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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Alcorão e Bíblia são a mesma coisa? Conheço o Alcorão, mas tem uma história diferente e equiparar...


Quais são as semelhanças e diferenças entre a Bíblia e o Alcorão?

Você sabia que o Alcorão fala de Adão, Noé, Abraão, Moisés, Jesus e Maria? Mas o sentido que os muçulmanos dão a eles é bem diferente do nosso
María Angeles Corpas (2)

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© Public Domain


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Alcorão (ou Corão) e Bíblia são equiparáveis? Sim e não.

Para entender de maneira simples, podemos dizer que entre ambos há conexões e diferenças, tanto no conteúdo como na forma.

Sem pretender esgotar o tema, podemos começar dizendo que ambos são escrituras reveladas. E, em certos aspectos, o conteúdo dessa revelação é similar e constante: adorar um único Deus e submeter-se à sua vontade. Alcorão e Bíblia representam a cristalização da palavra de Deus que "descende" em épocas diferentes até os profetas.

Adão, Noé, Abraão, Moisés, Aarão, Jesus e Maria são figuras que também aparecem no Alcorão, ainda que suas histórias não coincidam exatamente com as do relato bíblico.

A principal diferença entre ambos quanto ao ensinamento se refere a que a figura de Cristo é concebida de maneira muito diferente. No Alcorão, Jesus é considerado um grande profeta, predecessor de Maomé. Em nenhum caso é reconhecido como Filho de Deus.

O Espírito Santo, para um cristão, é o Espírito de Deus, expressão do amor existente entre o Pai e o Filho. No Alcorão, o Espírito é uma emanação divina, mas não faz parte da sua própria natureza.

Para o Islã, o Alcorão é a palavra revelada de Deus. E o profeta Maomé é apenas seu transmissor, porque essa palavra foi ditada integramente pelo próprio Deus. Para o cristão, a Palavra de Deus é uma pessoa, Verbo encarnado em Jesus, Palavra de Deus feita Homem, e não um livro. O Novo Testamento nos transmite essa Palavra viva mediante o testemunho dos apóstolos.

Tamanho e história

Os 114 capítulos (suras) do Alcorão foram revelados a Maomé em língua árabe, ao longo de 23 anos. Em comparação com a Bíblia, sua extensão total equivale a quatro quintos do Novo Testamento.

Ao contrário do texto muçulmano, a Bíblia, como seu nome indica, é um "conjunto de livros", escritos em diferentes línguas (hebraico, aramaico e grego), por autores diferentes, ao longo de cerca de mil anos (900 a.C. – 100 d.C.). Da mesma maneira, reúne gêneros literários muito variados (históricos, orações, poesia etc.). A vinda de Jesus Cristo é o acontecimento que divide a Bíblia em Antigo Testamento (história do povo hebreu) e Novo Testamento (vida, morte e ressurreição de Jesus).

O cristianismo aceita boa parte da Bíblia hebraica como parte da sua história, enquanto os muçulmanos acreditam que o conteúdo de ambos os testamentos desfigura a revelação original.

Outra grande diferença: como são lidos

Católicos e muçulmanos se aproximam dos seus textos sagrados de maneira muito diferente. Um católico vê a Bíblia como história de salvação. O muçulmano vê o Alcorão como "palavra eterna e incriada" e, portanto, que não pode ser alterada no mais mínimo.

Ambos os textos foram traduzidos a inúmeras línguas para tornar seu conteúdo compreensível. No entanto, a diferença radica em que, nos atos de culto, a Bíblia é usada na língua própria de cada povo. O Alcorão só se usa em árabe, língua de Deus. Daí que seja tão importante a recitação do textos em tais atos.

Quanto à interpretação dos textos, também existem diferenças. Para os estudiosos muçulmanos, estes comentários (tafsir) se centram na história do texto. É de vital importância a ordem da revelação de cada sura, ou seja, o contexto em que foi revelada dentro da vida do Poofeta, já que influencia poderosamente em sua interpretação. Geralmente, estes comentários incluem várias interpretações possíveis e só os ramos fundamentalistas consideram uma única.

Para realizar estes comentários, foram usados os hadith, o conjunto de tradições nas quais alguns eruditos muçulmanos (ulemas) basearam a história e as leis islâmicas. Um método muito utilizado é o estudo da corrente de narradores (isnad) por meios dos quais a tradição foi transmitida.

Ao contrário disso, a exegese bíblica se centrou em determinar os princípios e normas que devem ser aplicados nesta interpretação. Revelados por Deus, mas compostos por homens, os textos bíblicos possuem dois significados diferentes: o literal e o espiritual. Portanto, é vital sublinhar que sua unidade radica no espírito que a inspirou e sua leitura deve ser realizada no contexto da tradição viva da Igreja.

É muito importante levar em consideração que os católicos precisam ser muito cuidadosos na hora de fazer paralelismos simples entre ambos os textos. Unindo a crença em um só Deus e tendo um tronco comum (Abraão), é preciso insistir em que o conhecimento das suas diferenças é recomendável para não relegar aspectos cruciais da fé. O aspecto fundamental radica na figura de Cristo.


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P.S. Deus criou a Humanidade e a mensagem é igual para todos. A mensagem apareceu depois ou ao mesmo tempo em que Deus, AMOR, criou tudo?

 



 

 



 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

CELEBRAÇÃO ECUMÉNICA


                                      ENCONTRO ECUMÉNICO

 

Realizar-se-á uma celebração ecuménica no próximo Domingo, dia 25, às 19 horas, com a presença de um sacerdote ortodoxo, Padre Basílio, luterano Pastor e, por mais um ou outro que não confirmaram, na Igreja da Sagrada Família, na Abelheira, antigo lugar tradicional da cidade de Viana do Castelo.

A propósito, o ecumenismo, de oikouméne, (designando “toda a terra habitada”) ou obra de Deus com a colaboração do Homem que tem uma tarefa a realizar, é o processo de procura da unidade dos irmãos na fé. Emprega-se este termo para os esforços em favor das unidades entre igrejas cristãs através de um diálogo fraternal e cooperação comum para serem ultrapassadas divergências históricas e culturais.

Assim trabalhamos para uma reconciliação cristã que aceite a diversidade no diálogo, nas diferenças… e até chegarmos a um diálogo com as outras religiões, diálogo, inter-religioso.

Este movimento começou com muita pujança, com as missões protestantes a que a Igreja Católica foi aderindo até que se incorporou oficialmente ao movimento ecuménico a partir de 1960, quando o papa João XXIII criou o Secretariado Romano para a Unidade dos Cristãos. Este organismo participou ativamente no assessoriamente ao papa e aos bispos durante o Concílio Vaticano II, além de ajudar os padres conciliares na elaboração de ser consagrado pelo decreto Unitatis Redintegratio de 1964, do Papa Paulo VI.

Este decreto definiu o movimento ecuménico como uma graça do Espírito Santo, considera que o caráter ecuménico é essencialmente espiritual e estabelece que o olhar da Igreja Católica é dirigido às igrejas separadas do Catolicismo: as Igrejas Ortodoxas e as Igrejas Protestantes.

O Papa Paulo VI instituiu diversos grupos de trabalho na linha do diálogo inter-religioso: o Secretariado para os Não-Cristãos, a Comissão para o Diálogo com os Judeus e o Secretariado para os Não-Crentes.

A revista Sem Fronteiras (As Grandes Religiões do Mundo, descreve o ecumenismo como um movimento que se preocupa com as divisões entre as várias Igrejas cristãs. E explica: "Trabalha-se para que estas divisões sejam superadas de forma que se possa realizar o desejo de Jesus Cristo: de que todos os seus seguidores estivessem unidos, de assim, como Ele e o Pai são um só."

A Comunidade de Taizé que, nesta Paróquia, em Ponte de Lima e em Caminha, promove momentos de oração aberta a todos os jovens e pessoas de qualquer idade, de diversas origens religiosas é um forte impulso a esta tão querida unidade que nos faz unir pela fé num ecumenismo espiritual e, em certos casos, pode ser institucional, doutrinal, oficial, local e secular…

Este nosso encontro, nesta altura, não tem outro objectivo se não mais que ficar pelo espiritual para mais depressa nos aproximarmos uns dos outros e nos conduzir à unidade que Jesus tanto proclamou.
 
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Próximo Domingo – Encerramento da Semana da Oração pela Unidade dos Cristãos. Celebração Ecuménica com representação da Igreja Ortodoxa, Luterana e Lusitana às 19H na Igreja Sagrada Familia.

sábado, 9 de agosto de 2014

Qual é a melhor atitude do católico frente aos que têm outras crenças?

Qual é a melhor atitude do católico frente aos que têm outras crenças?

Respeito e compreensão com todos, ecumenismo com os que buscam a verdade e colaboração com todas as pessoas de boa vontade

 
Flaviano Amatulli Valente
 
 
 
 
© makunin
Respeito e compreensão com todos, ecumenismo com os que buscam a verdade e colaboração com todas as pessoas de boa vontade.

Em nossas relações com os que não compartilham a mesma fé que nós, é importante levar em consideração principalmente dois princípios, contidos no documento conciliar sobre a liberdade religiosa Dignitatis Humanae:

Liberdade de consciência

Consiste no direito e no dever que cada pessoa tem de buscar a verdade e segui-la segundo sua consciência. Ninguém tem o direito de impor a outro uma determinada crença, ainda que lhes pareça ser a melhor.

Liberdade religiosa

Consiste no direito que cada pessoa tem de professar publicamente sua crença, sozinho ou em grupo, sem que ninguém possa impedi-la.

Levando em consideração estes dois princípios básicos, apresentamos aqui algumas atitudes frente aos que não compartilham nossa fé:

1. Tolerância

Consiste em respeitar todos, sem distinção de credo, etnia ou ideologia.

2. Diálogo

Consiste em falar e escutar. É o método mais adequado para favorecer o conhecimento e o respeito mútuos. O diálogo tem de estar sempre aberto a todos, crentes e não crentes, confiando no "esplendor da verdade" e tentando sempre compreender ao invés de julgar.

3. Ecumenismo

Segundo o Concílio Ecumênico Vaticano II, " por 'movimento ecumênico' entendem-se as atividades e iniciativas que são suscitadas e ordenadas segundo as várias necessidades da Igreja e oportunidades dos tempos, no sentido de favorecer a unidade dos cristãos" (Unitatis Redintegratio, 4).

Portanto, não se trata de uma espécie de convivência pacífica entre os discípulos de Cristo, aceitando a divisão como um fato normal, e sim de um esforço consciente por curar as divisões que se foram criando ao longo da história e restabelecer a unidade, tornando realidade o desejo de Cristo na véspera da sua Paixão: "Que todos sejam um" (João 17, 21).

Levando tudo isso em consideração, não pode haver ecumenismo e proselitismo ao mesmo tempo. São dois caminhos contrários. Felizmente, já é uma bela realidade o diálogo ecumênico entre a Igreja Católica, as Igrejas Ortodoxas e as que tiveram origem na Reforma Protestante.

Esperamos que algum dia se possa dar também o diálogo com aqueles grupos que atualmente têm uma atitude sectária, uma vez que tenham tomado consciência do grave dano que estão provocando à causa do Evangelho e optem pelo caminho da reconciliação e da unidade.

4. Defesa da fé (apologética)

É a atitude frente aos grupos proselitistas, que tentam, por todos os meios, acabar com a fé dos católicos mais fracos para levá-los aos seus grupos. Frente a esta situação, é preciso fortalecer sua fé, ajudando-os a conhecer a identidade católica e a responder aos ataques que vêm dos grupos proselitistas, "dando razão da própria esperança" (1 Pedro 3, 15).

5. Colaboração

Quando se trata do amor ao próximo, para o discípulo de Cristo não existem barreiras. Jesus disse: "Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os próprios publicanos?" (Mateus 5, 46).

Portanto, precisamos nos esforçar por estar presentes nas lutas a favor do homem e da criação inteira, colaborando com todos, sem distinção de credo ou ideologia. Este esforço comum se dirige a remediar os males da nossa sociedade, como "a fome e as calamidades, o analfabetismo e a pobreza, a falta de habitações e a inadequada distribuição dos bens" (Unitatis Redintegratio, 12).

Precisamos nos acostumar a viver em uma sociedade pluralista, respeitando todos, mas ao mesmo tempo conservando nossa identidade como católicos. Que a fé, ao invés de dividir, seja um estímulo a mais para superar-nos como seres humanos e lutar a favor das grandes causas da humanidade.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Religiões e diplomacia: caminhar juntas na resolução dos conflitos


Religiões e diplomacia: caminhar juntas na resolução dos conflitos

O presidente dos intelectuais muçulmanos italianos acredita que o Ocidente precisa deixar de lado seus próprios clichês

11.09.2013

Chiara Santomiero

 
As religiões podem ter um papel muito ativo e importante na ação diplomática, necessária para a resolução de conflitos, especialmente onde a composição étnica e religiosa da população é tão complexa, como no caso do Oriente Médio.

Esta é a convicção de Ahmad Gianpiero Vincenzo, docente de sociologia em Catânia (Itália) e presidente da Associação dos Intelectuais Muçulmanos da Itália. Ele conversou com a Aleteia sobre o esforço comum pela paz na Síria, apelo lançado pelo Papa Francisco na vigília do dia 7 de setembro.

Como as comunidades islâmicas acolheram o convite do Papa Francisco a unir-se à oração pela paz?

Acolheram bem, porque é um convite que vai ao encontro da sensibilidade islâmica. Quando as relações estão desgastadas e a perspectiva humana de resolução dos problemas se esgotou, a oração e o jejum se tornam "armas" para abrir a reflexão a uma perspectiva diferente.

O jejum é uma prática tanto do cristianismo como do islamismo. Como ele pode ajudar na busca da paz?

As tradições religiosas do cristianismo e do islamismo são mais próximas do que se pensa. De fato, considera-se que somos dois ramos da mesma árvore. O mês de jejum do Ramadã, que concluímos há pouco, é um dos pilares do islã, e nele, a dimensão material da privação do necessário abre à dimensão espiritual, que leva a um ponto de vista diferente sobre as coisas.
 

 

Podemos comparar isso a uma doença: uma pessoa doente reflete de maneira diferente sobre a vida, percebe a relatividade de alguns aspectos que antes não tinham muita importância. O jejum, neste sentido, pode ajudar a entender melhor as consequências de um conflito e a importância da paz.

Não existe conscientização suficiente sobre as consequências de uma intervenção militar na Síria?

Basta ver os precedentes: no Iraque, morrem 100 pessoas por dia. Os ocidentais se resistem a entender que pode haver equilíbrios diferentes nos países. A maior parte das pessoas acha que, para resolver a crise da Síria, basta que Assad renuncie e que organizem eleições democráticas. E se não for assim?

Há territórios que têm características étnicas tais que, se não se consegue um acordo entre as comunidades, não se vai a lugar algum. Cerca de 15% da população Síria é alauíta, uma comunidade muito diferente das demais comunidades muçulmanas. Eles não podem aceitar que Assad renuncie, porque ele é a garantia da sua segurança.

Vimos o que aconteceu no Iraque entre os xiitas e os sunitas e não aprendemos nada. O direito islâmico é diferente do ocidental e exige encontrar um equilíbrio entre as comunidades: a proteção das minorias é o fundamento do Estado.

Como acontece no Líbano?

É exatamente assim: cada vez que se rompe o equilíbrio entre as comunidades, o país fica a ponto de entrar numa guerra civil, mas enquanto se conserva esse equilíbrio, é modelo de ordem institucional avançada no Oriente Médio.

Também em Israel há um direito confessional baseado no equilíbrio entre as comunidades. Não se trata de um armistício de guerra, que é algo diferente, mas de um equilíbrio que se projeta sobre a sociedade civil.

Por que a ação diplomática utilizada na crise da Síria não é eficaz?

As relações diplomáticas ainda estão marcadas por uma lógica de guerra fria: a resposta, em caso de crise, são as sanções econômicas. A oposição já não é entre guerra e paz, mas entre guerra fria e armada. É preciso adotar uma ação diplomática diferente.
 
 
 


No final do encontro entre islâmicos e cristãos de 2009, no Vaticano, foi proposta a criação de um comitê inter-religioso pela paz, que fosse integrado na ação diplomática. Esta é uma ideia que poderia ser retomada.

Quando se entende a diplomacia como busca da paz, a dimensão religiosa poderia ter um papel fundamental, sobretudo nas áreas em que há uma presença complexa de comunidades étnicas e religiosas. No fundo, é a mesma coisa que o Papa Francisco pede quando fala de soluções alternativas à guerra e quando nos convida a rezar unidos.

O documento entregue aos embaixadores da Santa Sé oferece critérios para o pós-conflito, como o respeito às minorias e a integridade do território...

É verdade. A subdivisão do território entre as comunidades significa projetar as divisões num espaço, mas, se as tensões não são resolvidas, elas voltam a explodir. Também sobre isso temos muitos exemplos de fracasso, como na Grécia e no Paquistão.

Gandhi se opôs até a morte à divisão entre a Índia e o Paquistão, entre hindus e muçulmanos, porque entendeu que o país teria maior estabilidade se as divisões fossem feitas no interior do estado, e não sobre o território; e já vimos como isso terminou.

Se temos a prova do enraizamento de conflitos que duram décadas, como se pode pensar em recorrer a estas soluções? Um comitê inter-religioso poderia trabalhar neste sentido.

A iniciativa do Papa Francisco pode influenciar a situação atual?

O Vaticano tem uma grande credibilidade, mas seria necessário uma importante mudança de mentalidade. Um mundo cada vez mais materialista deveria aceitar que o Vaticano (e as religiões em geral) tem um peso na história – peso este que, no entanto, a cultura está empenhada em eliminar do tempo.

Seria necessário redefinir a hierarquia de valores em um mundo que coloca a economia em primeiro lugar. Seria maravilhoso que as dimensões espiritual e religiosa pudessem prevalecer sobre os interesses econômicos: isso significaria afirmar que o dinheiro não é tudo.

De qualquer maneira, esperemos que a petição de paz do Papa Francisco seja levada a sério.


 

sábado, 17 de novembro de 2012

Açores é a região mais católica de Portugal


mais católica
 de Portugal

 

Os Açores é a região mais católica do país e onde mais se reza, revela um estudo apresentado, ontem, em Fátima, realizado pela Universidade Católica, patrocinado pela Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).
Na Região Autônoma dos Açores «temos 91,9% de católicos, num quadro claro da região mais com- pactamente católico do universo da geografia das identidades em Portugal», disse o coordenador do inquérito, Alfredo Teixeira.

 
 
l\lo caso dos Açores e da Madeira, regiões nas quais o inquérito se centrou, «a afirmação católica faz decrescer significativamente a presença de minorias religiosas», enquanto «a Madeira apresenta a menor diversidade religiosa», sublinha. Nas regiões autônomas sobressai entre os católicos um ligeiro predomínio das mulheres sobre os homens, pode ler-se no documento que regista o catolicismo mais jovem nas ilhas do que nc continente. Nos Açores, a proporção mais elevada de católicos situa-se no escalão etário entre os 15 e os 24 anos (21,2%) e, no arquipélago da Madeira, entrt os 25 e os 34 anos (22,5%), enquanto no Portuga continental o maior número de católicos encontra-sf na faixa etária daqueles que têm mais de 65 anos.
0 estudo complementa o inquérito nacional apresen tado em abril realizado a cerca de quatro mil pessoa: com pelo menos 15 anos que revelou que há cada ve menos católicos em Portugal e cada vez mais protes tantes/evangélicos e Testemunhas de Jeová.
                                                                                                               Redação/Lusa in DMinhdo

 

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Deus existe?

Deus existe?
Nas páginas de apresentação deste seu novo livro, que tem a chancela da Editorial Presença, o Padre Carreira das Neves define-se como um crente, citan­do Descartes: 'Sou um ser finito capaz de pensar o infinito”. Demarca-se por outro lado de autores como Dürkheim, Weber ou Claude Lévy-Strauss, entre outros - sociólogo e antropólogos -que tinham uma perspectiva evolucionista das religiões. Ao contrário do que esses estudiosos pressupunham, as religiões não desapareceram sob a égide da razão quando as sociedades se tornaram mais desenvolvidas. Na realidade de um mundo agora globalizado e tecnologicamente avançado, são cada vez mais as múltiplas manifestões da vida religiosa, assistindo-se mesmo à revitali­zação de crenças consideradas primitivas, como o xamanismo, que integraram o movimento New age. Dotado de um raro sentido religioso e de um ecumenismo universal, aliados a uma sólida formação de teólogo e hermeneuta, o Padre Car­reira das Neves conduz o leitor ao longo da História numa apaixonante viagem por todas aquelas religiões que ainda hoje se mantêm vivas e actuantes, como o Hinduísmo e o Budismo, o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo, as igrejas Ortodoxas, o Protestantismo, o Catolicis­mo actual, os vários fundamentalismos, incluindo também os modernos movi­mentos inspirados na Bíblia. O resultado é esta obra magnífica e inovadora, capaz de aliciar um vasto público de crentes e não-crentes interessados em aprofundar o seu conhecimento sobre o patrimônio espiritual da humanidade.

Por outra parte, "Deus existe? - Uma Via­gem pelas Religiões" coloca-nos uma sé­rie de questões sobre as quais vale a pena reflectir. Entre elas está a circunstância de a Europa ter sido assolada, em boa parte do século passado, por duas ideologias dominantes: o nazismo e o comunismo internacional, ambas "absolutamente ateias". Ora, sem Deus, é possível colocar um fundamento humano e jurídico para uma ética e moral? E sem ética e sem moral, será possível viver em paz? A "resposta" que nos é dada neste livro do Padre Carreira das Neves é, obviamente, negativa - eos fundamentos que apresenta para alicerçar essa "resposta" obrigam-nos a pensar na nossa própria reali­dade (pessoal e social) e a retirarmos as nossas "conclusões"...

Afirma o autor que "Deus está bem vivo nas multiformes representações religiosas de hoje". E é precisamente deste assunto que trata o livro em análise, seguindo o método da história (isto é: o método descri­tivo). Nele são estudadas as religiões vivas, as históricas, sem qualquer preconceito sobre as mesmas - sem que, todavia, o autor deixe de ajuizar sobre as "Escrituras" fundadoras. E também acerca das religiões "arqueológicas" se debruça o Padre Carreira das Neves, designadamente sobre a sua situação histórica e ideo­lógica. No fundo, tudo para respondeu a uma pergunta nuclear: "Deus Existe"?

Na parte final do livro, o autor questiona-se sobre se é possível "profetizar" sobre o futuro das Religiões. E também aqui nos sugere uma série de "respostas" que, inclusivamente, não deixam de lado acontecimentos recentes (como a problemática da "partícula de Deus" do bosão de Higgs...). E termina afirmando: "A História tem sempre a última palavra e, em meu entender, não houve nem haverá His­tória sem Religião. Acredito que Deus existe". Esta é uma "conclusão" que se espera desde as primeiras páginas da obra. Contudo, a sua fundamentação, explanada ao longo de mais de quatro centenas de páginas, não deixa de nos interrogar interiormente - sejamos ou não sejamos crentes... Razão por que se trata de um livro que vale a pena ler e sobre o qual vale a pena (ainda mais) reflectir. I A. P.
Nota.O Padre Joaquim Carreira das Neves (na foto) é sacerdote franciscano, teólogo e professor de Teologia Bíblica. Doutorou-se em 1967 na Univer­sidade de Salamanca e foi docente da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa até 2005, ano em que se aposentou.
in Diário do Minho