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sábado, 22 de agosto de 2015

Divórcio e segundo casamento: como equilibrar a misericórdia de Deus com a fidelidade à doutrina cristã?

Religião

Divórcio e segundo casamento: como equilibrar a misericórdia de Deus com a fidelidade à doutrina cristã?

O Evangelho é claro sobre a indissolubilidade do matrimônio, mas também é claro sobre a misericórdia

Em outubro próximo, a Igreja realiza o sínodo sobre a família, que, embora trate de muitos outros temas de grande relevância, deverá atrair as atenções da mídia por abordar a polêmica situação dos divorciados que voltaram a se casar. Como a Igreja pode manter-se fiel à indissolubilidade do matrimônio e, ao mesmo tempo, não excluir as pessoas que se encontram em "situação irregular" do ponto de vista doutrinal?

 
 
Aleteia
 
 
1.08.2015
Reconciliação casalCreative Commons
Em outubro próximo, a Igreja realiza no Vaticano a Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, cujo tema central será a família.

Apesar de que o encontro preveja muitos outros temas de grande relevância, a tendência é que mídia dedique grande atenção à polêmica situação dos divorciados que voltaram a se casar: como a Igreja pode manter-se fiel à indissolubilidade do matrimônio e, ao mesmo tempo, não excluir as pessoas que se encontram em "situação irregular" do ponto de vista doutrinal?

Dom Mario Grech, bispo da diocese de Gozo, localizada no pequeno arquipélago de Malta, refletiu sobre esta delicada questão na carta pastoral "Um bálsamo de misericórdia para a família", publicada por ele neste mês de agosto.

Alguns pontos fundamentais da carta de dom Mario:
 
- O sínodo sobre a família deve destacar uma Igreja de portas abertas: um "refúgio para todos os pecadores, dotado de vida e de esperança na conversão".
 
- Não se pode mudar a doutrina sobre o matrimônio: ele é um sacramento que une um homem e uma mulher mediante um amor indissolúvel, fiel, aberto à vida e que constitui a base da família, uma instituição natural que nos beneficia "humana, social e espiritualmente", a ponto de que "o desejo de formar uma família tem raízes profundas na própria natureza humana".
 
- Apesar deste conceito irrenunciável do casamento, a Igreja não pode ignorar a complexa realidade das separações, divórcios, adultérios e segundas núpcias de divorciados, nem as ideologias que questionam a "família tradicional" e procuram disseminar práticas como as uniões informais e a reprodução assistida, além de perspectivas pseudocientíficas como a ideologia de gênero.
 
- Estas realidades "reduzem e enfraquecem" o matrimônio, fato que, por sua vez, produz uma " crise de fé" na qual é fácil "virar as costas para Deus".
 
- Os divorciados que se casam em segundas núpcias estão em "situação contrária ao sacramento cristão", mas, como esclareceu o papa Francisco na audiência geral do recente dia 5 de agosto, eles "não estão excomungados". A Igreja tem espaço "para todos aqueles que acreditam em Deus: ninguém é excluído nem descartado".
 
- É fundamental preservar a fidelidade à doutrina cristã sobre a indissolubilidade do matrimônio, mas também é fundamental a misericórdia, que é " o coração da doutrina cristã". 
 
- O "bálsamo da misericórdia de Deus" deve ser oferecido às pessoas cuja união se encontra em desacordo com o Evangelho, mediante um " caminho penitencial" que, obviamente, "não contradiz o Evangelho"; afinal, "o Deus da misericórdia toca as chagas abertas da humanidade para saná-las".
 
- Deus é justo, mas a misericórdia de Deus " vai além da justiça": Deus sempre "oferece à humanidade muito mais do que ela merece".
 
- A Igreja pode e deve, portanto, "permanecer fiel ao Evangelho da família e dar apoio às famílias fiéis", mas deve também "ser fiel ao Evangelho da misericórdia", assegurando a esperança na misericórdia divina e a experiência da alegria do amor de Deus para todas as pessoas "que fracassaram no seu casamento".
sources: Aleteia

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Divórcio, anulação do casamento e eucaristia geram debate entre cardeais

Divórcio, anulação do casamento e eucaristia geram debate entre cardeais

 O cardeal Burke considera que o cardeal Kasper propôs um caminho nunca antes tomado em toda a história da Igreja

 
Susan E. Wills
 
09.10.2014
Marcin Mazur/UK Catholic
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O cardeal Raymond Burke seria o primeiro a realçar que o Sínodo Extraordinário sobre a Família, iniciado no último domingo, tem que tratar de uma série de problemas decorrentes da ignorância quase universal e da grande confusão existente em torno do significado e do valor do casamento e da família.

Em declarações aos jornalistas em uma entrevista coletiva organizada pela Ignatius Press, editora do livro "Remaining in the Truth of Christ: Marriage and Communion in the Catholic Church" ["Permanecer na Verdade de Cristo: o casamento e a comunhão na Igreja Católica"], o cardeal explicou:

"Nós temos de admitir que, em uma sociedade totalmente secularizada, o nosso ensinamento tem sido radicalmente defeituoso nos últimos cinquenta anos. Temos que abordar estas duas coisas: a secularização radical da sociedade e as tristes lacunas da catequese". Ele, e, provavelmente, todos os especialistas e jornalistas que acompanham o tema, esperavam explorar os muitos outros tópicos e potenciais soluções levantados no “instrumentum laboris” do sínodo em andamento.

Entretanto, tem havido excessivo barulho em torno de um único ponto polêmico, fartamente explorado pela mídia: a proposta feita pelo cardeal Kasper, no consistório extraordinário de fevereiro, de desenvolver um processo que permitisse aos católicos divorciados e recasados o recebimento da Eucaristia.

Levando em conta que o silêncio não é uma opção quando se está diante de "coisas que não são verdadeiras", o cardeal Burke decidiu falar reiterada e vigorosamente em defesa da verdade. No início, ele deixou claro que a proposta de Kasper já tinha sido feita e respondida anteriormente pela Igreja:

“O pedido de Kasper já foi discutido há algumas décadas, quando foi escrita a exortação do papa João Paulo II sobre a família, a Familiaris Consortio. A questão foi amplamente discutida e a Igreja deu a sua resposta de acordo com a tradição”.

Instado a falar sobre os rumos que a conversa vem tomando, considerando-se a enorme atenção atraída pela proposta do cardeal Kasper, o cardeal Burke destacou o quanto acha extrema a posição de Kasper:

“Eu, certamente, tenho poréns muito sérios quanto ao que foi proposto pelo cardeal Kasper. Ao propor isso, ele estava pedindo um caminho que, em toda a história da Igreja, nunca foi tomado; um caminho que, de alguma forma, implica desobediência ou pelo menos não-adesão às palavras de Nosso Senhor. E ninguém questiona as palavras de Nosso Senhor no capítulo 19 do evangelho segundo Mateus. Kasper pediu um diálogo sobre a sua proposta e eu posso falar do livro ‘Remaining in the Truth of Christ’ [‘Permancer na Verdade de Cristo’]: somos nove autores que decidiram responder a vários aspectos do pedido dele no tocante ao casamento, como ele propôs na apresentação que fez durante o consistório extraordinário de 20 e 21 de fevereiro. Não quero fazer referência especificamente à minha contribuição, mas, devo dizer que, depois de ler todas as outras contribuições, elas são uma resposta eficaz que ilumina e preserva a beleza da doutrina da Igreja em relação ao casamento ao longo dos séculos e mostra que a fidelidade a esse ensinamento não foi fácil em todas as épocas. A firme convicção dos autores e, realmente, a firme convicção da Igreja é que somente ao se ater à verdade do casamento e à vivência e à prática dessa verdade é que a Igreja pode dar o contributo que ela é chamada a dar, para a felicidade, não só nesta vida, mas a felicidade eterna, dos membros individuais da sociedade e também da sociedade como um todo. Se a família não é estável e forte, a própria sociedade corre um grande perigo. Isso nós enxergamos pela nossa própria experiência”.
O cardeal Burke e os outros co-autores concluíram que "o caminho proposto pelo cardeal Kasper é fundamentalmente falho. Ele cometeu um erro e eu [cardeal Burke] acredito que o livro é uma contribuição muito positiva para retomarmos o diálogo adequadamente".

Quando perguntado sobre as elevadas expectativas decorrentes da proposta do cardeal Kasper a respeito do recebimento da Eucaristia por parte dos católicos divorciados e recasados e se vai ​​haver decepção dentro de alguns círculos por causa da “falta de mudança iminente”, o cardeal Burke explicou que o objetivo do sínodo extraordinário é desenvolver práticas pastorais que ajudem as pessoas a permanecerem na verdade de Cristo quanto ao casamento. E contou uma bela experiência da sua juventude, como coroinha numa pequena cidade do interior. Ele notou que um casal da paróquia ia à missa todos os domingos, mas nunca recebia a Sagrada Comunhão. O pequeno Kasper perguntou ao pai sobre aquilo. O pai do futuro cardeal explicou ao filho, de uma forma muito caridosa, que um dos cônjuges tinha se divorciado antes de se casar com o novo cônjuge. E como a Igreja não reconhecia o segundo casamento como válido e o casal respeitava os ensinamentos da Igreja sobre o digno recebimento da Eucaristia, eles se abstinham de comungar. Eles não abandonaram a fé; mas também não esperavam que a Igreja abrisse uma exceção para eles.

O cardeal Burke discordou da ideia de que o debate sobre a proposta de Kasper pudesse ser visto como prejudicial para a Igreja. Ele fez alusão aos muitos pontos fundamentais da doutrina que foram acaloradamente debatidos nos primeiros concílios. Mas ressaltou que "deve ser um debate honesto, baseado nos melhores estudos e no qual todos reconheçam o compromisso final de servir à verdade, porque, se não estivermos servindo à verdade, não estaremos servindo à Igreja. E quanto a todos ficarem simplesmente em silêncio ao verem que são ditas coisas que não são verdadeiras, como é que poderíamos ficar em silêncio? Como é que isso poderia ser interpretado como caridade ou como algo bom para a Igreja?".

Burke foi então convidado a abordar um argumento muitas vezes apresentado em defesa da proposta do cardeal Kasper. Tal argumento diria: "Não estamos questionando a indissolubilidade do matrimônio, mas simplesmente queremos mudar o processo para deixar mais fácil a nulidade matrimonial, de maneira que as pessoas possam receber a comunhão". O cardeal Burke dissipou sumariamente este erro: "Não pode haver uma disciplina canônica contrária à doutrina. Mexer na disciplina não é uma questão simples". E acrescentou: "As pessoas não são estúpidas". Elas vão notar facilmente a incoerência entre o ensinamento da Igreja e a sua prática, o que permitiria concluir, nesse caso, que a Igreja é "hipócrita".

Jogando um pouco mais de lenha na fogueira, um jornalista da Reuters se referiu aos comentários do cardeal Kasper sobre as pessoas que o estariam atacando [uma referência velada ao cardeal Burke e a outros colaboradores do livro "Permanecer na Verdade de Cristo"]. Segundo esses comentários, aquelas pessoas "o estavam atacando para atingir o papa". Qual seria o grau de dificuldade de se dialogar com alguém que o cardeal Burke julga que "errou"?

Fiel à sua reputação de falar com franqueza e sem papas na língua, o cardeal Burke admitiu que "se ele [Kasper] se baseia em uma interpretação errônea dos Padres da Igreja e das Igrejas Orientais, a discussão não será mesmo fácil e não foi melhorada por quem acusa o nosso livro de contradizer o papa. Esta não foi a nossa intenção".

Em seguida, Burke acrescentou: "Eu acho inacreditável que o cardeal afirme falar em nome do papa. O papa não tem laringite. Ele pode falar por si mesmo. Nós estamos comprometidos com a obediência à verdade. Não é porque eu disse ou porque o cardeal Kasper disse".

"Remaining in the Truth of Christ: Marriage and Communion in the Catholic Church" ["Permanecer na Verdade de Cristo: o casamento e a comunhão na Igreja Católica"] foi escrito por Robert Dorado, OSA, e inclui respostas de cinco cardeais (Walter Brandmülle, Raymond Leo Burke, Carlo Caffarra, Velasio De Paolis, CS, e Gerhard Ludwig Müller) e de quatro outros estudiosos (Dodaro, Paul Mankowski, SJ, John M. Rist e dom Cyril Vasil, SJ) à proposta do cardeal Kasper a respeito do recebimento da Eucaristia por parte dos católicos divorciados que assumiram um novo casamento civil. O livro, repleto de fontes bíblicas e patrísticas que mostram a beleza e a sabedoria do ensinamento da Igreja, está sendo lançado neste mês.