As 4 dimensões do amor humano
Somente a integração dessas 4 dimensões permite que o amor dure para sempre
Somente a integração dessas 4 dimensões permite que o amor dure para sempre
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29.04.2015
Para construir um casamento duradouro, para manter-se fiel e para ter a certeza de estar dando passos seguros na construção da felicidade, é preciso edificar sobre bases firmes as relações de namoro.
Um dos primeiros erros cometidos de maneira frequente é estabelecer relações sustentadas na simples química cerebral, essa que desperta em nós a atração pela outra pessoa e que, de maneira arriscada, nos faz chamar de “amor” o que ainda não o é.
O enamoramento como tal é apenas a infância do amor e precisa crescer até desaparecer, para ceder seu espaço à escolha livre e ao compromisso duradouro. Por isso, quero compartilhar nesta reflexão as 4 dimensões do amor humano:
1. Todo amor humano tem uma dimensão biológica. As sensações corpóreas, a química cerebral, a atração à primeira vista despertam no organismo, de maneira instintiva, uma forte atração sobre a outra pessoa, fazendo que, de maneira errônea, achemos que amamos quando simplesmente sentimos uma atração pela pessoa.
2. Todo amor humano tem uma dimensão afetiva. Ela se sobrepõe ao primeiro impulso corporal; a descoberta da outra pessoa em seus valores fundamentais nos fazem entender que já não se trata somente de atração física, mas que existem também valores espirituais que nos permitem envolver-nos emocional e afetivamente com ela. Assim, passa-se da atração ao enamoramento. É somente nesta segunda dimensão que o enamoramento surge. Tal enamoramento é simplesmente o desejo de apropriação daquilo de bom que vemos no outro, alimentado pelo desejo de possuí-lo fisicamente mediante a relação sexual.
3. Todo amor humano tem uma dimensão pessoal. Isso, claro, entendendo que somos pessoas, ou seja, seres integrais que não só estabelecem uma relação afetivo-corporal, mas também um vínculo no qual todos os valores humanos, espirituais, emocionais, econômicos e intelectuais nos fazem comprometer-nos com o outro. É só neste momento que surge o compromisso real e o desejo de permanência para sempre.
4. Todo amor humano tem uma dimensão transcendente. Isso significa que somos capazes de compreender que a relação em construção não tem como finalidade somente a entrega mútua e a procriação como fruto dessa entrega, mas que somos chamados juntos à santidade e à transcendência. Trata-se de um amor que não é só intramundano, mas que vai muito além deste mundo, porque tem suas raízes em Deus. Esta dimensão surge quando cada um possui uma relação com Deus séria, íntima e disciplinada.
Quando não se consegue superar as duas primeiras dimensões, então as pessoas ficam presas à dependência mútua e se tornam viciadas uma na outra, buscando simplesmente saciar suas próprias necessidades afetivas, sem conseguir ir além dos sentimentos expressados mediante a genitalidade.
Só a integração dessas 4 dimensões permite que o amor seja para sempre. Pelo contrário, sua desvinculação só traz como consequência a infidelidade, a criação de necessidades e de apropriação do outro, a exploração afetiva dos demais.
Nem na dimensão biológica nem na afetiva podem dar-se a escolha e o compromisso; é necessário ir à dimensão pessoal, à totalidade do que se é como pessoa, como humano, à vinculação da liberdade inteira, à superação do próprio egoísmo, ao despojamento das próprias necessidades afetivas e da exploração ou coisificação do outro, para começar a amar de verdade.
A última das dimensões acrescente um “plus” de sobrenaturalidade, que permite aos (futuros) esposos aprender a amar-se no Senhor.
Um dos primeiros erros cometidos de maneira frequente é estabelecer relações sustentadas na simples química cerebral, essa que desperta em nós a atração pela outra pessoa e que, de maneira arriscada, nos faz chamar de “amor” o que ainda não o é.
O enamoramento como tal é apenas a infância do amor e precisa crescer até desaparecer, para ceder seu espaço à escolha livre e ao compromisso duradouro. Por isso, quero compartilhar nesta reflexão as 4 dimensões do amor humano:
1. Todo amor humano tem uma dimensão biológica. As sensações corpóreas, a química cerebral, a atração à primeira vista despertam no organismo, de maneira instintiva, uma forte atração sobre a outra pessoa, fazendo que, de maneira errônea, achemos que amamos quando simplesmente sentimos uma atração pela pessoa.
2. Todo amor humano tem uma dimensão afetiva. Ela se sobrepõe ao primeiro impulso corporal; a descoberta da outra pessoa em seus valores fundamentais nos fazem entender que já não se trata somente de atração física, mas que existem também valores espirituais que nos permitem envolver-nos emocional e afetivamente com ela. Assim, passa-se da atração ao enamoramento. É somente nesta segunda dimensão que o enamoramento surge. Tal enamoramento é simplesmente o desejo de apropriação daquilo de bom que vemos no outro, alimentado pelo desejo de possuí-lo fisicamente mediante a relação sexual.
3. Todo amor humano tem uma dimensão pessoal. Isso, claro, entendendo que somos pessoas, ou seja, seres integrais que não só estabelecem uma relação afetivo-corporal, mas também um vínculo no qual todos os valores humanos, espirituais, emocionais, econômicos e intelectuais nos fazem comprometer-nos com o outro. É só neste momento que surge o compromisso real e o desejo de permanência para sempre.
4. Todo amor humano tem uma dimensão transcendente. Isso significa que somos capazes de compreender que a relação em construção não tem como finalidade somente a entrega mútua e a procriação como fruto dessa entrega, mas que somos chamados juntos à santidade e à transcendência. Trata-se de um amor que não é só intramundano, mas que vai muito além deste mundo, porque tem suas raízes em Deus. Esta dimensão surge quando cada um possui uma relação com Deus séria, íntima e disciplinada.
Quando não se consegue superar as duas primeiras dimensões, então as pessoas ficam presas à dependência mútua e se tornam viciadas uma na outra, buscando simplesmente saciar suas próprias necessidades afetivas, sem conseguir ir além dos sentimentos expressados mediante a genitalidade.
Só a integração dessas 4 dimensões permite que o amor seja para sempre. Pelo contrário, sua desvinculação só traz como consequência a infidelidade, a criação de necessidades e de apropriação do outro, a exploração afetiva dos demais.
Nem na dimensão biológica nem na afetiva podem dar-se a escolha e o compromisso; é necessário ir à dimensão pessoal, à totalidade do que se é como pessoa, como humano, à vinculação da liberdade inteira, à superação do próprio egoísmo, ao despojamento das próprias necessidades afetivas e da exploração ou coisificação do outro, para começar a amar de verdade.
A última das dimensões acrescente um “plus” de sobrenaturalidade, que permite aos (futuros) esposos aprender a amar-se no Senhor.




Todas as nossas tentativas têm as mesmas intenções: sentir que somos amados, mas amados por nós mesmos, pelo que somos, pelo que significamos como pessoas únicas e singulares. Neste sentido, não importa a profissão da pessoa, seus talentos ou atributos dados pela natureza ou por Deus, mas simplesmente o amor que vale por si mesmo, mas por nós mesmos.
Ninguém quer ser amado pelo que dá, pelo que oferece, pelo que representa, pelo que tem, pela sua beleza ou por sua ética. Nós queremos ser amados “porque sim”, por sermos quem somos. Mas quando esta experiência se frustra ou é abortada em pleno processo de formação, então é mais fácil deixar de acreditar nele e afirmar simplesmente que estamos diante de uma utopia ridícula e sonhadora, própria de quem não conhece quão baixo e miserável pode ser o coração humano.
Mas é importante saber que não ter encontrado, construído, vivenciado o amor verdadeiro não significa que este não seja uma realidade. Falar dele, pensar nele, ansiar por ele já é uma prova da sua existência. Santo Agostinho dizia que “não existem desejos vãos”: quando há sede, é porque existe algo que a acalma; se há fome, é porque esta pode ser saciada; se existe o anseio pelo amor, este só pode ser uma grande verdade.
Mas será que tudo aquilo a que chamamos “amor” pode realmente receber este nome? Será que esse “frio na barriga” que sentimos quando nos apaixonamos pode levar este tão sublime nome? Aquele primeiro impacto sensitivo que “fere” os afetos e rouba a paz do pensamento por ter visto alguém que gerou em nós uma poderosa química, e que pode ser explicado de maneira fisiológica, como quando um animal é capaz de produzir atração sobre a fêmea para poder acasalar, não pode ser colocado no mesmo nível humano e chamado de “amor à primeira vista”.
O erro não foi do amor, mas do conceito equivocado dele que alguns músicos e poetas nos venderam, e daqueles que vivem tudo de maneira epidérmica, como se fossem vegetais, e simplesmente estão dispostos a seguir tudo o que os sentidos lhes sugerem.
Os sentidos só se satisfazem de maneira imediata, acalmam o apetite de maneira fugaz, mas logo depois voltam a pedir a mesma coisa, ou inclusive novas experiências, pois as anteriores se tornam cada vez mais monótonas.
E isso não pode ser chamado de amor. O amor é outra coisa. É a experiência de quem sabe se doar não somente sob o calor de limpos lençóis, nem só com a ternura que flui da sua pele para beijar quem lhe desperta desejos.
O amor possui uma dinâmica que exige a entrega de si mesmo a outra pessoa, que não se submete somente ao que a pele lhe pede, que constrói o outro como constrói a si mesmo. Porque o amor sabe dar, mas sobretudo sabe dar a si mesmo, sabe morrer (não necessariamente perdendo a vida física), pois entende que, quando existe oblação, doação, não são apenas os projetos pessoais que importam, mas os compartilhados.
Quem ama sabe o que significa a dor, pois amar dói, e dói não porque gera sofrimento, mas porque é capaz de entregar uma das coisas mais instintivas que possuímos e que nunca gostaríamos de perder: a capacidade de ser donos de nós mesmos, para saber que há alguém com quem contamos para tomar decisões.
Quem ama entende que já não faz sentido criar um projeto pessoal que não envolva a outra pessoa; que já não é o meu dinheiro e o seu dinheiro, mas o da nossa família; que já não se pode pensar com uma só cabeça, nem por duas, mas com nossas mentes em comum, para buscar o melhor para todos.