domingo, 12 de outubro de 2014

Formação Missionária (V)




Texto: Frei Álvaro Silva, OFivi
     
O Amor é o princípio 0  fim da nossa Missão
 
Construção do Reino de Deus
A missão franciscana é para o mundo, mas ao mesmo tempo ela acontece no coração de todos os seguidores de Francisco de Assis, como podemos ver numa leitura atenta da Paráfrase do Pai Nosso, onde nos é sugerida uma ‘acção contemplativa e uma con­templação activa’ (PN 2-3).
A missão para Francisco não é expan­são territorial ou reconquista de Jerusa­lém, mas construção do Reino de Deus no coração de cada homem. A nossa missão consiste em levar todos os povos a Deus e Deus a todos os povos. O amor é o princípio e o fim da nossa missão.
Testemunho até ao martírio
A vida exemplar do missionário é já ela um conteúdo da missão, ciya primeira forma é o testemunho de vida ou a «proclamação silenciosa do Reino de Deus» (Cf. CCGG 89,1).
O franciscano missionário não é cha­mado em primeiro lugar a proselitismo, mas a viver o mistério de Cristo e a testemunhá-lo aos homens com a própria vida A simples presença, o testemu­nho de vida, sem nenhuma imposição é o que a sensibilidade contemporânea prefere.
O «missionário-testemunho», como São Francisco pensou na IR 16, não é aquele que demonstra com argumentos a verdade do Reino de Deus. É o que a mostra com a vida, tomando visível na sua vida a Vida d Aquele que o envia A vocação do missionário franciscano é de atrair os homens a Deus, mais do que convencê-los da existência de Deus.
O que atraía as multidões não era o saber e a eloquência de Francisco de Assis, recorda Tomás de Celano na Vida Primeira; mas quem o via e ouvia dava-se conta de que estava diante de um homem cheio de Deus (Cfr. lC 36 e 82).
A nossa história recente está mar­cada pelo luminoso testemunho dos mártires. Só no século XX tivemos 86 mártires missionários franciscanos, a maior parte foram vítimas do regime comunista na China Continua a ser importante para nós a espiritualidade do martírio.
Escreveu João Paulo II no n.° 7 da Aforo Millennio Ineunte: a memória dos mártires «é uma herança que não se deve perder, e que se há-de transmitir para um perene dever de gratuidade e um renovado propósito de imitação».
O primeiro anúncio do Evangelho
Um outro conteúdo da missão fran­ciscana é a PALAVRA «quando for do agrado do Senhor anunciem a Palavra de Deus» (IR 16,8). É o que nos recorda o Papa João Paulo II no n.° 44 da Redemptmis Missio: «O anúncio tem a prioridade permanente, na missão: a Igreja não pode esquivar-se ao mandato explícito de Cristo, não pode privar os homens da “Boa Nova” de que Deus os ama e salva» E também o Papa Paulo VI na Evangelii Nuntiandi recordava no n.° 25: «Dar testemunho de que no seu Filho ele amou o mundo; de que no seu Verbo Encarnado ele deu o ser a todas as coisas e chamou os homens para a vida eterna». O primeiro anún­cio é sempre necessário e em qualquer parte.
Francisco de Assis dirigia-se ao povo com breves e simples palavras, con­vidando à penitência, à conversão, à reconciliação, à paz e ao amor de Deus.
Plantatio et Aedificatio da Igreja e do Carisma franciscano, como dom do Espírito à própria Igreja
Este é outro objectivo da nossa Ordem. A edificação da Igreja onde ainda não existem estruturas ordinariamente estabelecidas, como: prelaturas apos­tólicas, prefeituras apostólicas, vigariatos apostólicos que possam susten­tar a Igreja Local Mesmo que pobre, pequena, insuficiente ou em formação de uma comunidade em crescimento. Como nos recordava o Concilio Vati­cano D no n.° 2 Decreto Ad Gentes, e como João Paulo II, também dizia no n.° 48 da RM: «A missão ad gentes tem este objectivo: fundar comunidades cristãs, desenvolver Igrejas até à sua completa maturação».
O Espírito Santo deu os carismas à Igreja, entre os quais se encontra o carisma franciscano. Assim devemos contribuir para a fundação ou cresci­mento da Igreja Local, oferecendo o carisma de São Francisco de Assis a essas jovens Igrejas, o oferecendo o carisma de S. Francisco de Assis a essas jovens igrejas.


 

Figuras Missionárias

Figuras Missionárias, por António Castro,OFM
 
"Aqui conquistou muitas simpatias, pelo trato simples, afável e que caraterizava a sua pessoa,”



Embora mais ou menos já esperada, a notícia buliu cá no meu íntimo quando, na manhã do dia 9 de setem­bro, chegou a comunicação de que há poucas horas, na Enfermaria Pro­vincial do Seminário da Luz, em Lis­boa, falecera este irmão franciscano, o Frei Antônio Couto, que cativava qualquer pessoa que dele se abei- rasse.

Nascera a 3 de junho de 1924 na fre­guesia de Carvoeira, não longe de Torres Vedras. Desde bem cedo se deixou enamorar pela maneira de ser e estar dos filhos de S. Francisco, que viviam no Convento de Varatojo, onde viria a passar bastantes anos da sua vida de franciscano, embora a maior parte fosse em países de mis­são, em atitude de partilha de fé, ao serviço dos mais necessitados.

Após o Noviciado no Convento de Varatojo, e a profissão de votos tem­porários no dia 15 de agosto de 1952 e de votos solenes em 1956, não demorou muito que não rumasse para outras bandas, como missioná­rio. Assim, em 1957 encontramo-lo já em Moçambique, onde ficou bem vin­cada a sua ação na Missão da Barada durante os 17 anos em que lá per­maneceu. Quem com ele conviveu deixou escrito a seu respeito: “Com persistência e competência, prestou os mais variados serviços: agrícolas, administrativos e pastorais. Foi pre­cioso colaborador dos superiores que passaram pela missão, pela sua inteli­gência, conhecimento dos homens e das coisas, sentido da vida fraterna e dedicação ao bem da missão”.

Regressado à terra lusa em 1974, decorridos 2 anos vemo-lo já a cal­correar outros caminhos, agora rumo ao Oriente, para a Terra Santa. Por lá andou, peregrino por vários santuá­rios, a todos acolhendo com afabili­dade, enriquecido com a experiência que pouco a pouco vai tendo dos locais onde é colocado. Vários pere­grinos, idos de Portugal e de outros países durante esses 16 anos de per­manência na Terra de Jesus, tiveram o privilégio de por lá o encontrarem e também eles se enriquecerem com tudo o que do Fr. Couto foram rece­bendo. E foram vários os santuários onde o nosso Frei Couto marcou presença: além de Errfermeiro-mor na Enfermaria da Custódia da Terra Santa em Jerusalém, foi passando por Getsémani, Nazaré, Tabor, Betfagé...

Regressado a Portugal em 1992, é em Varatojo que então se começa a sentir a sua presença, com o ofício de por­teiro. Aqui conquistou muitas simpa­tias, pelo trato simples, afável e aco­lhedor que caraterizava a sua pessoa E com os seus sábios conselhos, como verdadeiro “diretor espiritual”, mui­tos qjudou a refletir talvez em passos mal andados. Sempre o encontráva­mos ocupado, quanto mais não fosse a encadear terços com as contas que trouxera da Terra Santa, trabalho que continuou na Enfermaria Provincial quando, por motivos de saúde, se viu forçado a deixar o “seu” Varatojo em 2008. Na Enfermaria Provincial o visi­tei diversas vezes, nos últimos tempos pensando já no “encontro” com a Irmã Morte, que mansamente o veio visitar.

No dia do funeral, na paróquia onde nascera, teve a seu lado todos os irmãos franciscanos disponíveis da Fraternidade de Varatojo e não só. Significativo também o testemunho do P. José Manuel da Silva, torreense de origem, ao lembrar nessa hora da despedida o que de outros ouvira quando, antes de ingressar na Ordem Franciscana, à noitinha, o Fr. Couto tinha o costume de tocar o sino lá na sua aldeia, reunindo outras pessoas e com elas louvar Maria com a recitação do terço. O P José Manuel trouxe ainda o testemunho do Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, que, não podendo comparecer devido a compromissos inadiáveis já assumidos, quis desta foima assinalar a sua presença. •

Texto escrito ao abrigo do A.O.LP. de 1990

sábado, 11 de outubro de 2014

Melhor do que dizer o que é a Igreja para nós será perguntar à Igreja sobre o que ela? diz de si mesma.


1. Quando a palavra Igreja chega aos nossos lábios, é provável que três coisas lhe estejam associadas na nossa mente: lu­gares, figuras e estruturas.

São referências que povoam o imaginário e se entranham no discurso.

2.    Para muitos, a Igreja é, antes de mais, o local de culto.

Neste sentido, Igreja serão sobretudo as igrejas.

3.    A Igreja é igualmente compreendida como os seus membros.

Mas quem são os membros da Igreja? O conjunto dos fiéis ou algu­mas das suas figuras?

4.    Ainda há quem pense que dizer Igreja é dizer hierarquia. Ainda há quem julgue que a Igreja são os padres e os bispos.

Afinal, ainda não se percebeu que na Igreja não se entra pelo sacra­mento da Ordem, mas pelo sacramento do Baptismo.

5.    Não espanta, pois, que a Igreja tenda a ser vista não como ela é, mas como nós a vemos.

Assim, quando se diz Igreja, pensa-se especialmente no sistema ecle­siástico. O qual, com frequência, surge mais como embaraço do que como apoio. Mais como sombra do que como facho de luz.

6.    A estrutura tem importância na Igreja, mas não constitui o mais importante da Igreja.

Por conseguinte, melhor do que dizer o que é a Igreja para nós será perguntar à Igreja sobre o que ela diz de si mesma.

7.    Foi o que fizeram os cardeais Montini e Suennens no Concilio Va­ticano II: «Igreja, que dizes de ti mesma?»

Na sua gênese, a Igreja não está polarizada no sistema eclesiástico, mas em Deus e no Povo: no Deus do Povo e no Povo de Deus.

8.    Acontece que quando se fala de Igreja, muitos não pensam no Povo nem em Deus.

Não falta até quem alegue que a Igreja está distante do Povo e nem sequer está próxima de Deus.

9.    Só que isso não é aquilo que a Igreja é. Quando muito, será aqui­lo em que a Igreja se pode tornar.

A Igreja é muito mais que o sistema eclesiástico. A Igreja é a propos­ta de Deus ao Povo. E há-de ser a resposta do Povo a Deus.

10.    Não encolhamos a Igreja. Não nos encolhamos em Igreja. Abra- mo-nos em Igreja a Deus. E abramos a Igreja ao Povo.

Mais oração e mais missão, eis do que precisamos. Enfim, deixemos que a Igreja seja Igreja!

P. Melhor do que dizer o que é a Igreja para nós será perguntar à Igreja sobre o que ela diz de si mesma.
in DM de um teólogo

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Divórcio, anulação do casamento e eucaristia geram debate entre cardeais

Divórcio, anulação do casamento e eucaristia geram debate entre cardeais

 O cardeal Burke considera que o cardeal Kasper propôs um caminho nunca antes tomado em toda a história da Igreja

 
Susan E. Wills
 
09.10.2014
Marcin Mazur/UK Catholic
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O cardeal Raymond Burke seria o primeiro a realçar que o Sínodo Extraordinário sobre a Família, iniciado no último domingo, tem que tratar de uma série de problemas decorrentes da ignorância quase universal e da grande confusão existente em torno do significado e do valor do casamento e da família.

Em declarações aos jornalistas em uma entrevista coletiva organizada pela Ignatius Press, editora do livro "Remaining in the Truth of Christ: Marriage and Communion in the Catholic Church" ["Permanecer na Verdade de Cristo: o casamento e a comunhão na Igreja Católica"], o cardeal explicou:

"Nós temos de admitir que, em uma sociedade totalmente secularizada, o nosso ensinamento tem sido radicalmente defeituoso nos últimos cinquenta anos. Temos que abordar estas duas coisas: a secularização radical da sociedade e as tristes lacunas da catequese". Ele, e, provavelmente, todos os especialistas e jornalistas que acompanham o tema, esperavam explorar os muitos outros tópicos e potenciais soluções levantados no “instrumentum laboris” do sínodo em andamento.

Entretanto, tem havido excessivo barulho em torno de um único ponto polêmico, fartamente explorado pela mídia: a proposta feita pelo cardeal Kasper, no consistório extraordinário de fevereiro, de desenvolver um processo que permitisse aos católicos divorciados e recasados o recebimento da Eucaristia.

Levando em conta que o silêncio não é uma opção quando se está diante de "coisas que não são verdadeiras", o cardeal Burke decidiu falar reiterada e vigorosamente em defesa da verdade. No início, ele deixou claro que a proposta de Kasper já tinha sido feita e respondida anteriormente pela Igreja:

“O pedido de Kasper já foi discutido há algumas décadas, quando foi escrita a exortação do papa João Paulo II sobre a família, a Familiaris Consortio. A questão foi amplamente discutida e a Igreja deu a sua resposta de acordo com a tradição”.

Instado a falar sobre os rumos que a conversa vem tomando, considerando-se a enorme atenção atraída pela proposta do cardeal Kasper, o cardeal Burke destacou o quanto acha extrema a posição de Kasper:

“Eu, certamente, tenho poréns muito sérios quanto ao que foi proposto pelo cardeal Kasper. Ao propor isso, ele estava pedindo um caminho que, em toda a história da Igreja, nunca foi tomado; um caminho que, de alguma forma, implica desobediência ou pelo menos não-adesão às palavras de Nosso Senhor. E ninguém questiona as palavras de Nosso Senhor no capítulo 19 do evangelho segundo Mateus. Kasper pediu um diálogo sobre a sua proposta e eu posso falar do livro ‘Remaining in the Truth of Christ’ [‘Permancer na Verdade de Cristo’]: somos nove autores que decidiram responder a vários aspectos do pedido dele no tocante ao casamento, como ele propôs na apresentação que fez durante o consistório extraordinário de 20 e 21 de fevereiro. Não quero fazer referência especificamente à minha contribuição, mas, devo dizer que, depois de ler todas as outras contribuições, elas são uma resposta eficaz que ilumina e preserva a beleza da doutrina da Igreja em relação ao casamento ao longo dos séculos e mostra que a fidelidade a esse ensinamento não foi fácil em todas as épocas. A firme convicção dos autores e, realmente, a firme convicção da Igreja é que somente ao se ater à verdade do casamento e à vivência e à prática dessa verdade é que a Igreja pode dar o contributo que ela é chamada a dar, para a felicidade, não só nesta vida, mas a felicidade eterna, dos membros individuais da sociedade e também da sociedade como um todo. Se a família não é estável e forte, a própria sociedade corre um grande perigo. Isso nós enxergamos pela nossa própria experiência”.
O cardeal Burke e os outros co-autores concluíram que "o caminho proposto pelo cardeal Kasper é fundamentalmente falho. Ele cometeu um erro e eu [cardeal Burke] acredito que o livro é uma contribuição muito positiva para retomarmos o diálogo adequadamente".

Quando perguntado sobre as elevadas expectativas decorrentes da proposta do cardeal Kasper a respeito do recebimento da Eucaristia por parte dos católicos divorciados e recasados e se vai ​​haver decepção dentro de alguns círculos por causa da “falta de mudança iminente”, o cardeal Burke explicou que o objetivo do sínodo extraordinário é desenvolver práticas pastorais que ajudem as pessoas a permanecerem na verdade de Cristo quanto ao casamento. E contou uma bela experiência da sua juventude, como coroinha numa pequena cidade do interior. Ele notou que um casal da paróquia ia à missa todos os domingos, mas nunca recebia a Sagrada Comunhão. O pequeno Kasper perguntou ao pai sobre aquilo. O pai do futuro cardeal explicou ao filho, de uma forma muito caridosa, que um dos cônjuges tinha se divorciado antes de se casar com o novo cônjuge. E como a Igreja não reconhecia o segundo casamento como válido e o casal respeitava os ensinamentos da Igreja sobre o digno recebimento da Eucaristia, eles se abstinham de comungar. Eles não abandonaram a fé; mas também não esperavam que a Igreja abrisse uma exceção para eles.

O cardeal Burke discordou da ideia de que o debate sobre a proposta de Kasper pudesse ser visto como prejudicial para a Igreja. Ele fez alusão aos muitos pontos fundamentais da doutrina que foram acaloradamente debatidos nos primeiros concílios. Mas ressaltou que "deve ser um debate honesto, baseado nos melhores estudos e no qual todos reconheçam o compromisso final de servir à verdade, porque, se não estivermos servindo à verdade, não estaremos servindo à Igreja. E quanto a todos ficarem simplesmente em silêncio ao verem que são ditas coisas que não são verdadeiras, como é que poderíamos ficar em silêncio? Como é que isso poderia ser interpretado como caridade ou como algo bom para a Igreja?".

Burke foi então convidado a abordar um argumento muitas vezes apresentado em defesa da proposta do cardeal Kasper. Tal argumento diria: "Não estamos questionando a indissolubilidade do matrimônio, mas simplesmente queremos mudar o processo para deixar mais fácil a nulidade matrimonial, de maneira que as pessoas possam receber a comunhão". O cardeal Burke dissipou sumariamente este erro: "Não pode haver uma disciplina canônica contrária à doutrina. Mexer na disciplina não é uma questão simples". E acrescentou: "As pessoas não são estúpidas". Elas vão notar facilmente a incoerência entre o ensinamento da Igreja e a sua prática, o que permitiria concluir, nesse caso, que a Igreja é "hipócrita".

Jogando um pouco mais de lenha na fogueira, um jornalista da Reuters se referiu aos comentários do cardeal Kasper sobre as pessoas que o estariam atacando [uma referência velada ao cardeal Burke e a outros colaboradores do livro "Permanecer na Verdade de Cristo"]. Segundo esses comentários, aquelas pessoas "o estavam atacando para atingir o papa". Qual seria o grau de dificuldade de se dialogar com alguém que o cardeal Burke julga que "errou"?

Fiel à sua reputação de falar com franqueza e sem papas na língua, o cardeal Burke admitiu que "se ele [Kasper] se baseia em uma interpretação errônea dos Padres da Igreja e das Igrejas Orientais, a discussão não será mesmo fácil e não foi melhorada por quem acusa o nosso livro de contradizer o papa. Esta não foi a nossa intenção".

Em seguida, Burke acrescentou: "Eu acho inacreditável que o cardeal afirme falar em nome do papa. O papa não tem laringite. Ele pode falar por si mesmo. Nós estamos comprometidos com a obediência à verdade. Não é porque eu disse ou porque o cardeal Kasper disse".

"Remaining in the Truth of Christ: Marriage and Communion in the Catholic Church" ["Permanecer na Verdade de Cristo: o casamento e a comunhão na Igreja Católica"] foi escrito por Robert Dorado, OSA, e inclui respostas de cinco cardeais (Walter Brandmülle, Raymond Leo Burke, Carlo Caffarra, Velasio De Paolis, CS, e Gerhard Ludwig Müller) e de quatro outros estudiosos (Dodaro, Paul Mankowski, SJ, John M. Rist e dom Cyril Vasil, SJ) à proposta do cardeal Kasper a respeito do recebimento da Eucaristia por parte dos católicos divorciados que assumiram um novo casamento civil. O livro, repleto de fontes bíblicas e patrísticas que mostram a beleza e a sabedoria do ensinamento da Igreja, está sendo lançado neste mês.

Um divorciado pode ser catequista?

Um divorciado pode ser catequista?



Os divorciados não devem ser excluídos da vida paroquial: seu papel nela se concretiza em diálogo com o sacerdote

Pe. Henry Vargas Holguín
09.10.2014
© Philippe Noisette
O Papa Francisco deixou claro que a doutrina da Igreja continua sendo a mesma, mas pediu uma mudança no enfoque pastoral, que consistiria em deixar de insistir nos temas polêmicos, para dar espaço à pregação da misericórdia de Deus.

O núcleo do problema consiste em reduzir a atenção pastoral aos fiéis divorciados a que possam receber a comunhão sacramental, esquecendo que existem outras formas de comunhão com Deus, porque continuam dentro da Igreja e podem continuar também praticando a fé. A união com Deus é alcançada quando o crente se dirige a Ele com fé, esperança e amor, no arrependimento e na oração.

Toda a Igreja, como boa mãe, sempre expressou sua preocupação pela situação dos católicos divorciados, alguns dos quais, erroneamente, se sentem excluídos da Igreja. Mas Deus, por meio da Igreja, os convida a aproximar-se.

Os divorciados precisam recordar que são membros da Igreja, e seria um grave erro, por parte de uns e outros, confundir o fato de não poder comungar com estar excomungados. São duas coisas muito diferentes. Os divorciados não estão excomungados, pois continuam em plena comunhão com a Igreja; portanto, são convidados a não se autoexcluir, a reforçar esta união com ela e, nela, com Deus, recordando que a Igreja é o corpo místico de Cristo, do qual somos parte graças ao Batismo.

Há muitas maneiras de viver e concretizar esta comunhão com Deus e com sua Igreja; portanto, seria um gesto reducionista e irresponsável enfocar o tema única e exclusivamente partindo da perspectiva da possibilidade de que os divorciados possam ou não receber o sacramento da Eucaristia.

Para a Igreja, a situação dos divorciados que voltaram a se casar civilmente é um verdadeiro desafio pastoral. E a atenção pastoral a estas pessoas não está na mudança de doutrina ou em uma mudança de práxis, mas na necessidade de ir ao encontro dessas pessoas que estão em uma situação muitas vezes de grande sofrimento, na qual não podemos abandoná-las.

Portanto, é preciso levar em consideração dois aspectos fundamentais: por um lado, as razões bíblicas, patrísticas e históricas que pedem que os fiéis divorciados não recebam os sacramentos; por outro, estão os ensinamentos dos papas, eu indicam expressamente que estes crentes podem e devem continuar unidos à Igreja.

Por exemplo, João Paulo II, na “Familiaris consortio” (n. 84), indica que eles pertencem à Igreja, têm direito à atenção pastoral e devem fazer parte da vida da Igreja. Depois, Bento XVI, na “Sacramentum caritatis”, exorta os bispos e padres e dedicar uma atenção especial aos divorciados, buscando que cultivem um estilo de vida cristã mediante a participação da missa (ainda que sem comungar), a escuta da Palavra de Deus, a adoração eucarística, a oração, a participação na vida comunitária, o diálogo com um sacerdote de confiança ou diretor espiritual, a entrega a obras de caridade e penitência e a tarefa de educar os filhos.

A pastoral é a forma de levar a doutrina à prática. A doutrina, que é uma aplicação da palavra divina, não é uma armadura que impede a vida ou a ação pastoral; ela é o esqueleto da vida cristã. Portanto, não teria sentido conceber uma pastoral negando a doutrina, pois quem busca soluções pastorais contra ela está criando novos e maiores problemas pastorais.

Quando se pensa no tema da comunhão dos divorciados novamente casados e/ou sua relação com a Igreja e com Deus, muitas vezes se misturam várias questões, algumas doutrinais e outras pastorais intrinsecamente relacionadas. É um erro apresentar a questão em termos antagônicos, como se a misericórdia ou a pastoral fossem em uma direção e a justiça e a doutrina, em outra antagônica É necessário levar em consideração todas as circunstâncias, para não cair em uma falsa disjuntiva: comunhão ou excomunhão. A misericórdia não se opõe à justiça; misericórdia e justiça podem e devem caminhar juntas.

Não teria sentido faltar à misericórdia em nome da justiça; nem, em nome da misericórdia, faltar à justiça. Uma misericórdia sem justiça e uma justiçassem misericórdia são imorais. Ambas atentam contra a justiça e a caridade.

Defender a indissolubilidade do matrimônio e buscar a aproximação dos divorciados da Igreja não são questões alternativas, mas ambas exigências da missão da Igreja.

Na busca de soluções, a caridade pastoral e a verdade teológica e doutrinal devem se complementar, pois não se contrapõem.

Geralmente, as pessoas católicas praticantes que voltaram a se casar pelo civil (ou simplesmente moram com um parceiro) o fizeram porque as circunstâncias as obrigaram a isso, mas não o fazem por desprezo à salvação ou para negar Deus. E são sinceras ao dizer que amam a Deus, que querem encontrá-lo nos sacramentos da Igreja e anseiam por estar em paz com o Senhor.

Quem somos nós para negar-lhes esse encontro com Cristo e a relação na fé com os demais filhos de Deus ou irmãos? Não podemos nos esquecer o que Jesus disse: a lei foi feita para o homem, e não o homem para a lei.

A preocupação pelos divorciados que oram, que querem educar seus filhos como cristãos e que sofrem pela não recepção da comunhão, precisa de uma pastoral concreta.

Os divorciados têm um lugar e um papel na Igreja, mesmo aqueles que não podem receber a comunhão. A comunhão eucarística é importante, mas não é a única forma de participar da vida da Igreja ou da vida de Deus.

Como todos os fiéis, eles podem e podem orar, ir à missa, rezar o terço, educar cristãmente os filhos, levá-los à catequese, participar de grupos de oração, de formação, de ajuda social, catequese etc.

Estas últimas ações, ou seja, ter um papel na vida de paróquia, se concretizam como fruto de um diálogo com o sacerdote, com o pároco.

O importante é isso: que estes fiéis não estão excluídos, de forma alguma, da vida paroquial. O como, quem, quando e onde são secundários.

A Igreja busca uma pastoral dos divorciados que esteja em perfeita sintonia com sua pastoral matrimonial geral, na qual se pede – e se exige – o esforço para levar o próprio casamento adiante. Se considerássemos o divórcio superficialmente, com que cara pediríamos aos casados que cuidem do seu casamento e lutem por ele?

Ao nos ocuparmos dos divorciados, precisamos fazê-lo no contexto de todos os fiéis e da realidade da situação de cada um. Não podemos nos esquecer, por exemplo, dos muitos cônjuges que, uma vez separados em seu casamento, permaneceram fiéis ao vínculo conjugal. Ninguém se atreveria a dizer que eles foram vítimas da doutrina, nem que deveriam buscar alguém com quem refazer sua vida.

Infelizmente, entre os próprios fiéis, incentiva-se uma visão equivocada dos sacramentos, vivendo-os sob aparências.

Portanto, é um erro que todo o foco esteja nos separados, com ou sem dissolução do vínculo do ponto de vista da lei civil, esquecendo que há casados sacramentalmente pela Igreja que levam uma vida conjugal sem “problemas”, mas que tampouco deveriam comungar, pois têm uma vida dupla: desonestidade tributária, pagamento de salários injustos, corrupção etc., e comungam sem escrúpulos semanalmente.

Também se dá o caso de fiéis que, mesmo casados sacramentalmente pela Igreja e não tendo impedimentos para comungar, nunca comungam.

Pois bem, o grande desafio pastoral que temos não consiste tanto em conseguir dar a comunhão aos divorciados a qualquer preço. O desafio é triplo: como ajudar os jovens a se casar com as devidas disposições e que seus casamentos sejam válidos; ajudar para que os casamentos durem a vida toda; e que as novas famílias sejam Igrejas domésticas.

Penso que a aproximação dos divorciados a Deus tem de passar por um acompanhamento personalizado por parte do bispo ou sacerdote a uma pessoa concreta desejosa de aproximar-se de Deus; acompanhamento que, em cada caso, supõe um caminho diferente, independentemente de quem tiver a iniciativa.

Se a pessoa é dócil e quer realmente amar a Deus sobre todas as coisas, colocará os meios e tudo da sua parte. Se é assim, uma vez recebida validamente a absolvição sacramental, não haveria inconveniente em receber a comunhão eucarística.

Se, em determinada comunidade paroquial, a recepção destes sacramentos pudesse ser causa de confusão ou escândalo, seja pela notoriedade do caso ou por outro motivo, a prudência pastoral pode indicar a conveniência da recepção privada de tais sacramentos.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

CNIS teme desequilíbrios financeiros nas IPSS

SALÁRIO MÍNIMO

CNIS teme desequilíbrios financeiros nas IPSS


O presidente da CNIS sustenta que o aumento do salário mínimo vai provocar “grandes dificuldades” às IPSS, desafiando o Governo a actualizar o apoio ao Sector Solidário no próximo Orçamento do Estado.
“Todos nós achamos que é muito importante que haja aumento do salário mínimo, mas vai provocar grandes dificuldades às instituições”, disse à agência Lusa, o padre Lino Maia, à margem do Encontro Nacional «As IPSS e a saúde — Perspetivas para o século XXI», que decorreu em Fátima.
O padre Lino Maia referiu que “não é só o salário mínimo que aumenta”, mas também um conjunto de ordenados que estão perto daquele que “vão ter que aumentar”.
“Compreendem-no, é muito importante, mas vão ter muita dificuldade em suportar o aumento, porque elas estão todas no fio da navalha”, garantiu o líder da CNIS, referindo que as instituições “não têm a receita correspondente”.
Por isso, desafia o Governo a equacionar uma “actualização do apoio do Estado ao Sector Solidário” na elaboração do Orçamento de Estado para 2015.
“Tem havido alguma actualização mínima”, reconheceu o padre Lino Maia, ressalvando, porém, que “não tem acompanhado a inflação e não tem acompanhado, de modo nenhum, o aumento de despesa”.
A esta situação, há a somar, ainda, a diminuição da receita, dado que “as comparticipações dos utentes têm vindo a diminuir muito significativamente”.
“Com o desemprego, com o empobrecimento colectivo, temos muito menos receita por parte dos utentes e temos aumento de despesa”, sustentou, defendendo a necessidade de o Estado olhar melhor para este sector.
Recorde-se que o Conselho de Ministros aprovou a semana passada o aumento do salário mínimo nacional de 485 para 505 euros a partir de 1 de outubro, com base no acordo assinado com as confederações patronais e a UGT.
Nos termos do mesmo acordo, do qual ficou de fora a CGTP, foi também aprovada uma redução de 0,75% da taxa contributiva a pagar pelas entidades empregadoras, referida como uma “medida excepcional de apoio ao emprego” no comunicado do Conselho de Ministros.
Considerando que o aumento do salário mínimo “pode provocar alguma atividade económica”, o presidente da CNIS realçou a importância da medida num País que tem “demasiadas famílias” com “rendimentos muitíssimos baixos que não conseguem enfrentar as suas despesas”.
Questionado sobre a existência de IPSS em situação de insolvência, o padre Lino Maia admitiu haver “alguns casos”, mas manifestou-se esperançado que “ainda haja alguma intervenção que evite o colapso”.
“Casos identificados [de insolvência] são muito poucos neste momento, agora a ameaçar há muitas situações”, acrescentou.

 

Data de introdução: 2014-09-30

Casais: conselhos para lidar com as incompatibilidades

Casais: conselhos para lidar com as incompatibilidades


Conheça o seu temperamento e o do seu cônjuge para evitar conflitos e caminhar com esperança

 
 
Por tu matrimonio
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08.10.2014
© Richard foster
As diferenças de temperamento, quando não são reconhecidas e trabalhadas, podem gerar graves conflitos dentro o casamento, chegando até a afetar o amor.
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Todos nós podemos evoluir e aprender a lidar com nosso temperamento, até melhorá-lo. Mas, para isso, precisamos partir do reconhecimento de onde estamos neste momento.

Para evitar o conflito em um casal com diferenças de temperamento, é recomendável:

- Buscar conhecer mais sobre as características do temperamento do outro, para saber quais são seus pontos fortes e fracos. Assim, você pode aprender a não atacá-lo pela fraqueza.

- Não tentar adivinhar o que o outro está pensando ou sentindo. Cada um precisa falar claramente o que sente e pensa.

- É muito importante que cada um tenha espaço para expressar o que sente e pensa, mas sem converter isso em um monólogo, a ponto de que o outro nem sequer possa falar.

- Repetir o que o outro disse é uma boa técnica de comunicação. Isso ajuda a dar maior clareza ao que se entendeu e evitar mal-entendidos.

- Quando um casal tem diferenças de temperamento, a comunicação assertiva é fundamental, ou seja, os dois cônjuges precisam ser diretos, honestos, respeitosos, sem humilhar ou julgar um ao outro.

- Para ter sucesso na comunicação, é importante igualmente expressar com clareza o que se quer dizer, mas também prestar atenção no que está por trás do que se diz (atitude e gestos) e na forma como se fala.

Diante de conflitos já instalados no casal com diferenças de temperamento, é preciso:

- Levar em consideração que, partindo dos seus respectivos pontos de vista, ambos podem ter razão. Portanto, é necessário que ambos possam ceder. Assim, o poder não se concentra naquele que acredita ter razão sempre.

- Os dois devem estar dispostos a dar o melhor de si e não esconder sentimentos que os encham de veneno e rancor.

- Se for preciso, é importante exprimir estes sentimentos, expressando ao cônjuge quão ferido se está por alguma situação em especial, para que o outro possa entender o que se está sentindo.

Quando os problemas e as diferenças de temperamento são manifestados adequadamente, por meio de uma defesa madura dos próprios pontos de vista, o casal começa a cultivar uma atitude de confiança e esperança em que os problemas sempre terão uma solução adequada.

(Artigo publicado originalmente em Por tu Matrimonio)