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segunda-feira, 20 de julho de 2015

Quando um multimilionário gay e ateu deixa 100 milhões de dólares para a Igreja

Quando um multimilionário gay e ateu deixa 100 milhões de dólares para a Igreja


Robert W. Wilson se suicidou há poucos dias, jogando-se do seu apartamento de luxo. Mas, antes, decidiu doar tudo para a caridade.

Robert W. Wilson era um multimilionário norte-americano. Fez fortuna em Wall Street com os hedge funds (ou, para quem vive no mundo real, com os fundos especulativos). Robert W. Wilson era uma lenda viva, a quintessência do magnata nova-iorquino.
   

La Nuova Bussola

 
16.01.2014
il milionario Robert Wilson© DR
Por Marco Respinti

Robert W. Wilson era um multimilionário norte-americano. Fez fortuna em Wall Street com os hedge funds (ou, para quem vive no mundo real, com os fundos especulativos). Robert W. Wilson era uma lenda viva, a quintessência do magnata nova-iorquino.

Robert W. Wilson morreu no final de dezembro, atirando-se do seu apartamento de luxo no décimo sexto andar do edifício San Remo (também de propriedade dele), que tem vista para o Central Park e fica em um dos mais esnobes bairros de Nova Iorque, o Upper West Side, endereço de celebridades como o diretor de cinema Steven Spielberg, os atores Demi Moore, Glenn Close, Dustin Hoffman, Steve Martin e Bruce Willis, o vocalista Bono Vox e o guru da Apple, Steve Jobs. Só o apartamento, decorado com obras de arte fabulosas, foi avaliado em 20 milhões de dólares. O magnata, porém, nunca andava sequer de táxi: usava sempre a rede de metrô. Nas poucas vezes em que andou de táxi, rachou a corrida com algum outro inquilino do edifício.

Antes de se atirar ao vazio, Robert W. Wilson deixou uma mensagem. Ele sentia o fim se aproximando e não queria se preparar para sofrer o imprevisível. Pensou durante longo tempo no seu gesto final e se preparou para o fim do seu jeito. Decidiu doar todos os seus 800 milhões de dólares à caridade. E doou. Na verdade, já tinha começado a doar dinheiro fazia alguns anos, ganhando assim o respeito e a estima dos americanos. Suas últimas centenas de milhões foram doadas ao World Monuments Fund, ao The Nature Conservancy, à Wildlife Conservation Society e ao Fundo de Defesa Ambiental (EDF, na sigla em inglês), um grupo ambientalista que bate e rebate na tecla da mudança climática: Wilson tinha zombado do assunto durante muito tempo, mas acabou sendo conquistado para a causa.

Quando se matou, há poucos dias, Robert W. Wilson tinha 87 anos de idade. Era notoriamente ateu. Tinha sido casado durante 35 anos. Divorciou-se e anunciou ao mundo a sua homossexualidade. Um ícone perfeito, em suma, do relativista politicamente correto. É precisamente por isso que um fato está dando o que falar: daqueles seus últimos polpudos pacotes de dólares, Wilson deixou 100 milhões nada menos que para a arquidiocese católica de Nova Iorque, liderada pelo combativo cardeal Timothy M. Dolan, que já foi presidente do episcopado norte-americano e que representa exatamente o contrário do seu estilo de vida e da sua ideologia.

Então, por quê? Porque, como o próprio Wilson explicou à Bloomberg News em 2010, "eu percebi que, em todo o nosso país, as escolas católicas estão fechando e que provavelmente Bill Gates não tem dinheiro suficiente para salvá-las". Sarcasmo nova-iorquino e realismo glacial. Ao ajudar os padres católicos da sua cidade, Wilson pretendia ajudar as escolas católicas e, através delas, fazer o máximo com os seus recursos: “Eu sou ateu”, declarou, “mas as escolas católicas têm uma qualidade excepcional e eu achei que era meu dever ajudá-las”.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Meu amigo ateu

Meu amigo ateu

Pedi a Jesus que tocasse esse coração generoso e me ajudasse a dar um bom testemunho

Claudio de Castro
 
                                                                                          
© Iglesia en Valladolid
 
 
Participar de uma feira do livro é uma experiência singular. Todos os anos, alguém para na frente do meu estande, observa meus livros com curiosidade, olha para cima e lê o logotipo ("Editores Católicos") e, de repente, me diz: "Eu sou ateu".

A pessoa olha para mim esperando uma reação. Talvez imagine que pularei para trás ou me afastarei dela. Ela diz isso como se tivesse varíola ou outra doença contagiosa. Mas não consegue imaginar que nela eu vejo este Deus que habita em nós, pois "nele vivemos, nos movemos e somos".

Na verdade, espero com emoção por estas pessoas. Adoro conversar com elas, trocar ideias. Não procuro convencê-las. Isto cabe a Deus. Eu só escuto, sorrio e conversamos.

Este ano, eu estava mais atarefado do que nunca, carregando caixas, colocando livros nas prateleiras e, de repente, ele apareceu.

Era um uruguaio. Parou na frente do meu estande e me olhou como quem diz: "Você realmente acredita nestas coisas?". E então repetiu a frase pela qual eu esperei um ano inteiro: "Eu sou ateu". Foi um momento maravilhoso. Abri um sorriso, feliz pelo encontro. E ele ficou surpreso.

Eu lhe ofereci um livro sobre a família. "É um livro familiar", comentei. E ele o comprou. Depois de um tempo, voltou dizendo: "Você me enganou. Li o seu livro e ele fala de Deus". Na verdade, eu nunca quis que ele se sentisse incômodo, muito pelo contrário.

"Perdoe-me, não pude evitar – desculpei-me. Mesmo que eu quisesse me calar, sempre penso em Deus. E não consigo evitar mencioná-lo." Nesse momento, começamos nossa conversa.

"Você é o meu amigo ateu", comentei-lhe, feliz. Ele me olhou sem entender. Não conseguia imaginar que eu o esperei durante um ano. E lhe expliquei.

Cada dia, no começo da feira, eu o via passar e nos cumprimentávamos de longe, cordialmente. Era uma boa pessoa. De vez em quando, eu o procurava para cumprimentá-lo. E trocávamos algumas palavras amáveis.

No último dia, fui até o seu estande para dar-lhe um livro: "A ternura de Jesus". E ele me perguntou com ironia: "Por que será que vocês, cristãos, sempre que encontram um ateu, querem convertê-lo?".

"A única coisa que eu quero é lhe presentear com um dos meus livros – respondi – para que você o tenha como uma lembrança. Somente isso, uma lembrança." Ele pegou o livro como quem quer e não quer ao mesmo tempo. Guardou-o no bolso da sua camisa, perto do coração.

Pedi a Jesus que tocasse esse coração generoso. E a mim, que me ajudasse a dar um bom testemunho ao longo do próximo ano, até que voltemos a nos encontrar.