terça-feira, 23 de setembro de 2014

Papa denuncia violência fundamentalista em visita à Albânia

Papa denuncia violência fundamentalista em visita à Albânia


Em 1967, o ditador Enver Hoxha proclamou a Albânia o primeiro "país ateu" no mundo. Várias igrejas e mesquitas foram destruídas

 
 
 
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O papa Francisco denunciou neste domingo o uso da religião como pretexto para a violência, durante uma visita à Albânia, em um contexto de crescimento dos movimentos jihadistas no Oriente Médio e na África.
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"Que ninguém pense que pode se amparar em Deus quando planeja e comete atos de violência e abusos. Que ninguém use a religião como pretexto para as próprias ações contrárias à dignidade do homem e seus direitos fundamentais", disse o pontífice em Tirana, a capital albanesa.
O primeiro-ministro albanês, o católico Edi Rama, deu as boas-vindas ao papa, que também foi recepcionado de maneira calorosa por centenas de milhares de pessoas na praça Madre Teresa, onde celebrou uma missa.
Em uma viagem em um carro aberto, Francisco parou diversas vezes para apertar as mãos dos albaneses e abraçar crianças. As medidas de segurança foram reforçadas diante do temor de eventuais ameaças de movimentos jihadistas contra o Papa.
"A Albânia é um país que sofreu muito. Conseguiu alcançar uma paz entre suas diferenças religiosas. É um bom sinal para o mundo este equilíbrio a favor do bom governo", disse o Papa, de 77 anos, aos jornalistas durante o voo para Tirana.
Diante do presidente Bujar Nishani, Francisco saudou com carinho a "terra das águias, uma terra de heróis, que sacrificaram suas vidas pela independência do país, e terra de mártires, que deram testemunho de sua fé nos tempos difíceis da perseguição".
O papa, para quem a Albânia é um modelo de convivência entre religiões, destacou que "o clima de respeito e confiança recíproca entre católicos, ortodoxos e muçulmanos é um bem precioso para o país e que adquire um destaque especial neste momento".
Neste sentido, criticou os grupos extremistas que "desnaturalizam o autêntico sentido religioso, distorcem e instrumentalizam" as diferenças entre as diversas confissões e as transformam em um "fator perigoso de conflito e violência".
Apesar do discurso mencionar todas as religiões, a principal referência era a violência do grupo jihadista Estado Islâmico (EI), acusado de cometer atrocidades no Iraque e na Síria.
"Pertencemos a outra comunidade religiosa, mas, por respeito e reconhecimento, viemos receber a bênção do papa", disse o muçulmano Hysen Doli, de 85 anos, na praça Madre Teresa.

"Convivência pacífica e fraterna"

Diante dos líderes ortodoxo, muçulmano, bektaschi (corrente islâmica) e protestante, na Universidade Católica Nossa Senhora do Bom Conselho, Francisco, citando as palavras de João Paulo II em uma visita a Tirana em 1993, afirmou: "A verdadeira liberdade religiosa tem horror às tentações da intolerância e do sectarismo".
"A religião autêntica é fonte de paz e não de violência! Ninguém pode utilizar o nome de Deus para cometer a violência! Matar em nome de Deus é um grande sacrilégio! Discriminar em nome de Deus é desumano!" insistiu.
O Papa ressaltou a interdependência entre comunidades: "Não vivemos como entidades autônomas e autossuficientes, como grupos nacionais, culturais e religiosos", disse. Ele pediu também que se evite o relativismo, que consiste, segundo ele, em querer dialogar "sem partir de sua própria identidade, fingindo ter outra".
Na primeira viagem oficial na Europa desde que foi eleito em março de 2013, Francisco também homenageou uma igreja em pleno ressurgimento após uma ditadura marxista, precedida por cinco séculos de domínio otomano.
Em 1967, o ditador Enver Hoxha proclamou a Albânia o primeiro "país ateu" no mundo. Várias igrejas e mesquitas foram destruídas.
Atualmente, dos três milhões de albaneses, os muçulmanos representam 56% da população, que tem ainda 15% de católicos e 11% de ortodoxos. A Igreja Católica é minoritária, mas dinâmica.
Antes de deixar o país, o pontífice recebeu um recipiente de cristal com terra do país de Madre Teresa de Calcutá - uma albanesa de origem macedônia. O presente foi entregue pelo primeiro-ministro em nome de todos os albaneses.
sources: AFP

domingo, 21 de setembro de 2014

CARTA A UM AMIGO


Amigo (a):

Chamo-me Artur Rodrigues Coutinho e sou o padre responsável há 36 anos pela Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, na cidade de Viana do Castelo, em Portugal.


(Nesta foto vê-se a Igreja e anexos e não se veem os dois pisos por baixo com ar e luz directa  que estão por acabar. Vê-se ao lado direito o Berço de Nª SRª das Necessidades (CAT) que acolhe 20 meninos e meninas até aos 12 anos e bebés abandonados, ou frutos de maus tratos, de violência doméstica, filhos de vícios,...)

Desde a minha chegada a esta paróquia que me lancei numa intensa actividade, com o envolvimento de muitos paroquianos comprometidos, de renovação da dinâmica paroquial tendo em vista a satisfação das necessidades espirituais e sociais duma comunidade em contínua transformação.

A renovação e criação de movimentos e obras de espiritualidade, a dinamização das eucaristias e actos de culto bem como o relevo colocado na importância da catequese ao serviço da formação e crescimento na fé atestam o papel imprescindível da espiritualidade na vida do cristão.

No entanto, como a fé sem obras é morta, (Tiago, 2,17) e serem as obras de amor ao próximo a medida do amor a Deus (I S. João 4,20) desde que o início da minha actividade pastoral nesta paróquia, erigi a preocupação com os sectores mais desprotegidos da sociedade como grande prioridade de toda a minha acção. Assim, foram surgindo, entre outras, estruturas de carácter social como centro de dia para idosos, centro de acolhimento de bebés e crianças em risco, recolha e distribuição de roupas e outros bens de primeira necessidade, alimentos, medicamentos, mobílias e electrodomésticos, refeitório social, apoio domiciliário a idosos e doentes, serviços que vivem com apoios oficiais e dos donativos e colaboração voluntária de muitos paroquianos.

Paralelamente ao lançamento de estruturas de suporte à obra social, houve também necessidade de dotar a paróquia de condições físicas capazes de responder em termos de culto e formação às necessidades de uma comunidade em amplo crescimento. Por isso, com a devida anuência da hierarquia eclesiástica, nos lançámos num projecto de construção de uma nova igreja com estruturas anexas para serviços administrativos, catequese e outras actividades de formação cujo orçamento inicial, no contexto económico da altura, se afigurava compatível com os os recursos disponíveis na comunidade.

Porém, atrasos verificados na execução de projectos e obras foram não só encarecendo os encargos como nos foram arrastando para os tempos de grave de crise económica que afecta o nosso país, fazendo escassear as fontes de obtenção de recursos de que normalmente a paróquia se socorre.

A obra, na parte respeitante à Nova Igreja está concluída e inaugurada. Porém, para o conseguirmos, tivemos de contrair um pesado empréstimo bancário num valor superior a um milhão de euros sujeitos a juros e amortização de difícil cumprimento devidas às limitações com que lutamos nas dolorosas condições económicas por que as famílias e o país atravessam. 

Por isso, estando conscientes da generosidade e espírito de solidariedade dos nossos amigos, meus amigos, para com os problemas que esta Comunidade se debate nesta cidade e porque certamente são sensíveis à dignidade e importância da causa que lhes apresentamos, venho suplicar a vossa ajuda através da recolha de donativos em dinheiro que nos possam ajudar a levarmos a cabo esta obra tão importante para a nossa Comunidade e para cuja conclusão tão carenciados nos encontramos de meios.

Teremos grande prazer e sentir-nos-emos muito honrados em vos mostrarmos a obra quando tenham oportunidade de nos visitarem nesta terra minhota que é a cidade de Viana do Castelo.

Por toda a ajuda que nos possam prestar-nos ficaremos imensamente gratos e certamente que Nossa Senhora de Fátima, nossa padroeira, não deixará de compensar tão generoso gesto.


Pe. Artur Rodrigues Coutinho


P.S.- Na Paróquia há todos os sábados, às 16 horas, em honra de Nª Sª de Fátima uma missa  por todos os colaboradores desta obra vivos e falecidos.
Para simplificar fornecemos mais dados


Histórias de vida


Galeria das nossas visitas-2007

 

 

 


 

 



Maria Correia Rodrigues Cambão nasceu numa casa junto ao Caminho do Barronco, a que hoje chamam rua da Bela Vista. Era a casa que foi de seu primo Manuel Cambão, carreteiro e homem rico da Abelheira, onde o Ozanan-Centro de Juventude, em tempos, organizou uma matança do porco para fazer um sarrabulho. A viúva Maria do Rosário e a única filha Conceição vivem numa casa nova na Urb. dos Rubins.
Maria Cambão é solteira e nasceu em 1915. Tem, hoje, 93 anos e está cega há 3 anos, mas há 23 anos que sofria de miopia, tendo sido operada.

Trabalhou sempre na lavoura e está ao encargo dos seus sobrinhos Manuel, Amadeu e José que a visitam todos os dias, ou com tanta frequência que não sente a falta da sua afabilidade, para além de ter uma empregada a tempo inteiro, a Maria Alzira, de Fragoso.
Mesmo sem ver, ela vai andando pelo quintal e tem outras formas de ver, de sentir e de falar com as coisas e da vida, não só com a empregada, como com os sobrinhos ou com quem a visita, aliás visitas que sempre estima.
Os seus pais tiveram mais 5 filhos: a Lucinda, o Domingos, o Manuel, o Casimiro e o Alfredo.
Maria Cambão não foi ao jantar dos 40 anos da fundação da Paróquia, mas quis participar dando o correspondente para a obra.
Maria do Rosário Ferreira Fornelos
Nasceu na Meadela a 7 de Maio de 1919, filha de João António Fornelos e de Maria da Conceição Fernandes Rodrigues, irmã de um padre Jesuita.
A Maria do Rosário é irmã do Augusto falecido, do Amadeu que também já faleceu (chegou a namorar em Mazarefes com Deolinda Amorim), o Domingos, a Angelina que já faleceu; a Dores também falecida, a Conceição, falecida; todos casaram e todos tiveram geração. Ela casou aos 31 anos com Manuel Rodrigues Correia Cambão, da Abelheira e teve uma filha, a Conceição que se encontra viúva e sem geração. Vivem no Rubins. O seu marido foi carreteiro afamado da Abelheira. Doou o seu carro para o futuro Ecomuseu da Paróquia. Levava por cada carreto 2$50 ( 0,0125 € ) ou 3$00 ( 0,0150 € ) conforme a carga.










A Maria do Rosário pode ler alguma coisa, escrever, mas não andou na escola, foi uma professora que a ensinou em casa.
Hoje é viúva, como a sua filha que se encontrava casada com o Capitão Maia que foi Comandante Distrital da GNR. O Capitão casou em segundas núpcias e do primeiro casamento tinha 5 filhos: o João Nélson (falecido), António, José, Ana Paula e Jorge, todos casados e com filhos, à excepção do Jorge.
A Maria do Rosário foi uma boa esposa e uma boa mãe e colaborava socialmente com a cultura da Abelheira. Recordamos o trabalho da matança do porco para a Instituição Ozanan-Centro de Juventude com a colaboração da Conceição Carvalhido dos Galos e já falecida.
Maria de Fátima Carvalhido
Foi no dia 4 do corrente que Maria de Fátima Fernandes Santos Carvalhido recebeu uma visita inesperada.


Maria de Fátima, nascida em 1955, casou com Luís Gonzaga Gonçalves Carvalhido, primo do Pe. José Rodrigues, ex-pároco de Cardielos. A referida senhora é mãe de Luísa Maria Fernandes Carvalhido, professora, casada com Paulo Parente, e mais um filho, Miguel Ângelo Fernandes Carvalhido, solteiro e segurança no Hospital de Barcelos.
Maria de Fátima sofre de uma doença que a retém por casa desde os 32 anos.









Era costureira e foi empregada fabril, mas devido à doença abandonou a actividade.
Apesar de tudo sente-se feliz, porque tem uma família que a compreende e a estima, não lhe faltando com nada. Ela até dá uns passeios com o marido e com a família.
Apesar das dificuldades ou das limitações, sente que, apesar de tudo, recebe, do seu marido e restante família, muito afecto e carinho, ajudando-a a viver com alegria, enquanto mantém a esperança de que a ciência descubra ainda um remédio eficaz para sair da situação.
Rosa Carvalhido
Maria Rosa Carvalhido Pinheiro, filha, pelo lado do pai, dos “Galos” e, pelo lado da mãe, dos “Felgas” oriundos de Perre. Nasceu na Quinta de Baixo. O seu pai era Manuel Afonso Carvalhido Júnior e sua mãe Rosa Afonso Pinheiro. Os seus bisavós vieram de Nogueira para a Quinta de Baixo.


Dar Alma à Vida XXV


Dar Alma à Vida XXV

 
 
 
 


A vida aparece após a concepção. O zigoto é já uma “persona”, isto é, uma personalidade que tem só direitos a que os pais devem respeitar e a viver com alegria.

É o primeiro berço da vida de qualquer ser humano. Este é o berço de Deus e que Deus o abençoará com a colaboração dos pais uma Alma tão grande que vai para além do amor dos pais e se pode aproximar do infinito amor de Deus.

Dar Alma à Vida é praticar a Caridade, é agir com a Bondade e a Misericórdia de Deus, é Amar, tolerar, respeitar e saber esperar, como uma mãe espera o fruto do Amor.

Dar Alma à Vida é deixar-se iluminar pela Luz de Deus e segui-Lo como uma ovelha segue o seu pastor.

É transmitir o alimento necessário para que a Vida seja uma vida abundante. Esta abundância lhe dará Alma grande para Amar como Jesus mandou: a Amar até ao fim, a medida do nosso Amor tem como medida a própria atitude de Jesus. Amar até ao fim.

Dar Alma à vida é ter consciência que nós somos uma bênção de Deus, somos uma bênção para a família, para a sociedade e para a Igreja, como, com desenvolvimento, o nosso Bispo refere no documento que ontem lançou no começo do ano de pastoram sob o título “ Os Filhos são uma Bênçao do Senhor” citando um salmo.

Dar Alma à vida é pois zelá-la e agradecer a Deus este Dom precioso e fazer tudo o que está ao nosso alcance para a Ele a devolvermos com Graça .

 

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Está cansado de ouvir acusações de que os católicos adoram imagens?

Você está cansado de ouvir acusações de que os católicos adoram imagens?


Mas se não é verdade que cometemos idolatria, então por que usamos imagens?

 
Pe. Henry Vargas Holguín
 
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Pe. Henry Vargas Holguín
 
                                                                                                                                               Bob Aubuchon
Por que nós, católicos, temos imagens de quem adoramos, ou seja, de Deus? De onde nasceu essa ideia?” (Noemí F.Q., via Facebook)

O uso de imagens e quadros religiosos em igrejas e dentro de casa é muito difundido desde tempos imemoriais. A questão das imagens sagradas costuma ser bastante polêmica; e na relação entre a Igreja e as pessoas que pretendem seguir a Cristo fora dela, a polêmica se acirra mais ainda, porque essas pessoas, entre muitos outros erros, acham que a Igreja católica adora imagens, o que não é verdade.

Para esclarecermos o assunto, vamos repassar a história sagrada. Comecemos observando que, no Antigo Testamento, era severamente proibido o culto a todo tipo de imagens ou representações plásticas da divindade.

O primeiro mandamento do decálogo afirma com palavras contundentes: “Não farás para ti outros deuses diante de mim. Não farás escultura nem imagem alguma… Não te prostrarás perante elas nem lhes darás culto, porque eu, Javé, teu Deus, sou um Deus cioso…”. (Ex 20, 3-5). Fica proibido, portanto, todo tipo de imagens apresentadas como divindade.

Esse mandamento começa dizendo: “Não farás para ti outros deuses diante de mim”. Ou, dito de outra maneira: “Não faças nenhum ídolo”. Apesar desta proibição tão clara, porém, e imediatamente depois de prometer que iria cumprir a lei, o povo fabrica um bezerro de ouro e o adora como se fosse um deus: “Este é o teu Deus, Israel, aquele que te tirou do Egito” (Ex 32,8). Era justamente contra isso que Deus tinha advertido o seu povo. E é por causa deste pecado de idolatria que Deus decide destruir o povo. Só a intercessão de Moisés consegue a piedade e o perdão de Deus (Ex 32, 1-14).  E Deus dá um alerta aos israelitas também quanto às imagens que eles venham a encontrar entre os povos pagãos: “Queimareis as esculturas dos seus deuses e não cobiçareis o ouro nem a prata que as recobrem” (Dt 7,25).

Naturalmente, esta proibição permanece de pé no Novo Testamento com a mesma intenção e com o mesmo objetivo. A Bíblia mostra que os cristãos também evitaram o uso de imagens que pudessem ser objeto de adoração. São Paulo diz, em seu discurso em Atenas: “Se somos estirpe de Deus, não podemos pensar que a divindade se pareça com imagens de ouro ou de prata ou de pedra, esculpidas pela destreza e pela fantasia de um homem” (At 17, 29). O apóstolo São João também declara: “Filhos meus, guardai-vos dos ídolos” (1 Jo 5,21). Para a Igreja nascente, é bem claro que a adoração deve ser tributada somente a Deus. Por isso, no Império Romano, muitos cristãos foram martirizados: por se recusarem a adorar os ídolos.

Agora, levemos em conta que os ídolos não são necessariamente esculturas ou imagens. Também há ídolos imateriais, sutis e muito capazes de nos absorver, nos quais nos refugiamos e colocamos a nossa vã segurança. São ídolos que conservamos bem escondidos em nosso íntimo: a ambição material, o desejo de celebridade, o afã de poder, a sexualidade desordenada, a ilusão de ser os únicos amos da nossa vida, algum pecado ao qual estamos especialmente apegados e muitos outros ídolos afins. Em todos os casos, qualquer ídolo nos afasta de Deus e nos distrai do nosso autêntico objetivo de vida: a salvação.

Qual é o motivo da proibição do Antigo Testamento?

A verdadeira razão dessa proibição é que Deus é o único Deus. Ele não se resigna a ser, por exemplo, o primeiro entre os deuses. Ele é o único. Por conseguinte, os deuses ou ídolos não são nada. Isaías ridiculariza os ídolos e aqueles que os adoram (Is 44, 9-20).

Era proibido representar a Deus com imagens para que as pessoas não achassem que Deus tivesse a forma de uma criatura ou fosse um objeto. No fundo, o mandamento zela pelo bem do povo, para que o próprio povo não se condene adorando um erro. O que não se aceita, portanto, é recorrer a objetos materiais e depositar neles a plena confiança que devemos ao Deus único, vivo e verdadeiro. Deus não é um ser material, mas uma realidade espiritual. Por isso é que o povo não pode adorar sequer representações materiais do verdadeiro Deus, porque corre o perigo de confundir o Deus verdadeiro com a imagem que o representa, chegando a crer que se trata de um Deus material.
 
Por que, então, existiram e existirão as imagens?

O que muitos desconhecem é que, assim como existe uma proibição de cultuar imagens (e já sabemos o porquê), também existe uma permissão de fazer imagens!

Vamos levar em consideração que a proibição se refere diretamente à adoração das imagens em si mesmas, e não ao simples fato de fazê-las para que elas sirvam apenas como sinal da presença de Deus. Neste sentido, Deus mesmo manda fazer coisas, objetos e imagens. É o caso da Arca da Aliança, com seus querubins de ouro e com o propiciatório também de ouro puro (Ex 25, 10-22). São elementos que não merecem as honras divinas: não podemos render culto a eles como se eles fossem Deus.

Mas o povo precisava (e precisa ainda) desses sinais sensíveis. Deus mandou construir aquele sinal da sua presença no meio do povo. Recorre-se à Arca de Deus para fazer oração porque ela é sinal da presença de Deus. Prova disso é que a própria tenda do encontro foi construída por ordem divina e estava cheia de imagens. O Templo de Jerusalém também as tinha. E fica claro que elas não violavam a proibição decretada por Deus.

Outro exemplo? A fabricação da serpente de bronze, que Deus ordena a Moisés: “Faz uma serpente de bronze e expõe-na sobre um mastro (o próprio Jesus Cristo menciona aquela serpente de bronze como símbolo dele mesmo). Todo aquele que for ferido e olhar para ela, viverá” (Num 21, 6-9). Naturalmente, não é que a serpente de bronze tivesse alguma virtude especial que a elevasse ao nível de divindade. Olhar para ela era um ato de fé e de confiança na Palavra que Deus tinha pronunciado. Tanto é que, mais adiante, o povo se desvia dessa intenção e passa a prestar culto à própria serpente. Nesse momento, Ezequias manda destruí-la (2 Re 18, 4).

São do Antigo Testamento os textos da Bíblia que proíbem fazer imagens e devem-se ao risco de o povo cair na idolatria, a exemplo dos povos vizinhos, que adoravam ídolos como se eles fossem deuses. Já os textos do Novo Testamento que falam dos ídolos se referem propriamente a ídolos adorados por pagãos, e não a simples imagens. O II Concílio Ecumênico de Niceia, por isso, no ano de 787, “justificou o culto das sagradas imagens…” (Catecismo da Igreja Católica, 2131).

O Deus do Antigo Testamento não tinha corpo, era invisível. Não podia ser representado por imagens. Mas a partir de quando Deus se revelou em forma humana, Cristo se tornou "a imagem visível do Deus invisível", como diz São Paulo (Col 1,15). No Novo Testamento, a permissão de usar imagens que representam a divindade assume um caráter novo, graças ao fato da Encarnação do Filho de Deus. Deus continua sendo puramente espiritual, mas assumiu uma natureza humana, que é material. Por esta razão, é lógico representá-lo para lhe dar culto (Catecismo da Igreja Católica, 1159; 2129).  A representação de imagens de Cristo é completamente lícita, já que é a representação de alguém que é realmente Deus. O culto que damos a Jesus, portanto, olhando para uma imagem dele, não é de adoração à materialidade dessa imagem, mas à própria Divina Pessoa que nela está representada. E ao olharmos, por exemplo, para a imagem do Cristo crucificado, recordamos o muito que Ele sofreu por nós e nos sentimos movidos a amá-lo mais e a confiar mais nele.

Em qualquer dos casos, o cristão sabe que a imagem, embora represente Cristo, não é a divindade em si, e, por consequência, não se presta culto a essa materialidade. Uma imagem representa o Filho de Deus ou outras pessoas intimamente relacionadas com Ele: por isso é lícito representar com imagens a Virgem Maria e os santos. A imagem é simplesmente uma representação e uma lembrança daquelas pessoas: quando se ora diante de uma imagem, não se cultua o objeto, não se fala à materialidade da imagem, mas se rende culto a Deus (culto de latria), a Maria (culto de hiperdulia) ou aos santos (culto de dulia). Diz o II Concílio de Niceia, de 787 (sessão 7ª, 302): "A honra tributada à imagem se dirige a quem ela representa" (Denzinger, pág. 155).
 
Na Igreja, veneramos os santos porque eles merecem o nosso respeito, admiração e gratidão. Graças às suas imagens, nós os recordamos e, ao mesmo tempo, eles nos trazem à mente verdades religiosas de grande proveito espiritual, dizendo-nos algo relacionado com as suas vidas. Por exemplo, graças às imagens podemos recordar quem era o santo (leigo, religioso, bispo etc.), que virtude ele mais praticou (pureza, desapego, humildade etc.), o que o tornou santo (martírio, estudo, missão etc.). Assim também, ao vermos uma imagem da Mãe de Deus, vem à nossa memória que, no céu, nós temos uma mãe imaculada que nos ama, que intercede por nós e que nos incentiva a levar uma vida santa.

Quando vemos uma imagem das almas do purgatório, recordamos a realidade do purgatório e somos movidos a orar pelos falecidos. As imagens são uma espécie de retrato de entes queridos, a quem recordamos com respeito e carinho. Quando beijamos a foto dos nossos entes queridos que já partiram ou que estão longe, não é a foto em si o que estamos homenageando: estamos recordando, pensando e sendo carinhosos como os nossos entes queridos ali representados.

Há nos livros de história retratos de grandes personagens para que os leitores os conheçam e, caso tenham sido bons, admirem e imitem; não há nisso mal nenhum.

Em edifícios e praças públicas há estátuas de grandes heróis a cujos pés são colocadas flores. Quem critica este gesto? Quem afirma que todas as pessoas que praticam esse gesto estão “adorando imagens”? Sabemos que, na verdade, o que elas fazem é homenagear e recordar com respeito essas pessoas, dignas, para elas, de lembrança e de respeito.

Os santos, através das suas imagens, não são adorados, mas sim venerados. A adoração é reservada somente a Deus. Venerar, porém, é reconhecer o valor de alguém ou de algo que merece o nosso respeito. Nós veneramos os nossos pais e a nossa pátria, mas não os adoramos. Adoramos somente a Deus.

Um protestante me disse uma vez: “Mas ajoelhar-se diante das imagens é adoração”. Este é outro erro dos protestantes. Isto é o que eles acham. Quem pode ver o interior das pessoas e acusá-las de idolatria, fazendo um juízo temerário com base em aparências exteriores? Mesmo os mais humildes, no fundo do seu coração, sabem que uma imagem sagrada ou religiosa não é Deus, nem é o santo a quem eles querem prestar respeito. Mesmo uma criança, sem muito conhecimento religioso, entende, quando vê uma imagem, que se trata simplesmente de uma imagem.

Devemos recordar que o gesto de ficar de joelhos tem significados diferentes dependendo da intenção com que é realizado. Diante de uma imagem, é um ato de veneração a quem a imagem representa. Quando os anciãos de Israel se prostravam diante da Arca da Aliança, não se prostravam diante de uma caixa de madeira, mas diante de Deus, ali representado. Quando rezamos diante do sacrário ou diante de uma custódia, não rezamos para uma caixa ou para um objeto metálico: rezamos e adoramos a Deus, presente no sacramento da Eucaristia.

Externamente, poderia parecer que um gesto de veneração a uma imagem é semelhante ao de um pagão idólatra que adora a imagem por si mesma. Há, porém, uma diferença substancial. Qual? A intenção do coração e o significado da imagem para a pessoa. As imagens não têm, para nós, o mesmo significado que tinham para os pagãos; eles de fato as consideravam deuses. Nós não as adoramos; nós sabemos perfeitamente que as imagens são apenas representações, seja de Cristo, seja dos seus santos.

Não devemos tirar as coisas do seu contexto. O proibido é a adoração das imagens como ídolos em si mesmas. A própria palavra hebraica usada no primeiro mandamento da Lei de Deus é “pésel”, que significa “ídolo”. Na mesma língua, há outras palavras que se referem a outros tipos de imagens não idolátricas, como as decorativas ou representativas. Se uma imagem não é um ídolo, ela não representa problema algum e podemos manter os nossos templos cheios delas, tal como estava o Templo de Salomão, que foi visitado por Jesus sem que Ele fizesse qualquer objeção à presença dessas imagens.
Quando os fiéis beijam as relíquias de santos e tocam nas imagens, o que eles fazem? Expressam amor pelos intercessores ali representados e que são estímulo para a nossa vida cristã. Trata-se, é claro, de uma fé simples, como a daqueles que esperavam receber a graça da cura ao tocar nos lenços de São Paulo (At 19,12), ou como o bem conhecido caso da hemorroíssa que, ao tocar no manto de Jesus, ficou curada (Marcos 5,26-31). Alguém considera que essas pessoas foram curadas por lenços e mantos? Jesus mesmo não falou da fé como de um grão de mostarda? (Mt 17,20).

Outro protestante me disse um dia: “Se a Igreja retirasse todas as imagens dos templos, eu poderia considerar a possibilidade de voltar à comunhão com ela”.

Esta não parece ser a solução para os problemas que enfrentamos com as seitas. Não vamos destruir todas as imagens porque alguns protestantes interpretam mal os ensinamentos da Igreja ou as atitudes de um bom fiel.

A solução do problema é a catequese, para que se chegue à maturidade da fé com toda a sua liberdade interior.

 

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Humorismo

Humorismo de Henriqueta Santos

Oferece a um amigo que tinha feito litíase.

Bem engraçado que é conservado como recordação de bom humor


A profunda beleza da feminilidade

A profunda beleza da feminilidade


Ser feminina é muito importante: a verdadeira igualdade está no valor da diferença

 
 
 
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Revista Ser Persona
 
© Yuriyzhuravov/SHUTTERSTOCK
Feminilidade e masculinidade são entre si complementares, não só do ponto de vista físico e psíquico, mas também ontológico. Só mediante a duplicidade do ‘masculino’ e do ‘feminino’, é que o ‘humano’ se realiza plenamente” (João Paulo II, Carta às
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mulheres, 7).

Ninguém discorda da igual dignidade entre homem e mulher, mas se fala de tal igualdade como se fosse uma vitória moderna ou recente, o que não é verdade. O grave problema é que, ao reivindicar essa dignidade, costumam referir-se somente à igualdade de capacidades, oportunidades sociais, políticas, de trabalho etc.

Para isso, tende-se a igualar a mulher ao homem, mas, ao equipará-los, não se respeita a diferente dotação natural e essencial de cada um, com a grave consequência da desumanização de ambos. O homem fica afeminado e a mulher se masculiniza.

Buscar a igualdade do diferente sob estes enfoques só provoca que cada um perca sua própria riqueza e receba em troca personificações que, longe de ser perfeições, são apenas impedimentos para alcançar a plenitude do desenvolvimento humano.

Homem e mulher têm recursos diferentes; a perfeição como pessoas e o destino de cada um deles não podem ser realizados prescindindo, no caso do homem, da masculinidade, e, no caso da mulher, da feminilidade.

Algumas diferenças corporais e psíquicas entre homem e mulher que destacam quão sublime é a feminilidade são:

O corpo do homem é mais forte, mais capaz de esforços físicos, trabalhos duros etc. Está feito mais para contribuir que para receber, razão pela qual o homem assume naturalmente o papel de provedor e tende a ser egocêntrico, precisa de reconhecimento.

O da mulher, ao contrário, é mais fraco e menos atlético, requer mais proteção. Foi projetado mais para receber, despertando a ternura protetora do homem, convocando-o ao esforço da conquista pela sua virilidade através da virtude. Ela espera, assim, ser correspondida.

A mulher, por ser de constituição física mais fraca, tende, por isso, a julgar as realidades sensíveis mais em relação ao seu corpo, e isso a orienta a ocupar-se dos mais fracos com incomparável delicadeza e afetividade.

A voz do homem é grave, útil no comando, na liderança, nas situações de urgência. A voz da mulher é doce, apropriada para dar carinho, consolar, inclusive fazer dormir.

O homem procura posição social. A mulher procura a estabilidade emocional para tornar-se refúgio quando precisam dela.

O homem dá amis ênfase à união sexual. A mulher somatiza mais seus sentimentos, elevando-os com seu ser pessoal para buscar a união moral e psicológica.

Quanto à psicologia, o homem é mais objetivo, mais teórico, científico, construtor especializado etc. A mulher é mais prática com relação às pessoas; é comum dizer que ela é mais intuitiva. Cabe recordar que o conhecimento intuitivo (pessoal) e superior ao racional, pois, sem discorrer, pode chegar rapidamente ao fundo das coisas; sua análise é afetiva e concreta.

A mulher costuma concentrar-se nos detalhes práticos de maneira mais meticulosa (campo no qual o homem tem dificuldades), mas precisa da aptidão do homem para enfrentar os assuntos teóricos, objetivos – necessários para um possível projeto de vida familiar, social, científico.

Isso explica, com relação ao homem, que lhe seja mais fácil atender a mulher e mais difícil entendê-la. A mulher, no entanto, por ser em geral mais intuitiva, pode atender melhor o homem depois de intuí-lo e compreendê-lo.

O homem costuma não dar muita atenção aos cuidados com sua aparência. O próprio da mulher é a beleza, e a beleza é o que atrai e reúne – isso não só no exterior, mas sobretudo no interior.

Quando personaliza sua beleza, esta convoca, não provoca. Sua beleza pessoal reúne e ordena atrativamente as pessoas rumo à própria perfeição irrestrita da intimidade.

Como as potências espirituais humanas (inteligência e vontade) estão mais personalizadas na mulher que no homem, ela é mais sensível, serviçal, compassiva, generosa, constante, convocadora, conciliadora.

Pela maravilha de uma feminilidade profundamente personalizada, a mulher se humaniza tanto, que pode ser mais mãe que o esposo pai, e isso não somente nas que o são. Mais esposa que o esposo; mais irmã que o irmão; mais namorada que o namorado; melhor psicóloga, pedagoga, enfermeira, coordenadora de atividades e de grupos de pessoas etc.

Todas as manifestações de feminilidade são razões de bondade para o homem.