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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Divorciados...separados... recasados...


Divorciados...separados... recasados...
 

Todos, a partir do baptismo, somos chamados à Santidade. É por isso  que é para uma comunidade um grande sofrimento quando nela existem irmãos em sofrimento como os separados ou divorciados. Nós sabemos que Deus os ama e prometeu felicidade a quem enfrenta o sofrimento da separação ou do divórcio, que aparece “como uma loucura para o mundo”.



Quantas vezes os separados vêem os seus bens materiais degradados. Ainda outro dia conheci uma senhora sofredora de uma doença de fibromialgia que o marido levou a um psiquiatra. Como não deu conta dela, então, o marido deixou-a com 3 filhos menores, sem saúde e sem trabalho ... Esquecemo-nos dos Bem-aventurados... porque o mundo nos apresenta a felicidade fora do âmbito dos Bem-aventurados para Jesus. O mundo afirma: “felizes são os que têm uma vida sexual bem sucedida”. De facto, Deus só quer a felicidade e o paraíso para a Humanidade, mas qual felicidade e qual paraíso?
 

Nesse sentido, os separados, os divorciados não poderão ser heróis como os viúvos e os celibatários por opção?

Somos todos chamados à Santidade que exige conversão contínua. Esta vocação é para os divorciados e para os separados, apesar de alguma mancha na vida sacramental. Esta vocação é também para os recasados uma esperança. Basta lembrar como Jesus atendeu a mulher adúltera. O que aproxima os recasados, os divorciados ou separados fiéis é bem mais que aquilo que muitos pensam. Como eles são baptizados, confirmados, chamados à Santidade, podem fazer crescer sempre as forças que neles existem, do Espírito.

Todos nós sentimos que os que passam por situações de divórcio sofrem imenso e experimentam feridas bem profundas e naturalmente procuram a sua cura, pois pelo sacramento do matrimónio receberam o ministério parental que devem procurar vivê-lo na nova situação que ambos criaram. São também convidados ao perdão em relação àquele que foi seu primeiro cônjuge, unidos pelo laço do casamento, celebrado religiosa e validamente. Apesar de tudo continuam a ser chamados a uma reconciliação dos corações com o outro pela troca do perdão mútuo, mesmo se uma retoma de vida em comunidade não for possível.

 
 
 
Como separados e divorciados, não recasados, são chamados à fidelidade e só nisto diferem as opções escolhidas. O caminho proposto por Jesus, ou pela Igreja, não é um caminho impossível.

Jesus, na Cruz, deu-nos sólidas lições para um sentido novo do sofrimento.

Muitas vezes constata-se um traumatismo, sobretudo de culpabilidade, sendo mais trágico quando há filhos. Há que lembrar a traição de Judas, a Agonia no Getzêman, o Julgamento, a Flagelação, a Coroação de espinhos. Tudo isso fez que a Cruz gloriosa e fecunda de Cristo fosse o desabrochar dum “novo céu e duma nova terra”. - “Meu Deus, meu Deus porque me abandonaste”? – “Hoje estarás comigo no Paraíso”, diz para o Bom Ladrão. E para a Mãe: - “Mulher, eis aí teu filho” – “Eis aí a tua mãe”. “Tenho sede”. “Tudo está consumado” .”Pai nas tuas mãos entrega o Meu espírito”. Este é o ideal apontado.

No sofrimento, se fixarmos os olhos em Jesus Cristo, somos capazes de descobrir um amor verdadeiro com uma longa e paciente fidelidade (separados ou divorciados). A Virgem Maria ajuda-nos a repôr de pé a nossa vida. São testemunhos de muitos que assim permanecem nas trevas da Luz. O Coração de Jesus é fonte de perdão e de cura: “felizes os que choram porque serão consolados”.

Quem sou eu para julgar?

Mas há os que preferem a Comunhão ao recasamento. Os divorciados ou separados, desde que nesta linha de perdão e de fidelidade, podem exercer todas as funções na Igreja, mesmo a da Comunhão. Enquanto os recasados podem e devem fazer comunidade, mas afastar-se da comunhão. É este o espinhoso problema do recasamento.

Alguns recasam-se e, se voltam a recasar a seguir... o sofrimento é ainda maior!...

O recasados podem construir e conhecer de novo a felicidade humana, mas a procura duma solução somente humana para o sofrimento pode ser  ilusória: ”só Jesus que veio penetrar em nosso sofrimento, pode transfigurá-lo hoje ainda pelo Espírito”. O que possa parecer ilusório, quem sabe se por esta transfiguração espiritual será uma grande esperança...

Ainda que o amor humano esteja morto, importa redescobrir sua unidade mística que permanece eternamente pela Graça do Sacramento do Matrimónio, na esperança de uma reconciliação, segundo Paulo VI.

“Embora afirmando que o amor humano está morto, cremos contudo que, reanimado pelo Espírito Santo, ele pode ressuscitar. Além disso, o facto de que o amor humano esteja morto não acarreta o desaparecimento do vínculo sacramental entre esposos. É o que afirma claramente Paulo VI em seu discurso às Equipas de Nossa Senhora: “O casamento (não cessamos de recordá-lo) é uma comunhão fundada sobre o amor e tornado estável e definitivo por uma aliança e um compromisso irrevogáveis. O amor verdadeiro, então, é o elemento mais importante desta comunhão: o que é dom, renúncia, serviço, superação. Mas essa comunhão, uma vez e selada, não está mais à mercê de altos e baixos de um querer humano subjectivo, mutável e instável. Ela ultrapassa as alternâncias da paixão, do arbítrio dos cônjuges. É por isso que o casamento não pode ser entregue às vicissitudes do sentimento, por tão nobre que seja, mas, enquanto tal, sujeito a variações, ao enfraquecimento, aos desvios, à ruína. Nós queremos ainda reafirmar esta doutrina tradicional já lembrada pela constituição pastoral Gaudium et Spes, 48, contra a enganadora argumentação segundo a qual o casamento acaba quando o amor (mas que amor?) se extingue”.  Em 2004, por A. Coutinho

Observação
Hoje o Papa Francisco quer de facto a reintegração de todos, mesmo os que nos parecem fragilizados e, para o efeito, já decidiu que a declaração de nulidade do matrimónio ficasse pela primeira ou segunda instância, sem precisar de ir à Santa Sé.

Tudo isto para que, mesmo sem mudar uma vírgula à doutrina repor a disciplina misericordiosa e não pesar mais na dor de quem sofre.

Ainda bem! 

P. C.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Voz político-moral global


Voz político-moral global 


por ANSELMO BORGES
DN 08AGO2015 e DN 15AGO2015

 
"A descrição do Papa como um super-homem, como uma estrela, é ofensiva para mim. O Papa é um homem que ri, chora, dorme tranquilamente, e tem amigos, como as outras pessoas." Quem isto diz é o Papa Francisco, dessacralizando o papado, citado por R. Draper num artigo na National Geographic deste mês, com o título provocador: "O Papa vai mudar o Vaticano? Ou o Vaticano vai mudar o Papa?" À partida, digo que estou convicto de que é o Papa que vai mudar o Vaticano. Seria péssimo para a Igreja e para o mundo se fosse ao contrário. Ele sabe que ninguém é perfeito: "Existimos apenas nós, pecadores." Mas também sabe que "Deus não tem medo de coisas novas! É por isso que nos surpreende continuamente, abrindo-nos o coração e guiando-nos por caminhos inesperados."
Logo a seguir à eleição, disse a alguns amigos: "Preciso de começar a fazer mudanças imediatamente." E o que é facto é que elas estão aí. Concretamente, para a reforma urgente da Cúria, rodeou-se de nove cardeais de todo o mundo. Para a pedofilia, tolerância zero. As finanças do Vaticano devem ser presididas pela transparência. A sua simplicidade é por todos enaltecida. A sua bondade, inexcedível. Os seus gestos - o automóvel utilitário, o sorriso franco, os abraços ternos, os seus inesperados telefonemas a este e àquela, a visita a prisões e lavar os pés a mulheres, incluindo uma muçulmana, fornecer duche, barbeiro e um kit de higiene aos sem-abrigo, a nomeação da maioria de cardeais de fora da Europa, visitas certeiras ao estrangeiro, a anteposição da graça e da misericórdia à lei e à doutrina - querem que se torne claro que o centro da Igreja é o ser humano, sempre frágil e necessitado de compreensão e ternura, e o Evangelho enquanto notícia boa e felicitante.
E outras reformas podem estar a caminho. Evidentemente, não mudará o essencial da doutrina. "Irá, isso sim", diz o padre franciscano, seu amigo argentino, R. de la Serna, "reconduzir a Igreja à sua verdadeira doutrina, a que ficou esquecida, a que repõe o ser humano no centro. Ao devolver a posição central ao ser humano que sofre, bem como à sua relação com Deus, as atitudes de aspereza face à homossexualidade, ao divórcio e outros temas assim começarão a mudar". Quanto ao fim da proibição da comunhão aos católicos divorciados e recasados, Juan Carlos Scannone, o amigo jesuíta, seu antigo professor, refere: "Ele disse-me: "Quero ouvir toda a gente." Ele vai esperar pelo Sínodo de Outubro e vai ouvir toda a gente, mas está definitivamente aberto a uma mudança." O pastor e professor universitário N. Saracco falou com Francisco sobre a lei do celibato obrigatório dos padres. "Se ele conseguir sobreviver às pressões da Igreja hoje e aos resultados do Sínodo sobre a família, acho que estará em condições para falar sobre o celibato", afirma. Perguntado pelo jornalista se se trata apenas de uma intuição, Saracco tem "um sorriso maroto" e diz: "É mais do que intuição."
Já como estudante, Francisco revelou, nas palavras de Scannone, um "elevado discernimento espiritual e capacidade política". Agora, quer operar uma revolução na Igreja, sabendo ao mesmo tempo que tem responsabilidades mundiais, e, de facto, tornou-se uma voz político-moral global. Hoje e no próximo Sábado, darei exemplos significativos dessa influência mundial.
1. Fez questão de a sua primeira visita ser a Lampedusa. E aí ficou um apelo dramático, repetido no Parlamento Europeu: o Mediterrâneo não pode converter-se num "cemitério", com tragédias que se sucedem quase diariamente.
Neste momento, o medo maior dos europeus tem a ver com as migrações. Para lá da condenação da insensatez das guerras no Iraque e na Líbia e do apelo ao humanismo e à solidariedade, pergunta essencial é se a Europa não tem obrigação de contribuir urgentemente para o desenvolvimento da África, estancando a tragédia na sua raiz. Mas, por outro lado, também se pergunta se os africanos não têm de ouvir os apelos que nomeadamente Obama lhes deixou na sua recente visita ao seu continente. Denunciou "o cancro da corrupção", com desvios de milhares de milhões de dólares, que deviam ser usados para o desenvolvimento dos povos. Apelou à democracia e ao fim de conflitos violentos intermináveis. "Ninguém devia ser presidente para a vida": "Não percebo porque é que as pessoas querem ficar tanto tempo no poder, especialmente quando têm muito dinheiro." Atirou contra a homofobia e a opressão da mulher: "África são as belas e talentosas filhas, tão capazes como os filhos de África."
2. Neste contexto, Francisco conhece o poder de Putin e quer boas relações. Aliás, um dos seus sonhos é visitar Moscovo. O seu "ministro" dos Negócios Estrangeiros, arcebispo R. Gallagher, declarou há dias: "A Federação Russa pode ter um papel na estabilização do Mediterrâneo, igual ao que teve na obtenção de um acordo sobre o programa nuclear iraniano."


O Papa Francisco tem consigo a missão decisiva de pôr ordem e renovar a Igreja. Mas sobre ele pesam igualmente responsabilidades históricas para com a humanidade toda, e também aqui o seu desempenho tem despertado, como disse Raúl Castro, "admiração mundial". Aliás, ele é um grande diplomata, afirmando o embaixador britânico junto da Santa Sé, Nagel Baker: "Nunca tivemos tanto trabalho. Todos os governos nos pedem continuamente in-formações sobre os movimentos do Papa Francisco."
Na continuação do texto de Sábado passado, apresento outros sinais da sua influência global.
3. Se um desejo maior de Francisco é visitar Moscovo, outro é ir a Pequim. O presidente Xi Jinping e Francisco trocaram mensagens de cortesia nas suas respectivas eleições em 2013 e a Igreja chinesa ordenou nos princípios deste mês o primeiro bispo fiel a Roma nos últimos três anos e ordenará em breve o segundo com a aprovação de Francisco. Sinais de abertura do governo chinês, que trabalha com o Vaticano para restabelecer relações diplomáticas. Hoje, com uns 12 milhões de católicos e mais de 70 milhões de cristãos, a China poderá ser em 2030 o país do mundo com maior número de cristãos, estando Francisco convencido de que o futuro do cristianismo se joga em grande parte na Ásia.
4. Na Europa, que países visitou Francisco? Significativamente três, de maioria muçulmana: Albânia, Bósnia e Turquia, com razoável convivência inter-religiosa. Francisco sabe que um problema maior no mundo e na Europa é e será a relação entre cristãos e muçulmanos. As duas religiões juntas são metade da humanidade, o que significa que a paz entre elas tem importância decisiva para o futuro.
Mas Francisco não se cansa de apelar à comunidade internacional para não abandonar as minorias cristãs e outras, perseguidas e esmagadas no Médio Oriente. O seu secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, lembrou mesmo, na ONU, que, para deter as agressões terroristas, "é lícito e urgente" o recurso "à acção multilateral e a um uso proporcionado da força".
Neste contexto, o vaticanista Sandro Magister sublinha a importância do acordo entre a Santa Sé e o Estado da Palestina, assinado em 26 de Junho no Vaticano. A novidade não estaria tanto na fórmula "Estado da Palestina", mas sobretudo no reconhecimento explícito da liberdade de religião e de consciência, bem como da liberdade da Igreja não só nos lugares de culto mas também nas actividades caritativas e sociais, no ensino, nos meios de comunicação social. "Trata-se de um reconhecimento sem precedentes por parte de um país muçulmano e poderia abrir o caminho para algo semelhante noutros países. Não é mero acaso o cardeal Parolin ter viajado recentemente até Abu Dhabi para inaugurar uma nova igreja com as mais altas autoridades dos Emiratos Árabes Unidos: uma mensagem eloquente para a vizinha Arábia Saudita, onde a simples posse de uma Bíblia continua a ser um delito gravíssimo" e a conversão a outra religião, sujeita à pena capital.
5. A encíclica Laudato si" ficará na história como a Magna Carta da ecologia integral, afirmando o teólogo X. Pikaza que "talvez não haja um documento da Igreja Católica que vá ter mais influência que esta encíclica".
Francisco acaba de designar o dia 1 de Setembro como Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação. A encíclica foi louvada pelo secretário-geral da ONU, a FAO declarou que "nunca um papa falou tão directamente sobre o meio ambiente e com tanta credibilidade moral". Obama, que acaba de tomar medidas ecológicas históricas, citou o Papa, assegurando que a luta contra as mudanças climáticas "é uma obrigação moral". Neste contexto, a quatro meses da conferência sobre o clima que reunirá em Paris, em Dezembro, sob a égide da ONU, os seus 195 membros, na qual Francisco deposita grande esperança, François Hollande, num encontro em Paris de 40 personalidades políticas, religiosas e morais do mundo inteiro, declarou que é preciso chegar a acordo: "Não é uma questão de chefes de Estado ou de governo, mas de todos os habitantes do planeta." Prémios Nobel, reunidos em Constança, Alemanha, advertiram para as mudanças climáticas: se nada for feito, caminhamos para "uma ampla tragédia humana".
6. Por causa das suas posições a favor dos pobres e contra um sistema económico e financeiro que mata, conservadores americanos há que acusam Francisco de esquerdista, com concepções marxistas. O que ele não é. Neste contexto, The Washington Post, 1 de Agosto, escreveu que "não se pode entender o Papa sem Perón e Evita". Influenciado pelo peronismo na juventude, Francisco rejeita tanto o marxismo como o capitalismo selvagem, sem regras. O jornal cita o jesuíta Juan C. Scannone, seu antigo professor: é a favor de uma "teologia do povo", "não critica a economia de mercado, mas a fetichização do dinheiro e do livre mercado. Uma coisa é a economia de mercado e outra a hegemonia do capital sobre o povo".

Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

 




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sexta-feira, 19 de junho de 2015

Não se conforme com resumos contaminados por ideologias: leia a verdadeira encíclica do Papa Francisco!

Encíclica Laudato Si': leia o texto na íntegra e não os pedaços que a mídia laicista vai descontextualizar


Não se conforme com resumos contaminados por ideologias: leia a verdadeira encíclica do Papa Francisco!

A chamada "grande mídia" nem sempre (ou quase nunca) é imparcial e objetiva quando publica resumos e "análises" sobre os documentos e fatos da Igreja. Se você pretende conhecer o que o papa Francisco realmente afirma na nova encíclica "Laudato si'", leia a PRÓPRIA encíclica, na íntegra, a partir de uma fonte confiável. Por exemplo? O site do Vaticano

 
Aleteia
18.06.2015
Carta encíclica Laudato Si'Site oficial do Vaticano - Vatican.va
Você concorda que não seria muito inteligente de sua parte consultar a revista "Capricho" para se informar sobre os jogos do Campeonato Brasileiro, certo? Nem a revista "Quatro Rodas" para ficar por dentro das últimas tendências da moda, não é?

Então por que é que você, católico, se "informa" sobre o papa e seus ensinamentos ou sobre quaisquer assuntos da Igreja lendo resumos na "Folha de S.Paulo", na "Veja", na "Carta Capital" ou na "Globo.com"?

A chamada "grande mídia" nem sempre (ou quase nunca) é imparcial e objetiva quando publica "resumos", "análises" ou "opiniões de especialistas" sobre os documentos e fatos da Igreja. Se você pretende conhecer o que o papa Francisco realmente afirma na nova encíclica "Laudato si'", leia a própria encíclica, na íntegra, a partir de uma fonte confiável. Por exemplo? Que tal o site do Vaticano?

Aqui está o link para a página do Vaticano em que você pode ler o texto escrito pelo papa, na tradução oficial da Santa Sé ao português:

"LAUDATO SI'": TEXTO OFICIAL EM PORTUGUÊS, NO SITE DO VATICANO

Se preferir, você pode também acessar, no mesmo site do Vaticano, a versão do texto em formato .PDF, com a possibilidade de copiá-lo para o seu computador:

"LAUDATO SI'": TEXTO OFICIAL EM PORTUGUÊS, EM FORMATO .PDF, NO SITE DO VATICANO

A propósito: vá sempre direto à fonte e não se deixe manipular por "especialistas" e "vaticanistas" que "resumem" as palavras da Igreja com base em seus próprios "entendimentos". E se você é um católico preguiçoso que não costuma ler os documentos da Igreja em sua versão original, completa e oficial, considere que esta pode ser uma bela oportunidade para superar a sua preguiça e se tornar uma pessoa de caráter mais sólido! Boa leitura!

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Papa Francisco: quero os pobres na 1ª fila, ilustres e famosos atrás

Papa Francisco: quero os pobres na 1ª fila, ilustres e famosos atrás


Concerto no Vaticano para sustentar a Obra de Caridade do Pontífice

Concerto no Vaticano para sustentar a Obra de Caridade do Pontífice

05.05.2015
Pope Francis with the clochards_© ALBERTO PIZZOLI / AFP
Depois da visita guiada exclusiva aos Museus Vaticanos no final de março, agora os sem-teto, imigrantes e pobres terão acesso, em primeira fila, ao concerto beneficente do Papa, no próximo dia 14 de maio, na Sala Paulo VI. Por desejo de Francisco, eles se sentarão nos lugares de honra, que normalmente são reservados a autoridades civis e eclesiais.

Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos (cf. Mt 20,16) no concerto organizado para sustentar as Obras de Caridade do Papa, na prestigiosa Sala Paulo VI, no dia da festa da Ascensão do Senhor.

O evento é organizado pela Esmolaria Apostólica, o departamento que tem a tarefa de praticar a caridade a favor dos pobres em nome do Papa, e que é dirigido por Dom Konrad Krajewski. Além disso, participam da organização o Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização e a Fundação São Mateus, em memória do cardeal Van Thuan.

Os "preferidos do Papa Francisco" se deleitarão ao escutar a Orquestra Filarmônica Giuseppe Verdi, dirigida pelo maestro Daniel Oren, junto a Dom Marco Frisina, diretor do Coral da diocese de Roma.

O evento terá como convidados de honra as pessoas mais carentes, que recebem ajuda dos voluntários e operadores da diocese de Roma, do Centro Astalli para os refugiados e da Comunidade de Sant'Egídio de Roma.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Papa Francisco: a fé è dom do Espírito Santo transmitido sobretudo pelas mulheres


Papa Francisco \ Missa em Santa Marta

Papa Francisco: a fé è dom do Espírito Santo transmitido sobretudo pelas mulheres

Papa Francisco em Santa Marta - OSS_ROM

26/01/2015 12:51

 

Paulo recorda a Timóteo que a sua fé provém do Espírito Santo, ‘por meio da sua mãe e da sua avó’. “São as mães, as avós – afirma o Papa – que transmitem a fé, e acrescenta: “Uma coisa é transmitir a fé e outra é ensinar as coisas da fé. A fé é um dom, não se pode estudar. Estudam-se as coisas da fé, sim, para entendê-la melhor, mas nunca se chegará à fé com o estudo. Ela é um dom do Espírito Santo, é um presente que vai além de qualquer preparação”. E é um presente que passa através do “lindo trabalho das mães e das avós, o belo trabalho destas mulheres” nas famílias. “Pode ser também que uma doméstica, uma tia, transmitam a fé”:

Jesus veio através de uma mulher

“Vem-me à mente esta questão: por que são principalmente as mulheres a transmitir a fé? Simplesmente porque quem nos trouxe Jesus foi uma mulher: foi o caminho escolhido por Jesus. Ele quis ter uma mãe: o dom da fé também passa pelas mulheres, como Jesus passou por Maria”.

“E devemos pensar hoje – sublinha o Papa – se as mulheres têm a consciência do dever de transmitir a fé”. Paulo convida Timóteo a guardar a fé, evitando “os vazios mexericos pagãos, as bisbilhotices mundanas”. “Todos nós – alerta – recebemos o dom da fé. Devemos guardá-lo para que ele pelo menos não se dilua, para que continue a ser forte com o poder do Espírito Santo”. E a fé é guardada  quando reacende este dom de Deus.

A fé 'água de rosas'

“Se nós não temos esse cuidado, a cada dia, de reavivar este presente de Deus que é a fé, a fé se enfraquece, se dilui, acaba por ser uma cultura: ‘Sim, mas, sim, sim, eu sou um cristão, sim...’, uma cultura, somente. Ou a gnose, um conhecimento: ‘Sim, eu conheço bem todas as coisas da fé, eu conheço bem o catecismo’. Mas como vives a tua fé? E esta é a importância de reavivar a cada dia este dom, este presente: de torná-lo vivo”.

Contrastam “esta fé viva” - diz São Paulo - duas coisas: “o espírito de timidez e a vergonha”:

“Deus não nos deu um espírito de timidez. O espírito de timidez vai contra o dom da fé, não deixa que cresça que vá para frente, que seja grande. E a vergonha é aquele pecado: ‘Sim, eu tenho fé, mas eu a cubro, que não se veja muito... '. É um pouco daqui, um pouco de lá: é a fé, como dizem os nossos antepassados, água de rosas. Porque eu tenho vergonha de vivê-la fortemente. Não. Esta não é a fé: nem timidez, nem vergonha. Mas o que é? É um espírito de força, de caridade e de prudência. Esta é a fé”.

Fé inegociável

O espírito de prudência - explica o Papa Francisco - é “saber que nós não podemos fazer tudo o que queremos”, significa buscar “as estradas, o caminho, as maneiras” para levar avante a fé, mas com prudência.

“Peçamos ao Senhor a graça - conclui o Papa – de ter uma fé sincera, uma fé que não é negociável, segundo as oportunidades que surgem. Uma fé que a cada dia procuro reavivá-la, ou pelo menos peço ao Espírito Santo que a revive e assim dê um grande fruto”. (CM-SP)

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Discurso integral do Santo Padre no Parlamento Europeu, palavras fortes, brilhantes e interpelantes


Discurso integral do Santo Padre no Parlamento Europeu, palavras fortes, brilhantes e interpelantes

 

Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Vice-Presidentes,

Ilustres Eurodeputados,

Pessoas que a vário título trabalhais neste hemiciclo,

 

Queridos amigos!

Agradeço-vos o convite para falar perante esta instituição fundamental da vida da União Europeia e a oportunidade que me proporcionais de me dirigir, por vosso intermédio, a mais de quinhentos milhões de cidadãos por vós representados nos vinte e oito Estados membros. Desejo exprimir a minha gratidão de modo particular a Vossa Excelência, Senhor Presidente do Parlamento, pelas cordiais palavras de boas-vindas que me dirigiu em nome de todos os componentes da Assembleia.

 

A minha visita tem lugar passado mais de um quarto de século da realizada pelo Papa João Paulo II. Desde aqueles dias, muita coisa mudou na Europa e no mundo inteiro. Já não existem os blocos contrapostos que, então, dividiam em dois o Continente e, lentamente, está a realizar-se o desejo de que «a Europa, ao dotar-se soberanamente de instituições livres, possa um dia desenvolver-se em dimensões que lhe foram dadas pela geografia e, mais ainda, pela história» .

A par duma União Europeia mais ampla, há também um mundo mais complexo e em intensa movimentação: um mundo cada vez mais interligado e global e, consequentemente, sempre menos «eurocêntrico». A uma União mais alargada, mais influente, parece contrapor-se a imagem duma Europa um pouco envelhecida e empachada, que tende a sentir-se menos protagonista num contexto que frequentemente a olha com indiferença, desconfiança e, por vezes, com suspeita.

 

Hoje, falando-vos a partir da minha vocação de pastor, desejo dirigir a todos os cidadãos europeus uma mensagem de esperança e encorajamento.

Uma mensagem de esperança assente na confiança de que as dificuldades podem revelar-se, fortemente, promotoras de unidade, para vencer todos os medos que a Europa – juntamente com o mundo inteiro – está a atravessar. Esperança no Senhor que transforma o mal em bem e a morte em vida.

 

 

Encorajamento a voltar à firme convicção dos Pais fundadores da União Europeia, que desejavam um futuro assente na capacidade de trabalhar juntos para superar as divisões e promover a paz e a comunhão entre todos os povos do Continente. No centro deste ambicioso projecto político, estava a confiança no homem, não tanto como cidadão ou como sujeito económico, mas no homem como pessoa dotada de uma dignidade transcendente.

 

Sinto obrigação, antes de mais nada, de sublinhar a ligação estreita que existe entre estas duas palavras: «dignidade» e «transcendente».

 

«Dignidade» é a palavra-chave que caracterizou a recuperação após a Segunda Guerra Mundial. A nossa história recente caracteriza-se pela inegável centralidade da promoção da dignidade humana contra as múltiplas violências e discriminações que não faltaram, ao longo dos séculos, nem mesmo na Europa. A percepção da importância dos direitos humanos nasce precisamente como resultado de um longo caminho, feito também de muitos sofrimentos e sacrifícios, que contribuiu para formar a consciência da preciosidade, unicidade e irrepetibilidade de cada pessoa humana. Esta tomada de consciência cultural tem o seu fundamento não só nos acontecimentos da história, mas sobretudo no pensamento europeu, caracterizado por um rico encontro cujas numerosas e distantes fontes provêm «da Grécia e de Roma, de substratos celtas, germânicos e eslavos, e do cristianismo que os plasmou profundamente» , dando origem precisamente ao conceito de «pessoa».

 

Hoje, a promoção dos direitos humanos ocupa um papel central no empenho da União Europeia que visa promover a dignidade da pessoa, tanto no âmbito interno como nas relações com os outros países. Trata-se de um compromisso importante e admirável, porque persistem ainda muitas situações onde os seres humanos são tratados como objectos, dos quais se pode programar a concepção, a configuração e a utilidade, podendo depois ser jogados fora quando já não servem porque se tornaram frágeis, doentes ou velhos.

 

Realmente que dignidade existe quando falta a possibilidade de exprimir livremente o pensamento próprio ou professar sem coerção a própria fé religiosa? Que dignidade é possível sem um quadro jurídico claro, que limite o domínio da força e faça prevalecer a lei sobre a tirania do poder? Que dignidade poderá ter um homem ou uma mulher tornados objecto de todo o género de discriminação? Que dignidade poderá encontrar uma pessoa que não tem o alimento ou o mínimo essencial para viver e, pior ainda, o trabalho que o unge de dignidade?

 

Promover a dignidade da pessoa significa reconhecer que ela possui direitos inalienáveis, de que não pode ser privada por arbítrio de ninguém e, muito menos, para benefício de interesses económicos.

 

É preciso, porém, ter cuidado para não cair em alguns equívocos que podem surgir de um errado conceito de direitos humanos e de um abuso paradoxal dos mesmos. De facto, há hoje a tendência para uma reivindicação crescente de direitos individuais, que esconde uma concepção de pessoa humana separada de todo o contexto social e antropológico, quase como uma «mónada» (μονάς) cada vez mais insensível às outras «mónadas» ao seu redor. Ao conceito de direito já não se associa o conceito igualmente essencial e complementar de dever, acabando por afirmar-se os direitos do indivíduo sem ter em conta que cada ser humano está unido a um contexto social, onde os seus direitos e deveres estão ligados aos dos outros e ao bem comum da própria sociedade.

Por isso, considero que seja mais vital hoje do que nunca aprofundar uma cultura dos direitos humanos que possa sapientemente ligar a dimensão individual, ou melhor pessoal, à do bem comum, àquele «nós-todos» formado por indivíduos, famílias e grupos intermédios que se unem em comunidade social . Na realidade, se o direito de cada um não está harmoniosamente ordenado para o bem maior, acaba por conceber-se sem limitações e, por conseguinte, tornar-se fonte de conflitos e violências.

 

Assim, falar da dignidade transcendente do homem significa apelar para a sua natureza, a sua capacidade inata de distinguir o bem do mal, para aquela «bússola» inscrita nos nossos corações e que Deus imprimiu no universo criado ; sobretudo significa olhar para o homem, não como um absoluto, mas como um ser relacional. Uma das doenças que, hoje, vejo mais difusa na Europa é a solidão, típica de quem está privado de vínculos. Vemo-la particularmente nos idosos, muitas vezes abandonados à sua sorte, bem como nos jovens privados de pontos de referência e de oportunidades para o futuro; vemo-la nos numerosos pobres que povoam as nossas cidades; vemo-la no olhar perdido dos imigrantes que vieram para cá à procura de um futuro melhor.

 

Uma tal solidão foi, depois, agravada pela crise económica, cujos efeitos persistem ainda com consequências dramáticas do ponto de vista social. Pode-se também constatar que, no decurso dos últimos anos, a par do processo de alargamento da União Europeia, tem vindo a crescer a desconfiança dos cidadãos relativamente às instituições consideradas distantes, ocupadas a estabelecer regras vistas como distantes da sensibilidade dos diversos povos, se não mesmo prejudiciais. De vários lados se colhe uma impressão geral de cansaço e envelhecimento, de uma Europa avó que já não é fecunda nem vivaz. Daí que os grandes ideais que inspiraram a Europa pareçam ter perdido a sua força de atracção, em favor do tecnicismo burocrático das suas instituições.

 

A isto vêm juntar-se alguns estilos de vida um pouco egoístas, caracterizados por uma opulência actualmente insustentável e muitas vezes indiferente ao mundo circundante, sobretudo dos mais pobres. No centro do debate político, constata-se lamentavelmente a preponderância das questões técnicas e económicas em detrimento de uma autêntica orientação antropológica . O ser humano corre o risco de ser reduzido a mera engrenagem dum mecanismo que o trata como se fosse um bem de consumo a ser utilizado, de modo que a vida – como vemos, infelizmente, com muita frequência –, quando deixa de ser funcional para esse mecanismo, é descartada sem muitas delongas, como no caso dos doentes terminais, dos idosos abandonados e sem cuidados, ou das crianças mortas antes de nascer.

 

É o grande equívoco que se verifica «quando prevalece a absolutização da técnica» , acabando por gerar «uma confusão entre fins e meios» , que é o resultado inevitável da «cultura do descarte» e do «consumismo exacerbado». Pelo contrário, afirmar a dignidade da pessoa significa reconhecer a preciosidade da vida humana, que nos é dada gratuitamente não podendo, por conseguinte, ser objecto de troca ou de comércio. Na vossa vocação de parlamentares, sois chamados também a uma grande missão, ainda que possa parecer não lucrativa: cuidar da fragilidade dos povos e das pessoas. Cuidar da fragilidade quer dizer força e ternura, luta e fecundidade no meio dum modelo funcionalista e individualista que conduz inexoravelmente à «cultura do descarte». Cuidar da fragilidade das pessoas e dos povos significa guardar a memória e a esperança; significa assumir o presente na sua situação mais marginal e angustiante e ser capaz de ungi-lo de dignidade .

 

Mas, então, como fazer para se devolver esperança ao futuro, de modo que, a partir das jovens gerações, se reencontre a confiança para perseguir o grande ideal de uma Europa unida e em paz, criativa e empreendedora, respeitadora dos direitos e consciente dos próprios deveres?

 

 

Para responder a esta pergunta, permiti-me lançar mão de uma imagem. Um dos mais famosos frescos de Rafael que se encontram no Vaticano representa a chamada Escola de Atenas. No centro, estão Platão e Aristóteles. O primeiro com o dedo apontando para o alto, para o mundo das ideias, poderíamos dizer para o céu; o segundo estende a mão para a frente, para o espectador, para a terra, a realidade concreta. Parece-me uma imagem que descreve bem a Europa e a sua história, feita de encontro permanente entre céu e terra, onde o céu indica a abertura ao transcendente, a Deus, que desde sempre caracterizou o homem europeu, e a terra representa a sua capacidade prática e concreta de enfrentar as situações e os problemas.

 

O futuro da Europa depende da redescoberta do nexo vital e inseparável entre estes dois elementos. Uma Europa que já não seja capaz de se abrir à dimensão transcendente da vida é uma Europa que lentamente corre o risco de perder a sua própria alma e também aquele «espírito humanista» que naturalmente ama e defende.

 

É precisamente a partir da necessidade de uma abertura ao transcendente que pretendo afirmar a centralidade da pessoa humana; caso contrário, fica à mercê das modas e dos poderes do momento. Neste sentido, considero fundamental não apenas o património que o cristianismo deixou no passado para a formação sociocultural do Continente, mas também e sobretudo a contribuição que pretende dar hoje e no futuro para o seu crescimento. Esta contribuição não constitui um perigo para a laicidade dos Estados e para a independência das instituições da União, mas um enriquecimento. Assim no-lo indicam os ideais que a formaram desde o início, tais como a paz, a subsidiariedade e a solidariedade mútua, um humanismo centrado no respeito pela dignidade da pessoa.

 

Por isso, desejo renovar a disponibilidade da Santa Sé e da Igreja Católica, através da Comissão das Conferências Episcopais da Europa (COMECE), a manter um diálogo profícuo, aberto e transparente com as instituições da União Europeia. De igual modo, estou convencido de que uma Europa que seja capaz de conservar as suas raízes religiosas, sabendo apreender a sua riqueza e potencialidades, pode mais facilmente também permanecer imune a tantos extremismos que campeiam no mundo actual – o que se fica a dever também ao grande vazio de ideais a que assistimos no chamado Ocidente –, pois «o que gera a violência não é a glorificação de Deus, mas o seu esquecimento» .

 

Não podemos deixar de recordar aqui as numerosas injustiças e perseguições que se abatem diariamente sobre as minorias religiosas, especialmente cristãs, em várias partes do mundo. Comunidades e pessoas estão a ser objecto de bárbaras violências: expulsas de suas casas e pátrias; vendidas como escravas; mortas, decapitadas, crucificadas e queimadas vivas, sob o silêncio vergonhoso e cúmplice de muitos.

 

 

O lema da União Europeia é Unidade na diversidade, mas a unidade não significa uniformidade política, económica, cultural ou de pensamento. Na realidade, toda a unidade autêntica vive da riqueza das diversidades que a compõem: como uma família, que é tanto mais unida quanto mais cada um dos seus componentes pode ser ele próprio profundamente e sem medo. Neste sentido, considero que a Europa seja uma família de povos, os quais poderão sentir próximas as instituições da União se estas souberem conjugar sapientemente o ideal da unidade, por que se anseia, com a diversidade própria de cada um, valorizando as tradições individuais; tomando consciência da sua história e das suas raízes; libertando-se de tantas manipulações e fobias. Colocar no centro a pessoa humana significa, antes de mais nada, deixar que a mesma exprima livremente o próprio rosto e a própria criatividade tanto de indivíduo como de povo.

 

Por outro lado, as peculiaridades de cada um constituem uma autêntica riqueza na medida em que são colocadas ao serviço de todos. É preciso ter sempre em mente a arquitectura própria da União Europeia, assente sobre os princípios de solidariedade e subsidiariedade, de tal modo que prevaleça a ajuda recíproca e seja possível caminhar animados por mútua confiança.

 

Nesta dinâmica de unidade-particularidade, coloca-se também diante de vós, Senhores e Senhoras Eurodeputados, a exigência de cuidardes de manter viva a democracia dos povos da Europa. Não escapa a ninguém que uma concepção homologante da globalidade afecta a vitalidade do sistema democrático, depauperando do que tem de fecundo e construtivo o rico contraste das organizações e dos partidos políticos entre si. Deste modo, corre-se o risco de viver no reino da ideia, da mera palavra, da imagem, do sofisma... acabando por confundir a realidade da democracia com um novo nominalismo político. Manter viva a democracia na Europa exige que se evitem muitas «maneiras globalizantes» de diluir a realidade: os purismos angélicos, os totalitarismos do relativo, os fundamentalismos a-históricos, os eticismos sem bondade, os intelectualismos sem sabedoria .

 

Manter viva a realidade das democracias é um desafio deste momento histórico, evitando que a sua força real – força política expressiva dos povos – seja removida face à pressão de interesses multinacionais não universais, que as enfraquecem e transformam em sistemas uniformizadores de poder financeiro ao serviço de impérios desconhecidos. Este é um desafio que hoje vos coloca a história.

 

Dar esperança à Europa não significa apenas reconhecer a centralidade da pessoa humana, mas implica também promover os seus dotes. Trata-se, portanto, de investir nela e nos âmbitos onde os seus talentos são formados e dão fruto. O primeiro âmbito é seguramente o da educação, a começar pela família, célula fundamental e elemento precioso de toda a sociedade. A família unida, fecunda e indissolúvel traz consigo os elementos fundamentais para dar esperança ao futuro. Sem uma tal solidez, acaba-se por construir sobre a areia, com graves consequências sociais. Aliás, sublinhar a importância da família não só ajuda a dar perspectivas e esperança às novas gerações, mas também a muitos idosos, frequentemente constrangidos a viver em condições de solidão e abandono, porque já não há o calor dum lar doméstico capaz de os acompanhar e apoiar.

 

 

Ao lado da família, temos as instituições educativas: escolas e universidades. A educação não se pode limitar a fornecer um conjunto de conhecimentos técnicos, mas deve favorecer o processo mais complexo do crescimento da pessoa humana na sua totalidade. Os jovens de hoje pedem para ter uma formação adequada e completa, a fim de olharem o futuro com esperança e não com desilusão. Aliás são numerosas as potencialidades criativas da Europa em vários campos da pesquisa científica, alguns dos quais ainda não totalmente explorados. Basta pensar, por exemplo, nas fontes alternativas de energia, cujo desenvolvimento muito beneficiaria a defesa do meio ambiente.

 

A Europa sempre esteve na vanguarda dum louvável empenho a favor da ecologia. De facto, esta nossa terra tem necessidade de cuidados e atenções contínuos e é responsabilidade de cada um preservar a criação, dom precioso que Deus colocou nas mãos dos homens. Isto significa, por um lado, que a natureza está à nossa disposição, podemos gozar e fazer bom uso dela; mas, por outro, significa que não somos os seus senhores. Guardiões, mas não senhores. Por isso, devemos amá-la e respeitá-la; mas, «ao contrário, somos frequentemente levados pela soberba do domínio, da posse, da manipulação, da exploração; não a “guardamos”, não a respeitamos, não a consideramos como um dom gratuito do qual cuidar» . Mas, respeitar o ambiente não significa apenas limitar-se a evitar deturpá-lo, mas também utilizá-lo para o bem. Penso sobretudo no sector agrícola, chamado a dar apoio e alimento ao homem. Não se pode tolerar que milhões de pessoas no mundo morram de fome, enquanto toneladas de produtos alimentares são descartadas diariamente das nossas mesas. Além disso, respeitar a natureza lembra-nos que o próprio homem é parte fundamental dela. Por isso, a par duma ecologia ambiental, é preciso a ecologia humana, feita daquele respeito pela pessoa que hoje vos pretendi recordar com as minhas palavras.

 

O segundo âmbito em que florescem os talentos da pessoa humana é o trabalho. É tempo de promover as políticas de emprego, mas acima de tudo é necessário devolver dignidade ao trabalho, garantindo também condições adequadas para a sua realização. Isto implica, por um lado, encontrar novas maneiras para combinar a flexibilidade do mercado com as necessidades de estabilidade e certeza das perspectivas de emprego, indispensáveis para o desenvolvimento humano dos trabalhadores; por outro, significa fomentar um contexto social adequado, que não vise explorar as pessoas, mas garantir, através do trabalho, a possibilidade de construir uma família e educar os filhos.

De igual forma, é necessário enfrentar juntos a questão migratória. Não se pode tolerar que o Mar Mediterrâneo se torne um grande cemitério! Nos barcos que chegam diariamente às costas europeias, há homens e mulheres que precisam de acolhimento e ajuda. A falta de um apoio mútuo no seio da União Europeia arrisca-se a incentivar soluções particularistas para o problema, que não têm em conta a dignidade humana dos migrantes, promovendo o trabalho servil e contínuas tensões sociais. A Europa será capaz de enfrentar as problemáticas relacionadas com a imigração, se souber propor com clareza a sua identidade cultural e implementar legislações adequadas capazes de tutelar os direitos dos cidadãos europeus e, ao mesmo tempo, garantir o acolhimento dos imigrantes; se souber adoptar políticas justas, corajosas e concretas que ajudem os seus países de origem no desenvolvimento sociopolítico e na superação dos conflitos internos – a principal causa deste fenómeno – em vez das políticas interesseiras que aumentam e nutrem tais conflitos. É necessário agir sobre as causas e não apenas sobre os efeitos.

 

Senhor Presidente, Excelências, Senhoras e Senhores Deputados!

 

A consciência da própria identidade é necessária também para dialogar de forma propositiva com os Estados que se candidataram à adesão à União Europeia no futuro. Penso sobretudo nos Estados da área balcânica, para os quais a entrada na União Europeia poderá dar resposta ao ideal da paz numa região que tem sofrido enormemente por causa dos conflitos do passado. Por fim, a consciência da própria identidade é indispensável nas relações com os outros países vizinhos, particularmente os que assomam ao Mediterrâneo, muitos dos quais sofrem por causa de conflitos internos e pela pressão do fundamentalismo religioso e do terrorismo internacional.

 

A vós, legisladores, compete a tarefa de preservar e fazer crescer a identidade europeia, para que os cidadãos reencontrem confiança nas instituições da União e no projecto de paz e amizade que é o seu fundamento. Sabendo que, «quanto mais aumenta o poder dos homens, tanto mais cresce a sua responsabilidade, pessoal e comunitária» , exorto-vos a trabalhar para que a Europa redescubra a sua alma boa.

 

Um autor anónimo do século II escreveu que «os cristãos são no mundo o que a alma é para o corpo» . A tarefa da alma é sustentar o corpo, ser a sua consciência e memória histórica. E uma história bimilenária liga a Europa e o cristianismo. Uma história não livre de conflitos e erros, mas sempre animada pelo desejo de construir o bem. Vemo-lo na beleza das nossas cidades e, mais ainda, na beleza das múltiplas obras de caridade e de construção comum que constelam o Continente. Esta história ainda está, em grande parte, por escrever. Ela é o nosso presente e também o nosso futuro. É a nossa identidade. E a Europa tem uma necessidade imensa de redescobrir o seu rosto para crescer, segundo o espírito dos seus Pais fundadores, na paz e na concórdia, já que ela mesma não está ainda isenta dos conflitos.

 

 

Queridos Eurodeputados, chegou a hora de construir juntos a Europa que gira, não em torno da economia, mas da sacralidade da pessoa humana, dos valores inalienáveis; a Europa que abraça com coragem o seu passado e olha com confiança o seu futuro, para viver plenamente e com esperança o seu presente. Chegou o momento de abandonar a ideia de uma Europa temerosa e fechada sobre si mesma para suscitar e promover a Europa protagonista, portadora de ciência, de arte, de música, de valores humanos e também de fé. A Europa que contempla o céu e persegue ideais; a Europa que assiste, defende e tutela o homem; a Europa que caminha na terra segura e firme, precioso ponto de referência para toda a humanidade!

 

Obrigado!

domingo, 27 de julho de 2014

Papa Francisco na fila da mesa

Religião

Papa Francisco na fila da mesa

Uma surpresa para o almoço entre os funcionários da Santa Sé

 
Rádio Vaticano
 
Rádio Vaticano
 
© OSSERVATORE ROMANO / AFP
A visita surpresa do Papa Francisco na mesa do almoço nesta sexta-feira, 25, local onde almoçam os funcionários da Santa Sé, foi um momento de grande alegria. O Papa se apresentou como uma pessoa normal, colocando-se na fila e se juntou a todos.
Segio Centofanti, da Rádio Vaticana, entrevistou Franco Paìni que estava presente:

“Sim, o Papa foi nosso hóspede hoje”, disse Franco Paìni.

Como ele se apresentou?

De maneira normal, como o mais humilde operário. Se apresentou aqui, pegou um prato vazio, os talheres, foi para a fila e o servimos. Comeu macarrão branco e bacalhau. Foi circundado da sua grande família. Nos apresentamos, ele nos perguntou como estávamos, como trabalhamos e nos deu parabéns.

E ao fim, deu a bênção a vocês?

Nos deu a bênção, fez uma foto com todos nós e foi embora. Durou cerca de uma hora.

Foi uma surpresa?

Sim, foi uma surpresa! Quem o esperava? O Papa que vem almoçar conosco? Fomos todos pegos de surpresa, mas foi uma das maiores satisfações que nos pudesse acontecer.
sources: Rádio Vaticano

domingo, 22 de junho de 2014

Os 3 tesouros que escravizam, segundo o Papa

Os 3 tesouros que escravizam, segundo o Papa

Um “coração escravo não é um coração luminoso: será tenebroso”, afirmou hoje Francisco

AFP PHOTO/ALBERTO PIZZOLI
O Papa Francisco afirmou hoje que Jesus nos pede para manter o coração livre do dinheiro, da vaidade e do poder. Segundo o Papa, estes 3 tesourosnão servem, e os cristãos devem estar atentos para não ter o seu coração acorrentado neles.

Na missa de hoje na capela da Casa Santa Marta, o Papa ressaltou que as verdadeiras riquezas são aquelas que tornam “luminoso” o nosso coração, como a adoração a Deus e o amor ao próximo. E alertou para os tesouros mundanos que pesam e acorrentam nossos corações.

“Não acumulem para vocês tesouros da terra”, advertiu Francisco, inspirando-se no conselho de Jesus de que fala o Evangelho do dia. “Este é um conselho prudente, porque os tesouros da terra não são seguros. Em que tesouros Jesus pensava? Perguntou o Papa, respondendo ele mesmo: em três”.

“O primeiro tesouro: o ouro, o dinheiro, as riquezas... Jesus os define ‘perigosos’. “A riqueza serve para muita coisa, para manter a família... mas se você acumula tudo, como um tesouro, vai lhe roubar a alma! Jesus, no Evangelho, fala deste tema, do risco de depositar esperanças na riqueza”.

O outro tesouro – prosseguiu – é a vaidade, ter prestígio, se exibir. E Jesus sempre condenou isso! “Lembrem-se dos doutores da lei, quando jejuavam, davam esmola e rezavam só para se mostrar”. “A vaidade não serve, porque acaba”.

Enfim, o terceiro tesouro – disse o Papa – é o orgulho. O Papa se referiu à Primeira Leitura, quando se narra da queda da cruel Rainha Atália. “Seu grande poder durou sete anos e depois foi assassinada. O poder termina!”. E alertou novamente: “Quantos homens e mulheres grandes e orgulhosos terminaram no anonimato, na miséria ou na prisão?”.

Segundo o Papa, estes três tesouros não servem. Ao invés deles, o Senhor nos pede que acumulemos “tesouros no céu”.

“Aqui está a mensagem de Jesus: ‘Mas, se o seu tesouro está nas riquezas, na vaidade, no poder, no orgulho, o seu coração vai estar acorrentado ali! Seu coração será escravo da riqueza, da vaidade, do orgulho’. E o que Jesus quer é que nós tenhamos um coração livre! Esta é a mensagem de hoje. ‘Mas, por favor, tenham um coração livre!', nos diz Jesus. Fala-nos da liberdade do coração. E para se ter um coração livre só com os tesouros do céu: o amor, a paciência, o serviço aos outros, a adoração a Deus. Estas são as verdadeiras riquezas que não são roubadas. As outras riquezas pesam o coração. Pesam o coração: acorrentam-no, não lhe dão a liberdade!”

Um “coração escravo” acrescentou o Papa, “não é um coração luminoso: será tenebroso”. E se nós acumulamos tesouros da terra, “acumulamos trevas, que não servem!”. Estes tesouros, advertiu Francisco, “não nos dão alegria, mas acima de tudo não nos dão liberdade”. Em vez disso, “um coração livre é um coração luminoso, que ilumina os outros, que mostra o caminho que conduz a Deus”.

“Um coração luminoso, que não está acorrentado, um coração que vai para frente e que também envelhece bem como o bom vinho: quando o bom vinho envelhece é um bom vinho envelhecido. Em vez disso, o coração que não é luminoso é como o vinho que não é bom: o tempo passa e se estraga ainda mais, torna-se vinagre. Que o Senhor nos dê essa prudência espiritual, para entender bem onde está o meu coração, a que tesouro está ligado o meu coração. E também nos dê a força para desacorrentá-lo, se for acorrentado, para que se torne livre, para que se torne mais luminoso e nos dê esta bela felicidade de filhos de Deus: a verdadeira liberdade”.

(Rádio Vaticano)

 
sources: News.va

terça-feira, 10 de junho de 2014

Como se faz para se tornar um bom cristão?

Como se faz para se tornar um bom cristão?

O Papa Francisco explica, colocando as bem-aventuranças como o programa de vida do cristão

© Sabrina Fusco / ALETEIA
09.06.2014 // IMPRIMIR
As Bem-aventuranças são o programa de vida do cristão. Foi o que afirmou o Papa Francisco na missa nesta manhã na Casa Santa Marta, comentando o Evangelho do dia.

“Se algum de nós – afirmou o Papa – faz a pergunta: ‘Como se faz para se tornar um bom cristão?’”, aqui encontramos a resposta de Jesus, que nos indica coisas “muito contracorrente” em relação ao que habitualmente “se faz no mundo”. Bem-aventurados os pobres em espírito. “As riquezas – advertiu – não garantem nada. Quando o coração é tão satisfeito de si mesmo, não tem lugar para a Palavra de Deus:

"O mundo nos diz: a alegria, a felicidade, a diversão, este é o belo da vida. E ignora, olha para o outro lado quando existem problemas de doença, de dor na família. O mundo não quer chorar, prefere ignorar as situações dolorosas, encobri-las. Somente a pessoa que vê as coisas como são, e chora no seu coração, é feliz e será consolada. A consolação de Jesus, não a do mundo. Bem-aventurados os mansos neste mundo que, desde o início, é um mundo de guerras, um mundo onde há desavenças em todos os lugares, onde há ódio. E Jesus diz: nada de guerras, nada de ódio. Paz e mansidão."

Se sou manso na minha vida, disse o Papa, “pensarão que sou tolo”. Podem até pensar, prosseguiu Francisco, “mas se trata de ser manso, porque com esta mansidão receberá a Terra como herança. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, bem-aventurados os que “lutam pela justiça, para que haja justiça no mundo”. “É tão fácil – advertiu – entrar nas redes da corrupção, daquela politica cotidiana de que tudo é negócio”. E “quantas injustiças, quantas pessoas que sofrem por causa disso. E Jesus diz: “São bem-aventurados os que lutam contra essas injustiças”. Bem-aventurados os misericordiosos, porque encontrarão misericórdia. Jesus, observou Francisco, não diz “bem-aventurados os que se vingam”:

"Bem-aventurados os que perdoam, misericordiosos. Porque todos nós somos um exército de perdoados! Todos nós fomos perdoados. E por isso é bem-aventurado quem empreende esta estrada do perdão. Bem-aventurados os puros de coração, que têm um coração simples, puro, sem sujeira, um coração que sabe amar com aquela pureza tão bela. Bem-aventurados os que promovem a paz. Mas é tão comum aqui ser agentes de guerras ou pelo menos agentes de mal-entendidos! Quando eu ouço algo de alguém e conto a outra pessoa, também faço uma segunda edição um pouco mais longa e a refiro … O mundo das intrigas. Essas pessoas que comentam, não fazem paz, são inimigas da paz. Não são bem-aventuradas."

Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça. Quantas pessoas, constatou o Pontífice, “são perseguidas, foram perseguidas simplesmente por terem lutado pela justiça”. As Bem-aventuranças são o programa de vida que Jesus nos propõe, tão simples, mas tão difícil. Se quisermos algo mais, Jesus nos dá também outras indicações”, como aquele “protocolo sobre o qual nós seremos julgados” no capítulo 25 do Evangelho de Mateus: “Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, estive doente e me visitastes, preso e viestes me ver”. Com essas duas coisas – Bem-aventuranças e Mateus 25 – “se pode viver a vida cristã no nível da santidade”:

"Poucas palavras, palavras simples, mas práticas a todos, porque o cristianismo é uma religião prática: não é para pensar, é para ser praticada. Hoje, se tiverem tempo, em casa peguem o Evangelho de Mateus, capítulo quinto no início estão as bem-aventuranças. E lhes fará bem ler uma vez, duas, três vezes. Ler este que é o programa de santidade. Que o Senhor nos dê a graça de entender esta mensagem."

(Rádio Vaticano)
sources: News.va