o rio Vez. É na junção das águas.

                Há muitas “estóritas” para contar por “bia” dos gados, dos pastos, da pesca nos ribeiros, do Poulo das Beiguinhas, do lobo, dos sustos que apanhamos… Bô! Bô!

                Agora tenho mas é que ir buscar as “bacas” e as cabras.

                Não quero outra “bida” de Maio aos fins de Outubro. Os brandeiros quando lhes apetece, e há forças, fazem alguns labores com logões, arranja-se a couçoeira, conserta-se o tarambelho ou arruma-se a bezerreira”

                É por aqui. Cumprimos a tradição.

 

SANTUÁRIO NATURAL

 

                A branda da Aveleira é considerada um santuário natural, atendendo à riqueza botânica com espécies de valor cientifico considerável, das quais destacamos a abrótea, o vidoeiro, a orquídea, o azevinho, o salgueiro branco, o piorno, a urze, o freixo, o castanheiro, a calta, a angélica e outras.

                Quanto a plantas como vestígio da antiga florestação destacamos o cedro do Oregon e o pinheiro silvestre, para além daquelas que oferecem possibilidades para a medicina alternativa. São de referir ainda a variedade de gramíneas e rupícolas.

                Num ambiente ecológico de rara beleza e com olhares para lugares diferentes, acompanhados por estórias variadas, somos levados a um verdadeiro retorno às origens.

                Aqui verifica-se a trilogia monte, água e gado.

 

TURISMO DE ALDEIA

 

                Com intuito de preservar a diversidade cultural existente na branda vários proprietários candidataram-se ao programa LEADER II, recuperando doze cardenhas, adaptando-as a fim de serem utilizadas pelos turistas que apreciam o silencio da montanha, os valores significativos do património natural e cultural, dando assim descanso ao corpo e paz ao espirito, possuindo condições para usufruição turística, a branda responde a grupos sociais que privilegiam o contacto com a flora e avifauna ao mesmo tempo que descobrem com surpresa caminhos íntimos da cultura.

                Os brandeiros podem ser considerados artistas que moldaram os pedaços de terra das altitudes, conseguindo meios para a sua economia.

Podemos dizer com António Aleixo: “ A arte é força imanente, / Não se ensina, não se aprende, / Não se compra, não se vende, /  Nasce e morre com agente.”

Para além da cultura da batata, do centeio e do feno, muitos brandeiros dedicam-se à apicultura, sendo de referir que um possui 85 colmeias das quais extrai mel de qualidade.

No dizer do grande geógrafo Orlando Ribeiro, “Aqui se encontram também os últimos restos de deambulações de gado grosso, outrora transumante, reduzidas às oscilações periódicas dos cimos para os vales; e, as brandas e inverneiras da serra da Peneda, um caso de povoamento desdobrado, pelas necessidades de pastagem e da cultura, entre os campos e os lameiros de verão e o abrigo das terras baixas exíguas durante o inverno – dupla migração anual que afeta a população de algumas aldeias.”

 

MONGES NA SERRA

 

O historiador M. A. Bernardo Pintor sustenta que os mosteiros cistercienses do Ermelo e Fiães possuíam terra na zona da Aveleira.

Assim, regista: “Ermelo possuía terra no Cando e na Pomba. Fiães igualmente em Fervença, na Bouça dos Homens, assim como Ciche, em Campelo na Aveleira.”

A opinião do citado historiador e de outros contributos levou a que o projeto “Rota Cisterciense do Alto-Minho e Galiza” atravessasse o território da Branda da Aveleira.

O itinerário cultural tem inicio no Mosteiro do Ermelo, passando pelo de Fiães, para na Galiza sinalizar o Mosteiro de S. Clodio de Leiro, alcançando o grande conjunto monacal de Santa Maria de Osseira.

O lema Ora et Labora (Reza e Trabalha) é referência mística dos monges brancos através da história e bem evidenciada no noroeste peninsular.

Nas pegadas dos monges os brandeiros decalcaram os caminhos da montanha.

A Rota Cisterciense para além de outros objetivos preconiza dar visibilidade ao tecido histórico-cultural das comunidades que possuem marcas civilizacionais da ação dos conjuntos monacais.

Assim, pretende-se ligar o Vale do Lima ao Vale do Minho pela montanha, contribuindo para o seu desenvolvimento e constatar a existência de laços antigos entre os cistercienses do Alto Minho e Galiza, bem como fomentar as relações transfronteiriças e desenvolver o turismo cultural e religioso.

 

DA CARTA DA TERRA À ENCÍCLICA “LAUDATO SI”

 

                O corpo doutrinal da recente encíclica “Laudato Si” (Louvado seja) do Papa Francisco, por certo será referenciada, bem como a Carta da Terra (Carta dos Povos – 2000).

                “É fundamental buscar soluções integrais que considerem as interações dos sistemas naturais entre si e com os sistemas sociais. Não há duas crises separadas: uma ambiental e outra social; mas uma única e complexa crise socioambiental.”

                “A Carta da Terra convidava-nos a todos, a começar de novo, deixando para trás uma etapa de autodestruição, mas ainda não desenvolvemos uma consciência universal que o torne possível. Por isso, atrevo-me a propor de novo aquele considerável desafio: como nunca antes na história o destino comum obriga-nos a procurar um novo início (…). Que o nosso seja um tempo que se recorde pelo despertar de uma nova reverencia face à vida, pela firme resolução de alcançar a sustentabilidade, pela intensificação da luta em prol da justiça e da paz e pela jubilosa celebração da vida”. Encíclica “Laudato Si”.

 

A TERRA ESTÁ ENRIQUECIDA COM A VIDA DOS NOSSOS SEMELHANTES

 

                Célebre no âmbito ecológico ficou a carta do Chefe Seattle, escrita em 1854, endereçada ao então Presidente Americano Franklin Pierce, como resposta ao projeto  de compra de uma grande extensão de terra índia, feita pelo grande chefe branco de Washington.

                Destacamos do documento:

                “Por fim, talvez sejamos irmãos…

                Cada parcela desta terra é sagrada para o meu povo…

                Somos parte da terra e do mesmo modo ela é parte de nós próprios. As flores perfumadas são nossas irmãs, o veado, o cavalo, a grande águia são nossos irmãos, as rochas escarpadas, os húmidos prados, o calor do corpo do cavalo e do homem, todos pertencemos à mesma família.

                A água cristalina que corre nos nossos rios e ribeiros não é somente água; representa também o sangue dos nossos antepassados…

                Que seria dos homens sem os animais? Se todos fossem exterminados, o homem também morreria de uma grande solidão espiritual, porque o que suceder aos animais também sucederá ao homem. Tudo está ligado!

Devem ensinar aos vossos filhos que o solo que pisam são as cinzas dos nossos avós. Ensinem aos vossos filhos que a terra está enriquecida com a vida dos nossos semelhantes para que saibam respeitá-la. Ensinem aos vossos filhos aquilo que temos ensinado aos nossos que A TERRA É NOSSA MÃE.

Tudo o que acontecer à terra acontecerá aos filhos da terra”

 

Os brandeiros são homens de carácter firme, personalidades simbólicas, poéticas, de sabedoria, possuidores de segredos que sabem cuidar da biodiversidade e escutam sempre “o grito da terra”.

São merecedores da nossa homenagem pois apontam caminhos patrimoniais não rompidos.

 

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Quando um multimilionário gay e ateu deixa 100 milhões de dólares para a Igreja

Quando um multimilionário gay e ateu deixa 100 milhões de dólares para a Igreja


Robert W. Wilson se suicidou há poucos dias, jogando-se do seu apartamento de luxo. Mas, antes, decidiu doar tudo para a caridade.

Robert W. Wilson era um multimilionário norte-americano. Fez fortuna em Wall Street com os hedge funds (ou, para quem vive no mundo real, com os fundos especulativos). Robert W. Wilson era uma lenda viva, a quintessência do magnata nova-iorquino.
   

La Nuova Bussola

 
16.01.2014
il milionario Robert Wilson© DR
Por Marco Respinti

Robert W. Wilson era um multimilionário norte-americano. Fez fortuna em Wall Street com os hedge funds (ou, para quem vive no mundo real, com os fundos especulativos). Robert W. Wilson era uma lenda viva, a quintessência do magnata nova-iorquino.

Robert W. Wilson morreu no final de dezembro, atirando-se do seu apartamento de luxo no décimo sexto andar do edifício San Remo (também de propriedade dele), que tem vista para o Central Park e fica em um dos mais esnobes bairros de Nova Iorque, o Upper West Side, endereço de celebridades como o diretor de cinema Steven Spielberg, os atores Demi Moore, Glenn Close, Dustin Hoffman, Steve Martin e Bruce Willis, o vocalista Bono Vox e o guru da Apple, Steve Jobs. Só o apartamento, decorado com obras de arte fabulosas, foi avaliado em 20 milhões de dólares. O magnata, porém, nunca andava sequer de táxi: usava sempre a rede de metrô. Nas poucas vezes em que andou de táxi, rachou a corrida com algum outro inquilino do edifício.

Antes de se atirar ao vazio, Robert W. Wilson deixou uma mensagem. Ele sentia o fim se aproximando e não queria se preparar para sofrer o imprevisível. Pensou durante longo tempo no seu gesto final e se preparou para o fim do seu jeito. Decidiu doar todos os seus 800 milhões de dólares à caridade. E doou. Na verdade, já tinha começado a doar dinheiro fazia alguns anos, ganhando assim o respeito e a estima dos americanos. Suas últimas centenas de milhões foram doadas ao World Monuments Fund, ao The Nature Conservancy, à Wildlife Conservation Society e ao Fundo de Defesa Ambiental (EDF, na sigla em inglês), um grupo ambientalista que bate e rebate na tecla da mudança climática: Wilson tinha zombado do assunto durante muito tempo, mas acabou sendo conquistado para a causa.

Quando se matou, há poucos dias, Robert W. Wilson tinha 87 anos de idade. Era notoriamente ateu. Tinha sido casado durante 35 anos. Divorciou-se e anunciou ao mundo a sua homossexualidade. Um ícone perfeito, em suma, do relativista politicamente correto. É precisamente por isso que um fato está dando o que falar: daqueles seus últimos polpudos pacotes de dólares, Wilson deixou 100 milhões nada menos que para a arquidiocese católica de Nova Iorque, liderada pelo combativo cardeal Timothy M. Dolan, que já foi presidente do episcopado norte-americano e que representa exatamente o contrário do seu estilo de vida e da sua ideologia.

Então, por quê? Porque, como o próprio Wilson explicou à Bloomberg News em 2010, "eu percebi que, em todo o nosso país, as escolas católicas estão fechando e que provavelmente Bill Gates não tem dinheiro suficiente para salvá-las". Sarcasmo nova-iorquino e realismo glacial. Ao ajudar os padres católicos da sua cidade, Wilson pretendia ajudar as escolas católicas e, através delas, fazer o máximo com os seus recursos: “Eu sou ateu”, declarou, “mas as escolas católicas têm uma qualidade excepcional e eu achei que era meu dever ajudá-las”.

O poder do Batismo: um bebê agonizante volta à vida

O poder do Batismo: um bebê agonizante volta à vida

 O fato milagroso aconteceu no Chile

Era 1957 e um surto de gripe estava acabando com a vida de centenas de pessoas no Chile. Em Valdivia, a família Eschemann Melero tomou as precauções necessárias para evitar que suas duas filhas pequenas corressem riscos. Mas Maria Soledad, que tinha apenas 45 dias de vida, começou a preocupar sua mãe quando deixou de mamar.

 
 
 
 
 
Portaluz
26.05.2014
Do You Know the Date of Your Baptism Jeffrey BrunoJeffrey Bruno
Era 1957 e um surto de gripe estava acabando com a vida de centenas de pessoas no Chile. Em Valdivia, a família Eschemann Melero tomou as precauções necessárias para evitar que suas duas filhas pequenas corressem riscos. Mas Maria Soledad, que tinha apenas 45 dias de vida, começou a preocupar sua mãe quando deixou de mamar.

Depois de 57 anos, é a própria Maria quem narra, no jornal Portaluz, o que sua família lhe contou sobre aqueles dias nos quais a doença, a morte e a graça sacramental confluiriam para um fato extraordinário que marcaria para sempre, nela e em sua família, a certeza de que Deus existe e nos ama.

O diagnóstico e a condenação

Logo depois de parar de mamar, surgiram também os vômitos, a diarreia e os choros, que evidenciaram algum problema de saúde na recém-nascida. A mãe não hesitou e a levou ao Hospital Regional Base de Valdivia.

Os meios do local eram precários, bem como a efetividade dos tratamentos farmacológicos, para solucionar os problemas que a gripe estava causando em Maria. “Internaram-me duas vezes e, na última, o médico disse à minha mãe: ‘Leve sua filha embora, porque já não podemos fazer nada por ela’”, contou Maria, como sua mãe lhe narrara anos mais tarde.

Alicia, a mãe de Maria, saiu do hospital com sua filha no colo. Agasalhada pelo abraço da sua mãe, a bebê havia acalmado seu choro, mas estava pálida e adormecida. À medida que transcorria a manhã, Maria foi perdendo vitalidade e consciência.

“Por volta das 13h, minha mãe disse que correu comigo a uma farmácia próxima, na esperança de que lá pudessem ajudá-la. Eu não reagia, estava moribunda e infelizmente tampouco lá puderam fazer algo para me ajudar.”

A esperança acaba

Com o peso do diagnóstico médico e vendo que sua filha mal respirava, Alicia, chorando, correu até a casa dos seus pais. “No caminho, ela passou no negócio da família e alertou seus irmãos (meus tios) que eu estava grave, e foi embora comigo nos braços. Logo depois, chegaram minha avó e minha irmã.”

A casa se encheu com vizinhos alertados pelos lamentos das mulheres que viam que a pequena já não reagia. “Então, minha mãe desmaiou. Caiu no chão e, enquanto isso, os vizinhos já tinham começado a preparar uma mesa para o meu velório e a roupa para colocar em mim, pois me davam como morta. Dois vizinhos levantaram a minha mãe e a levaram ao quarto, onde havia uma imagem de Nossa Senhora de Lourdes. Minha mãe contou que suplicava à Virgem que intercedesse a Deus por mim, porque ela não queria que eu partisse.”

Ao encontro de Deus

A casa estava uma bagunça. Alicia, com uma crise nervosa, gritava descontrolada e os vizinhos optaram por levá-la ao hospital. A pequena Maria jazia, inerte, sobre a mesa da sala, quando chegou Sara, irmã de Alicia, que tinha acabado de ficar sabendo do ocorrido com sua sobrinha e tinha uma só certeza desde o primeiro instante em que lhe haviam informado...

“Eram quase 14h do dia 25 de janeiro de 1957 quando minha tia me pegou da mesa, correu à paróquia de Nossa Senhora do Carmo e bateu na porta. O padre americano Enrique Angerhaus abriu do outro lado e ouviu a imperativa demanda: ‘Padre, por favor! O senhor precisa batizar minha sobrinha agora, porque ela não está mais respirando, está agonizando!’.”

“Meu corpo estava gelado, eu já não tinha sinais vitais. Então, o padre preparou as coisas, pegou os santos óleos. As pessoas que estavam na minha casa correram atrás da minha tia e havia muita gente na igreja.”

A vida que flui no sacramento

Como se fosse ontem, Maria explicou detalhadamente que, naquele instante, não haviam nem pensado em padrinhos, então “minha tia pediu a um vizinho e a outra senhora ali que fossem meus padrinhos”.
 
Quando o padre colocou seu dedo na testa da pequena Maria, ungindo-a com o santo óleo, os que estavam mais perto foram testemunhas do fato extraordinário.

“De repente, eu respirei forte, e isso se repetiu no momento em que o padre derramou água benta na minha cabeça, sobre a pia batismal. O sacerdote, tão impactado como todos os presentes, me levantou e, diante da assembleia, disse: ‘O Senhor teve misericórdia desta criança e ela voltou à vida!’”, contou Maria.

A comunidade presente foi testemunha de um fato que marcou a vida da família de Maria e que até hoje ela recorda com carinho. “Quando recebi o Batismo, o Senhor me tirou do sepulcro. Sempre lembro disso quando converso com as minhas irmãs: eu digo que sou como Lázaro, porque o Senhor me tirou do sepulcro e eu voltei à vida.”

Ao longo da sua vida, Maria permaneceu firme na fé e ativa na Igreja. Com seu esposo e os dois filhos que Deus lhe confiou, ela mora na cidade chilena de Punta Arena e é membro fiel da Renovação Carismática. Louvar e agradecer Deus é um ato cotidiano do seu coração agradecido.

“No Batismo – conclui sua narração –, o Senhor se manifesta com uma potência de amor que não conseguimos sequer imaginar.”

Maria é, sem dúvida, uma testemunha privilegiada desta verdade.
                                                                                                              Aleteia

domingo, 19 de julho de 2015

Comunidade ou paróquia?


Comunidade ou paróquia?

                                                                                                                                             Símbolo da diocese de Viana do Castelo
Ainda, muito ameado, existe quem já chame à sua Paróquia, Comunidade, ou até Comunidade Paroquial. Que terão a ver estas palavras com o cerne da evangelização, da nossa casa comum? Fui ver: “Paróquia”, é “delimitação territorial de uma diocese sobre a qual prevalece a jurisdição espiritual de um pároco”, e “Comunidade”, “uma comunhão, concordância, concerto, harmonia”. As palavras possuem a força da nossa identidade, a língua é a nação, por isso vale a pena discernir sobre estes conceitos, porque práticas, algumas ancestrais, mas que convém destrinçar.
 
 
 
 
Pelas palavras nos entendemos, por elas nos desentendemos, elas são o nosso meio comunicativo, florescendo para o bem ou o mal. É bom que nos entendamos é não releguemos para circunstancialismos aquilo que poderá ser a base da nossa unidade e união. Pelas palavras falo ou escrevo, entendo-me ou não, comigo, com os outros, com o mundo dos seres vivos. Pela palavra, ou não estou isolado ou estou. Pela palavra certa, não há guerra, pela incerta quantas pessoas morrem em guerra. A palavra germina na nossa mente o estado da arte quanto ao sentimento, discernimento e ação consequente, por isso não é displicente o uso ou não de determinadas palavras.

A “Comunidade Paroquial” seria por definição, uma comunhão de harmonia, concerto, partilha e concordância, referida a determinados grupos de cristãos, possuindo um encontro na espiritualidade e na ação evangelizadora consequente. O pároco, primeiro entre tantos, é imbuído de pela prática passar a ser um fator de diálogo e de (re) ligação, religar o que não está ligado, nos outros e com o Outro, Outro que “Eu sou”, na expressão feliz da conversa de Deus com Moisés. Por outro lado, seria, por partilha, o “cume” do processo objetivo do encontro de todos, uma “família das famílias”, “cremados” no único que é a razão última da nossa vida: Jesus.

 
Se virmos acima, a “Paróquia”, por si, não significa muito no nosso vocabulário, pois é um “não-diálogo” e um “espaço confinado”, aos fins determinantes de um sujeito que fala, diz e fez, como numa ilha. A “Comunidade” é mais lata, não-definidora de um espaço e um tempo. É o situado numa lógica do abraço, do “ide dois a dois”, e não a “um”. “Comunidade Paroquial” traduz uma colegialidade com a diocese, na partilha da oração e da reflexão comunitária, no agir em relação; não define espaços, mas confirma temporalidades históricas e desafios de futuro. Combate o individualismo e confirma um coletivo - “que sejais UM, como Eu o sou com o Pai”.

Não é uma semântica palavrosa o que reflito convosco, mas a consequência da necessidade da Alegria do Evangelho, como nossa missão.

Joaquim Armindo

Voz Portucalense - 15 de Julho de 2015




Papa anima amigos do povo


Papa anima amigos do povo

O discurso do Papa Francisco, na passada quinta-feira, na Bolívia, no encerramento do II Encontro Mundial de Movimentos Populares, foi de grande coragem profética, exigindo mudanças reais no sistema global, que “impôs a lógica do lucro a todo o custo, sem pensar na exclusão social nem na destruição da natureza.” Denunciou-o porque “não o suportam os camponeses (...), os trabalhadores (...), as comunidades (...), os povos (...) e nem sequer o suporta a Terra.”

Em alternativa, o Papa Francisco pediu aos representantes dos movimentos populares uma “globalização da esperança, que nasce dos povos e cresce entre os pobres”, para “substituir esta globalização da exclusão e da indiferença.”

Fez uma denúncia à “economia que mata”: “Quando o capital se toma um ídolo e dirige as opções dos seres humanos, quando a avidez do dinheiro domina todo o sistema socioeconómico, arruína a sociedade, condena o homem, transforma-o em escravo, destrói a fraternidade inter-humana, faz lutar povo contra povo e até, como vemos, põe em risco esta nossa casa comum.”

Preveniu os ativistas da alternativa a um capitalismo selvagem: “Sabemos, amargamente, que uma mudança de estruturas, que não seja acompanhada por uma conversão sincera das atitudes e do coração, acaba, a longo ou curto prazo, por burocratizar-se, corromper-se e sucumbir.”

Para alcançar a mudança desejável, apontou três tarefas aos movimentos populares: “Pôr a economia ao serviço dos povos” (“O destino universal dos bens não é um adorno retórico da doutrina social da Igreja. E uma realidade anterior à propriedade privada”); “unidade dos povos”, sobretudo na América Latina (“nenhum poder efetivamente constituído tem direito de privar os países pobres do pleno exercício da sua soberania e, quando o fazem, vemos novas formas de colonialismo que afetam seriamente as possibilidades de paz e justiça”); e “defesa da Mãe Terra” (remetendo para a sua recente encíclica sobre a ecologia).

Solidário com movimentos populares, o Papa Francisco concluiu: “Digamos juntos do fundo do coração: nenhuma família sem teto, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhum povo sem soberania, nenhuma pessoa sem dignidade, nenhuma criança sem infância, nenhum jovem sem possibilidades, nenhum idoso sem uma veneranda velhice. Continuai com a vossa luta e, por favor, cuidai bem da Mãe Terra.”

Os movimentos populares da América Latina e de outros continentes, inclusive a Europa, já se tinham encontrado em Roma, sob os auspícios do Papa Francisco, em 2014 (foi tema de uma crónica que assinei neste espaço da VP, em 29 de outubro). Na Bolívia, o discurso histórico do Papa, fundamentado na Doutrina Social da Igreja, foi a cereja em cima do bolo no ativismo social de quem luta pela soberania popular.


Rui Osório

As 5 fases do casamento

As 5 fases do casamento

 Descubra em que etapa você se encontra e transforme os desafios em oportunidades de crescimento

Ainda que não haja regras gerais, é verdade que alguns fatores, tanto externos quanto internos, determinam circunstâncias especiais do casamento; por exemplo, estar casados e sem filhos não é a mesma coisa que levar 20 anos de união e ter filhos jovens. Por isso, é de grande utilidade para os casais identificar a etapa em que vivem e as que estão por vir, para, assim, transformar os desafios em oportunidades de crescimento. 

LaFamilia.info
16.07.2015
Fashionable cool couple © Tatyana__K / ShutterstockFashionable cool couple © Tatyana__K / Shutterstock
Ainda que não haja regras gerais, é verdade que alguns fatores, tanto externos quanto internos, determinam circunstâncias especiais do casamento; por exemplo, estar casados e sem filhos não é a mesma coisa que levar 20 anos de união e ter filhos jovens.

Por isso, é de grande utilidade para os casais identificar a etapa em que vivem e as que estão por vir, para, assim, transformar os desafios em oportunidades de crescimento.

As 5 fases pelas quais o casamento passa são as seguintes:

1ª fase: Transição e adaptação

Esta fase compreende aproximadamente os três primeiros anos de casados. É uma etapa fundamental, dado que nela se estabelecem os fundamentos ou bases da relação. Durante este tempo, o casal se adapta a um novo sistema de vida; por isso, os segredos do sucesso desta fase são a comunicação e a negociação.

É importante que o casal faça um projeto familiar, no qual se visualizem no futuro, e estabeleçam as metas que querem alcançar. Os esposos são provados na forma como lidam com o dinheiro, com o tempo, bem como na distribuição das tarefas do lar, entre outras coisas. É um momento de decisões e acordos.

2ª fase: Estabelecimento e chegada dos filhos

Esta fase acontece entre os 3 e os 10 anos de casados, aproximadamente. A lua-de-mel e o processo de adaptação já terminaram e agora há um maior conhecimento do cônjuge; portanto, é provável que as desavenças sejam mais frequentes – ou, pelo contrário, diminuam, como resultado da maturidade adquirida na primeira etapa de convivência.

Nesta etapa, os esposos aterrissam: o amor é acompanhado mais pela razão que pelo sentimentalismo. A vontade tem um papel importante no binômio compromisso-entendimento.

Nesta época, muitos casais se tornam pais, fato que envolve desafios diferentes e uma nova organização dos papéis. Os cônjuges precisam evitar que a dedicação aos filhos substitua a relação de casal. Também é preciso velar para que os compromissos do trabalho e as demandas da vida diária não deem início a um gradual distanciamento.

3ª fase: Transformação

Esta fase costuma acontecer entre os 10 e 20 anos de casados e pode coincidir com a puberdade dos filhos e a meia-idade dos esposos. Esta última marca um período de reflexão e renovação na vida do ser humano; por isso, é importante que o casal se encontre em um estado saudável e que, individualmente, se viva da melhor maneira possível. Assim, não se tornarão uma ameaça para a estabilidade matrimonial.

Da mesma forma, os esposos precisam buscar que as dificuldades na educação dos filhos não afetem a união conjugal. A unidade na autoridade e o trabalho conjunto devem ser a prioridade.

Nesta etapa, os esposos precisam ser criativos, não cair na rotina (fácil e silenciosa), redescobrir-se novamente como casal e conectar-se mais uma vez.

4ª fase: Estabilidade e ninho vazio

Esta etapa chega entre os 20 e 35 anos de união. “Quando os casais foram capazes de resolver conflitos e crises nas etapas anteriores, este é um período de estabilidade e uma oportunidade para chegar a um maior desenvolvimento e realização pessoal e como casal”, afirma o autor Francisco Castañera em seu artigo “Ciclo de vida do casamento”.

Nesta fase, geralmente se dá a “síndrome do ninho vazio”, o que situa o casal em uma nova forma de vida: os filhos foram embora e agora os esposos estão mais disponíveis um para o outro. Para algumas pessoas, esta pode ser uma circunstância difícil, pois envolve o desprendimento dos filhos e possivelmente o sentimento de solidão. No entanto, é algo que os pais acabam assumindo e superando ao longo do tempo.

O mais valioso desta etapa é a solidez e o conhecimento pleno do casal: a capacidade de dialogar, tolerar melhor as diferenças, rir dos próprios erros, fazer as críticas de maneira carinhosa, iniciar juntos alguma atividade. É o momento de reafirmar mais ainda a criatividade e encontrar novos desafios na vida conjugal.

5ª fase: Envelhecer juntos

Esta etapa ocorre geralmente a partir dos 35 anos de casamento. Algumas pessoas optam pela aposentadoria, e assim surge algo muito positivo, pois há mais tempo para que os esposos curtam um ao outro. Realizam atividades antes impossíveis pelas ocupações de trabalho e encontram uma grande motivação: os netos. Estes pequenos dão luz e felicidade ao casal nesta fase.

Os esposos precisam de muito apoio e carinho um do outro. Os conflitos desta etapa são bem menos frequentes; a maioria dos casais se estabilizou em linhas de poder e intimidade.

Para finalizar, uma reflexão em palavras de Francisco Castañera: “Este percurso nos leva a refletir sobre a importância de valorizar, durante todo o nosso casamento, a qualidade e quantidade da nossa intimidade, o apoio e o carinho que damos ao nosso cônjuge, e não esperar a última etapa, quando o final está próximo”.