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domingo, 19 de julho de 2015

As 5 fases do casamento

As 5 fases do casamento

 Descubra em que etapa você se encontra e transforme os desafios em oportunidades de crescimento

Ainda que não haja regras gerais, é verdade que alguns fatores, tanto externos quanto internos, determinam circunstâncias especiais do casamento; por exemplo, estar casados e sem filhos não é a mesma coisa que levar 20 anos de união e ter filhos jovens. Por isso, é de grande utilidade para os casais identificar a etapa em que vivem e as que estão por vir, para, assim, transformar os desafios em oportunidades de crescimento. 

LaFamilia.info
16.07.2015
Fashionable cool couple © Tatyana__K / ShutterstockFashionable cool couple © Tatyana__K / Shutterstock
Ainda que não haja regras gerais, é verdade que alguns fatores, tanto externos quanto internos, determinam circunstâncias especiais do casamento; por exemplo, estar casados e sem filhos não é a mesma coisa que levar 20 anos de união e ter filhos jovens.

Por isso, é de grande utilidade para os casais identificar a etapa em que vivem e as que estão por vir, para, assim, transformar os desafios em oportunidades de crescimento.

As 5 fases pelas quais o casamento passa são as seguintes:

1ª fase: Transição e adaptação

Esta fase compreende aproximadamente os três primeiros anos de casados. É uma etapa fundamental, dado que nela se estabelecem os fundamentos ou bases da relação. Durante este tempo, o casal se adapta a um novo sistema de vida; por isso, os segredos do sucesso desta fase são a comunicação e a negociação.

É importante que o casal faça um projeto familiar, no qual se visualizem no futuro, e estabeleçam as metas que querem alcançar. Os esposos são provados na forma como lidam com o dinheiro, com o tempo, bem como na distribuição das tarefas do lar, entre outras coisas. É um momento de decisões e acordos.

2ª fase: Estabelecimento e chegada dos filhos

Esta fase acontece entre os 3 e os 10 anos de casados, aproximadamente. A lua-de-mel e o processo de adaptação já terminaram e agora há um maior conhecimento do cônjuge; portanto, é provável que as desavenças sejam mais frequentes – ou, pelo contrário, diminuam, como resultado da maturidade adquirida na primeira etapa de convivência.

Nesta etapa, os esposos aterrissam: o amor é acompanhado mais pela razão que pelo sentimentalismo. A vontade tem um papel importante no binômio compromisso-entendimento.

Nesta época, muitos casais se tornam pais, fato que envolve desafios diferentes e uma nova organização dos papéis. Os cônjuges precisam evitar que a dedicação aos filhos substitua a relação de casal. Também é preciso velar para que os compromissos do trabalho e as demandas da vida diária não deem início a um gradual distanciamento.

3ª fase: Transformação

Esta fase costuma acontecer entre os 10 e 20 anos de casados e pode coincidir com a puberdade dos filhos e a meia-idade dos esposos. Esta última marca um período de reflexão e renovação na vida do ser humano; por isso, é importante que o casal se encontre em um estado saudável e que, individualmente, se viva da melhor maneira possível. Assim, não se tornarão uma ameaça para a estabilidade matrimonial.

Da mesma forma, os esposos precisam buscar que as dificuldades na educação dos filhos não afetem a união conjugal. A unidade na autoridade e o trabalho conjunto devem ser a prioridade.

Nesta etapa, os esposos precisam ser criativos, não cair na rotina (fácil e silenciosa), redescobrir-se novamente como casal e conectar-se mais uma vez.

4ª fase: Estabilidade e ninho vazio

Esta etapa chega entre os 20 e 35 anos de união. “Quando os casais foram capazes de resolver conflitos e crises nas etapas anteriores, este é um período de estabilidade e uma oportunidade para chegar a um maior desenvolvimento e realização pessoal e como casal”, afirma o autor Francisco Castañera em seu artigo “Ciclo de vida do casamento”.

Nesta fase, geralmente se dá a “síndrome do ninho vazio”, o que situa o casal em uma nova forma de vida: os filhos foram embora e agora os esposos estão mais disponíveis um para o outro. Para algumas pessoas, esta pode ser uma circunstância difícil, pois envolve o desprendimento dos filhos e possivelmente o sentimento de solidão. No entanto, é algo que os pais acabam assumindo e superando ao longo do tempo.

O mais valioso desta etapa é a solidez e o conhecimento pleno do casal: a capacidade de dialogar, tolerar melhor as diferenças, rir dos próprios erros, fazer as críticas de maneira carinhosa, iniciar juntos alguma atividade. É o momento de reafirmar mais ainda a criatividade e encontrar novos desafios na vida conjugal.

5ª fase: Envelhecer juntos

Esta etapa ocorre geralmente a partir dos 35 anos de casamento. Algumas pessoas optam pela aposentadoria, e assim surge algo muito positivo, pois há mais tempo para que os esposos curtam um ao outro. Realizam atividades antes impossíveis pelas ocupações de trabalho e encontram uma grande motivação: os netos. Estes pequenos dão luz e felicidade ao casal nesta fase.

Os esposos precisam de muito apoio e carinho um do outro. Os conflitos desta etapa são bem menos frequentes; a maioria dos casais se estabilizou em linhas de poder e intimidade.

Para finalizar, uma reflexão em palavras de Francisco Castañera: “Este percurso nos leva a refletir sobre a importância de valorizar, durante todo o nosso casamento, a qualidade e quantidade da nossa intimidade, o apoio e o carinho que damos ao nosso cônjuge, e não esperar a última etapa, quando o final está próximo”.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

A verdadeira alegria da família vem da harmonia profunda entre as pessoas

Sociedade

Casamento: derrubando mitos sobre a mulher

A verdadeira alegria da família vem da harmonia profunda entre as pessoas


matrimonio © gerrit.photography
O termo “harmonia” deriva do grego ἁρμονία (harmonia), que significa ajustamento, união e combinação de sons simultâneos e diferentes, mas acordes.

O Papa Francisco se referiu precisamente a esta harmonia na homilia dada aos participantes do Encontro das Famílias, em 27 de outubro de 2013: “A verdadeira alegria que se desfruta na família vem da harmonia profunda entre as pessoas, que todos experimentam em seu coração e que nos faz sentir a beleza de estar juntos, de sustentar-nos mutuamente no caminho da vida”.

E acrescentou: “Só Deus sabe criar a harmonia das diferenças. Se falta o amor de Deus, também a família perde a harmonia, prevalecem os individualismos e se apaga a alegria”.

Então, só se aceitarmos, unirmos e combinarmos sons diferentes, mas acordes, viveremos em harmonia. Uma harmonia que, como bem disse Bento XVI, se realiza graças ao empenho paciente, fadigoso, que requer tempo e sacrifícios, com o esforço de escutar-se mutuamente, evitando excessivos protagonismos e privilegiando o melhor êxito do conjunto.

Pois bem, o casamento é como a música. Cada som diferente é necessário para criar uma melodia agradável e extraordinária, um todo, repleto de ritmo, pausas, equilíbrio, tempos, tensão, repouso...

Há um texto de São Paulo que incomoda muitos: “Mulheres, submetam-se aos seus maridos como ao Senhor, porque o marido é a cabeça da mulher, assim como Cristo é a cabeça da Igreja. Assim como a Igreja se submete a Cristo, as mulheres devem se submeter aos seus maridos em tudo”.

Mas explicar o papel das mulheres na época de São Paulo, com a mentalidade do século 21, é um pouco difícil e complicado. Temos de fazer um esforço e mergulhar na cultura, na educação e nos costumes da época para entender isso em sua correta medida.

De qualquer maneira, há algo claro: a mulher de hoje encontra muitas dificuldades para viver, inventar e cumprir seu papel com dignidade, responsabilidade e respeito, seja qual for o papel que ela decidir que lhe corresponde.

Oferecer suas qualidades femininas como esposa, mãe, empresária do lar ou até como profissional não é fácil.

Neste sentido, vale a pena recordar quatro mitos que costumam confundir muitos sobre este tema e que continuam tendo uma enorme atualidade:

1. O primeiro é o mito de ver a mulher somente como natureza: sua natureza lhe atribui este ou aquele papel. O mito tem algo radicalmente falso: a mulher se faz e se inventa. Mas tem algo de profundamente verdadeiro: ela se inventa a partir da sua natureza de mulher.

2. O segundo mito é o da emancipação da mulher. Radicalmente falso, quando por “emancipação” se entende somente cortar correntes e não, além disso, assumir responsabilidades. Radicalmente falso com relação à família, quando se entende como livrar-se da família, livrar-se da sua condição de mulher, desligar-se da maternidade.

Mas profundamente verdadeiro quando “emancipar-se” é entendido como participação, com a mesma dignidade do homem, de um projeto de libertação comum, de liberdade solidária, baseada no serviço à família, para encontrar no serviço mútuo a possibilidade de crescimento pessoal.

3. O terceiro é o mito da inferioridade: a mulher seria inferior ao homem, teria de assumir um papel subordinado. É um mito radicalmente falso, porque os fatos psicológicos indicam diferenças entre os sexos, não superioridade geral de nenhum sobre outro.

4. O quarto mito é o da igualdade: é o mais obviamente falso. A mulher, felizmente, não é igual ao homem. Não é superior, nem inferior, nem igual: é diferente.

Ela tem, hoje, assim como o homem, a aspiração ética de que se reconheça sua igualdade como pessoa, não só em uma abstrata dignidade, mas de fato e de direito na vida de cada dia.
 Mas, psicológica, biológica e humanamente, homem e mulher são diferentes, e esta diversidade é respectiva. A única maneira de superar o mito da inferioridade não é esconder-se por trás do mito da igualdade, mas assumir um projeto de complementação.

Esta diversidade respectiva é uma das suas riquezas, que abrange as duas maneiras de ser pessoa humana. Quando se diminui ou amputa uma, tentando torná-la idêntica à outra, a pessoa se empobrece. Mas se enriquece quando, pelo contrário, em igualmente como pessoas, se aprofunda na diversidade das duas maneiras complementárias de ser: masculina e feminina.

Todos nós precisamos nos reeducar nossa forma de estar juntos na vida, na família, no trabalho, no lar. Em suma, em como conseguir um apoio mútuo por meio da coesão, da diversidade e da independência da nossa feminilidade e nossa masculinidade.

Porque, no casamento, ninguém se submete a ninguém. A força do casamento é o amor. Doar-se e aceitar o outro. Entregar-se com liberdade, responsabilidade, entusiasmo, respeito, alegria.

Como diz Antonio Vázquez, “o amor verdadeiro sempre respeita o outro em sua essência, ama-o, aceita-o como é, reconhece seu direito de ser ele mesmo, deseja que não abandone sua personalidade”.

Trata-se, então, de criar harmonia em nosso projeto de vida, nosso caminho divino, dado que “querer amar, exclusivamente você, até o fim das nossas vidas” é e deve ser a melodia mais perfeita e maravilhosa que podemos compor.

(Artigo publicado originalmente por Primeros Cristianos)

domingo, 28 de setembro de 2014

O casamento é um dom natural e sobrenatural de Deus

O casamento é um dom natural e sobrenatural de Deus


A Sagrada Escritura revela que Deus criou o casamento natural para o bem de todos e que Cristo o redimiu e elevou a sacramento

 
Theresa Notare, Ph.D.
 
Vinogradov Illya
A Sagrada Escritura revela que Deus criou o casamento para o bem do seu povo. O casamento, afinal, é uma bênção para todos, inclusive para os não casados, já que ele nutre os cônjuges, alimenta a família e constrói a sociedade. Estes pontos muito simples, mas de extrema importância, estão no coração da visão católica sobre o casamento. Eles são os ingredientes que nos permitem dizer que o casamento é uma vocação, um verdadeiro caminho de santidade na vida.

É Deus, conforme proclama a Igreja católica, o autor do casamento. No mundo contemporâneo, cujo foco está quase sempre nos talentos e nas habilidades de homens e mulheres, é fácil achar que até o casamento esteja sujeito à inventividade humana. Mas a nossa fé nos diz o contrário: "O casamento não é (...) um efeito do acaso nem um produto da evolução de forças naturais inconscientes; o casamento é uma sábia instituição do Criador para realizar na humanidade o seu desígnio de amor" (Humanae vitae, 8).

O casamento é uma "bênção original" que Deus deu aos homens e mulheres desde o "princípio do mundo" para o bem da humanidade. A linguagem figurativa do Gênesis conta que Deus criou os homens e mulheres "à Sua imagem" (Gn 1,27). Ser feitos à imagem de Deus tem um significado profundo. Só a humanidade contém na sua natureza tanto o mundo material quanto o mundo espiritual (Catecismo da Igreja Católica, 355). Só os homens e mulheres são "capazes de conhecer e amar" a Deus (Catecismo, 356, citando Gaudium et Spes, 12). Só os homens e mulheres podem compartilhar o amor de Deus. Essa nobre vocação significa que cada homem e cada mulher possui o dom de dar e receber um amor altruísta, fiel, total, permanente e frutífero. Não é exagero dizer que cada um de nós tem a capacidade de dar e receber amor. Esta é a nossa herança como seres criados à imagem de Deus.

Quando nos casamos, isto quer dizer que temos a capacidade de nos entregar ao cônjuge amado e que estamos preparados para receber o amor do cônjuge. Todos sabemos, é claro, que alguns de nós não são bons comunicadores ou foram terrivelmente feridos por uma série de acontecimentos da vida, mas, apesar das feridas pessoais, todos nós temos a capacidade de dar e receber amor. Isto faz parte do dom de Deus para homens e mulheres.

Esses dons de Deus assumem significado único se partilhados no casamento, porque Deus inscreveu "a vocação ao matrimônio na própria natureza do homem e da mulher" (Marriage: Love and Life in the Divine Plan [Casamento: Amor e Vida no Plano Divino], Conferência dos Bispos Católicos dos EUA, págs. 1 e 7, no original em inglês). O casamento é um dom sagrado ou abençoado que Deus deu aos homens e mulheres para o bem da humanidade. Primeiro, é vontade de Deus que os "elementos essenciais" do casamento sejam um homem e uma mulher, com a complementaridade da sua masculinidade e feminilidade e com todos os seus dons naturais e sobrenaturais. Se não há um homem e uma mulher, o casamento não pode existir como Deus o planejou.

O casamento é voltado à continuidade da vida humana sobre a Terra. Como os bispos norte-americanos escreveram nesse documento, as "raízes do casamento podem ser vistas no fato biológico de que um homem e uma mulher podem se unir como macho e fêmea tendo o potencial de trazer à luz outra pessoa humana" (pág. 10). O casamento é pessoal, como podemos facilmente observar. Deus fez o casamento para o bem-estar do homem e da mulher como indivíduos. O casamento "não existe meramente para a reprodução de outro membro da espécie"; Deus criou o casamento "para a criação de uma comunhão de pessoas" (págs. 10 e 11). O casamento existe para a vida do casal e para a vida da família, e, por conseguinte, para a vida do mundo. Tão essencial é a dádiva do casamento que ela não foi perdida com o pecado original: foi, isto sim, redimida por Cristo e tão elevada por Ele a ponto de se tornar um dos sete sacramentos para os batizados. Dessa forma, Cristo restaurou a bênção original do casamento em sua plenitude, tornando-a sinal visível do Seu amor pela Igreja. O casamento no Senhor significa que o autêntico amor conjugal humano "é assumido no amor divino e dirigido e enriquecido pela força redentora de Cristo e pela ação salvífica da Igreja, com o resultado de os cônjuges serem efetivamente levados rumo a Deus e ajudados e fortalecidos em seu papel sublime como pais e mães" (Gaudium et Spes, 48).

Como dom, o casamento não pode ser forçado. É um dom a se receber com gratidão e a se viver de acordo com o plano de Deus. Podemos, é claro, estar abertos a receber de Deus este dom do casamento. Podemos nos unir a pessoas que têm a mesma fé e esperança. Podemos também, periodicamente, fazer um pouco de "purificação pessoal". Podemos nos despojar de tudo o que pode atrapalhar a preparação do casamento.

O casamento é também um presente que os cônjuges dão um para o outro quando se dão livremente e aceitam o outro completamente (de corpo, mente e alma, incluindo, no conceito de corpo, a própria fertilidade). O casamento é formado quando um homem e uma mulher fazem votos de compartilhar a vida juntos. "É uma parceria de toda a vida e para a vida toda, de fidelidade mútua e exclusiva, estabelecida pelo consentimento mútuo entre um homem e uma mulher" (Marriage: Love and Life in the Divine Plan, págs. 7 e 8).

Quando um homem e uma mulher recebem o dom do matrimônio, eles abrem a porta para uma vida que demanda continuamente que eles se deem e se recebam. É quase como se eles tivessem sempre novos presentes para dar, receber, abrir e usar, todos os dias da sua vida conjugal. Nossa fé nos ensina que é vontade de Deus que os casais recebam e nutram esses dons. Quando eles o fazem, afinal, o seu amor transborda e se torna um dom para os seus filhos, para a sua família, para a comunidade local e para o mundo todo. Quando os casais aceitam e vivem o presente divino do amor conjugal, eles dão testemunho da sua generosidade e do seu amor em todos os aspectos da sua vida de casados. Eles participam da Comunhão dos Santos, que viveram vidas de amorosa generosidade.
in Aleteia

sábado, 27 de setembro de 2014

O casamento é um dom natural e sobrenatural de Deus

O casamento é um dom natural e sobrenatural de Deus

 A Sagrada Escritura revela que Deus criou o casamento natural para o bem de todos e que Cristo o redimiu e elevou a sacramento
 
 
Theresa Notare, Ph.D.
26.09.2014
Vinogradov Illya
A Sagrada Escritura revela que Deus criou o casamento para o bem do seu povo. O casamento, afinal, é uma bênção para todos, inclusive para os não casados, já que ele nutre os cônjuges, alimenta a família e constrói a sociedade. Estes pontos muito simples, mas de extrema importância, estão no coração da visão católica sobre o casamento. Eles são os ingredientes que nos permitem dizer que o casamento é uma vocação, um verdadeiro caminho de santidade na vida.

É Deus, conforme proclama a Igreja católica, o autor do casamento. No mundo contemporâneo, cujo foco está quase sempre nos talentos e nas habilidades de homens e mulheres, é fácil achar que até o casamento esteja sujeito à inventividade humana. Mas a nossa fé nos diz o contrário: "O casamento não é (...) um efeito do acaso nem um produto da evolução de forças naturais inconscientes; o casamento é uma sábia instituição do Criador para realizar na humanidade o seu desígnio de amor" (Humanae vitae, 8).

O casamento é uma "bênção original" que Deus deu aos homens e mulheres desde o "princípio do mundo" para o bem da humanidade. A linguagem figurativa do Gênesis conta que Deus criou os homens e mulheres "à Sua imagem" (Gn 1,27). Ser feitos à imagem de Deus tem um significado profundo. Só a humanidade contém na sua natureza tanto o mundo material quanto o mundo espiritual (Catecismo da Igreja Católica, 355). Só os homens e mulheres são "capazes de conhecer e amar" a Deus (Catecismo, 356, citando Gaudium et Spes, 12). Só os homens e mulheres podem compartilhar o amor de Deus. Essa nobre vocação significa que cada homem e cada mulher possui o dom de dar e receber um amor altruísta, fiel, total, permanente e frutífero. Não é exagero dizer que cada um de nós tem a capacidade de dar e receber amor. Esta é a nossa herança como seres criados à imagem de Deus.

Quando nos casamos, isto quer dizer que temos a capacidade de nos entregar ao cônjuge amado e que estamos preparados para receber o amor do cônjuge. Todos sabemos, é claro, que alguns de nós não são bons comunicadores ou foram terrivelmente feridos por uma série de acontecimentos da vida, mas, apesar das feridas pessoais, todos nós temos a capacidade de dar e receber amor. Isto faz parte do dom de Deus para homens e mulheres.

Esses dons de Deus assumem significado único se partilhados no casamento, porque Deus inscreveu "a vocação ao matrimônio na própria natureza do homem e da mulher" (Marriage: Love and Life in the Divine Plan [Casamento: Amor e Vida no Plano Divino], Conferência dos Bispos Católicos dos EUA, págs. 1 e 7, no original em inglês). O casamento é um dom sagrado ou abençoado que Deus deu aos homens e mulheres para o bem da humanidade. Primeiro, é vontade de Deus que os "elementos essenciais" do casamento sejam um homem e uma mulher, com a complementaridade da sua masculinidade e feminilidade e com todos os seus dons naturais e sobrenaturais. Se não há um homem e uma mulher, o casamento não pode existir como Deus o planejou.

O casamento é voltado à continuidade da vida humana sobre a Terra. Como os bispos norte-americanos escreveram nesse documento, as "raízes do casamento podem ser vistas no fato biológico de que um homem e uma mulher podem se unir como macho e fêmea tendo o potencial de trazer à luz outra pessoa humana" (pág. 10). O casamento é pessoal, como podemos facilmente observar. Deus fez o casamento para o bem-estar do homem e da mulher como indivíduos. O casamento "não existe meramente para a reprodução de outro membro da espécie"; Deus criou o casamento "para a criação de uma comunhão de pessoas" (págs. 10 e 11). O casamento existe para a vida do casal e para a vida da família, e, por conseguinte, para a vida do mundo.
 


Tão essencial é a dádiva do casamento que ela não foi perdida com o pecado original: foi, isto sim, redimida por Cristo e tão elevada por Ele a ponto de se tornar um dos sete sacramentos para os batizados. Dessa forma, Cristo restaurou a bênção original do casamento em sua plenitude, tornando-a sinal visível do Seu amor pela Igreja. O casamento no Senhor significa que o autêntico amor conjugal humano "é assumido no amor divino e dirigido e enriquecido pela força redentora de Cristo e pela ação salvífica da Igreja, com o resultado de os cônjuges serem efetivamente levados rumo a Deus e ajudados e fortalecidos em seu papel sublime como pais e mães" (Gaudium et Spes, 48).

Como dom, o casamento não pode ser forçado. É um dom a se receber com gratidão e a se viver de acordo com o plano de Deus. Podemos, é claro, estar abertos a receber de Deus este dom do casamento. Podemos nos unir a pessoas que têm a mesma fé e esperança. Podemos também, periodicamente, fazer um pouco de "purificação pessoal". Podemos nos despojar de tudo o que pode atrapalhar a preparação do casamento.

O casamento é também um presente que os cônjuges dão um para o outro quando se dão livremente e aceitam o outro completamente (de corpo, mente e alma, incluindo, no conceito de corpo, a própria fertilidade). O casamento é formado quando um homem e uma mulher fazem votos de compartilhar a vida juntos. "É uma parceria de toda a vida e para a vida toda, de fidelidade mútua e exclusiva, estabelecida pelo consentimento mútuo entre um homem e uma mulher" (Marriage: Love and Life in the Divine Plan, págs. 7 e 8).

Quando um homem e uma mulher recebem o dom do matrimônio, eles abrem a porta para uma vida que demanda continuamente que eles se deem e se recebam. É quase como se eles tivessem sempre novos presentes para dar, receber, abrir e usar, todos os dias da sua vida conjugal. Nossa fé nos ensina que é vontade de Deus que os casais recebam e nutram esses dons. Quando eles o fazem, afinal, o seu amor transborda e se torna um dom para os seus filhos, para a sua família, para a comunidade local e para o mundo todo. Quando os casais aceitam e vivem o presente divino do amor conjugal, eles dão testemunho da sua generosidade e do seu amor em todos os aspectos da sua vida de casados. Eles participam da Comunhão dos Santos, que viveram vidas de amorosa generosidade.  

sábado, 2 de agosto de 2014

Casar-se é fácil, mas ser bons esposos é uma arte

Casar-se é fácil, mas ser bons esposos é uma arte

O que acontece depois do “e foram felizes para sempre”? Também o casamento precisa ser aprendido aos pés do Mestre

Juan Ávila Estrada
© Angelrays
 
O amor não é um instinto humano, a atração sim. Esta, como nos demais animais, busca expandir a espécie humana mediante a união carnal. O amor, por sua vez, é uma decisão da pessoa, uma possibilidade enorme de construir-se e construir, de doar-se, de ser feliz, de dar sentido à vida e levá-la à comunhão plena com Deus, que é amor (cf. 1 Jo 4, 8).

Por achar que é o amor instintivo, por supor que a natureza sozinha se encarrega de educá-lo, por considerar que não temos poder de decisão sobre ele e que simplesmente nos arrasta como um enorme turbilhão para o seu interior, deixando-nos com uma sensação de vertigem ou uma cratera profunda de dor quando fracassamos em sua tentativa, por isso e muito mais, acabamos construindo relações de casal adaptadas mais ao instinto de sobrevivência afetiva que ao plano de Deus para fazer de nós imagens perfeitas de Si mesmo.

A emoção exagerada que ativa a atração (como o chamado “amor à primeira vista”) costuma ser confundida com esta faculdade que tem mais a ver com a vontade que com a pele (ainda que possa começar como um amor erótico). É por isso que podemos acabar submetendo ao corpo a experiência do amor.

“Siga o seu coração” é o que normalmente aconselham os que não sabem mais o que dizer. Mas a gravidade destas palavras é que o “coração” está ligado às emoções e estas têm um grande componente fisiológico, e então buscamos o prazer, não o bem em si. Lembre-se de que nem tudo o que é bom é prazeroso, e nem tudo o que é prazeroso é bom.

É por isso que vale a pena levar em consideração que, no processo de enamoramento, o casal pode se habituar a certas atitudes que correm o risco de acabar com o relacionamento:

1. Porque não sabem amar como cônjuges, depois de casados tendem a estar mais atentos aos seus pais que ao seu cônjuge. O mandato bíblico estabelece: “Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe...” (cf. Gênesis 2, 24). Isso não implica em abandonar os pais, logicamente. O vínculo filial ocupa um lugar diferente na escala dos que se casaram. Mas é preciso romper o cordão umbilical, sair de debaixo das asas dos pais.

2. Quando os filhos chegam, os pais tendem a dar-lhes toda a atenção, esquecendo-se um do outro e dos seus compromissos conjugais. Os filhos não podem minar a relação conjugal, e sim reforçá-la.

3. Chegam a considerar que o domingo é um dia para descansar “da família” e não “com a família”. Este dia precisa ser dedicado a compartilhar momentos que reforcem a relação entre a família e Deus.

4. Acostumados com os contos de fadas, consideram que o casamento é o “fim da história”. Mas este é justamente o começo de um longo caminho.

5. Ao enfrentar conflitos, correm o risco de considerar que a cama soluciona as dificuldades. O sexo não soluciona problemas que não foram gerados nele. Não podemos ir para a cama com raiva (cf. Ef. 4, 26).

6. É um atentado ao amor doar os corpos sem doar a vida também. Isso é uma prostituição gratuita.

7. Confundir paixão com amor é um grande equívoco. O tempo acaba com a primeira e aperfeiçoa o segundo.

8. Finalmente, é preciso recordar que nenhum dos dois se torna “uma só carne” com os filhos, que um dia irão embora, nem com seus pais, que morrerão. Todo casal de esposos começa sozinho e acaba sozinho, e esta é uma simples razão para reconhecer a importância de cuidar-se mutuamente.

Todo relacionamento de casal tem uma rotina, necessária para o amadurecimento; o que é preciso evitar é que tal rotina se torne monotonia, assassinando sua opção, sua escolha.

O amor não é um instinto, mas uma faculdade, o maior dom para nos tornar semelhantes a Deus, e por isso requer sentar-se aos pés do Mestre para aprender diretamente dele como amar-nos e não fracassar na tentativa.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

dicas para melhorar seu casamento

8 dicas para melhorar seu casamento

Algumas atitudes e gestos que fazem a diferença na vida cotidiana

Avanguard Photography
Muitas vezes, a correria da vida nos leva a deixar de lado as coisas simples que alimentam as relações, especialmente o casamento. Evitar alguns maus hábitos, bem como realizar alguns gestos nos momentos mais oportunos, podem melhorar significativamente a vida conjugal.

Apresentamos, a seguir, dicas de pequenos atos que produzem enormes benefícios ao casal:

Dedicar tempo à vida a dois

Tempo de qualidade, de verdadeira dedicação ao outro, para escutá-lo, conversar e divertir-se juntos. Muitas vezes, os filhos, o trabalho, o lar e demais ocupações vão roubando o tempo do casal, até que esta acabe totalmente esquecida. É questão de propor-se e estabelecer este objetivo como prioridade.

Jamais gritar

Não deixar-se levar pela ira. É melhor ter fortaleza e domínio para controlar a raiva e irritação que se sente nas discussões. O grito é uma agressão, independentemente do que for dito. Moderação, educação e, acima de tudo, respeito.

Mostrar as falhas do outro com carinho

Delicadeza e assertividade são as chaves para dizer ao cônjuge os aspectos nos quais ele precisa melhorar. Ao dizer isso da maneira adequada, o outro será mais receptivo e considerará o comentário como uma sugestão construtiva, ao invés de um “ataque” ofensivo.

Dar o melhor de si

Esta atitude implica em sair do egoísmo para tornar a vida do outro mais leve: buscar agradar, ajudar, cuidar, e também evitar atitudes que possam desagradar ou ofender a outra pessoa.

Agradecer

Poucos conhecem a magnitude que pode ter uma palavra de gratidão na hora certa. Agradecer o cônjuge é dizer-lhe que seu ato tem um valor importante e por isso é retribuído.

Não deixar um problema sem resolver

A humildade é um valor necessário no casamento. É preciso esquecer os ressentimentos e rancores, confiar no outro e abrir-se ao perdão.

Pedir desculpas e reconhecer os próprios erros

Para muitos, pedir desculpas parece humilhante; mas é grande quem reconhece ser uma pessoa com qualidades e defeitos que luta diariamente para superar-se.

Alimentar o amor

Dizer algo carinhoso ao cônjuge todos os dias, cuidar dos detalhes – esses que vão se perdendo com o passar dos anos. Quando falta isso, o casalcomeça a viver segundo as circunstâncias, e não por amor.
sources: LaFamilia.info

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Casamento para sempre no século 21: é possível?


Casamento para sempre no século 21: é possível?
Para fazer seu casamento durar, é preciso cuidar dos detalhes e protegê-lo
Desde la Fe
 http://www.aleteia.org/image/pt/article/casamento-no-seculo-21-5246886281740288/couple-01_pt/topic
         © Oleh
Slobodeniuk / Flickr
Esta é uma experiência comum: nós nos casamos com entusiasmo, expectativas, planos... Mas, depois de alguns meses ou anos, tudo isso se desvanece, desaparece e se transforma em cansaço, hostilidade e abandono.

O que acontece? Casar-se e formar uma família não deveria ser uma experiência maravilhosa?

Sem dúvida, o século 21 os trouxe uma infinidade de transformações em muitos âmbitos: tecnológico, social, cultural, de valores... O casamento e a família também foram afetados por estas mudanças.

Diante desta situação, nós nos perguntamos: em pleno século 21, é possível ter um casamento e uma família felizes, comprometidos, agentes de transformação? É possível ter uma família que seja uma célula social que projete valores e ofereça à sociedade seres humanos íntegros, capazes de transformar o mundo?

Definitivamente, a resposta é afirmativa: sim, neste século é possível dar o “sim” para sempre, um “sim” que supõe compromisso, entrega e amor. Um “sim” capaz de transformar o amor de duas pessoas em um projeto comum que transcenda, que transforme e ofereça vida valiosa.

casamento do século 21 exige um compromisso decidido e valente, no qual o amor inteligente seja o motor de um plano de vida de duas pessoas únicas e singulares que, com toda a sua consciência e vontade, decidem unir suas vidas para realizar o projeto mais importante da sua existência.

Este grande projeto poderia ser comparado com a realização de uma grande obra de arte que é confiada aos dois. Juntos, eles decidem se comprometer, trabalhar e entregar o melhor de cada um nesta grande tarefa.

Para isso, cada um teve de escolher livremente e com grande inteligência e discernimento esse grande “sócio”, essa pessoa na qual confia, da qual conhece as habilidades, a entrega, a sabedoria, os talentos e, sobretudo, a capacidade de amar. Só assim se pode fazer com excelência a obra de arte mais interessante e importante da vida.

Esta obra de arte chamada “casamento”, aberta à vida, para posteriormente se transformar em família, é criada por cada casal, utilizando os talentos, qualidades, valores e virtudes de cada um.

Mas, se querem uma grande obra, precisam cuidar de todos os detalhes, desde a sua preparação: cuidando da matéria-prima – a tela –, daquilo que possa estragá-la, sujá-la, quebrá-la, enfim, de tudo aquilo que impeça de se tornar uma grande obra.

Cada casal realizará isso imprimindo seu próprio “selo” de autenticidade, cuidado, privacidade.

O que dizer das cores da obra? Estas serão também decisão e reflexo de cada casal. Os esposos poderão escolher aquelas cores que manifestam harmonia, luz, detalhes, alegria, compromisso, amor; e evitar aquelas cores que refletem tristeza, abandono do compromisso, infidelidade, apatia, falta de respeito, em suma, falta de amor.

Você se sente capaz de fazer uma grande obra de arte ou de restaurar a que você já começou há alguns anos?

Se você tem inteligência, vontade, decisão, amor, um(a) sócio(a) excelente e grande fé no amor de Deus, pode ter certeza de que é capaz!

(Artigo de Cecilia Elizondo, publicado originalmente em 
Desde la Fe)

sources: Desde la Fe

 
 
 

 
 



 

terça-feira, 1 de abril de 2014

A Igreja pode se negar a celebrar um casamento?


A Igreja pode se negar a celebrar um casamento?

Muitos casamentos são declarados nulos pelos Tribunais eclesiásticos porque pode ter havido faltas que tornam nulo o sacramento; sem valor. Essas falhas são muitas



Prof. Felipe Aquino


 


Shardayyy

Há alguns dias foi noticiado que um pároco de Niterói, RJ, não aceitou celebrar o matrimônio de um casal, pois julgou haver um impedimento dirimente; isto é, algo que tornaria o matrimônio nulo. Algumas pessoas até se revoltaram e julgaram que a Igreja Católica foi cruel com o casal; mas não se trata disso.

Vamos esclarecer a questão, sem entrar no mérito da questão do caso de Niterói.

Muitos casamentos são declarados nulos pelos Tribunais eclesiásticos porque pode ter havido faltas que tornam nulo o sacramento; sem valor. Essas falhas são muitas; por exemplo: falta de capacidade para consentir (cânon 1095), se um dos cônjuges não tem  juízo perfeito e não tem condições mentais de assumir as obrigações do matrimônio; Ignorância (cânon 1096) sobre a vida sexual no casamento; emprego da simulação para enganar o cônjuge  (cânon 1101); uso da violência ou medo para conseguir o consentimento do outro (cânon 1103); condição não cumprida (cânon 1102); falta de idade  mínima (cânon 1083); impotência permanente para o ato sexual (cânon 1084); o fato da pessoa já ser casada (cânon 1085); se o cônjuge é um padre ou uma irmã consagrada (cânon 1087 e 1088); rapto do cônjuge (cânon 1089); crime cometido para se casar com alguém (cânon 1090); cônjuges parentes (pai e filha; avo e neta, irmãos, etc.) (cânon 1091); parentesco legal por adoção (cânon 1094). Nesses casos e em outros o casamento seria inválido; então, o pároco se souber do impedimento antes do casamento, não pode realizá-lo. Um dos impedimentos que o Código de Direito Canônico coloca para a validade de um matrimônio, é a impotência para o ato sexual, permanente e irreversível, atestada por um médico. Diz o Código de Direito Canônico:Cân. 1084 – §1. A impotência para copular, antecedente e perpétua, absoluta ou relativa, por parte do homem ou da mulher, dirime o matrimônio por sua própria natureza.§2. Se o impedimento de impotência for duvidoso, por dúvida quer de direito quer de fato, não se deve impedir o matrimônio nem, permanecendo a dúvida, declará-lo nulo.§3. A esterilidade não proíbe nem dirime o matrimônio, salva a prescrição do cânon 1098.

É bom notar que a esterilidade não é causa de nulidade. O que torna nulo o matrimônio é a impossibilidade definitiva do ato sexual por problema físico ou de outra natureza. Por que isso?

Porque uma das finalidades do matrimônio é gerar os filhos; e esses só podem ser gerados – no entendimento da moral católica – por meio do ato sexual. É este ato próprio do casal que “consuma” o matrimônio; sem ele o sacramento não será completo; é por isso que o casal que não pode copular não pode receber o matrimônio, pois ele seria nulo.

É bom dizer que esta norma da Igreja é antiquíssima, vem desde o Código anterior, e está vinculada à natureza do matrimônio.

Portanto, não se trata de uma maldade da Igreja; mas apenas uma coerência com o sacramento do matrimônio cuja finalidade principal é gerar os filhos. Se um casal recebesse o matrimônio com o propósito de nunca ter filhos, este matrimônio seria nulo. É por isso que o sacerdote pergunta aos noivos no altar: “Estais dispostos a receber os filhos que Deus lhes enviar, e educá-los na fé do Cristo e da Igreja?” A resposta deve ser “sim” para o matrimônio ser válido. A Igreja ensina que os casais precisam estar abertos aos filhos, pois isto é inerente ao sacramento do matrimônio; os filhos são o maior dom do matrimônio, ensina o Catecismo da Igreja. Um matrimônio sem filhos, exceto o caso de infertilidade, é como uma colméia sem abelhas.

“A Sagrada Escritura e a prática tradicional da Igreja veem nas famílias numerosas um sinal da bênção divina e da generosidade dos pais” (CIC, 2373; GS, 50,2).

E conclui dizendo que: “os filhos são o dom mais excelente do Matrimônio e constituem um benefício máximo para os próprios pais” (CIC, 2378).

Para o casal que se ama, mas não pode copular por problemas de saúde definitivos, e que por isso não podem receber o matrimônio, há a possibilidade de viverem juntos com irmãos, ajudando-se mutuamente.

Prof. Felipe Aquino

(
Canção Nova)

sources: Canção Nova

sábado, 23 de novembro de 2013

Não, a Igreja não defende o "casamento tradicional"


Não, a Igreja não defende o "casamento tradicional"

O que a Igreja defende é o casamento como Deus quer, o que é bem diferente

Juan Ávila Estrada

 
 

"Mulher, case-se e seja submissa" ("Sposati e sii sottomessa") é o polêmico e "ofensivo" título de um livro escrito pela italiana Costanza Miriano, quem, com um toque de humor, quis falar da beleza do amor esponsal.

Como em tudo, aqueles que não se deram ao trabalho de ler o livro tentaram apedrejá-lo só porque a autora utilizou como estratégia de marketing uma paráfrase do apóstolo Paulo, quando afirma: "Mulheres, submetam-se aos seus maridos" (Efésios 5, 22-24).

Mas, claro, os que se deixam levar pelas aparências não estão interessados em conhecer a verdade, mas simplesmente em reafirmar aquilo em que sempre acreditaram: que a Igreja é uma instituição interessada em submeter a mulher, e que seus membros defendem o machismo para poder manter o status quo.

Mas qual é a verdade exposta pelo Evangelho sobre o casamento e o que a Igreja, em consonância com a Palavra de Deus, defende sobre esta instituição natural?

Não podemos ignorar que existem "correntes" católicas que, mal-interpretando o texto do apóstolo Paulo, afirmam que o casamento querido por Deus se baseia na submissão da mulher ao seu marido. Neste sentido, fala-se do casamento"tradicional", ou seja, aquele em que um homem, casado com uma mulher, sai de casa para trabalhar e sustentar a família, enquanto a esposa se limita a cuidar dos filhos e das tarefas domésticas, esperando que o marido volte para poder atendê-lo e estar atenta às suas decisões, por ser ele o "chefe" do lar.





Mas... será este o modelo de casamento defendido pela Igreja?

Não. A Igreja não defende o casamento "tradicional", mas sim o casamento"cristão", ou seja, aquele querido por Jesus e que se baseia na doação mútua de um homem e de uma mulher, que entenderam que ambos estão chamados a construir sua família e a sociedade, oferecendo sua contribuição, cada um a partir da sua condição de homem e mulher (o que envolve necessariamente certa assimetria, já que cada um tem uma identidade sexual específica – o que não significa que um contribua mais que o outro), mas ambos com a possibilidade de desenvolver todas as suas potencialidades humanas, sem renunciar ao que caracteriza cada um como pai ou mãe.

sociedade contemporânea, tendo aberto à mulher a possibilidade do estudo e da vida profissional, está conhecendo toda a riqueza e poder de transformação que ela é capaz de oferecer. Mas o fato de abrir esta porta, necessária e justa, foi mal-interpretado por aqueles que acreditam que a maternidade ou seu exercício vão contra a possibilidade de desenvolvimento profissional e econômico da mulher.

casamento cristão é o sonho de Deus: homem e mulher, chamados à complementariedade. Não se trata de duas pessoas pensando como uma só, nem de pensar como um "eu" e um "você": o casamento é um pensar como "nós". Esse pensar como "nós" exige levar em consideração o parecer, a opinião, o desejo do cônjuge, sem supor o que o outro pensa nem anular sua vontade; mas, isso sim, ambos dispostos a morrer para o bom, com o fim de chegar ao melhor.

Nem todos os pareceres católicos são realmente "católicos"; e o fato de que cada um pense de uma maneira e mesmo assim se considere católico e apostólico não significa necessariamente que sua opinião coincida com o ensinamento da Igreja.

Por isso, é preciso formar-se, conhecer a maneira como a Igreja defende a beleza do amor humano, do amor matrimonial e, por isso, está disposta a ser alvo de ataques e más-interpretações, com tal de ajudar cada pessoa a encontrar o verdadeiro significado da felicidade.

Parabéns à autora do livro, que foi bastante corajosa ao dar-lhe tal título; é uma pena que alguns o julguem apenas pela sua capa, e que seus preconceitos os impeçam de se aproximar da possibilidade de reconhecer e reavaliar a falsa imagem de uma instituição que, apesar de ter passado por tantas fases em sua história, foi aprendendo com seus próprios erros e sempre lutou por levar o ser humano à verdade sobre si mesmo e sobre Deus.