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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

A F a m í l i a


A    F a m í l i a

 

O Bispo da Diocese de Portalegre e Castelo-Branco, participante no Sínodo foi perentório em afirmar que o Sínodo não tem nada a ver com o que se passa nos médios. Uma coisa é o que se passa lá dentro com cordialidade, fraternidade sacerdotal e diversidade por diferenças de cultura, mas isso não é motivo de crispação, de divisão para a Igreja, mas de uma maior e clara comunhão eclesial. A Igreja não vai mudar nada do que é a doutrina sobre a Família.

Não vai transformar o que a média queriam que é algo que é contra a família, que agora seja banido da “lista” de pecados para serem valores. O que antes era valor passasse agora a ser contra-valor.

Atravessamos uma época que em nada é a favor da família. É o marido e a esposa que já não têm tempo um para o outro, quanto mais para os filhos!... É a mulher que não tem tempo para dar filhos e tudo a manieta: o emprego, a falta de apoios logísticos, a falta de tempo… Mas com tempo, às vezes, para as suas noitadas com as colegas de trabalho, com as da mesma equipa, com as chefias ou, como por exemplo, no dia da Mulher. Sei que nem toda a gente concorda comigo, mas, na minha opinião, a mulher hoje tem de acabar com o seu dia… Então o dia do Homem?!... Nem um nem outro, enquanto até aqui fez falta combater machismo, hoje, isso já não existe… Antigamente o machismo era tão grande que este dia tinha o seu significado…

De uma vez para sempre haja respeito entre um e outro…

 
 
É bom que o homem tenha em conta que a mulher é igual em direitos e deveres, em dignidade, assim como a mulher veja o marido com os mesmos direitos, mas a mulher já atingiu aquilo que pretendia. Foi a sua emancipação. Muito bem. Agora acho que já chega. Na minha modesta opinião o objectivo deste dia está alcançado. Casos esporádicos vão existir sempre não só em relação à mulher, como em relação ao homem, em todo o Mundo. Ela já bate no marido e já o marido não bate nela!... Nem têm que bater um no outro!

Têm, mas é de namorar sempre, mesmo com os filhos e que os filhos vejam como os pais se amam e, apesar das adversidades, sabem, pelo diálogo, chegar a bom termo fazendo-se felizes e felizes os filhos com orgulho pelos pais que têm.

A Família hoje está em causa por falta deste “tempo” que é salutar para o diálogo porque, para muitos, depois do emprego e do dinheiro, estão os milhões no futebol que cala meio mundo, a política obstrutiva a uma família unida e coesa pelos laços da comunhão física e espiritual entre esposos e filhos.

Está ainda a vida difícil de suportar e sobreviver a uma economia de capitalismo cego.

Parece-me que o que se pretende é uma vida de família sem valores, em vez de preservar a sua união.

É o sexo em primeiro lugar, é a defesa de valores que se sobrepõem à vida humana em favor dos outros seres vivos.. Matam-se os bebés, a lei permite o aborto e paga até a quem o quiser fazer à custa do dinheiro do Zé, explorado, atirado à miséria, à fome, à marginalidade…

A Família está a ficar sem suporte de segurança, de estabilidade e coesão a ponto de se separar devido à profissão do casal: um no Algarve e outro no Minho, por exemplo. A esposa vai só. O marido vai e deixa a família, ou o marido toma conta dos filhos. A esposa fica só, sem suporte familiar, a cuidar dos filhos e do seu trabalho.

A mãe lá vai…ou vice-versa!...Não há tempo para a família!

 


 
 
Já alguém notou quando há futebol? A essa altura não há crianças a chorar, há crianças esquecidas e abandonadas. Nem filhos a pedir nada porque os pais estão presos à televisão, aos Média para vibrar forte, fortemente, a cada passo de pé para pé, de bola para bola, de jogador para jogador, de fulano para fulano, de rasteira em rasteira, de canto a canto. De baliza para baliza até gritar gooooooooooooolo!... Ou, então, sai estrondosamente um “ai!” tão alto e de desespero, de insatisfação porque falhou…O bebé que já dormia, depois de ter chorado sem conforto, acorda assustado para voltar a chorar…É o jogador é o árbitro, é o capitão da equipa, o treinador, é a direcção do clube… e os filhos passam ao lado, ninguém os vê, nem lhes liga. Espantoso! Abandono por pouca coisa!...

Não se vai à reunião de pais na Escola porque não há tempo, mas também não se o procura,… se faz pelo tempo para isso…

Os professores que os aturem. Se estão mal-educados ou não têm aproveitamento foram os professores que são novos, que não sabem educar.

Convém lembrar que a educação tem de vir de casa, a escola os professores são apenas complemento para aquilo que os pais não podem, nem sabem.

Não esperem que os filhos mal-educados porque integrados numa família sem estrutura de uma vivência familiar normal vão ser exemplo na escola, ou que a escola vai “endireita-los”.

A Família, se os políticos não mudarem de sistema está condenada ao fracasso. O que hoje é valor amanhã é contra-valor e a sociedade cada vez mais sem pontos de referência e de discernimento se há-de ser um filho que se procura ou um cãozinho ou gatinho para companhia.

A Família é a célula da sociedade?

Qual a sociedade, de anarcas?... De uma vida sem regras?

Vamos todos trabalhar defendendo os valores da família seja com valores do sínodo ou não, mas com valores com ética, moral, civismo nos média, pois, nesses pomos a nossa descrença, nem acreditamos. Há tanta coisa boa que acontece e os média esquecem-nos para vivermos uma sociedade negativa, de obscurantismo e de morte.

Como começam os noticiários?...Sempre com as notícias dramáticas, de ciúmes, de “acidentes” ou incidentes na família, na escola, na rua; de violências de toda a ordem, de esquecimento dos idosos e de preferência entregá-los a alguém 24 horas sobre 24 horas, ainda que seja a uma “criadita”, a começar a vida, como se dizia noutros tempos, sem responsabilidade, nem competência!...

Esta família não pode subsistir. A nossa luta tem de ser profunda e forte custe o que custar.

Ela deve ser minha, mas também tua porque no seio da família nascemos ambos.
 
20/10/2015                                                                                                             A. C.

sábado, 6 de junho de 2015

A Festa Diocesana da Família


A Festa Diocesana da Família




À semelhança do passado, mais uma vez a Festa da Família aconteceu no dia da Santíssima Trindade que este ano se comemorou no dia 31 de Maio, na Igreja da Sagrada Família, paróquia de N- Sr15 de Fátima, na cidade de Viana do Castelo.

Num templo, onde cabem cerca de 800 pessoas na parte inferior e mais 300 no espaço a que poderíamos chamar coro, cerca de 150 participantes (que na eucaristia aumentou para cerca de 200), aparentemente, é um número exíguo. A organização (Secretariado Diocesano da Pastoral da Família/SDPF), contudo, ficou agradada com a afluência até porque estiveram 30 casais aniversariantes (18 bodas de ouro e 12 bodas de prata) dos arciprestados de Viana do Castelo, Valença do Minho, Caminha, Monção, Ponte do Lima e Paredes de Coura.

O programa começou com uma oração inicial (Oração pela Família do Pe Zezinho) orientada peto assistente do SDPF, Padre Miguel Moura.

De seguida, José Luis CarvaIhido da Ponte, membro do SDPF, apresentou uma síntese da Carta Pastoral para o ano 2014/2015 subordinada ao tema “Os filhos são um a bênção do Senhor”.

O palestrante, depois de se referir, ao de leve, à importância da família na sociedade, começou por explicar alguns termos que aparecem na introdução da Carta: Carta Pastoral, Jubileu, Ano Jubilar, Projeto Trienal subordinado ao lema “Família, comunidade de vida e de amor” e lema bartolomeano: ardere et lucere : nolite conformari huic saeculo.

De seguida fez uma síntese da carta que, para além de uma introdução (apresentação do tema) e de uma conclusão (oração ao Beato Bartolomeu dos Mártires), se divida em três partes: 1- — Os filhos são uma bênção para a Família; 2§ - Os filhos são uma bênção para a Sociedade e 3- — Os filhos são um a bênção para a Igreja.

José Luis Carvalhido da Ponte, por várias vezes, referiu que a escolha do tema resultou da sua certeza de que muitos cristãos não haviam lido a Carta e que é obrigação de todos nós não apenas ler os textos dos bispos e do papa mas ainda analisá-los pormenorizadamente para que do seu estudo resultem renovadas práticas e uma fé mais consciente, porque melhor cimentada e não casa construída sobre areia.

A terminar a sua intervenção, o palestrante referiu na necessidade de se criarem Equipas Paroquiais e/ ou Arciprestais da Pastoral da Família que auxiliem os párocos/os arciprestes a trabalharem uma Pastoral Pré-matrimonial, uma Pastoral Pós-matrimonial e uma Pastoral dos Casos Especiais. Neste campo, José Luis insistiu muito na necessidade de uma Pastoral Orgânica em vez de uma Pastoral de Conjunto e frisou que a “Pastoral da Família [tem de ser] uma pastoral orgânica e não uma pastoral de conjunto. Numa pastoral de conjunto, as diversas pastorais fazem o seu trabalho obedecendo às orientações do pároco/arcipreste/bispo, mas desconhecem-se na sua ação: um agente de uma determinada pastoral não sabe ou não se interessa pelo que faz um outro agente de uma outra Pastoral ou Movimento da Igreja. Uma Pastoral Orgânica faz com que todos estejam juntos, unidos, entrelaçados, e não apenas um ao lado do outro como livros numa estante.”

No segundo momento da tarde, as Equipas de Nossa Senhora, o Encontro Matrimonial e as Guias de Portugal (os três movimentos que disseram sim ao convite que lhes foi feito ainda antes da Páscoa) apresentaram os seus movimentos e fizeram-no com a simplicidade e a profundidade necessárias e adequadas pelo que o seu desempenho agradou a toda a gente.

Cerca das 17h, como estava previsto, iniciou-se a eucaristia, presidida por D. Anacleto e concelebrada por mais 8 sacerdotes.

No momento da homilia, o Sr Bispo centrou a sua intervenção na seguinte ideia: como é espantoso, admirável, dom divino, que todos aqueles casais, e outros que não puderam estar ou não souberam do evento, tenham conseguido, com todos os encontros e desencontros da vida, o diálogo necessário que lhes. permitiu construir 25 / 50 ou mais anos de matrimónio.

Antes da bênção final houve ainda a bênção das alianças e a entrega de um diploma (da autoria do falecido Félix Iglésias), assinado pelo D. Anacleto Oliveira, a cada casal aniversariante.

No fim, os 30 casais tiraram uma foto com o seu Bispo... para mais tarde recordarem.
Notícias de Viana nº 1706 – 04 de Junho de 2015 











 

terça-feira, 19 de maio de 2015

Os 5 distintivos de uma família católica

Os 5 distintivos de uma família católica



Será que as famílias católicas são diferentes das outras? Em que se diferenciam? E sua família, se encaixa neste perfil?

Será que as famílias católicas são diferentes das outras? Em que se diferenciam? E sua família, se encaixa neste perfil?

 
 
18.05.2015
Family 2_© ZURIJETA / SHUTTERSTOCK
É necessário que as famílias católicas sejam diferentes? Como poderia ser identificada essa “diferença”? A estas e outras perguntas responde um artigo do Dr. Greg Popcak, em colaboração com sua esposa Lisa – um casal autor de mais de 20 livros (www.CatholicCounselors.com) e futuros palestrantes no Encontro Mundial das Famílias de setembro, na Filadélfia.

Para o casal Popcak, não se trata de dar respostas definitivas sobre como são ou devem ser as famílias católicas, mas sim de iluminar tanto o Encontro Mundial das Famílias como o próximo Sínodo sobre a Família, que acontecerá em outubro, em Roma.

“Considerando o que a Igreja já escreveu sobre a família, estas são minhas sugestões, como as 5 mais importantes diferenças que distinguem uma família comprometida em viver o catolicismo”, escreveu Popcak.

1. A família católica está unida na missa
Para o autor, a Eucaristia é a fonte do amor e da intimidade que as famílias católicas devem viver e celebrar. Ir à missa juntos aos domingos e festas de preceito, bem como confessar-se regularmente, é viver uma vida familiar eucarística.

2. A família católica reza em comum
A família católica está chamada a amar-se com o amor que vem do coração de Deus. E isso só pode ser conseguido como graça quando ela é pedida ao Senhor em oração, por todos os membros da família, que suplicam ao Pai que ensine o caminho para chegar a esse amor.

3. A família católica está chamada a proteger a intimidade
A família cristã está chamada à comunidade íntima, à comunhão do serviço, o que é a verdadeira escola de amor, na qual se aprende como Deus nos ama com todo o seu coração, e como fazer isso com o próximo mais próximo.

4. A família católica coloca a família em primeiro lugar
Depois de Deus, a família está em primeiro lugar, porque nossa família é a comunidade à qual Deus nos doou primeiramente para nos relacionarmos com o mundo; criamos e protegemos os rituais familiares e nossas atividades em comum como as mais importantes que realizamos durante a semana.

5. A família católica é testemunha e sinal
Reconhecemos que Deus quer transformar o mundo, transformá-lo no amor, a partir da família. Por isso, a família católica participa desse plano de duas maneiras: sendo testemunha do amor e da alegria, e levando isso à comunidade, por meio da prática das obras de caridade que Jesus nos ensinou.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

As lições da Sagrada Família


As lições da Sagrada Família

A família atual só poderá se reencontrar e salvar a sociedade se souber olhar para a Sagrada Família e copiar o seu modo de vida

Prof. Felipe Aquino
 


 

 


 
Wikimedia Commons


O Papa João Paulo II, na Carta às Famílias, chamou a família de “Santuário da vida” (CF, 11). Santuário quer dizer “lugar sagrado”. É ali que a vida humana surge como que de uma nascente sagrada, e é cultivada e formada. É missão sagrada da família: guardar, revelar e comunicar ao mundo o amor e a vida.

O Concílio Vaticano II já a tinha chamado de “a Igreja doméstica” (LG, 11) na qual Deus reside, é reconhecido, amado, adorado e servido; nele também foi ensinado que: “A salvação da pessoa e da sociedade humana estão intimamente ligadas à condição feliz da comunidade conjugal e familiar” (GS, 47).

Jesus habita com a família cristã. A presença do Senhor nas Bodas de Caná da Galileia significa que o Senhor “quer estar no meio da família”, ajudando-a a vencer todos os seus desafios; e Nossa Senhora ali o acompanha com a sua materna intercessão.

Desde que Deus desejou criar o homem e a mulher “à sua imagem e semelhança” (Gen 1,26), Ele os quis “em família”. Por isso, a família é uma realidade sagrada. Jesus começou sua missão redentora da humanidade na Família de Nazaré. A primeira realidade humana que Ele quis resgatar foi a família; Ele não teve um pai natural aqui, mas quis ter um pai adotivo, quis ter uma família, e viveu nela trinta anos. Isso é muito significativo. Com a presença d’Ele na família – Ele sagrou todas as famílias.

Conta-nos São Lucas que após o encontro do Senhor no Templo, eles voltaram para Nazaré “e Ele lhes era submisso” (cf. Lc 2,51). A primeira lição que Jesus nos deixou na família é a de que os filhos devem obedecer aos pais, cumprindo bem o Quarto Mandamento da Lei. Assim se expressou o Papa João Paulo II:

“O Filho unigênito, consubstancial ao Pai, ‘Deus de Deus, Luz da Luz’, entrou na história dos homens através da família” (CF, 2).

Ao falar da família no plano de Deus, o Catecismo da Igreja Católica (CIC) diz que ela é “vestígio e imagem da comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Sua atividade procriadora e educadora é o reflexo da obra criadora do Pai” (CIC, 2205). E na sua mensagem de Paz, do primeiro dia do Ano Novo (2008) o Papa Bento XVI deixou claro que sem a família não pode haver paz no mundo. E o Papa fez questão de ressaltar que família é somente aquela que surge da união de um homem com uma mulher, unidos para sempre, e não uma união homossexual que dá origem a uma falsa família.

“A família é a comunidade na qual, desde a infância, se podem assimilar os valores morais, em que se pode começar a honrar a Deus e a usar corretamente da liberdade. A vida em família é iniciação para a vida em sociedade” (CIC, 2207).

A Família de Nazaré sempre foi e sempre será o modelo para todas as famílias cristãs. Acima de tudo, vemos uma família que vive por Deus e para Deus; o seu projeto é fazer a vontade de Deus. A Sagrada Família é a escola das virtudes por meio da qual toda pessoa deve aprender e viver desde o lar.

Maria é a mulher docemente submissa a Deus e a José, inteiramente a serviço do Reino de Deus: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a sua palavra” (Lc 1,38). A vontade dela é a vontade de Deus; o plano dela é o plano de Deus. Viveu toda a sua vida dedicada ao Menino Deus, depois ao Filho, Redentor dos homens, e, por fim, ao serviço da Igreja, a qual o Redentor instituiu para levar a salvação a todos os homens.

José era o pai e esposo fiel e trabalhador, homem “justo” (Mt 1, 19), homem santo, pronto a ouvir a voz de Deus e cumpri-la sem demora. Foi o defensor do Menino e da Mãe, os tesouros maiores de Deus na Terra. Com o trabalho humilde de carpinteiro deu sustento à Família de Deus, deixando-nos a lição fundamental da importância do trabalho, qualquer que seja este.


A família atual só poderá se reencontrar e salvar a sociedade se souber olhar para a Sagrada Família e copiar o seu modo de vida e
O Papa João Paulo II, na Carta às Famílias, chamou a família de “Santuário da vida” (CF, 11). Santuário quer dizer “lugar sagrado”. É ali que a vida humana surge como que de uma nascente sagrada, e é cultivada e formada. É missão sagrada da família: guardar, revelar e comunicar ao mundo o amor e a vida.

O Concílio Vaticano II já a tinha chamado de “a Igreja doméstica” (LG, 11) na qual Deus reside, é reconhecido, amado, adorado e servido; nele também foi ensinado que: “A salvação da pessoa e da sociedade humana estão intimamente ligadas à condição feliz da comunidade conjugal e familiar” (GS, 47).

Jesus habita com a família cristã. A presença do Senhor nas Bodas de Caná da Galileia significa que o Senhor “quer estar no meio da família”, ajudando-a a vencer todos os seus desafios; e Nossa Senhora ali o acompanha com a sua materna intercessão.

Desde que Deus desejou criar o homem e a mulher “à sua imagem e semelhança” (Gen 1,26), Ele os quis “em família”. Por isso, a família é uma realidade sagrada. Jesus começou sua missão redentora da humanidade na Família de Nazaré. A primeira realidade humana que Ele quis resgatar foi a família; Ele não teve um pai natural aqui, mas quis ter um pai adotivo, quis ter uma família, e viveu nela trinta anos. Isso é muito significativo. Com a presença d’Ele na família – Ele sagrou todas as famílias.

Conta-nos São Lucas que após o encontro do Senhor no Templo, eles voltaram para Nazaré “e Ele lhes era submisso” (cf. Lc 2,51). A primeira lição que Jesus nos deixou na família é a de que os filhos devem obedecer aos pais, cumprindo bem o Quarto Mandamento da Lei. Assim se expressou o Papa João Paulo II:

“O Filho unigênito, consubstancial ao Pai, ‘Deus de Deus, Luz da Luz’, entrou na história dos homens através da família” (CF, 2).

Ao falar da família no plano de Deus, o Catecismo da Igreja Católica (CIC) diz que ela é “vestígio e imagem da comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Sua atividade procriadora e educadora é o reflexo da obra criadora do Pai” (CIC, 2205). E na sua mensagem de Paz, do primeiro dia do Ano Novo (2008) o Papa Bento XVI deixou claro que sem a família não pode haver paz no mundo. E o Papa fez questão de ressaltar que família é somente aquela que surge da união de um homem com uma mulher, unidos para sempre, e não uma união homossexual que dá origem a uma falsa família.

“A família é a comunidade na qual, desde a infância, se podem assimilar os valores morais, em que se pode começar a honrar a Deus e a usar corretamente da liberdade. A vida em família é iniciação para a vida em sociedade” (CIC, 2207).

A Família de Nazaré sempre foi e sempre será o modelo para todas as famílias cristãs. Acima de tudo, vemos uma família que vive por Deus e para Deus; o seu projeto é fazer a vontade de Deus. A Sagrada Família é a escola das virtudes por meio da qual toda pessoa deve aprender e viver desde o lar.

Maria é a mulher docemente submissa a Deus e a José, inteiramente a serviço do Reino de Deus: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a sua palavra” (Lc 1,38). A vontade dela é a vontade de Deus; o plano dela é o plano de Deus. Viveu toda a sua vida dedicada ao Menino Deus, depois ao Filho, Redentor dos homens, e, por fim, ao serviço da Igreja, a qual o Redentor instituiu para levar a salvação a todos os homens.

José era o pai e esposo fiel e trabalhador, homem “justo” (Mt 1, 19), homem santo, pronto a ouvir a voz de Deus e cumpri-la sem demora. Foi o defensor do Menino e da Mãe, os tesouros maiores de Deus na Terra. Com o trabalho humilde de carpinteiro deu sustento à Família de Deus, deixando-nos a lição fundamental da importância do trabalho, qualquer que seja este.


A família atual só poderá se reencontrar e salvar a sociedade se souber olhar para a Sagrada Família e copiar o seu modo de vida e
O Papa João Paulo II, na Carta às Famílias, chamou a família de “Santuário da vida” (CF, 11). Santuário quer dizer “lugar sagrado”. É ali que a vida humana surge como que de uma nascente sagrada, e é cultivada e formada. É missão sagrada da família: guardar, revelar e comunicar ao mundo o amor e a vida.

O Concílio Vaticano II já a tinha chamado de “a Igreja doméstica” (LG, 11) na qual Deus reside, é reconhecido, amado, adorado e servido; nele também foi ensinado que: “A salvação da pessoa e da sociedade humana estão intimamente ligadas à condição feliz da comunidade conjugal e familiar” (GS, 47).

Jesus habita com a família cristã. A presença do Senhor nas Bodas de Caná da Galileia significa que o Senhor “quer estar no meio da família”, ajudando-a a vencer todos os seus desafios; e Nossa Senhora ali o acompanha com a sua materna intercessão.

Desde que Deus desejou criar o homem e a mulher “à sua imagem e semelhança” (Gen 1,26), Ele os quis “em família”. Por isso, a família é uma realidade sagrada. Jesus começou sua missão redentora da humanidade na Família de Nazaré. A primeira realidade humana que Ele quis resgatar foi a família; Ele não teve um pai natural aqui, mas quis ter um pai adotivo, quis ter uma família, e viveu nela trinta anos. Isso é muito significativo. Com a presença d’Ele na família – Ele sagrou todas as famílias.

Conta-nos São Lucas que após o encontro do Senhor no Templo, eles voltaram para Nazaré “e Ele lhes era submisso” (cf. Lc 2,51). A primeira lição que Jesus nos deixou na família é a de que os filhos devem obedecer aos pais, cumprindo bem o Quarto Mandamento da Lei. Assim se expressou o Papa João Paulo II:

“O Filho unigênito, consubstancial ao Pai, ‘Deus de Deus, Luz da Luz’, entrou na história dos homens através da família” (CF, 2).

Ao falar da família no plano de Deus, o Catecismo da Igreja Católica (CIC) diz que ela é “vestígio e imagem da comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Sua atividade procriadora e educadora é o reflexo da obra criadora do Pai” (CIC, 2205). E na sua mensagem de Paz, do primeiro dia do Ano Novo (2008) o Papa Bento XVI deixou claro que sem a família não pode haver paz no mundo. E o Papa fez questão de ressaltar que família é somente aquela que surge da união de um homem com uma mulher, unidos para sempre, e não uma união homossexual que dá origem a uma falsa família.

“A família é a comunidade na qual, desde a infância, se podem assimilar os valores morais, em que se pode começar a honrar a Deus e a usar corretamente da liberdade. A vida em família é iniciação para a vida em sociedade” (CIC, 2207).

A Família de Nazaré sempre foi e sempre será o modelo para todas as famílias cristãs. Acima de tudo, vemos uma família que vive por Deus e para Deus; o seu projeto é fazer a vontade de Deus. A Sagrada Família é a escola das virtudes por meio da qual toda pessoa deve aprender e viver desde o lar.

Maria é a mulher docemente submissa a Deus e a José, inteiramente a serviço do Reino de Deus: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a sua palavra” (Lc 1,38). A vontade dela é a vontade de Deus; o plano dela é o plano de Deus. Viveu toda a sua vida dedicada ao Menino Deus, depois ao Filho, Redentor dos homens, e, por fim, ao serviço da Igreja, a qual o Redentor instituiu para levar a salvação a todos os homens.

José era o pai e esposo fiel e trabalhador, homem “justo” (Mt 1, 19), homem santo, pronto a ouvir a voz de Deus e cumpri-la sem demora. Foi o defensor do Menino e da Mãe, os tesouros maiores de Deus na Terra. Com o trabalho humilde de carpinteiro deu sustento à Família de Deus, deixando-nos a lição fundamental da importância do trabalho, qualquer que seja este.

A família atual só poderá se reencontrar e salvar a sociedade se souber olhar para a Sagrada Família e copiar o seu modo de vida em vez de escolher um pai letrado e erudito para Jesus, Deus escolheu um pai pobre, humilde, santo e trabalhador braçal. José foi o homem puro, que soube respeitar o voto perpétuo de virgindade de sua esposa, segundo os desígnios misteriosos de Deus.

A Família de Nazaré é para nós, hoje, mais do que nunca, modelo de unidade, amor e fidelidade. Mais do que nunca a família hoje está sendo destruída em sua identidade e em seus valores. Surge já uma “nova família” que nada tem a ver com a família de Deus e com a Família de Nazaré.

As mazelas de nossa sociedade –, especialmente as que se referem aos nossos jovens: crimes, roubos, assaltos, sequestros, bebedeiras, drogas, homossexualismo, lesbianismo, enfim, os graves problemas morais e sociais que enfrentamos, – têm a sua razão mais profunda na desagregação familiar a que hoje assistimos, face à gravíssima decadência moral da sociedade.

Como será possível, num contexto de imoralidade, insegurança, ausência de pai ou mãe, garantir aos filhos as bases de uma personalidade firme e equilibrada e uma vida digna, com esperança?

Como será possível construir uma sociedade forte e sólida onde há milhares de “órfãos de pais vivos”? Fruto da permissividade moral e do relativismo religioso de nosso tempo, é enorme a percentagem dos casais que se separam, destruindo as famílias e gerando toda sorte de sofrimento para os filhos. Muitos crescem sem o calor amoroso do pai e da mãe, carregando consigo essa carência afetiva para sempre.

A Família de Nazaré ensina ainda hoje que a família desses nossos tempos pós-modernos só poderá se reencontrar e salvar a sociedade se souber olhar para a Sagrada Família e copiar o seu modo de vida: serviçal, religioso, moral, trabalhador, simples, humilde, amoroso… Sem isso, não haverá verdadeira família e sociedade feliz.

 



 

 



 

 

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

8 conselhos do Papa Francisco para melhorar a vida em família

8 conselhos do Papa Francisco para melhorar a vida em família

Bergoglio, que cresceu em uma família de 5 filhos, tem também 16 sobrinhos e sabe muito bem do que está falando


 
 
   
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WEB-000_DV1897460 AFP PHOTO / GABRIEL BOUYS
No último dia 20 de agosto, o Papa Francisco destacou, em uma audiência, que ele também tem uma família, já que é o mais velho de cinco irmãos. “Éramos cinco irmãos, e tenho 16 sobrinhos. Um desses sobrinhos sofreu um acidente de carro”, recordou.

Estes fatos da vida em família, unida à sua grande experiência na pastoral familiar, lhe confere autoridade para opinar sobre este tema. E foi assim que ele fez em diversas ocasiões, ao referir-se às relações de casal ou ao dia a dia dentro do casamento.

Seus conselhos, simples, mas diretos, podem facilitar muito a vida em comum, e não há dúvida de que suas recomendações aos casais já deram a volta ao mundo.

Vejamos uma seleção de conselhos do Papa Francisco:

1. “Aos recém-casados, sempre dou este conselho: discutam o quanto quiserem; não se preocupem se voarem alguns pratos. Mas nunca terminem o dia sem fazer as pazes. Nunca!” (4 outubro 2013).

2. “Para fazer as pazes, não é preciso chamar a ONU para fazer o trabalho de reconciliação. Basta um pequeno gesto, um carinho: bom dia, até logo, até amanhã. E amanhã se começa algo novo” (2 abril 2014).

Para aprender sobre o perdão, nada melhor que ler a Bíblia – algo que o Papa recomenda para melhorar a vida familiar:

3. “Não é para colocá-la em uma estante, mas para tê-la sempre à mão. É para lê-la com frequência, todos os dias, seja individualmente ou em grupo, marido e mulher, pais e filhos; talvez à noite, sobretudo aos domingos. É assim que a família caminha, com a luz e o poder da Palavra de Deus!” (5 outubro 2014).

Aos casais que estão se casando, ele fala da beleza do casamento, mas também é sincero com eles: para levá-lo adiante, é preciso esforçar-se.

4. “É uma viagem cheia de desafios, difíceis às vezes, e também com seus conflitos, mas a vida é assim” (14 fevereiro 2014).
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Uma vida preenchida pelos filhos. O Papa convida os casais a lançar-se à aventura da paternidade; e não se cansa de denunciar a cultura que não favorece a família:

5. “Esta cultura do bem-estar dos últimos dez anos nos convenceu: é melhor não ter filhos! É melhor! Assim, você pode sair de férias, conhecer o mundo, pode ter uma casa de campo... Fica bem tranquilo” (6 junho 2014).

E quando os filhos já estão presentes, às vezes a família se complica. Francisco aconselha refletir sobre o ritmo de vida frenético ao qual as famílias se submetem.

6. “Quando confesso jovens casais e eles me falam dos seus filhos, sempre faço uma pergunta: ‘E você, tem tempo para brincar com seus filhos?’. Muitas vezes o pai me diz: ‘Mas, padre, quando vou trabalhar de manhã, eles ainda estão dormindo, e quando volto à noite, já foram deitar também’. Isso não é vida” (16 junho 2014).

O Papa também tem conselhos para os filhos. A tecnologia mal utilizada se tornou um dos elementos que mais distancia a família.

7. “Talvez muitos adolescentes e jovens percam horas demais em coisas fúteis, como chats na internet, ou no celular, na novela, os produtos do progresso tecnológico que deveriam simplificar e melhorar a qualidade de vida. No entanto, às vezes desviam a atenção daquilo que é realmente importante” (6 agosto 2014).

Para o Papa, um pilar fundamental da vida familiar são as pessoas idosas. Elas são o futuro dos povos, porque são sua memória. Por isso, Francisco sabe como os avós marcam a vida dos familiares.

8. “Uma das coisas mais bonitas da vida da família, da nossa ida, é acariciar uma criança e deixar-se acariciar por um avô ou uma avó” (28 setembro 2014).

Esforço, perdão, oração e dedicação são os ingredientes que o Papa oferece para uma boa receita de fortalecimento da vida em família.

(Artigo publicado originalmente pelo Forum Libertas)

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

A nossa sociedade ainda precisa da família?

Sociedade 17.10.2014

A nossa sociedade ainda precisa da família?

É necessário que a família volte a ser o ponto de partida da realização da pessoa

 © Public Domain
Hoje em dia nós casamos tarde, temos filhos tarde e geralmente apenas um. Não é apenas porque o desemprego nos persegue ou os impostos são altos. Na verdade faz tempo que a família deixou de ser vista como um essencial ponto forte, passando a ser considerada um peso, um obstáculo à realização dos projetos pessoais dos seus integrantes.
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Quem afirma isso é o estatístico Roberto Volpi, em seu livro “A nossa sociedade ainda precisa da família?”. Para Volpi a escolha de dar vida a um projeto familiar chega tarde porque é percebida como secundária. Não é mais um pilar que sustenta a própria existência para permitir às pessoas ingressar na sociedade com vigor e obstinação.

Ponto de chegada

A teoria de Volpi é que a família começou a perder espaço não porque o seu “sucesso”, fortalecido no pós-guerra, fosse falso. Ontem a família era o time com o qual se tentava lançar uma marca no mundo, hoje é um ponto de chegada, a coroação de um sonho que corre o risco de não ter o tempo e as energias necessárias para se realizar completamente. (Tempi.it, 16 de outubro).

O que é preciso para mudar a tendência?

Volpi explica que reequilibrar o individualismo, não censurá-lo, mas fazê-lo frutuosamente atingir a família sólida da qual a sociedade precisa. Isso se inicia demonstrando que a família pode ser um âmbito fecundo para o indivíduo. Um âmbito de certeza do qual a pessoa pode reiniciar a cada dia, sentir-se acolhida e amada gratuitamente. Este é justamente um dos pontos centrais do trabalho do sínodo sobre a família.

domingo, 19 de outubro de 2014

Bispos aprovam documento sobre a família sem acordo sobre divorciados e gays


Bispos aprovam documento sobre a família sem acordo sobre divorciados e gays

Três pontos não tiveram a maioria de dois terços necessária, o da homossexualidade e o acesso à comunhão para os divorciados que tornam a se casar

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Agências de Notícias

18.10.2014


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O sínodo de bispos sobre a família convocado pelo Papa Francisco aprovou neste sábado um documento final "equilibrado", após várias correções, anunciou o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi.

O "Relatio Synodi", como é chamado o documento final, foi concluído após duas semanas de estudos dos problemas da família moderna em todos os continentes (clique aqui para ver a Relatio Synodi em italiano).

No total, 183 padres sinodais participaram da votação, e cada ponto dos 62 parágrafos do documento foi submetido a votação.

Três pontos não tiveram a maioria de dois terços necessária, pontos esses que tratavam da homossexualidade e do acesso à comunhão para os divorciados que tornam a se casar, informou o Vaticano.

Toda a documentação, tanto os rascunhos quanto as correções, foi divulgada pelo Vaticano.

"O Papa pediu que fosse publicado tudo, com total transparência, o que mostra um alto grau de maturidade", disse Manuel Dorantes, um dos porta-vozes.

O texto será divulgado em todas as dioceses do mundo, juntamente com um questionário, e servirá de base para o próximo sínodo, programado para outubro de 2015.

"Temos um ano para amadurecer", afirmou o Papa, que elogiou o vigor dos debates. "Se não tivesse havido discussões acaloradas, teria ficado preocupado", comentou, diante dos bispos.

Mensagem

Os Padres Sinodais aprovaram também, no decorrer da 14ª Congregação Geral na manhã deste sábado, a mensagem final desta III Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, que teve como tema “Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização”.

Esta é a íntegra da mensagem, publicada por Rádio Vaticano: 

Nós, Padres Sinodais reunidos em Roma junto ao Santo Padre na Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, nos dirigimos a todas as famílias dos diversos continentes e, em particular, àquelas que seguem Cristo Caminho, Verdade e Vida. Manifestamos a nossa admiração e gratidão pelo testemunho cotidiano que vocês oferecem a nós e ao mundo com a sua fidelidade, fé, esperança e amor.

Também nós, pastores da Igreja, nascemos e crescemos em uma família com as mais diversas histórias e acontecimentos. Como sacerdotes e bispos, encontramos e vivemos ao lado de famílias que nos narraram em palavras e nos mostraram em atos uma longa série de esplendores mas também de cansaços.

A própria preparação desta assembleia sinodal, a partir das respostas ao questionário enviado às Igrejas do mundo inteiro, nos permitiu escutar a voz de tantas experiências familiares. O nosso diálogo nos dias do Sínodo nos enriqueceu reciprocamente, ajudando-nos a olhar toda a realidade viva e complexa em que as famílias vivem. A vocês, apresentamos as palavras de Cristo: "Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele e ele comigo” (Ap 3,20). Como costumava fazer durante os seus percursos ao longo das estradas da Terra Santa, entrando nas casas dos povoados, Jesus continua a passar também hoje pelos caminhos das nossas cidades. Nas vossas casas se experimentam luzes e sombras, desafios exaltantes mas, às vezes, também provações dramáticas. A escuridão se faz ainda mais densa até se tornar trevas, quando se insinuam no coração da família o mal e o pecado.

Existe, antes de tudo, os grandes desafios da fidelidade no amor conjugal, do enfraquecimento da fé e dos valores, do individualismo, do empobrecimento das relações, do stress, de um alvoroço que ignora a reflexão, que também marcam a vida familiar. Se assiste, assim, a não poucas crises matrimoniais enfrentadas, frequentemente, em modo apressado e sem a coragem da paciência, da verificação, do perdão recíproco, da reconciliação e também do sacrifício. Os fracassos dão, assim, origem a novas relações, novos casais, novas uniões e novos matrimônios, criando situações familiares complexas e problemáticas para a escolha cristã.

Entre estes desafios queremos evocar também o cansaço da própria existência. Pensemos ao sofrimento que pode aparecer em um filho portador de deficiência, em uma doença grave, na degeneração neurológica da velhice, na morte de uma pessoa querida. É admirável a fidelidade generosa de muitas famílias que vivem estas provações com coragem, fé e amor, considerando-as não como alguma coisa que é arrancada ou infligida, mas como alguma coisa que é doada a eles e que eles doam, vendo Cristo sofredor naquelas carnes doentes.

Pensemos às dificuldades econômicas causadas por sistemas perversos, pelo “fetichismo do dinheiro e na ditadura de uma economia sem rosto e sem um objetivo verdadeiramente humano” (Evangelii Gaudium 55), que humilha a dignidade das pessoas. Pensemos ao pai ou à mãe desempregados, impotentes diante das necessidades também primárias de suas famílias, e aos jovens que se encontram diante de dias vazios e sem expectativas, e que podem tornar-se presa dos desvios na droga e na criminalidade.

Pensemos também na multidão das famílias pobres, àquelas que se agarram em um barco para atingir uma meta de sobrevivência, às famílias refugiadas que sem esperança migram nos desertos, àquelas perseguidas simplesmente pela sua fé e pelos seus valores espirituais e humanos, àquelas atingidas pela brutalidade das guerras e das opressões. Pensemos também às mulheres que sofrem violência e são submetidas à exploração, ao tráfico de pessoas, às crianças e jovens vítimas de abusos até mesmo por parte daqueles que deveriam protegê-las e fazê-las crescer na confiança e aos membros de tantas famílias humilhadas e em dificuldade. “A cultura do bem-estar anestesia-nos e (...) todas estas vidas ceifadas por falta de possibilidades nos parecem um mero espetáculo que não nos incomoda de forma alguma” (Evangelii Gaudium, 54). Fazemos apelo aos governos e às organizações internacionais para promoverem os direitos da família para o bem comum.

Cristo quis que a sua Igreja fosse uma casa com a porta sempre aberta na acolhida, sem excluir ninguém. Somos, por isso, agradecidos aos pastores, fiéis e comunidades prontos a acompanhar e a assumir as dilacerações interiores e sociais dos casais e das famílias.

Existe, contudo, também a luz que de noite resplandece atrás das janelas nas casas das cidades, nas modestas residências de periferia ou nos povoados e até mesmos nas cabanas: ela brilha e aquece os corpos e almas. Esta luz, na vida nupcial dos cônjuges, se acende com o encontro: é um dom, uma graça que se expressa – como diz o Livro do Gênesis (2,18) – quando os dois vultos estão um diante o outro, em uma “ajuda correspondente”, isto é, igual e recíproca. O amor do homem e da mulher nos ensina que cada um dos dois tem necessidade do outro para ser si mesmo, mesmo permanecendo diferente ao outro na sua identidade, que se abre e se revela no dom mútuo. É isto que manifesta em modo sugestivo a mulher do Cântico dos Cânticos: “O meu amado é para mim e eu sou sua...eu sou do meu amado e meu amado é meu”, (Cnt 2,16; 6,3).

Para que este encontro seja autêntico, o itinerário inicia com o noivado, tempo de espera e de preparação. Realiza-se em plenitude no Sacramento onde Deus coloca o seu selo, a sua presença e a sua graça. Este caminho conhece também a sexualidade, a ternura, e a beleza, que perduram também além do vigor e do frescor juvenil. O amor tende pela sua natureza ser para sempre, até dar a vida pela pessoa que se ama (cf. João 15,13). Nesta luz, o amor conjugal único e indissolúvel persiste, apesar das tantas dificuldades do limite humano; é um dos milagres mais belos, embora seja também o mais comum.

Este amor se difunde por meio da fecundidade e do ‘gerativismo’, que não é somente procriação, mas também dom da vida divina no Batismo, educação e catequese dos filhos. É também capacidade de oferecer vida, afeto, valores, uma experiência possível também a quem não pode gerar. As famílias que vivem esta aventura luminosa tornam-se um testemunho para todos, em particular para os jovens.

Durante este caminho, que às vezes é um percurso instável, com cansaços e caídas, se tem sempre a presença e o acompanhamento de Deus. A família de Deus experimenta isto no afeto e no diálogo entre marido e mulher, entre pais e filhos, entre irmãos e irmãs. Depois vive isto ao escutar juntos a Palavra de Deus e na oração comum, um pequeno oásis do espírito a ser criado em qualquer momento a cada dia. Existem, portanto, o empenho cotidiano na educação à fé e à vida boa e bonita do Evangelho, à santidade. Esta tarefa é, frequentemente, partilhada e exercida com grande afeto e dedicação também pelos avôs e avós. Assim, a família se apresenta como autêntica Igreja doméstica, que se alarga à família das famílias que é a comunidade eclesial. Os cônjuges cristãos são, após, chamados a tornarem-se mestres na fé e no amor também para os jovens casais.

O vértice que reúne e sintetiza todos os elos da comunhão com Deus e com o próximo é a Eucaristia dominical quando, com toda a Igreja, a família se senta à mesa com o Senhor. Ele se doa a todos nós, peregrinos na história em direção à meta do encontro último quando “Cristo será tudo em todos” (Col 3,11). Por isto, na primeira etapa do nosso caminho sinodal, refletimos sobre o acompanhamento pastoral e sobre o acesso aos sacramentos pelos divorciados recasados.

Nós, Padres Sinodais, vos pedimos para caminhar conosco em direção ao próximo Sínodo. Em vocês se confirma a presença da família de Jesus, Maria e José na sua modesta casa. Também nós, unindo-nos à Família de Nazaré, elevamos ao Pai de todos a nossa invocação pelas famílias da terra:

Senhor, doa a todas as famílias a presença de esposos fortes e sábios,
que sejam vertente de uma família livre e unida.

Senhor, doa aos pais a possibilidade de ter uma casa onde viver em paz com a família.

Senhor, doa aos filhos a possibilidade de serem signo de confiança e aos jovens a coragem do compromisso estável e fiel.

Senhor, doa a todos a possibilidade de ganhar o pão com as suas próprias mãos, de provar a serenidade do espírito e de manter viva a chama da fé mesmo na escuridão.

Senhor, doa a todos a possibilidade de ver florescer uma Igreja sempre mais fiel e credível, uma cidade justa e humana, um mundo que ame a verdade, a justiça e a misericórdia.

(Com AFP e Rádio Vaticano)

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Debates sobre a família


Debates sobre a família

por ANSELMO BORGES04 outubro 2014

Começa amanhã, no Vaticano, prolongando-se até ao próximo dia 19, a Assembleia extraordinária do Sínodo dos Bispos, dedicada às questões da família. São 253 os participantes, incluindo 114 presidentes de conferências episcopais de todo o mundo, 13 chefes de Igrejas Católicas Orientais, 25 presidentes dos dicastérios da Cúria Romana (uma espécie de ministérios do governo central da Igreja), cardeais, bispos e padres escolhidos pelo Papa, que também aprovou a escolha de 16 peritos e 38 ouvintes (observadores), entre os quais 14 casais. Não se prevê nenhum documento conclusivo final. De facto, novas directrizes pastorais no novo contexto da família só deverão aparecer quando o Sínodo se reunir de novo em Outubro de 2015.

Ninguém duvidará da importância do tema da família para as pessoas, para a educação, para a Igreja, para a sociedade. Consciente disso, o Papa Francisco fez, de modo inédito, anteceder o Sínodo de um inquérito a todos os católicos e católicas do mundo e não apenas aos bispos, como era hábito, incidindo sobre as várias questões relacionadas com esta temática, sem tabus: casamento à experiência, divorciados que voltam a casar-se, uniões de facto, casamento entre pessoas do mesmo sexo, relações pré-matrimoniais, métodos anticonceptivos... Das respostas conclui-se, como aqui mostrei em várias crónicas, enorme discrepância entre a doutrina oficial e a prática dos católicos.

O Sínodo tem, pois, uma gigantesca tarefa pela frente, mas muitos põem, com razão, reservas às suas possibilidades, apresentando, por exemplo, o facto de a esmagadora maioria dos participantes serem celibatários (bispos e padres), sem experiência real de vida familiar, e, por outro lado, o de não se constatar verdadeiro pluralismo nos peritos escolhidos.

Evidentemente, como acaba de declarar o cardeal G. Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, não se pode pretender "um cristianismo a preço de saldo, sem exigências na conversão". Mas, por outro lado, como reflecte, por exemplo, o movimento "Redes Cristianas", o Sínodo não pode ignorar, quando se considera o modelo tradicional de família cristã, realidades familiares novas, sendo, portanto, "necessária uma revisão profunda da doutrina, na qual participem representantes da pluralidade de opções existentes na Igreja". Aliás, será preciso ter em conta as diferenças culturais nos vários continentes. "Que dirá o Sínodo às pessoas homossexuais, aos casais que convivem sem se casar ou a quem, depois do divórcio, volta a casar-se pelo civil?"

O Sínodo não pode não ter em conta os avanços da ciência com incidência neste domínio: por exemplo, o início da pessoa humana, as técnicas de reprodução assistida, o controlo da natalidade com métodos anticonceptivos proibidos pela Humanae Vitae. Espera-se uma palavra de abertura para que os casais divorciados e recasados possam aceder à comunhão. A formação terá de ser para a liberdade na responsabilidade, sem esquecer "o primado da consciência" que "deve guiar as decisões dos cristãos e cristãs adultos, muito especialmente na sua vida íntima e familiar". Espera-se uma palavra forte "a favor da igualdade da mulher e contra a violência de género". Decisiva será também a denúncia da situação socioeconómica mundial que leva à pobreza, à falta de trabalho para os jovens, à precariedade da vida familiar e até à extrema dificuldade em constituir um projecto de família.


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Convidados para jantar, proibidos de comer (3)



05/10/2014 - 00:56

Deus é sempre fiel, mas os seres humanos não são Deus.

1. Um leitor destas crónicas lamenta a minha perda de tempo com assuntos de moral familiar e, em particular, com a discutida participação dos católicos divorciados recasados na comunhão eucarística. As próprias expectativas de mudança, no próximo Sínodo dos Bispos, são o resultado da preguiça católica em pensar pela própria cabeça. Andar a pedir ordens ao clero é infantilismo cultivado. Cada católico deve ser tutor de si próprio. Eu deveria limitar-me a recordar a célebre resposta de I. Kant (de 1784) à pergunta: o que é oiluminismo?

A resposta é conhecida: “O iluminismo é a saída do homem da sua menoridade de que ele é culpado. A menoridade é a incapacidade de se servir do entendimento sem a orientação de outrem. Tal menoridade é por culpa própria, se a sua causa não reside na falta de entendimento, mas na falta de decisão e de coragem em se servir de si mesmo sem a orientação de outrem.Sapere aude [1]! Tem a coragem de te servires do teu próprio entendimento. Eis a palavra de ordem do iluminismo”.

Recordou-me ainda que o Vaticano II (1962-1965) foi o começo de uma clara escuta de alguns ecos da modernidade, há muito esquecidos: a consciência como primeira instância moral (GS 16); a declaração sobre a liberdade religiosa (Dignitatis Humanae), destacando que a própria objectividade da verdade moral “não se impõe de outro modo senão pela sua própria força, que penetra nos espíritos de modo ao mesmo tempo suave e forte” (n.1).

Inteiramente de acordo, mas vamos por partes. Kant tem razão: a recusa preguiçosa de cada pessoa se servir do próprio entendimento e andar sempre a recorrer a um “director de consciência” é um exercício de infantilismo e, por outro lado, uma atitude obscurantista de quem alimenta essa dependência. No entanto, seria igualmente infantil não alimentar o próprio entendimento com as investigações dos outros. O culto da auto-ignorância para ser dono das suas decisões éticas, é uma parvoíce. Somos seres de relação em todas as dimensões. Não somos apenas responsáveis diante da nossa consciência, mas também pela consciência que podemos ter do nosso mundo e do mundo dos outros.

2. Louis Dingemans (1922-2004), sociólogo e teólogo, era um dominicano belga que aprofundou, com um grupo de trabalho interdisciplinar, a situação eclesial dos divorciados recasados [2].

Para a validade de uma celebração católica do casamento sempre foi exigido o consentimento livre dos esposos e, como dizia Kierkegaard, o amor nunca é tão grande como quando se assume como um dever recíproco. A multiplicidade de uniões infelizes e divórcios, a fragilidade dos amores humanos ainda não conseguiram estancar o sonho e o desejo de muitas pessoas se aliarem para construírem uma história comum, que não esteja dependente dos humores de cada dia. Encontram-se até pessoas “pouco praticantes” que pedem para se casar pela Igreja e não é apenas pelas fotografias. Como diz L. Dingemans, parece que têm uma vaga percepção de que o casamento, sendo uma loucura, precisa do Deus do Evangelho, protector dos loucos, sentindo que todo o verdadeiro amor é de origem divina.

Muito ou pouco praticantes, por culpa ou sem culpa de um ou de ambos, o facto é que existem rupturas sem remédio. Surgem, depois, novas uniões. Pondo de lado a leviandade e os caprichos de muitos casos, também existem divorciados recasados que nesses processos complicados aprofundaram e redescobriram a sua fé, que desejam alimentar.

Como já vimos em artigos anteriores, não são católicos excomungados. Pelo contrário, são convidados a participar na vida da Igreja e a frequentarem a Eucaristia. Mas são proibidos de comungar: convidados para uma refeição e impedidos de comer. À primeira não se entende esta incongruência e à segunda, ainda menos. Invoca-se um estado permanente de violação da aliança matrimonial. Razão apresentada: existe uma contradição objectiva de ordem simbólica, pois a aliança entre Deus e a Humanidade, entre Cristo e a sua Igreja é actualizada pelo laço entre marido e mulher. O autor citado mostra, de forma analítica, que este é um argumento falacioso. Deus é sempre fiel, mas os seres humanos não são Deus. Podem falhar e a misericórdia de Deus nunca falha.

3. É bom não esquecer uma oração da missa do Domingo passado: Senhor, que dais a maior prova do vosso poder quando perdoais e vos compadeceis, derramai sobre nós a vossa graça.

O Papa Francisco, que tem muita graça em receber a graça de Deus, resolveu, na audiência geral do passado dia 10, propor que a Igreja, em todas as suas expressões, seja uma escola da misericórdia. Não estávamos habituados. Era mais associada a um ministério com tribunais lentos e sem piedade.

[1] Atreve-te a pensar

[2] Cf. dossier Chrétians qui sont dévorcés et remariés, Centre Dominicain de Froismont, Bélgica ; Louis Dingemans, Mariage et alliance. L’ambiguïté d’un symbole, Rev. Lumière et Vie, n 206 (1992), pg 25-38 ; Jesus face au divorce, Racine|Fidélité, 2004

 

 

"Bispos vão ter de ouvir as novas famílias"

por Miguel Marujo 04 outubro 2014

José Manuel Pereira de Almeida, médico e padre, que está há 15 anos à frente da paróquia de Santa Isabel, em Lisboa, diz que "todas as famílias têm coisas regulares e irregulares". E que a Igreja terá de aprender como vivem.

Antes da entrevista começar, José Manuel Pereira de Almeida, 61 anos, coloca dois livros na mesa e abre no seu iPad um documento do arcebispo de Antuérpia Johan Bonny, que o pode ajudar durante a conversa. Não vai precisar de olhar para uns e outro, mas percebe-se que, para o pároco de Santa Isabel, no centro de Lisboa, o "Evangelho da Família" de Walter Kasper ou o texto do prelado belga são importantes referências na preparação da reunião extraordinária do Sínodo dos Bispos, que se inicia este domingo em Roma. Isso e a experiência de quem está à frente de uma paróquia desde 1999.

Este sínodo vai servir para alguma coisa?

Esperamos que sim. O sínodo é permanente desde o Concílio Vaticano II e tem reuniões extraordinárias e reuniões ordinárias e espera-se que as extraordinárias sejam mesmo extraordinárias. Esta prepara a sessão do ano que vem sobre "a família num contexto da evangelização". É um enfoque novo, não é para repetir doutrina da [Exortação Apostólica] Familiaris Consortio. Já agora reafirmar algumas das linhas seria importante. Mas é sobretudo para este enfoque novo da família e da evangelização, a que o Papa Francisco tem dado um impulso particularmente significativo, a partir da sua Exortação Apostólica Evangelii gaudium, de o sonho missionário chegar a todos - às periferias, aos excluídos...

Há um ano, quando o Papa Francisco chamou os católicos a responderem ao inquérito, sublinhou-se a novidade do Papa querer saber o que pensam os fiéis sobre divórcio, contraceção ou o casamento homossexual. Espera-se que os bispos os ouçam?

Suponho que sim, sobretudo na sua grande maioria. Há certamente alguns setores [da Igreja] que se dirigirão a Roma para dizer "se eles pensam isto, e pensam mal, a gente tem de lhes explicar melhor a sã doutrina". Creio que não corresponde ao sentir maioritário dos padres sinodais.

Há um discurso sobre estes divorciados recasados, que também é alargado a homossexuais, que é o da atitude respeitosa, não julgadora dessas pessoas...

Já não é mau, diria.

Mas não é julgadora quando essas pessoas vão ficando à margem?

O acolhimento das pessoas - por exemplo, dos homossexuais - tem de ser incondicional. O que importa é que não fiquem de fora, não se sintam de fora, por causa de gestos nossos. Em concreto, era muito importante que no sínodo estivessem discursos na primeira pessoa, de famílias em recomposição, em dificuldade, de pessoas que vivem situações familiares que não são as tais ditas regulares, para que esse ouvir possa ser feito.

Incluindo homossexuais.
Porque não? Os padres sinodais vão ter de ter ouvidos para isso