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sábado, 26 de dezembro de 2015

Alegrai-vos!...


Alegrai-vos!...

 

É Natal, É Natal, é Natal…

 

Alegrai-vos

Glória a Deus nas Alturas

Porque hoje nasceu um salvador

Para os homens de boa vontade

Jesus Cristo Nosso Salvador

 

Ele é Amor.

 

Deus manifesta-se num Menino!

Ele apresenta-nos um Deus

que se fez homem pequenino

 

E deste modo

Mostra-nos o rosto do Pai,

Um rosto de Misericórdia

Fraterno, justo e Bom

Connosco a  fazer história.

 

Alegrai-vos irmãos!... Alegrai-vos!...

 

Porque recebemos um dom

Este rosto de Deus é próximo

Está nos corações

Tão próximo como os pobres, os ricos

 

Os sós, os tristes,

 

os que vivem com medo.

Com dúvidas, injustiçados,

 

Incompreendidos

Idosos, doente e perseguidos

 

Os que choram, os presos…

Os que vivem obstinados no erro

Com dúvidas, incompreendidos,

 


Alegrai-vos todos vós
Porque somos todos nós
Próximos uns dos outros
 
 
Alegrai-vos porque é Natal
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

É Natal!...


 
É Natal!... é Natal!...é Natal!...
 
 
 
 
Hoje nasceu numa grande Luz.
Essa Luz é o rosto de Deus
Feito menino nascido em Belém.
Ele chama-se Jesus!

 

Jesus Cristo é o rosto da Misericórdia do Criador.
Ele é o rosto do verdadeiro Amor.
É o Amor incondicional do Pai
Que chama a cada um pelo seu nome.

 

João, Anacleto e Maria
José, Francisco e a Lia

 
Joaquim, Isabel e Ana,
David, Rabeca, e Marta

 

“Hoje nasceu-nos um salvador”
Hoje nasceu-nos uma luz
Ela se manifesta num rosto
Que é o rosto do Menino Jesus.

 

Ele é o rosto da Misericórdia
É o rosto do Pai.

 

E Deus Pai é Amor
Sempre pronto,
De braços abertos,

 

Para receber com desconto
O que é do pecador.

 

Para que amando assim

Até ao fim.

 

Não usou do Poder
Para castigar,
Mas para Amar,
Ainda que com seus braços abertos
Fossem pregados numa cruz
Pendendo dela o corpo de Jesus

 

Contemplemos este rosto do Menino, no Presépio,
Olhemos e meditemos
Porque neste rosto descobriremos
Uma Humanidade com história 
o grande rosto de Deus
Um Deus de Misericórdia.

 

Um Deus que salva
Um Deus que Ama
Um Deus que não se afasta
Mas um Deus que se aproxima
O rosto de Deus aparece.

 

Um Deus presente!

Alegrai-vos porque é Natal…

 

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

NOITE DE NATAL 2015 – Já la vão 60 e tal anos…


NOITE DE NATAL 2015 – Já la vão 60 e tal anos…

Era eu ainda muito jovem, iniciava-se o período de Natal e minha mãe obrigava-me a ir à igreja. Era um ritual que se repetia todos os anos, tão intimo e tão vulgar que incorporava o simbolismo da Santa Noite de Natal.

 

Era eu e todos os meus irmãos unidos num espirito de grupo que envolvia, novos e velhos, grandes e pequenos A família. Todos lá de casa.

Na lareira – uma grande pedra espessa, em granito, pousada no soalho, ardiam os canhotos que junto aos potes coziam as batatas, esta elevada também por uma outra pedra mais estreita que lhe servia de apoio, para colocar as panelas. À direita, o forno de cozer a boroa; à esquerda o lava-loiças também em granito e, logo por cima, um louceiro em madeira de pinho, com prateleiras para enfiar os pratos lavados. O fumo saía por entre as telhas e ripado do telhado. Não havia tecto nem propriamente uma chaminé! Era a cozinha daquela época. Na sala, construía-se o presépio. Ali se dispunham os três Reis Magos, o grupo de pastores, as ovelhinhas em rebanhos, o açude, os pequemos regueiros ou riachos, as casinhas, as azenhas, todas aquelas figuras exóticas por aqueles atalhos feitos em serrim pelas montanhas sagradas, construídas em musgo verde. O Menino Jesus gorduchinho e bom “em palhinhas deitado” e a Sagrada Família. Não faltava a vaquinha e o burrinho ou a mulinha - como lhe queiram chamar - com os seus meigos olhares naquela cabaninha algo tosca, erguida com muito amor e carinho pelas mãos ingénuas e puras de 6 crianças (eu e meus irmãos) e, rematada com a estrela prateada que indicava o atalho que todas aquelas figuras tinham de observar para se orientarem e encontrar o Menino Jesus nascido.

A simbologia do Natal, à época, era patenteada por presépios e não por pinheirinhos.

Era uma alegria para gaudio dos mais pequenos como eu.

A família juntava-se. Chegavam familiares que trabalhavam noutros locais do país. Seguiam-se abraços e beijos e a casa enchia-se. Toda a gente se instala, passeando por toda a casa

Na cozinha não há mãos a medir! As mulheres tratam de tudo.

O bacalhau demolhado que estava já há alguns dias em água e necessitou de continuadas mudas. As tronchudas e as couves-galegas, as hortaliças foram escolhidas pela minha mãe na leira, propriedade nossa, que cultivávamos junto á escola primária de Vila de Punhe. A doçaria vinha sendo feita durante o dia, também por ela, com ovos das galinhas do nosso galinheiro.

As nozes, amêndoas, figos, estavam guardadas por meu pai para serem introduzidas no sapatinho de cada um de nós – filhos - que, no fim da ceia, colocávamos na padieira sobranceira à lareira, aguardando a visita do Menino Jesus que descia pela “chaminé” durante a noite.

Enquanto se aguardava a comida, sentados à volta da lareira, contavam-se histórias. Lembravam.se os que partiram. Outros natais… A vida e cada um em amena cavaqueira.

Uma noite de Natal tipicamente minhoto.

Na mesa, minha mãe estendia a melhor toalha. Ao lado as terrinas, travessas e talheres, os pratos, malgas, canecas de barro branco, pintadas às riscas de azul, eram retiradas do antigo armário lá de casa.

“A comida está pronta”! “Vamos, Todos prá mesa”.!...A ordem vem da cozinha! “Vamos que fria não presta”- convidava minha mãe.

Na lareira, vão ardendo os canhotos. Ao lado, as pinhas mansas que depois de queimadas ou chamuscadas se abrem para quebrar os pinhões. Paira um cheirinho a resina. O bacalhau chegou à mesa, os ovos e os legumes. Tanta hortaliça! O molho de azeite fervido com alho e o vinho verde tinto nas canecas bojudas, que o frio já lhe tinha dado a volta. Era Inverno. Toda a gente se senta à mesa colocada bem perto da lareira para ter aquecimento.

Não faltam as rabanadas de vinho verde da nossa safra e leite do vizinho, lavrador- “tio Joaquim Puxa”. No fim da ceia, comem-se os doces. Não se levanta a mesa – fica para os anjinhos e as alminhas comerem de noite. Se quiserem, claro! (que tenham bom proveito) - dizia minha mãe. Assim ditam algumas das tradições cá do Alto Minho, da minha aldeia, da aldeia onde nasci.

A meia-noite aproxima-se e toca a ir para a cama. O sapato ou a chanca, já lá está à espera do Menino Jesus. Das prendas que trás.

No dia seguinte, toca acordar pressurosos para ver o que havia deixado o Menino Jesus - eu e meus irmãos. Era Natal. Reinava aquela ansiedade e euforia de criança. Sem grandes surpresas! Tínhamos amêndoas nozes e figos no sapatinho. Era o que aguardávamos...mas contentes, muito contentes, porque só acontecia uma vez no ano!

Apesar de tudo, naquela época, nenhum de nós sabia o que lhe tocava. Havia sempre uma espectativa a pensar na surpresa. Meu pai, guardava o que tinha comprado, em segredo, para nos surpreender.

Depois, havia a missa do galo, e naquele dia toca a saborear as gulosices, era dia Natal!…Aquele Natal… tão desejado por qualquer criança durante aquele mês de Dezembro. Uma alegria!

Era sensivelmente assim, a Noite de Natal da minha infância que recordo com muita saudade e que, certamente, faz recordar a alguns de vós, a vossa infância o vosso Natal outrora.

É tempo de respirar bem fundo. É Tempo de Natal. Juntam-se amigos e fazem-se almoços e jantares alusivos. Que bom seria se fossem todos os dias, dias de Natal com …PAZ, AMIZADE E AMOR!

A todos desejos um Santo Natal e Um Próspero Ano Novo

Leandro Matos                                                           12.12.2015                                            

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

ENCONTRO MISERICORDIOSO DE DEUS COM A HUMANIDADE


NATAL 2015

ENCONTRO MISERICORDIOSO DE DEUS COM A HUMANIDADE

 Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai

“Na plenitude do tempo” (Gl4, 4), quando tudo estava pronto segundo o seu plano de salvação, mandou o seu Filho, nascido da Virgem Maria, para nos revelar, de modo definitivo, o seu amor.

Quem O vê, vê o Pai (Jo 14, 9).

 

É Natal de Jesus…

Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados.

Aos homens e mulheres de boa vontade, construtores de um mundo mais solidário, fraterno e justo.

Alegrem-se os corações dos que vivem sós.

Alegrem-se os corações dos que vivem tristes.

Alegrem-se os corações dos que vivem angustiados.

Alegrem-se os corações dos que vivem com medo.

Alegrem-se os corações dos que vivem com sombras.

Alegrem-se os que são vítimas da incompreensão.

Alegrem-se as crianças e os idosos.

Alegrem-se os que estão na cárcere-prisão.

Alegrem-se os que estão nos hospitais.

Alegrem-se os que vivem nas ruas (os sem-abrigo).

Alegrem-se os que se sentem marginalizados, os desempregados e os que choram!

Alegrem-se os que vivem na dor.

Alegrem-se os que têm fome e sede de justiça…. Os pobres.

Alegrem-se os abandonados pelos homens, mas amados por Deus!...

Alegrem-se todas as famílias.

É tempo de ser bom…

 

 

É Natal! Boas Festas para todos.

Alegre-se o céu e rejubile a terra.

A criação.

Glória in excelsis Deo.

Glória… Glória e paz na terra ao homem nosso irmão.

Jesus foi o primeiro a testemunhar o amor a todo o homem.

No dizer de Gil Vicente:

“NASCEU A ROSA DO ROSAL, DEUS E HOMEM NATURAL!”

O Menino nos foi dado.

“Ele espalhará a justiça entre as nações” (Isaías 4, 1)

“Ele será a reconciliação do povo e a luz das nações” (Isaías 42, 6)

“E O VERBO FEZ-SE HOMEM E VEIO HABITAR ENTRE NÓS” (Jo. 1, 14)

A oferta da salvação realizou-se.

ALEGREMO-NOS.

Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai.

 

Feliz Natal

 

José Rodrigues Lima

93 85 83 275
jrodlima@hotmail.com

domingo, 20 de dezembro de 2015

A arte natalícia como epifania do Mistério




A ARTE NATALÍCIA COMO EPIFANIA DO MISTÉRIO

 José Rodrigues Lima




Texto e Fotos

 

O Inverno é o período do ano em que as pessoas estão mais voltadas para o espírito.

A temperatura é mais fria e a luz solar mais reduzida, e por isso os grupos humanos passam mais tempo no espaço doméstico. O convívio familiar é mais extenso e vive-se com maior intimidade.

Existem diferenças no estilo de vida, dependendo do meio rural ou urbano.

Se na cidade se liga o aquecimento, na aldeia ele é produzido pela lareira loozalizada no centro ou no canto da cozinha, onde se queimam os bons cepos de raízes que ajudam a prolongar as horas nocturnas em conversas de família, reavivando memórias, fazendo comentários a acontecimentos da comunidade aldeã, ou projectando celebrações para alegria de todos aqueles que se sentem ligados pelo mesmo sangue, e no respeito pelo tronco patriarcal.

A quadra natalícia aproxima ainda mais a família. Os que durante o ano permanecem longe dos seus por diversos motivos procuram um retorno às origens para o encontro muitas vezes desejado.

 

 

DAR AS BOAS FESTAS

 

Se o Natal é o período dedicado à família, ele também é o tempo de ser bom… Como diz o poeta, “como é bom ser bom”!

Se na época natalícia há mobilidade social, também há ternura.

Há rituais que se cumprem com mais afecto, como oferecer e receber lembranças.

O uso de dar as boas festas é muito antigo. Nas “Fastos”, Ovídio pergunta a certa altura a Jano: “E donde vem que nas calendas tuas/ nos demos mutuamente as Boas-Festas?...”

Além das reuniões familiares estabeleceu-se no costume de se fazerem visitas aos amigos. Os servos iam apresentar cumprimentos festivos aos seus senhores, deles recebendo por vezes qualquer lembrança, derivando possivelmente o termo “dar ou receber as broas”.

Conta-se que a velha rainha Mary de Inglaterra tinha o dom especial de contemplar no Natal cada uma das numerosíssimas pessoas que a visitavam com uma lembrança adequada ao seu gosto.

Um dia, alguém perguntou com que antecedência ela começava a dedicar-se à tarefa de as escolher. Sorrindo, respondeu. – A partir de 26 de Dezembro de cada ano!

A rainha de Portugal, D. Maria Pia, logo “depois das Janeiras”, como dizia, convidava os íntimos para o almoço onde cada um descobria, sob o seu guardanapo, um bonito presente.

A troca de boas-festas por escrito só surgiu em tempo relativamente moderno.

Aceita-se que o costume se deve ao artista inglês W. T. Dobson. Em 1845, enviou a algum amigo uma cópia litografada de um cartão de sua autoria sobre o espírito do Natal. A originalidade da mensagem agradou e foi imitada.

Os primeiros cartões impressos na Inglaterra eram muito simples, uma acha de lenha, os sinos e os cumprimentos tradicionais.

O costume passa aos estados Unidos da América cerca de 1874. A partir daí os cartões de Boas Festas apresentam os mais diversos motivos, alguns muito longe de qualquer inspiração religiosa ou do espírito natalício.

 

O ESSENCIAL É INVISÍVEL PARA OS OLHOS

Sain-Exupéry, no famoso livro “O Pincipezinho”, escreve que “só se vê bem como coração, o essencial é invisível para os olhos”.

Captar o acontecimento histórico do Natal de Jesus Cristo que marcou o calendário, seja-se ou não crente, é reconhecer o projecto desenhado pelo profeta Isaías: “Ele espalhará a justiça entre as nações… Sendo manso não clamará, nem fará excepção de pessoas. Fará a justiça conforme a verdade…”

“A história é o sextante e a bússola dos estados, os quais, agitados pelos ventos e correntes, se perderiam na confusão senão pudessem verificar a sua posição”, escreveu Nevins. Por outro lado atribui-se a João XXIII: “A História da Igreja não é um museu de antiguidades cristã, mas sim como uma fonte que deita água viva que mata a sede de uma aldeia”.

A arte representou sempre a memória colectiva da humanidade.

Não foi o Ocidente a inventar o próprio conceito de arte, como também o de uma obra destinada a ser fruída, interpretada, e concebida como objecto de reflexão estética.

Em termos genéricos nos sistemas não europeus, o objecto artístico é um símbolo do absoluto, confundindo-se com o mistério e o sagrado, e integrando-se numa relação profunda entre o homem e os cosmos.

Conforme F. Gonçalves depois do século VI, as composições artísticas sobre o nascimento de Jesus tornaram-se frequentes no Oriente, sobretudo nos livros iluminados da Síria e da Palestina. É através das miniaturas dos códices siríacos que a cena da Natividade passa à Arte Bizantina e ao Ocidente bárbaro.

Aqui, desde a época carolíngia que o modelo levantino começa a ser imitado pelos iluminadores. Assim se difunde o tipo iconográfico da Natividade em que estão presentes os dois animais do estábulo, ladeando a figura do recém-nascido. O homem repete-se, no Oriente e no Ocidente, em frescos, mosaicos e miniaturas de marfim.

O presépio merece atenção de Fra Angélico, Ghirlandajo, Jerónimo Bosch, Van de Goes, Leonardo da Vinci, Durer e outros notáveis artistas.

Merecem referência, os famosos, presépios de Machado de Castro, Alexandre Guisti e António Ferreira, bem como todos os barristas, inclusive os de Barcelos, abundantemente coloridos, onde não faltam os carros de bois e pastores, dando lugar a um sentido imaginário dos artesãos.

Todas as aldeias do Alto-Minho armam o presépio na igreja paroquial, contribuindo para o encanto das crianças e dos adultos. O Menino Jesus a sair no andor, transportado pelas crianças aquando as procissões festivas, são uma constante em todas as paróquias.

Nas terras do Alto-Minho existem diversas manifestações artísticas referentes ao mistério do “Verbo Encarnado”.

Assim, são de referir o fresco representando os três Reis Magos (século XIII/XIV) na Igreja Paroquial de Chaviães, Melgaço, e a Sagrada Família de marfim na aldeia do Luzio, concelho de Monção.

No concelho de Viana do Castelo, os presépios de Machado de Castro em S. Lourenço da Montaria, a Senhora do Ó ou Senhora da Expectação no Mosteiro de Carvoeiro, a Senhora do Parto na freguesia de Nogueira, a Nossa Senhora do Leite, em Vila de Punhe, são outros testemunhos.

Na cidade podemos contemplar dois belíssimos nichos, mesmo na “Rua de Viana”.

É uma residência com portaria do século XVIII na qual se abriu, talvez no século XIX, um portal largo. A fachada incorpora dois nichos, esculpidos em alto relevo, que provem da casa dos fins do século XV. À nossa esquerda o Anjo Gabriel saúda a Virgem, e, como se lê na facha que tem na mão, dizendo AVÉ MARIA. No nicho, do lado direito, Nossa Senhora de pé, sob dossel, ladeado de talha florida, que simboliza a Fonte de Vida, recebe a mensagem.

Porém foi no antigo Convento de Santa Ana que encontramos a melhor representação relacionada com o Natal.

Aqui obtivemos a confirmação “a arte é a epifania do mistério”.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Ante o mistério natalino, as doenças do servidor da Igreja de Cristo


Ante o mistério natalino, as doenças do servidor da Igreja de Cristo

 

Na sessão de apresentação de cumprimentos de Natal dos membros dos seus diversos dicastérios e serviços, o Papa dirigiu-se à Cúria Romana como tal e através dela, enquanto pequeno modelo de Igreja, a todos os servidores do Povo de Deus. E assumiu, neste discurso natalício, a imagem da Igreja como Corpo de Cristo.

Começou por sublinhar, na essência do Natal, “o acontecimento de Deus que se faz homem para salvar os homens”. Com efeito, no seu amor, Deus dá-Se-nos a Si mesmo, não se limitando a dar-nos algo, a enviar-nos um ou mais mensageiros. Desce de Si mesmo e assume-nos na natureza e pecado para gratuitamente nos revelar a Vida divina, a Graça e o Perdão. O seu nascimento na gruta da pobreza releva o poder da humildade, mostrando-nos a luz acolhida, não pelo escol político, económico e social, mas pelos pobres e simples que esperam a salvação.

Recordando que as pessoas que trabalham, na Cúria ou espalhadas pelo mundo ao serviço da Santa Sé, da Igreja Católica, das Igrejas particulares e do Sucessor de Pedro, não são números ou denominações, mas pessoas, Francisco saúda e agradece o empenho dos servidores no ativo e pensa com gratidão em quem terminou o serviço por excesso de idade, assunção de outros papéis em Igreja ou por óbito. E eleva ao Senhor a oração de ação de graças pelo ano prestes a chegar ao fim, pelos eventos vividos e pelo bem que Deus nos dispensou através da Santa Sé e formula o pedido de perdão pelas faltas materializadas em “pensamentos, palavras, atos e omissões”, de modo a lograr uma boa preparação para o Natal.

***

Fixando-se na imagem da Igreja como o Corpo Místico de Cristo, segundo a formulação de Pio XII e na sequência da Sagrada Escritura e da tradição patrística, explicita que a sua unidade se realiza através da pluralidade e diversidade de muitos dons e membros, como ensina S. Paulo: “Como o corpo é um só e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, apesar de serem muitos, constituem um só corpo, assim também Cristo(1 Co 12,12). Por seu turno a Lumen Gentium, do Vaticano II, assegura que “na estrutura do Corpo de Cristo vigora a diversidade de membros e de ministérios. É um só o Espírito que para utilidade da Igreja distribui a pluralidade e diversidade de dons com uma liberalidade conforme à sua riqueza e às necessidades dos serviços (LG,7; cf 1Co 12,1-11). Daqui se infere que Jesus e a Igreja formam o Cristo total, ou seja, a Igreja é una com Cristo.

Também a Cúria, enquanto miniatura modelar da Igreja, tem de funcionar como um corpo cada vez mais vivo, são, unido em si e com Cristo. São vários os Dicastérios, os Conselhos, os Ofícios, os Tribunais, as Comissões e os outros numerosos serviços, com membros provenientes de diversas culturas, línguas e nações. Porém, são “coordenados por um funcionamento eficaz, edificante, disciplinado e exemplar.

Ora, esse corpo dinâmico precisa de se nutrir e curar. Para tanto, a Cúria, como a Igreja, tem necessariamente uma relação vital, pessoal, autêntica e sólida com Cristo e com os demais. Caso contrário, o servidor tornar-se-á um burocrata ou formalista, funcionário, empregado. Como antídoto alimentício e curativo o Pontífice aponta a oração quotidiana, a participação assídua nos sacramentos (sobretudo a Eucaristia e a Reconciliação), o contacto quotidiano com a Palavra de Deus e a espiritualidade traduzida na caridade vivida.

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Sendo a Cúria (tal como a Igreja) chamada a contínua melhoria e a crescimento em comunhão, santidade e sabedoria, ela pode sofrer, como qualquer corpo, de doença, disfunção e enfermidade – fenómenos que dificultam e impedem o desempenho cabal da missão e serviço.

Assim, o Papa, inspirando-se no roteiro dos Padres do deserto, apresenta em moldes atuais um catálogo de 15 doenças e tentações, extensíveis a todos os membros da Igreja, mas em especial aos da Cúria, mais expostos e de quem se espera mais. Pode mesmo servir de ajuda à preparação para o sacramento da reconciliação e para a solenidade do Natal do Senhor.

1. O sentir-se imortal, imune ou indispensável. Leva à negligência de cuidados e controlos habituais sobre nós próprios. E um serviço que não se autocritica, não se ajusta aos novos tempos ou não procura melhorar é um corpo enfermo. Os cemitérios estão repletos de gente que se julgava imortal e imprescindível – recorda o Papa, que sugere a reflexão que nos faça reconhecer pecadores e a dizer do fundo do coração: “Somos servos inúteis. Limitámo-nos a fazer o que devíamos (Lc 17,10).

2. O “martismo” (de Marta) ou excesso de atividade. É de recordar que há um tempo para cada coisa (cf Ecl 3,1-15); que o próprio Cristo também sentiu a necessidade de repouso (cf Mc 6,31); e que a contemplação pode é mais meritória que a atividade excessivamente fatigante: Maria, que se sentou aos pés de Jesus, “escolheu a melhor parte (cf Lc 10,30-42).

3. A petrificação mental e espiritual. Coração de pedra e cerviz dura fazem do servidor uma máquina de práticas e não um homem de Deus. A perda da sensibilidade, da serenidade interior, da vivacidade e da audácia prejudicam ou aniquilam mesmo o amor para com Deus e para com o próximo. É, pois, necessário, contra a passagem do tempo, cultivar de coração os sentimentos de Jesus (cf Fl 2,5-11): sentimentos de humildade e doação, de disponibilidade e generosidade.

4. A excessiva planificação e funcionalização. Se o apóstolo tudo planifica meticulosamente e crê que as coisas assim avançam infalivelmente, torna-se um contabilista ou um mercantilista e facilmente cai na tentação de condicionar a liberdade do Espírito. Dificilmente se abre à mudança. Ora, a Igreja deve mostrar-se fiel ao Espírito Santo e não tentar fazê-lo fiel a si própria, tentando “regulá-lo, domesticá-lo”, pois, “Ele é frescura, sonho, novidade” e surpresa.

5. A má coordenação ou a descoordenação. Quando os membros perdem a comunhão entre si e o corpo diminui na sua harmoniosa funcionalidade, são orquestra que produz música, mas cujos seus elementos não colaboram, não vivem o espírito de cooperação e não produzem trabalho coerente. É como se um dos membros do corpo tivesse a veleidade de dispensar o trabalho dos outros ou quisesse assumir a direção de uma atividade para a qual não está preparado.

6. O “alzheimer” espiritual. Esquece-se o núcleo da história da salvação, da história pessoal com o Senhor, o “primeiro amor” (Ap 2,4). É a perda progressiva das faculdades espirituais, que torna a pessoa incapaz de atividade autónoma e dependente de suas visões imaginárias.

7. A rivalidade e da vanglória. Quando o aparato e as insígnias se tornam o objetivo da vida, ao arrepio das palavras de Paulo de nada se fazer por vanglória, corremos o risco de viver um falso angelismo, um falso “misticismo” e um falso “quietismo”, que nos faz “inimigos da Cruz”, ao envaidecermo-nos da própria ignomínia e ao atermo-nos prazer terreno (cf Fl 3,19).

8. A esquizofrenia existencial. É a duplicidade ou bipolaridade da vida, “fruto da hipocrisia típica do medíocre e do vazio espiritual progressivo”: doença “que atinge frequentemente aquele que, abandonando o serviço pastoral, se limita aos afazeres burocráticos, perdendo, assim, o contacto com a realidade, com as pessoas concretas”. Chegam farisaicamente a colocar de parte o que “ensinam severamente aos outros” e vivem tambémuma vida oculta e até dissoluta.

9. A murmuração e o mexerico. É doença grave, já denunciada por S. Paulo (cf Fl 2,14-18), que começa com uma ligeira troca de palavras, mas apoderando-se da pessoa, a transforma em  “semeadora de cizânia” e mesmo “homicida a sangue frio” da fama de colegas e confrades.

10. A divinização dos chefes. É doença típica dos que, vítimas do carreirismo e do oportunismo, adulam os Superiores para obterem a benevolência deles, honrando as pessoas e não a Deus (cf Mt 23,8-12). Mas esta doença  pode atingir também os Superiores, quando cortejam alguns dos seus colaboradores para lograrem a cúmplice submissão, lealdade e dependência psicológica.

11. A indiferença para com os outros. Acontece “quando alguém pensa apenas em si mesmo e perde a sinceridade e o calor das relações humanas”. Leva a que, invejosa ou ciumentamente, se esconda para si mesmo o conhecimento a que se chegou sobretudo por meios desconhecidos, “ao invés de compartilhar positivamente com os outros” induzindo ao seu encorajamento.

12. A síndrome da cara funérea. É a doença das “pessoas grosseiras e sisudas” que julgam que a seriedade consiste nas fingidas feições de melancolia, de severidade e tratamento dos outros com rigidez, dureza e arrogância. O apóstolo deve, abandonando a severidade teatral e o pessimismo estéril (muitas vezes, sintomas de medo e de insegurança), esforçar-se por ser uma pessoa amável, serena e alegre que transmite alegria por toda parte onde quer se encontre.  

13. A mania da acumulação. Consiste na procura insana e na guarda avara de bens materiais, não por necessidade, mas só para sentir-se seguro, preenchendo o vazio existencial do coração. A este propósito, Francisco lembra que “a mortalha não tem bolsos” (nada de material se leva deste mundo) e que “a acumulação só pesa e freia inexoravelmente o caminho”.

14. O espírito de capelinha. É a doença de círculo fechado onde a pertença ao grupo se torna mais forte do que a pertença ao Corpo” e ao próprio Cristo. Começando com boas intenções, acaba por escravizar, tornando-se o cancro ameaçador da harmonia do Corpo e causa de escândalo sobretudo para os mais débeis. Leva à autodestruição; é o mal que atinge a partir de dentro; e, como diz Cristo, “todo o reino dividido contra si mesmo será destruído” (Lc 11,17).

15. A ânsia do proveito mundano, do exibicionismo. Acontece quando o apóstolo transforma o serviço em poder e o poder em mercadoria para obter dividendos humanos ou mais poder. Leva à calúnia, difamação e descrédito dos outros. “Também esta doença faz muito mal ao Corpo porque leva as pessoas a justificar o uso de todo meio, contanto que atinja o seu objetivo, muitas vezes em nome da justiça e da transparência” – refere o Pontífice!

***

Trata-se, segundo o Papa, de tentações e doenças que “são naturalmente um perigo para todo cristão e para toda a cúria, comunidade, congregação, paróquia, movimento eclesial”,  podendo exprimir-se a nível quer individual quer comunitário. Mais: só o Espírito Santo  – a alma do Corpo Místico, como afirma o Credo Niceno-Costantinopolitano: o Espírito Santo, Senhor e vivificador – pode curar todas as enfermidades. É Ele que sustenta todo o esforço de purificação e toda a boa vontade de conversão. É Ele que faz compreender que todo o membro participa da santificação do corpo ou do seu enfraquecimento, no âmbito da comunhão dos santos. É Ele o promotor da harmonia: “Ipse harmonia est”, no dizer de São Basílio. N’Ele reside o segredo.

2014.12.22 – Louro de Carvalho

sábado, 27 de dezembro de 2014

NATAL: ENCONTRO SINGULAR DE DEUS COM A HUMANIDADE


NATAL: ENCONTRO SINGULAR DE DEUS COM A HUMANIDADE

 

 

 


 

 

É Natal de Jesus…

Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados.

Aos homens e mulheres de boa vontade, construtores de um mundo mais solidário, fraterno e justo.

Alegrem-se os corações dos que vivem sós.

Alegrem-se os corações dos que vivem tristes.

Alegrem-se os corações dos que vivem angustiados.

Alegrem-se os corações dos que vivem com medo.

Alegrem-se os corações dos que vivem com sombras.

Alegrem-se os que são vítimas da incompreensão.

Alegrem-se as crianças e os idosos.

Alegrem-se os que estão na cárcere-prisão.

Alegrem-se os que estão nos hospitais.

Alegrem-se os que vivem nas ruas (os sem-abrigo).

Alegrem-se os que se sentem marginalizados, os desempregados e os que choram!

Alegrem-se os que vivem na dor.

Alegrem-se os que têm fome e sede de justiça…. Os pobres.

Alegrem-se os abandonados pelos homens, mas amados por Deus!...

Alegrem-se todas as famílias.

É tempo de ser bom…

 

 

É Natal! Boas Festas para todos.

Alegre-se o céu e rejubile a terra.

A criação.

Glória in excelsis Deo.

Glória… Glória e paz na terra ao homem nosso irmão.

Jesus foi o primeiro a testemunhar o amor a todo o homem.

No dizer de Gil Vicente:

“NASCEU A ROSA DO ROSAL, DEUS E HOMEM NATURAL!”

O Menino nos foi dado.

“Ele espalhará a justiça entre as nações” (Isaías 42, 1)

“Ele será a reconciliação do povo e a luz das nações” (Isaías 42, 6)

“E O VERBO FEZ-SE HOMEM E VEIO HABITAR ENTRE NÓS” (Jo. 1, 14)

A oferta da salvação realizou-se.

ALEGREMO-NOS.

 

Feliz Natal

2014                                                                                José Rodrigues Lima

Não fique triste no Natal!

Não fique triste no Natal!


Não pode haver tristeza onde se experimenta a alegria espiritual de sentir-se eternamente amado

stardust and magic in your hands
© DR
Há muitas pessoas que, nestes dias natalinos, experimentam tristeza, nostalgia e depressão. Tristeza pela ausência de entes queridos; nostalgia pelo tempo passado; depressão por não querer, não saber nem poder compartilhar a alegria destes dias festivos.

Não pode haver tristeza onde se experimenta a alegria espiritual de sentir-se eternamente amado. Desta experiência brota a fonte da alegria perene. Os entes queridos que já não estão entre nós chegaram definitivamente à meta, que será para eles luz perpétua e descanso eterno no amor.

Não pode haver nostalgia onde se realiza uma manifestação de simplicidade, de pobreza e de entrega no humilde estábulo no qual Deus amanhece para a humanidade, para que a humanidade amanheça para um estilo de vida renovado. No Natal, o Senhor nos diz: Não tenha medo! Você não está sozinho!

Não pode haver depressão onde há solidariedade; onde todas as mãos são poucas para compartilhar; onde todas as vozes são necessárias para anunciar a Boa Notícia; onde todos os olhos são imprescindíveis para contemplar com estupor o nascimento do Filho de Deus; onde são necessários tantos gestos de fraternidade para valorizar a dignidade única de cada pessoa.

Existe uma alegria efêmera, repleta de pequenas luzes, pálido resplendor de outra alegria mais real, intensa e duradoura: a alegria que vem do encontro com o Senhor, Deus conosco, que nasce entre nós, por nós e para nós.

Há luzes que se apagarão. Mas há uma luz que não se extingue jamais. Uma luz que brilha em nosso interior e nos acompanha para sempre. Uma luz que nasce do encontro com o Deus vivo e toca cada um de nós no mais profundo.

Que admirável acontecimento! O Natal é um mistério de amor que nos envolve, nos penetra, nos fascina e nos transforma.

O Natal nos convida a sair ao encontro do Senhor que nasce humilde, simples, pobre, mas rico em misericórdia.

Quem se deixa transformar no Natal, adquire uma nova forma de ver, de ser e de viver.

No Natal, comemoramos o amor de Deus, que se faz solicitude concreta por cada pessoa. No Natal, agradecemos um desígnio de salvação que abraça toda a humanidade e toda a criação. No Natal, descobrimos que o Senhor é o nosso centro, o objetivo da nossa vida, a razão do nosso ser, nosso bem supremo, nossa alegria e nossa glória.

Feliz Natal!

(Artigo de Dom Julián Ruiz Martorell, publicado originalmente por SIC)
sources: SIC