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quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Qual é a diferença entre ser católico e ser cristão?


Qual é a diferença entre ser católico e ser cristão?

Uma resposta que vai muito além das diferenças entre as religiões

Uma resposta que vai muito além das diferenças entre as religiões
                                                                                                                                                                                          © Ashley Rose-CC

 
O Novo Testamento faz referência aos seguidores de Cristo quatro vezes:

1. 1 Pe 4,16: “Se, porém, padecer como cristão, não se envergonhe; pelo contrário, glorifique a Deus por ter este nome”.

2. Atos 11,26: “Em Antioquia é que os discípulos, pela primeira vez, foram chamados pelo nome de cristãos”.

3. Atos 26, 28: “Disse então Agripa a Paulo: Por pouco não me persuades a fazer-me cristão!”.

4. 1 Cor 9, 5: “Acaso não temos nós direito de deixar que nos acompanhe uma mulher irmã, a exemplo dos outros apóstolos e dos irmãos do Senhor e de Cefas?” (uma cristã que se ocupava das necessidades dos apóstolos)

Jesus Cristo, rei do universo, quando disse aos discípulos “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28, 19), mostrou que sua vontade é que todas as nações, todos os povos, sejam cristãos.

Todo católico (coerente com sua fé) é cristão, mas nem todo cristão é católico.

Alguns seguidores de Cristo não pertencem à Igreja Católica. Eles se identificam como “cristãos”, mas não como “católicos”; é o caso dos protestantes, ortodoxos etc.

Mas o que é realmente ser cristão?

Ser cristão não é simplesmente fazer o bem e evitar o mal, crer em Deus, cumprir com determinados ritos, aceitar algumas verdades de fé, seguir uma tradição ou preparar-se para a vida eterna.

Ser cristão é seguir Jesus, reconhecê-lo como Senhor, aceitar seu projeto, seguir seu estilo evangélico, fazer parte da sua comunidade, viver sob a força do Espírito Santo.

Quando uma pessoa começa a ser cristã? No dia do seu batismo, porque, a partir desse momento, ela se torna filha de Deus, fazendo parte do novo povo de Deus. O Batismo nos torna irmãos de Jesus Cristo. Que grande honra!

O “cristão católico” aceita a plenitude da fé revelada por Cristo e contida da Sagrada Escritura, no Magistério da Igreja e na Tradição; participa dos sacramentos e reconhece a autoridade do Papa (sucessor de São Pedro) e dos bispos unidos ao Santo Padre (sucessores dos demais apóstolos).

A Igreja Católica prolonga na história o grupo de discípulos de Jesus e é a comunidade que dá continuidade à missão de Jesus neste mundo. Seus apóstolos de hoje (o Papa e os bispos) guiam a Igreja nesta missão, prolongando a função de Pedro e dos Apóstolos (Mt 16, 18-19).

A Igreja fundada por Cristo é una, santa, católica e apostólica. Estas 4 características, tomadas da profissão de fé dos concílios de Niceia e Constantinopla, mostram os 4 aspectos fundamentais da Igreja: sua unidade, sua santidade, sua universalidade e seu fundamento ou base apostólica (nos discípulos que viram e tocaram Cisto).

Somente a Igreja Católica possui estas 4 características.

Todo católico coerente é, real e objetivamente, um cristão; ser católico é ser cristão.

Mas então por que a Igreja não se chama “Igreja Cristã”, e sim “Igreja Católica”, se este termo não existe explicitamente na Bíblia?

A Igreja de Cristo é chamada de “católica” porque acolhe em seu interior todos os seguidores de Cristo, de todos os tempos e lugares.

Jesus constituiu na terra uma só Igreja e a instituiu desde sua origem como “comunidade visível e espiritual” (Lumen gentium 8, 1). “Esta Igreja, constituída e ordenada neste mundo como uma sociedade, subsiste na Igreja Católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos em comunhão com ele” (LG 8, 2).

A expressão “subsistir” indica a plena identidade entre a Igreja de Cristo e a Igreja Católica. A Igreja continuará existindo no tempo, e somente nela permaneceram e permanecerão todos os elementos instituídos pelo próprio Cristo (Unitatis redintegratio, 3).

 
http://www.aleteia.org/resources/images/jmj/no-pict.pngPe. Henry Vargas Holguín (44) ry Vargas Holguín

27.07.2015




 
 

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Será possível ser-se cristão sozinho?


 
Do Guia do Catecismo do Primeiro Ano da Catequese
 
 
 
 
 

 sozinho ?

 
 
sozi


A pergunta não teria, possivelmente, razão de ser se, de facto, não houvesse pessoas que, pelo menos na prática de vida, vivem ou procuram viver a sua relação com Cristo de um modo mais ou menos solitário. E dá a impressão de que são cada vez mais.

Por várias razões, umas fazem-no provavelmente influenciadas pelo individualismo crescente da sociedade em que se vive, sobretudo em grandes aglomerados populacionais. Quantas pessoas, a viver no mesmo bairro, na mesma rua e até no mesmo prédio, não se conhecem nem se falam. Quando muito saúdam-se, quando se encontram.

A isso está provavelmente associada uma deficiente ou até falsa noção de liberdade. Ser livre é, para muitos, fazer o que se quer. E o que se quer é, na maioria dos casos, o que apetece a cada um. Quando os outros interferem nesses apetites ou interesses pessoais, são ignorados ou até desprezados, senão mesmo combatidos. Procura-se o outro, quando se tem necessidade dele e não quando ele tem necessidade de nós. Os resultados de uma tal atitude estão à vista: separações, mesmo no seio de famílias; xenofobia e racismo; solidão, sobretudo entre idosos e crianças; luta exclusivista pelos próprios direitos; corrupção, etc..

Há outros, nomeadamente cristãos, que apenas se servem da religião como de uma espécie de mercadoria, para satisfazer necessidades de ordem mais ou menos espiritual. É aquilo a que podemos chamar o consumismo religioso.

Daí o desinteresse ou medo em integrar-se e comprometer-se em comunidades cristãs. Saltita-se de um lugar ou de uma igreja para a outra, à procura daquela que melhor corresponde aos gostos pessoais. Tudo isso, facilitado pelos meios de transporte e comunicação cada vez mais rápidos e confortáveis.

Sem entrar no íntimo das pessoas que assim vivem e actuam, podemos, a partir do seu comportamento, perguntar se de facto vivem a verdadeira fé. Não há dúvida de que esta tem de começar por ter uma dimensão pessoal. Ninguém pode acreditar em Deus por mim. Mas, se eu creio firmemente no Deus de Jesus Cristo, tenho também de acreditar na sua Igreja. Acreditar, entendido no sentido de confiar e confiar-se a Deus e, por Ele, aos outros. É impossível amar verdadeiramente a Deus sem amar também os outros, todos os outros... que Deus tanto ama, como nos mostra sobretudo em seu Filho Jesus Cristo.


Para nos apercebermos disto, basta seguirmos o processo de evangelização descrito nos Actos dos Apóstolos. Logo no primeiro anúncio feito por Pedro, acompanhado dos restantes Apóstolos, na manhã do Pentecostes: pela conversão e adesão de fé, confirmada pelo Baptismo, «juntaram-se a eles cerca de três mil pessoas», que passaram a ser «assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à fracção do pão e às orações» (Act 2, 41-42).

Actividades, todas elas centradas no mesmo Evangelho: do ensino dos Apóstolos fazia parte sobretudo a mensagem salvífica de Jesus Cristo, como mostram mais tarde os restantes livros do Novo Testamento; a união fraterna resultava da adesão ao amor de Jesus Cristo, manifestado sobretudo na sua morte e ressurreição; na fracção do pão celebrava-se, com base na Última Ceia, o memorial actualizante da morte redentora de Cristo; as orações, se dirigidas a Deus, passavam a ser feitas pela mediação de Jesus Cristo.

Era tal a união com Cristo, que Paulo, escrevendo às suas comunidades, lhes chamava “Igreja de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo” (1 Tes 1,1), ou “Igreja de Deus”, constituída pelos “santificados em Jesus Cristo” (1 Cor 1, 2) ou simplesmente “santos em Cristo” (Fil 1, 1; cf Ef 1,1; Col 1, 2) ou ainda “chamados a ser de Cristo” que o mesmo é dizer “chamados a ser santos” (Rom 1, 6). A relação de pertença a Deus, própria da sua condição de santos, devia-se à medição salvífica de Jesus Cristo.

Dai também a sua identificação da Igreja como “Corpo de Cristo” (1 Cor 12, 27; cf Ef 1, 23; 4, 4; 5, 23; Col 1, 18; 2, 19): não apenas porque os seus membros, na diversidade das suas funções e seus dons, estavam, à maneira do corpo humano, unidos pelo mesmo Espírito “para proveito comum” (1 Cor 12, 7); mas também e sobretudo porque o pão que partiam na celebração eucarística “é comunhão com o Corpo de Cristo; por isso é que uma vez que há um único pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, porque todos participamos desse único pão”(1 Cor 10,16-17). Eesse pão é o seu corpo, istoé, a sua pessoa, entregue na cruz para nossa salvação (cf 12, 24).

Se a Igreja é assim o corpo visível de Cristo na terra, se é o sacramento universal da sua salvação, então pode chegar-se a seguinte conclusão:




3. É na Igreja que encontramos Jesus Cristo

Encontrámo-lo de um modo visível, isto é, na visibilidade da vida da sua Igreja, na medida em que nela os cristãos realizam entre si o mandamento do amor a que são exortados por Cristo, precisamente na Última Ceia (cf Jo 13, 34-35; 15, 17).

De facto, é para a união fraterna que convergem todas as restantes actividades da Igreja: pela adesão da fé ao Evangelho e seu aprofundamento na catequese somos orientados para a oração e a celebração, particularmente da Eucaristia, em que a fé é posta em prática e fortalecida, “uma fé que actua pelo amor” (Gal 5, 6). O que significa também que é da fé, alimentada pela Palavra e pela celebração, que depende a união do amor entre nós.

Sendo assim, e no dizer dos nossos Bispos, “a comunidade cristã é o sujeito, o ambiente e a meta da catequese. Na verdade, a vida cristã é um facto comunitário, recebe-se, aprende-se e vive-se na Igreja, mistério da comunhão. Na vida da comunidade, a fé cristã torna-se um acontecimento vivido e actual, incarnado em pessoas, testemunhado em gestos e formas de viver. Nas actividades eclesiais da comunidade que realizam a missão pastoral global, a Palavra de Deus alcança a sua plena realização como Palavra proclamada no anúncio do Evangelho, celebrada na liturgia e praticada no serviço fraterno da caridade. A comunidade cristã apresenta, deste modo, um testemunho vivido de fé no qual a catequese encontra a sua base de apoio” (Conferência Episcopal Portuguesa: Para que acreditem e tenham vida: orientações para a catequese actual, Edição do Secretariado Geral da Conferência Episcopal Portuguesa, Lisboa 2005, pp.20-21)

Que os catequistas, como membros e enviados das comunidades cristãs a que pertencem, tenham bem presente esta dimensão comunitária da catequese, nomeadamente no presente encontro.

sábado, 1 de março de 2014

Como digo que sou cristão?

Como digo que sou cristão?

Amando todos os dias, com a ação transformadora, com o anúncio explícito de Jesus, como Igreja

Patricia Navas González
 
 
Eric Tornlov
Às vezes, gostaríamos de exprimir o que nos faz felizes, gritar a Boa Notícia, comunicar o tesouro que descobrimos no Evangelho, mas parece que algo nos impede... Há muitas maneiras de mostrar o próprio cristianismo: a mais básica delas é viver amando os outros, o mundo, nossa história, a natureza, Deus.

Esta foi a resposta oferecida pelo professor Amadeu Bonet, no dia 22 de fevereiro, no 3º encontro sobre evangelização da diocese de Lérida, chamado “Como digo que sou cristão?”.

Digo que sou cristão “por meio da minha vida de cada dia, da ação transformadora, trabalhando lado a lado com todos os que querem um mundo novo, no qual a vida verdadeiramente humana seja possível”; amando a Igreja, explicou Bonet.

Dizer que sou cristão exige estar disposto a dar razão da minha esperança, continuou, destacando a importância de acompanhar a ação com a palavra, do anúncio explícito de Jesus, da nossa palavra como Igreja, como comunidade.

A arte também pode ser uma maneira concreta de amar, de falar, de fazer, colocando ao serviço das pessoas, dos coletivos, um dom recebido, uma forma diferente de ver e interpretar a realidade, sua beleza, sua profundidade.

Bonet fez um convite à conscientização de que quem escuta ou recebe o meu testemunho é uma pessoa livre para acolher ou não, escutar ou não, ver ou não. O próprio Jesus se encontrou com a dureza de coração, de ouvido, com a miopia espiritual dos seus contemporâneos.

Ao evangelizar, segundo Bonet, buscamos colocar uma pessoa em relação com Jesus, com uma Boa Notícia que deve ser vivida em primeira pessoa. Ninguém pode fazer isso por mim.

Ao mesmo tempo, destacou a importância da criatividade para transmitir a Boa Notícia de Jesus, e perguntou: “Quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez?”.

Bonet também destacou que no mundo há muita beleza e bondade, e Deus está presente nele; o mundo não é nosso inimigo. Porém, cabe a nós construir um mundo melhor.