segunda-feira, 25 de novembro de 2013

O Ano da Fé termina, mas a porta da fé continua aberta


 
 
O Ano da Fé termina, mas a porta da fé continua aberta

Não se chega à fé com discursos ou abordagens abstratas, mas abrindo-nos à força de Deus que, em Cristo, respondeu aos interrogantes da nossa vida


 

 

No próximo domingo, 24 de novembro, encerraremos oAno da Fé. Um tempo de graça, que foi um convite à conversão pessoal e pastoral, e uma oportunidade para a renovação da vida e da missão da nossa Igreja.

Cada um pode fazer seu exame sobre este ano e cada comunidade pode tirar suas próprias conclusões. Penso que todos nós conseguimos frutos positivos. No entanto, ainda vemos muitos católicos que recebem os sacramentos e praticam devoções, mas não se converteram a Jesus Cristo nem se comprometem com a sua Igreja.

Também há católicos frios em sua , que conhecem apenas alguns pontos doutrinais, mas não chegaram a uma relação pessoal com Deus; vários deles deixam a Igreja, buscando novas experiências espirituais em outras comunidades.

Para enfrentar esta realidade, convém recordar o que o Papa Bento XVI ensinou: "Muitas vezes, preocupamo-nos afanosamente com as consequências sociais, culturais e políticas da , dando por suposto que a  existe, o que é cada vez menos realista. Colocou-se uma confiança talvez excessiva nas estruturas e nos programas eclesiais, na distribuição de poderes e funções; mas que acontece se o sal se tornar insípido?"

E continua: "Para isso, é preciso voltar a anunciar com vigor e alegria o acontecimento da morte e ressurreição de Cristo, coração do cristianismo, fulcro e sustentáculo da nossa , alavanca poderosa das nossas certezas, vento impetuoso que varre qualquer medo e indecisão, qualquer dúvida e cálculo humano. (...) Portanto, a nossa  tem fundamento, mas é preciso que esta  se torne vida em cada um de nós" (
Homilia, 11 de maio de 2010).

Na verdade, construímos estruturas pastorais, transmitimos ensinamentos morais, promovemos diversos tipos de celebrações, mas supomos que a  já estava presente e talvez não tenhamos propiciado uma verdadeira experiência espiritual.

Antes de celebrar os sacramentos, antes de entrar na comunidade cristã, antes de pedir compromisso apostólico, é preciso receber o primeiro anúncio, o kerygma. Este anúncio é o que suscita a , que não é uma ideia, mas uma luz que vem do alto, uma experiência na ação do Espírito Santo, uma graça para entrar em comunhão com a obra de Deus realizada em Cristo, um contato pessoal com o amor inefável de Deus, que conduz à confiança e à conversão. Sem este anúncio primordial e ardente, a evangelização e a pastoral não dão frutos verdadeiros.

Miguel Pastorino escreve: "O kerygma não é uma moda ou uma nova descoberta da Igreja: é o conjunto de fundamentos de todo verdadeiro processo evangelizador, de Pentecostes até hoje. O kerygma não é catequese, não é um discurso doutrinal, não é só o testemunho de vida, não é proselitismo, nem sequer uma estratégia pedagógica prévia à catequese ou uma conversação sobre qualquer tema. Todas estas iniciativas podem ser o âmbito para o anúncio dokerygma, mas não são, em si, o primeiro anúncio".

E completa: "O objetivo do primeiro anúncio não é despertar simpatia por Jesus Cristo, mas a conversão do coração. É algo que, sem a experiência de  do evangelizador, é impossível de realizar. Anunciar o kerygma sem  é como falar a linguagem do amor sem estar enamorado. Só uma palavra repleta da graça, carregada de experiência do amor de Deus, pode ser um verdadeiro kerygma".

Ano da Fé nos deixa, então, o propósito de cultivar permanentemente em nós, com a força do Espírito Santo, uma relação pessoal e real com Deus, por meio de Jesus Cristo. O acolhimento e a proclamação desta possibilidade requerem uma autêntica renovação espiritual e pastoral em nossa vida eclesial.

Não podemos continuar pensando em Cristo e anunciando-o como um personagem do passado; não podemos continuar lendo a Bíblia sem permitir a transformação que Deus faz em nós com a sua Palavra; não podemos continuar orando enquanto o coração está longe de Deus.

Não se chega à  com discursos ou abordagens abstratas, mas abrindo-nos à força de Deus que, em Cristo, nos deu a resposta às aspirações e interrogantes da nossa vida. Como diz a carta 
Porta fidei, a porta da  continua aberta e nos introduz em um caminho que dura a vida toda.

(Artigo publicado originalmente pela 
Arquidiocese de Medellín).

Para que servem os padres?






Para que servem os padres?

Será que os sacerdotes são realmente necessários em nossa vida, ou podemos chegar a Deus sozinhos, sem intermediários?




Juan Ávila Estrada



 



Em um mundo que exalta o valor do light e do instantâneo, também o âmbito da fé tem estado sob a ameaça do mais fácil, efêmero e superficial. Por isso, encontramos pessoas que acham que, para chegar a Deus, não há necessidade de intermediários.

Os que constroem uma fé cômoda e "do seu jeito", acabam desprezando os sacramentos e o ministério sacerdotal. Apesar de que cada relação com Deus é personalizada, há "homens escolhidos entre os homens e constituídos a favor dos homens como mediadores nas coisas que dizem respeito a Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados" (Hebreus 5, 1). Mas há pessoas que preferem uma construção sem ferramentas de trabalho, porque acham que as próprias mãos são capazes de fazer tudo.

É verdade que uma pessoa não pode se relacionar com Deus no lugar de outra. Nisso, cada ser humano é insubstituível, e não podemos pedir a outra pessoa que faça isso por nós. Mas também é verdade que, em seu plano de salvação, Deus estabeleceu uma Igreja que é mãe e mestra, e por meio dela Ele oferece sua graça santificante e se permite agir de maneira humana para ser entendido pelos humanos. O fato de Jesus Cristo ter se feito Homem é uma prova disso.

Para alguns, tudo o que dê a ideia de ponte, caminho ou acesso deve ser bombardeado, para que a aproximação da divindade seja imediata e produto da própria bondade humana. Às vezes, estamos tão seguros de nós mesmos, que esquecemos as palavras de Jesus, quando afirma: "Ninguém vai ao Pai senão por mim" (João 14, 6); mas também aquelas outras que Ele dirigiu aos apóstolos: "Como o Pai me enviou, eu os envio" (João 20, 21).

Neste sentido, podemos compreender que a mediação de Cristo é absolutamente necessária para a pessoa que quiser chegar a uma comunhão perfeita com Deus. O conhecimento e a proximidade de Deus é gratuidade do seu Filho Jesus Cristo. A eternidade do seu sacerdócio é condição de possibilidade para realizar com Deus uma aliança eterna, em benefício do homem de todas as épocas.

Cristo é necessário porque Deus é necessário e, sem Ele, o homem nunca alcançaria o objetivo da sua existência; mas este sacerdócio único de Jesus se prolongou através do sacerdócio que Ele deixou em sua Igreja, não como uma simples cópia simbólica do seu sacerdócio, e sim como uma participação no seu ministério, que a Igreja exerce de maneira fiel, assistida pelo Espírito Santo, para que, dessa maneira, a pessoa possa ter acesso a Deus. Os sacerdotes são, assim, instrumentos efetivos de comunhão com Deus.

Isso não é uma usurpação da atividade salvadora de Jesus, mas, pelo contrário, o cumprimento do seu desejo de aproximar todas as pessoas de Deus, já que o que a Igreja faz não é movido pelo capricho, mas pelo mandato expresso do Salvador, quem confiou nela e confiou a ela a tarefa de prolongar sua presença no mundo, em todo tempo e lugar.

Mas nunca foi fácil aceitar a ajuda de ninguém, a intercessão de ninguém, a santificação por meio de ninguém. É mais fácil acreditar que podemos fazer tudo sozinhos, que temos todas as forças e recursos suficientes para alcançar o céu com as nossas mãos.

A soberba humana, que foi o grande pecado de todos os povos, nos impede de ver um Deus que desce até os homens, que se faz Homem, que escolhe homens e santifica por meio de homens, justamente porque o homem não pode chegar a Deus a não ser que Deus chegue a ele.

Como Jesus é necessário para chegar a Deus, o sacerdócio ministerial é necessário para alcançarmos a graça de Cristo. Sempre custará, nos interpelará, nos incomodará que Deus tenha querido fazer as coisas de maneira tão "absurda", já que a experiência mostra que nem todos conseguem ser epifania de Deus e que, pelo contrário, a vida de muitos não é coerente com o que eles deveriam ser.

Mas, ainda assim, Deus prefere ser ocultado pelo pecado de muitos, a negar-se a irradiar e inundar sua graça em todo aquele que for capaz de aceitar a humilde intercessão de pecadores que são somente ferramentas nas mãos de um excelente artista.

Ninguém pode amar Cristo cabeça e desprezar seu corpo, que é a Igreja. Eles formam um todo. Nem Cristo sem Igreja, nem Igreja sem 
Cristo.

 

Pacientes em estado vegetativo: quem ajuda as famílias?


Pacientes em estado vegetativo: quem ajuda as famílias?

Cerca de 34% dos familiares de um paciente em estado vegetativo se veem obrigados a deixar o emprego para cuidar do enfermo

Chiara Santomiero

Uma pesquisa com 275 pacientes e 216 familiaresdemonstra que, em 32% dos casos, a situação criada nafamília pela presença de um quadro de estado vegetativo causa uma grave dificuldade econômica e, em 34% dos casos, pelo menos um dosfamiliares do enfermo se vê obrigado a renunciar ao trabalho, de maneira temporária ou definitiva, para cuidar dele.

Estes são dados publicados recentemente pelo Instituo Neurológico C.B., de Milão, referentes às formas de assistência e cuidado dos pacientes em estado vegetativo e de consciência mínima na Itália, que tornam evidente o peso assistencial suportado pelas pessoas que cuidam deles, bem como as dificuldades econômicas, emocionais e relacionais enfrentadas pelas famílias, muitas vezes sem apoio suficiente.

"As instituições neurocientíficas – afirma Matilde Leonardi, neurologista e responsável pela estrutura de neurologia, saúde pública e deficiência do Instituto C. B. – se sentiram incentivadas a dar o máximo de si na pesquisa, graças também à atitude das famílias que não abandonam os enfermos. Nossa maior preocupação é a qualidade de vida dos pacientes. Sobre o cérebro, ainda sabemos muito pouco; devemos continuar adiante, também nos momentos de crise, como o atual" (Avvenire, 14 de novembro).

A partir desta perspectiva, é preciso propor uma reflexão sobre a organização dos serviços de saúde para os pacientes. De fato, os dados do instituto demonstram que há uma evolução clínica das condições e capacidades dos pacientes, diferente da que se esperava.

Em 14% dos casos, de fato, no decorrer dos anos, os pacientes passam do estado vegetativo (caracterizado por um estado de vigília, mas sem consciência ou conhecimento de si mesmos ou do ambiente que os rodeia) ao de consciência mínima (um estado de consciência alterado, no qual comportamentos mínimos, mas definidos, demonstram uma consciência de si e do ambiente), ou de consciência mínima à invalidez gravíssima (Corriere della Sera, 27 de setembro).

No que se refere às condições de saúde, a alta taxa de mortalidade característica do primeiro ano de enfermidade continua até o terceiro ano, mas, depois deste prazo, o paciente parece estabilizar-se e, com exceção dos acontecimentos imprevistos, tende a sobreviver durante muito tempo.

O peso assistencial dos familiares não diminui depois de dois anos, segundo dados do instituto: ele continua sendo muito elevado, apesar da estabilidade da doença.

Cerca de 60% dos familiares entrevistados passa mais de três horas por dia com o enfermo. Este é um peso também emocional, ainda que, com o passar do tempo, a tendência é que os sintomas depressivos dos cuidadores diminuam.

sábado, 23 de novembro de 2013

A luta pela alma deste mundo



A luta pela alma deste mundo

História do missionário que defendeu os valores da maternidade e da família, mesmo recebendo ameaças de representantes da Fundação Rockfeller

 

Manuel Bru

 
 

Conheci recentemente um padre, Julián Vicente García, que passou 10 anos de ministério sacerdotal como missionário em Porto Rico, no bairro de San Isidro, da vidade de Canóvanas, na década de 80.

Um dos dramas desse bairro, além de uma delinquência atroz, era, como continua sendo em tantos lugares do mundo, a escassez de casamentos, razão pela qual muitas mulheres que ficam grávidas acabam abortando ou dão à luz e abandonam seus filhos.

O Pe. Julián teve uma grande ideia: levou a cabo, junto à promoção de alojamentos sociais, uma campanha a favor da maternidade, divulgada nas escolas; seu zênite era uma festa multitudinária, na qual, em poucos anos, todo o bairro se envolveu.

Um dia, o Pe. Julián recebeu uma ligação inesperada de uma pessoa de alto cargo público no país, que lhe disse que a CIA vigiava seu trabalho. Por quê? Porque a sua campanha pela maternidade havia conseguido neutralizar outra campanha: a do todo-poderoso Plano Rockfeller na América Latina.

Como é sabido, este plano tem como objetivo combater a influência católica e seus valores em defesa da vida, da família e da justiça social; o plano financia seitas evangélicas que seguem a linha da Fundação Rockfeller.

É que, no bairro do Pe. Julián, até os que tinham sido seduzidos pelas seitas começaram a valorizar a estabilidade familiar e a maternidade.

O Pe. Julián, mesmo quando recebeu ameaças diretas, não foi embora do bairro; só o deixou quando, muitos anos depois, seus superiores lhe destinaram outro lugar.

Como tantos homens e mulheres santos, este sacerdote trabalhou sem cessar, e mergulhou na "luta pela alma deste mundo", da qual falava o Beato João Paulo II.

E carregou a bandeira de Cristo, já defendida há cinco séculos por Santo Inácio de Loyola – esta bandeira que Cristo Rei e Juiz do Universo terá nas mãos no tão temido e esperado dia do juízo final.

 

 

Papa: quem não respeita os avós não tem futuro



Papa: quem não respeita os avós não tem futuro

“Os idosos são aqueles que nos trazem a história, que nos trazem a doutrina, que nos trazem a fé como herança”


http://www.aleteia.org/image/pt/article/papa-quem-nao-respeita-os-avos-nao-tem-futuro-16124001/sourceicon/0

 

PatriceTHEBAULT/CIRIC

 
 
 

Papa Francisco afirmou hoje que os avós são um tesouro a ser preservado e bem cuidado, pois quem não respeita os avós não tem futuro.

Em sua homilia da missa na Casa Santa Marta, reconheceu que “vivemos um tempo no qual os idosos não contam”.

“É triste dizê-lo, mas são descartados! Porque incomodam. Os idosos são aqueles que nos trazem a história, que nos trazem a doutrina, que nos trazem a fé como herança. São aqueles que, como o bom vinho envelhecido, têm esta força dentro de si para nos darem uma herança nobre”, afirmou.

Neste momento da homilia, o Papa Francisco contou uma pequena história sobre uma família: pai, mãe, tantos filhos e um avô que quando comia a sopa sujava o rosto.

O pai aborrecido com tal comportamento comprou uma mesinha à parte para o avô e explicou a atitude aos filhos. Um dia mais tarde, regressando a casa, encontra um dos seus filhos a brincar com um pedaço de madeira e pergunta-lhe o que estava ele a fazer. A resposta não se fez esperar: estou a fazer uma mesinha para ti, para quando fores velhinho como o avô!

“Esta história fez-me tão bem, toda a vida. Os avós são um tesouro”, disse Francisco.

“É verdade que a velhice, às vezes, é um pouco triste, pelas doenças que surgem, mas a sabedoria que têm os nossos avós é a herança que nós devemos receber. Um povo que não conserva os avós, um povo que não respeita os avós, não tem futuro, porque não tem memória, perdeu a memória.”

(Com informações da 
Rádio Vaticano)

 

Não, a Igreja não defende o "casamento tradicional"


Não, a Igreja não defende o "casamento tradicional"

O que a Igreja defende é o casamento como Deus quer, o que é bem diferente

Juan Ávila Estrada

 
 

"Mulher, case-se e seja submissa" ("Sposati e sii sottomessa") é o polêmico e "ofensivo" título de um livro escrito pela italiana Costanza Miriano, quem, com um toque de humor, quis falar da beleza do amor esponsal.

Como em tudo, aqueles que não se deram ao trabalho de ler o livro tentaram apedrejá-lo só porque a autora utilizou como estratégia de marketing uma paráfrase do apóstolo Paulo, quando afirma: "Mulheres, submetam-se aos seus maridos" (Efésios 5, 22-24).

Mas, claro, os que se deixam levar pelas aparências não estão interessados em conhecer a verdade, mas simplesmente em reafirmar aquilo em que sempre acreditaram: que a Igreja é uma instituição interessada em submeter a mulher, e que seus membros defendem o machismo para poder manter o status quo.

Mas qual é a verdade exposta pelo Evangelho sobre o casamento e o que a Igreja, em consonância com a Palavra de Deus, defende sobre esta instituição natural?

Não podemos ignorar que existem "correntes" católicas que, mal-interpretando o texto do apóstolo Paulo, afirmam que o casamento querido por Deus se baseia na submissão da mulher ao seu marido. Neste sentido, fala-se do casamento"tradicional", ou seja, aquele em que um homem, casado com uma mulher, sai de casa para trabalhar e sustentar a família, enquanto a esposa se limita a cuidar dos filhos e das tarefas domésticas, esperando que o marido volte para poder atendê-lo e estar atenta às suas decisões, por ser ele o "chefe" do lar.





Mas... será este o modelo de casamento defendido pela Igreja?

Não. A Igreja não defende o casamento "tradicional", mas sim o casamento"cristão", ou seja, aquele querido por Jesus e que se baseia na doação mútua de um homem e de uma mulher, que entenderam que ambos estão chamados a construir sua família e a sociedade, oferecendo sua contribuição, cada um a partir da sua condição de homem e mulher (o que envolve necessariamente certa assimetria, já que cada um tem uma identidade sexual específica – o que não significa que um contribua mais que o outro), mas ambos com a possibilidade de desenvolver todas as suas potencialidades humanas, sem renunciar ao que caracteriza cada um como pai ou mãe.

sociedade contemporânea, tendo aberto à mulher a possibilidade do estudo e da vida profissional, está conhecendo toda a riqueza e poder de transformação que ela é capaz de oferecer. Mas o fato de abrir esta porta, necessária e justa, foi mal-interpretado por aqueles que acreditam que a maternidade ou seu exercício vão contra a possibilidade de desenvolvimento profissional e econômico da mulher.

casamento cristão é o sonho de Deus: homem e mulher, chamados à complementariedade. Não se trata de duas pessoas pensando como uma só, nem de pensar como um "eu" e um "você": o casamento é um pensar como "nós". Esse pensar como "nós" exige levar em consideração o parecer, a opinião, o desejo do cônjuge, sem supor o que o outro pensa nem anular sua vontade; mas, isso sim, ambos dispostos a morrer para o bom, com o fim de chegar ao melhor.

Nem todos os pareceres católicos são realmente "católicos"; e o fato de que cada um pense de uma maneira e mesmo assim se considere católico e apostólico não significa necessariamente que sua opinião coincida com o ensinamento da Igreja.

Por isso, é preciso formar-se, conhecer a maneira como a Igreja defende a beleza do amor humano, do amor matrimonial e, por isso, está disposta a ser alvo de ataques e más-interpretações, com tal de ajudar cada pessoa a encontrar o verdadeiro significado da felicidade.

Parabéns à autora do livro, que foi bastante corajosa ao dar-lhe tal título; é uma pena que alguns o julguem apenas pela sua capa, e que seus preconceitos os impeçam de se aproximar da possibilidade de reconhecer e reavaliar a falsa imagem de uma instituição que, apesar de ter passado por tantas fases em sua história, foi aprendendo com seus próprios erros e sempre lutou por levar o ser humano à verdade sobre si mesmo e sobre Deus.


 

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Prémios Nobel que defendem a harmonia entre ciência e fé


Prémios Nobel que defendem a harmonia entre ciência e fé

Erros históricos de alguns eclesiásticos não deveriam deixar os cristãos complexados sobre a racionabilidade da criação

 

 

Enrique Chuvieco

Às vezes, as notícias científicas encolhem o coração de alguns católicos, porque estes acham que elas colidem supostamente com determinados aspectos do cristianismo. É mais o "boom" cultural-divulgativo que prende a opinião pública que os argumentos científicos expostos em um e outro sentido, em todo caso inconclusivos, sobre a existência de Deus. É maravilhoso conhecer mais a natureza e os fenômenos ao nosso redor, e é preciso afastar qualquer suspeita de que estas descobertas estejam em contradição com a Revelação.

O peso de Galileu

A meu ver, o que subjaz nos preconceitos de alguns cristãos com relação à ciênciaé mais o complexo de culpa por alguns erros cometidos por eclesiásticos durante os 20 séculos de existência da Igreja.

Por exemplo, o caso Galileu, pelo qual alguns pontífices pediram perdão. Sobre o erro não há antídoto para ninguém, nem antes nem agora, assim como tampouco há receitas. Sobre estas, estamos muito acostumados a pedi-las no mundo católico, para economizar esforços no aprofundamento das questões.

Atualmente, há vozes científicas discordantes que negam a existência de Deus, da alma ou equiparam o ser humano a qualquer animal da escala da vida. Saber que falam partindo de suas ideologias nos poupará alguns sofrimentos. Além disso, há outros muitos que foram ou são católicos.

Nem a favor nem contra Deus

É preciso deixar claro: a ciência experimental não pode se pronunciar sobre a existência ou não de Deus, simplesmente porque seu estudo se centra na matéria e na forma de abordá-la. O que um científico pode dizer é que o que conhece dela é perfeitamente compatível com a existência de um Deus criador e, a partir daqui, continuará analisando e submetendo a matérias a provas, para desvendá-la ou aprofundar em suas leis.

Muitos cientistas relevantes e Prêmios Nobel manifestaram sua crença em um Deus transcendente. Pasteur (1822–1895), um dos três fundadores da microbiologia, era católico praticamente e afirmou: "Quanto mais conheço, mais minha  se assemelha à de um simples camponês". Einstein (1879–1955), Prêmio Nobel de Física em 1921, disse que "a ciência sem a religião fica manca; a religiãosem a ciência fica cega".

Seis anos mais tarde, outro Nobel de Física, Arthur Compton, descobridor dos raios cósmicos e da reflexão, polarização e espectros de raios-X, sublinhou: "Para mim, a  começa com a compreensão de que uma inteligência suprema deu o ser ao universo e criou o homem. Não me custa ter essa , porque a ordem e inteligência do cosmos dão testemunho da mais sublime declaração jamais feita: 'No princípio Deus criou'".

Mais atrevido e provocador foi Max Born, outro Nobel de Física em 1954, que qualificou de "idiotas" os que defendem que "o estudo da ciência leva ao ateísmo". Já o Nobel de Física Arno Penzias (1933-), descobridor da radiação cósmica de fundo, afirmou: "Se eu não tivesse outros dados a não ser os primeiros capítulos do Gênesis, alguns dos Salmos e outras passagens das Escrituras, teria chegado essencialmente à mesma conclusão quanto à origem do Universo que a que os dados científicos nos oferecem".

Derek Barton (1918–1998), Nobel de Química em 1969, manifestou que não havia "incompatibilidade alguma entre a ciência e a religião, porque a ciênciademonstra a existência de Deus". Assim como Born, Christian B. Anfinsen, Nobel de Química em 1972, chamou de "idiotas" os que "são capazes de ser ateus".

Desenvolvedor da espectroscopia do laser, pela qual obteve o Nobel em 1981, Arthur Schawlow afirmou que, "quando a pessoa se depara com as maravilhas da vida e no universo, inevitavelmente se pergunta por que as únicas respostas possíveis são de cunho religioso... Tanto no universo como em minha própria vida, tenho necessidade de Deus".

A lista é quase interminável. Mas podemos citar alguns cientistas atuais: Francis Collins e William D. Phillips. O primeiro é diretor do genoma humano e manifestou que é "cientista crente", porque "não acho conflito entre estas duas visões de mundo"; e deixou isso explicado em seu último livro, cujo título dispensa comentários: "A linguagem de Deus".

Já Phillips, outro Nobel de Física em 1997, observou: "Há tantos colegas meus que são cristãos, que eu não conseguiria cruzar o salão paroquial da minha igreja sem encontrar pelo menos uma dezena de físicos".

Há várias outras galerias de ilustres crentes das ciências (hoje parece que aludir àciência experimental para negar Deus tem a última palavra nas conversas), razão pela qual só podemos ter medo mesmo da nossa preguiça, que nos leva a evitar qualquer aspecto da realidade. Seria um investimento de tempo gratificante para conhecer o maravilhoso mundo que nos cerca.