sábado, 13 de dezembro de 2014

Ensine aos seus filhos o valor do dinheiro!


Ensine aos seus filhos o valor do dinheiro!
 
 
 
 
 

Diz-se que -de pequenino se torce o pepino» e estes ditados populares têm muita razão de ser. As crianças que aprendem desde cedo o valor do dinheiro e aprendem a poupar terão mais facilidade de, no futuro, evitar situações de excesso de endividamento, contratar créditos de forma inconsciente ou gastar mais do que o que ganham.
 
 
Mas isto é algo que não se aprende na escola, mas sim no dia a dia, nas compras que fazemos, na gestão que fazemos do nosso dinheiro. Apesar de estar previsto que dentro de pouco tempo a Literacia Financeira fará parte do currículo escolar, situação despoletada pela crise financeira atual, a verdade é que ainda não se sabe ao certo quando começa e que assuntos vão abordar. Por isso, o melhor é começar por ensinar aos seus filhos o valor do dinheiro, como geri-lo, como poupar, como comprar e que decisões tomarem, principalmente na hora de realizar uma determi­nada compra.
 
 
 
Quando as crianças são ainda muito pequenas para saber quanto vale cada nota ou moeda, pode começar por brincar com elas ao Faz de Conta. As crianças gostam muito deste tipo de brincadeiras em que simulam ser empregados de lojas, cafés, restaurantes e principalmente de uma Pizzaria ou Hamburgueria. Nesta fase, é importante que no fim de nos "servirem” lhes seja perguntado “quanto é". Quando nos dizem que o preço é "X", normalmente muito elevado ou muito baixo, é a altura ideal para darmos indicações do preço justo. Por exemplo: “5,00 euros por um café? Isso é um exagero! 60 ou 70 Cêntimos ainda aceito..." ou então "... só 1,00 euro por uma pizza e uma coca-cola? Não se enganou? Deve ser mais ou menos uns 10,00 euros...”. Esta é uma fase em que ouvem os adultos a falar de dinheiro mas ainda não conseguem relacionar as coisas com o seu valor real.
 
 
 
A partir do momento em que começam a perceber o valor do dinheiro e a saber que notas e moedas existem, é altura de ensinar métodos de poupança. 0 ideal seria criar 3 mealheiros com objetivos diferentes. Um para a poupança com objectivos de longo prazo, como por exemplo um carro ou a ida para a Universidade, outro a curto prazo para brin­quedos, jogos e afins, e outro para gastos extraordinários, para fazer doações a Instituições de Caridade por exemplo e outros. Criam-se assim objectivos de poupança que devemos fomentar a cumprir.
Depois vem a fase do “eu quero isto”, do “preciso mesmo daquilo", ou do “queria muito uma coisa". Nessa altura, a melhor maneira de educar os seus filhos passa por ensinar- -Ihes a importância que as coisas ocupam no patamar das nossas necessidades. Saber o que é mesmo essencial, o que é importante e o que gostaríamos de ter, mas que terá de esperar pela altura mais adequada. As necessidades bá­sicas (almoço na escola, lanche, material), as necessidades importantes (vestuário, calçado) e as necessidades de menor importância e que por isso podem ser adiadas (calçado / roupa de determinadas marcas/jogos). A partir daqui, deverá ensinar os seus filhos a administrar a sua semanada/mesada de acordo com as suas necessidades.
Quando estas noções já estiverem suficientemente con­solidadas, passa a ser altura de ensinar os seus filhos a efectuar comparações de preço versus qualidade. Para isso nada melhor do que os levar às compras ao supermercado, ensinar-lhes a comparar preços e produtos recorrendo a comparações de composição de produtos, quantidade na embalagem versus o preço ao quilo ou ao litro e até a fazer escolhas entre produtos de marca e produtos da marca do supermercado, também conhecidos por produtos de “linha branca”.
Por fim, quando os seus filhos já tiverem uma boa noção do dinheiro, das necessidades e das opções em termos de marcas e qualidade, é altura de os deixar mostrar o que já sabem e como são capazes de gerir o seu dinheiro sem ajuda de adultos. Para isso, opte por dar a mesada através de um cartão de débito pré-carregado o que, para além de ser mais seguro contra perdas e roubos, permite saber onde o dinheiro é gasto, como é gasto e também estipular valores máximos diários, semanais e mensais.
É também a partir desta altura que pode ensinar os seus filhos a investir. Nesta altura devem começar a analisar pro­dutos bancários como os depósitos a prazo, ações e fundos de investimento e começar a efetuar escolhas de como aplicar as poupanças. E claro, conhecer que tipos de crédito existem, para que servem e que taxas são cobradas. Fazer as contas e perceber realmente o custo que os créditos implicam.
 
 
 
 
 
 
Parece difícil e na realidade são precisos anos para inculcar valores
 
 
econômicos sólidos, mas que vale a pena vale.

In Diário do Minho

Ciência / Meio ambiente ------ 10 verdades científicas sobre a defesa da vida

Ciência / Meio ambiente

10 verdades científicas sobre a defesa da vida

O conhecimento científico sobre o embrião deu um grande salto nas últimas décadas e suas conclusões são muito claras


aborto © Lisa Rosario Photography
1. Nos últimos 25 anos, a ciência contemporânea nos revelou mais sobre nosso desenvolvimento biológico que todo o estudo universal em três mil anos.
 
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2. Hoje sabemos que o embrião é um sujeito unitário individual, um ser vivo com natureza definida, e não uma parte do corpo da mãe ou um apêndice dela.

3. Desde o momento da união das células ou gametas masculina e feminina, o embrião possui características estruturais e funcionais diferentes das de sua mãe, seja em sua etapa unicelular, seja em suas diversas fases de divisão.

4. Em todas essas fases, o embrião se comporta como um sistema orgânico com identidade gênica própria, metabolismo próprio, sistema imunológico próprio, ácidos nucleicos e tipo sanguíneo próprio, diferentes dos da mãe, com um padrão de desenvolvimento rumo a estados definidos empiricamente detectáveis.

5. Como indivíduo autônomo, o embrião se auto-organiza buscando sua unidade, com total autonomia. No entanto, esse desenvolvimento, ainda que autônomo, não é independente da mãe, pois depende do seu útero durante um tempo variável e, posteriormente nascido, continuará dependendo da mãe e de outras pessoas para sua sobrevivência durante um lapso mais longo, também variável. O ser humano é a espécie que mais prolonga sua dependência de alimento. Mas sua condição de dependência intrauterina não tem nada a ver com sua autonomia e sua condição específica.

6. O desenvolvimento embrionário, portanto, é contínuo, sem saltos, irreversível e gradual; e se leva a cabo em virtude das programações que o genoma vai cumprindo, para permitir as sucessivas etapas de desenvolvimento do organismo humano individual.

7. Por isso, apresenta, nessas diferentes etapas, o desenvolvimento de estruturas que se reconhecem preparatórias das seguintes etapas definitivas. Assim, com 18 dias, o embrião conta com um coração que bate; com 20 dias, tem um sistema nervoso em constante crescimento; com 42 dias, tem um esqueleto completo e reflexos; com 8 semanas, é possível realizar um eletrocardiograma dele e registrar piscadas, reações, respostas a estímulos e gestos com as mãos.

8. Todas estas estruturas vão se unindo umas às outras de maneira sistemática e em unidade funcional, para chegar ao estado final de desenvolvimento. Por isso, é um e ele mesmo, no mais estrito apego ao conhecimento biológico, o indivíduo da espécie humana que é fruto da fecundação, o que nasce depois da gestação e o que já é adulto.

9. Para que um ser humano envelheça, precisa antes passar por etapas humanas de maturidade, etapas humanas de juventude, etapas humanas de infância, etapas humanas de fetais e etapas humanas embrionárias. Em todo esse processo contínuo, o desenvolvimento é o de um ser humano, sem saltos nem aparições misteriosas da condição humana.

10. É cientificamente improcedente afirmar que o ser humano não é propriamente humano antes do surgimento das estruturas cerebrais e mentais, pois, para que essas estruturas cerebrais apareçam no embrião, ele precisa possuir anteriormente uma condição biologicamente humana.

Quando se aposta no valor irrestrito da vida humana do embrião, não se coloca a liberdade reprodutiva da mãe contra a vida intrauterina do embrião. Por isso, a interrupção deliberada da gravidez é uma prática brutalmente discriminatória, na qual se decide injustamente quem deve viver e quem deve morrer, segundo as pragmáticas razões irreversíveis da própria mãe e/ou de um terceiro.

A fé de Albert Einstein

Ciência / Meio ambiente

A fé de Albert Einstein

Confira o que o famoso Einstein respondeu a uma menina que lhe perguntou: “Os cientistas rezam?”


albert einstein © DonkeyHotey
Esta frase é do cientista Albert Einstein: “Todo aquele que está seriamente comprometido com o cultivo da ciência, chega a convencer-se de que, em todas as leis do universo, manifesta-se um espírito infinitamente superior ao homem, diante do qual nós, com nossos poderes, devemos nos sentir humildes”.
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Agora, esta frase pronunciada pelo fundador da física contemporânea, com sua Teoria da Relatividade, prêmio Nobel de Física em 1921, tem ainda mais relevância com o conteúdo de uma carta com a qual respondia a uma menina que lhe fez a seguinte pergunta: “Os cientistas rezam?”.

Segundo a informação publicada no jornal “La Vanguardia” no último dia 1º de dezembro, com o título “As 10 cartas mais surpreendentes da história”, no breve escrito que Einstein dirige à menina, o cientista afirma que “a dedicação à ciência conduz a um sentimento religioso especial”.

A crença em um ser superior

Como fruto desse sentimento, Einstein acrescenta que quem se dedica seriamente à ciência “acaba convencido de que algum espírito se manifesta nas leis do universo, um espírito muito superior ao do homem”.

Estes são alguns dos fragmentos da carta, que data de 24 de janeiro de 1936:

“Cara Phyllis: (...) Os cientistas acreditam que tudo o que acontece, inclusive os assuntos dos seres humanos, se deve às leis da natureza. Por conseguinte, um cientista não tenderá a acreditar que o curso dos acontecimentos possa ver-se influenciado pela oração, ou seja, pela manifestação sobrenatural de um desejo.

Não obstante, temos de admitir que nosso conhecimento real dessas forças é imperfeito, de maneira que, no final, acreditar na existência de um espírito último e definitivo depende de uma espécie de . É ainda uma crença generalizada inclusive diante das conquistas atuais da ciência.

Ao mesmo tempo, todo aquele que se dedica seriamente à ciência acaba convencido de que algum espírito se manifesta nas leis do universo, um espírito muito superior ao do homem. Assim, a dedicação à ciência conduz a um sentimento religioso especial, sem dúvida muito diferente da religiosidade de alguém mais cândido. Saudações cordiais, A. Einstein.”

“As 10 cartas mais surpreendentes da história são somente uma mostra das “Cartas memoráveis” (Editora Salamandra), uma seleção de mais de 100 missivas, tanto de pessoas anônimas como de personagens célebres, selecionadas pelo inglês Shaun Usher, um colecionador de correspondências e responsável pelo blog “Letters of Note”.

No livro, aparecem escritos que vão da rainha Isabel II a Jack o Estripador, Fidel Castro, o sobrinho de Hitler, Dostoiévski, Darwin, Mick Jagger, Leonardo Da Vinci e o próprio Einstein.

O livro apresenta diversos gêneros: tragédia, como na carta que Virginia Woolf anuncia ao seu marido que se suicidou; receitas de cozinha, como a dos bolinhos que a rainha Isabel II envia ao presidente dos Estados Unidos, Eisenhower; divulgação científica, na carta que o cientista Francis Crick anuncia ao seu filho a descoberta da estrutura do DNA; e inclusive uma solicitação de emprego, nada menos que de Leonardo Da Vinci.

O texto reivindica, na era do correio eletrônico, o valor da velha instituição da carta, seja à mão, à máquina e inclusive impressa a partir de um computador. A obra, de grande formato, inclui fotografias e reproduções das cartas.

(Artigo publicado originalmente pelo Fórum Libertas)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Perdoar não é esquecer


Estilo de vida 03.12.2014

Perdoar não é esquecer

Precisamos aprender a perdoar, mas esquecer a ofensa não é imprescindível




 

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Amanda-Tipton-CC


Somos terra sagrada. Mas muitas vezes experimentamos nossa incapacidade para reconciliar-nos, para estar em paz com os outros, com Deus, conosco mesmos. Queremos um coração de criança, um coração limpo, renovado, enamorado.   É um tempo para pedir perdão e para perdoar, para estar em paz com Deus, para perdoarmos a nós mesmos pelas nossas quedas. É um tempo de graça que estamos vivendo. O céu se abre. Chove misericórdia de Deus.   Alguns dizem que não há verdadeiro perdão se não houver esquecimento das ofensas; que é impossível perdoar de verdade quando continuamente voltamos à ferida e alimentamos o rancor; que só esquecendo a ofensa é possível recomeçar.   Mas todos nós sabemos que há lembranças que não se apagam jamais, experiências que ficam gravadas na alma para sempre. A memória guardada no coração nos faz reviver tudo o que acreditávamos já ter esquecido.   Por isso, é necessário diferenciar perdão de esquecimento. Muitas vezes, eles não caminham juntos. Perdoar sempre nos cura. Na verdade, é a única coisa que cura o coração. Perdoar e ser perdoados.   Perdoar é uma graça de Deus, porque humanamente é muito difícil conseguir isso. Quantas vezes nos confessamos incapazes de perdoar quem nos ofendeu! Com quanta frequência percebemos a existência de alguns rancores enterrados na alma, que tiram nossa paz e alegria!   O perdão nos faz levantar-nos e empreender um novo caminho. Reconcilia-nos com a vida, com o mundo, conosco mesmos. Ele nos dá luz, alivia a carga.   O passar dos anos nos deixa feridas na alma. Há ofensas não perdoadas no coração. Precisamos pedir a graça do perdão. Ganha mais quem perdoa que quem é perdoado. Porque, ao perdoar, ficamos mais leves, mais livres. O perdão cura. Perdoar é uma graça de Deus.   Há sentimentos que nos impedem de perdoar. O orgulho, o pensar que temos a razão, o considerar-nos mais importantes do que somos, o fato de exagerar o tamanho da ofensa.   Sentimos que, se perdoarmos, não estaremos dando valor ao que aconteceu. Achamos que somos melhores que os que nos ofenderam, e perdoar nos faz voltar a colocar-nos à sua altura. Por isso, queremos que o outro se humilhe, aprenda uma lição, mude, não volte a ofender.   O perdão está condicionado a uma mudança de atitude de quem perdoa. Perdoamos se o outro se humilha. Perdoamos se o outro compensa o dano causado. Perdoamos se o outro reconhece sua culpa e se torna pequeno. Perdoamos se o outro se compromete a não voltar a fazer a mesma coisa.   Não é fácil perdoar incondicionalmente. Quando colocamos condições para perdoar, pode ser que nunca cheguemos a perdoar totalmente. Sempre resta um resquício para que o rancor entre. Uma porta aberta à amargura, à rejeição.   O perdão é fundamental para viver com paz, para semear alegria, para abrir janelas de luz. O perdão aos outros e a nós mesmos.   Quais são os rancores que você carrega no coração? Neste momento de graça, o que você quer perdoar? Qual é o nome do seu perdão?   Não acho que o esquecimento seja algo tão simples. Na verdade, penso que ele quase nunca é possível. Aquelas feridas do coração, os rancores que nos pesam, são experiências não esquecidas. Como esquecer aquilo que nos marcou para sempre? É realmente muito difícil. Faz parte da nossa história de amor. É como esquecer algo que nos constitui. É parte da nossa própria identidade.   Quando esquecemos, costuma ser porque a ferida foi superficial e a ofensa não foi tão grande. São experiências negativas que ficaram perdidas no passado e não lhes demos muita importância.   A memória é nossa bagagem de mão, sempre vai conosco. E nos serve para enfrentar a vida, para aprender do passado, para conhecer nossa história e agradecer, oferecer o que Deus nos deu. A memória nos ajuda a ir além dos preconceitos que a dor constrói. Precisamos

perdoar. Mas esquecer não é imprescindível.

Lembro das feridas da minha vida. Algumas sangram às vezes. São parte do meu caminho. Lembro o dia, o momento. Se começo a recordar, chega a doer. Perdoei, mas continua doendo. Não esqueço do que aconteceu. Mas isso não é tão necessário. Além disso, não é algo que controlo. Por mais que eu queria formatar minha memória, não consigo.

Então, se não posso esquecer, o que posso fazer é que essas lembranças não determinem minha forma de tratar quem me ofendeu. Não posso fechá-lo em sua falta e pensar que sempre vai fazer a mesma coisa. Não posso condicionar minha atitude diante dele, meu carinho ou minha rejeição.

Não posso tratá-lo com certo desprezo ou distância. Não posso desconfiar eternamente das suas intenções e pensar que não vai mudar. Não posso julgá-lo e afastar-me da sua presença. Não posso desejar que ele sofra o que eu mesmo sofri. Preciso construir sobre essa rocha, sobre a minha história.

Não posso fazer a lembrança desaparecer. Mas posso decidir como agir, como tratar quem deus coloca em meu caminho novamente, como vou confiar nele, ainda que já tenha me falhado. Não é fácil, mas é o caminho da paz e da unidade.

Quantas divisões se tornam profundas porque não sabemos recomeçar! Quantas vezes a unidade não é possível porque nos falta humildade para perdoar! Falta coragem para tratar o outro como se nada tivesse acontecido, sem recordar-lhe continuamente o que ele fez, sem jogar na cara suas misérias.

Há pontos da nossa história que são difíceis. Feridas que não acabamos de aceitar. Coloquemos tudo nas mãos de Deus e de Maria. Não se pode esquecer, mas é possível recomeçar.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

A avó Europa de Francisco


A avó Europa de Francisco


por Anselmo Borges 

no DN 06.12.2014

 

A Europa mítica é uma princesa de Tiro. Como que a lembrar que é a Eurásia, a Europa ecuménica, de fronteiras imprecisas. Zeus disfarçado de touro aproximou-se da bela princesa fenícia, deixando que o acariciasse e trepasse para o seu dorso. Entrou então pelo mar, dirigindo Eros o casal para Creta, onde fizeram amor. Foi a esta Europa, ao mesmo tempo divina e terrena, e agora em crise, envelhecida e sem confiança, que o Papa Francisco se dirigiu na semana passada com dois discursos: ao Parlamento Europeu e ao Conselho da Europa. 1. Francisco quis deixar "uma mensagem de esperança e de alento" a uma Europa que, num mundo cada vez mais global, é cada vez menos "eurocêntrica" e dá a impressão de "cansaço e envelhecimento", a ponto de "os grandes ideais que a inspiraram parecerem ter perdido força de atracção".

 

No centro do ambicioso projecto europeu tem de estar o homem, "não tanto como cidadão ou sujeito económico", mas como "pessoa dotada de uma dignidade transcendente". A promoção desta dignidade significa reconhecer que a pessoa possui "direitos inalienáveis". Mas o homem não é uma "mó- nada", é um ser em relação, de tal modo que direitos e deveres de cada um estão em conexão com os dos outros e com o bem comum.

Denunciou a "doença da solidão", que atinge velhos, pobres, imigrantes, jovens sem referências, advertindo que "o ser humano corre o risco de ser reduzido a uma mera engrenagem de um mecanismo que o trata como um simples bem de consumo para ser utilizado". Este equívoco surge quando prevalece "a absolutização da técnica", que acaba por causar "uma confusão entre os fins e os meios", e é o resultado da "cultura do descarte", do "consumismo exasperado", da "globalização da indiferença".

No famoso fresco de Rafael, que se encontra no Vaticano e representa a Escola de Atenas, no qual Platão aponta para o alto e Aristóteles estende a mão para diante e para o chão, vê "uma imagem que descreve bem a Europa na sua história, feita de um permanente encontro entre o céu e a terra, onde o céu indica a abertura ao transcendente, que desde sempre caracterizou o homem europeu, e a terra representa a sua capacidade prática e concreta de enfrentar as situações e os problemas".

Entre os problemas, lembrou a importância fundamental da família, "as numerosas injustiças e perseguições que sofrem as minorias religiosas e particularmente cristãs", "é hora de favorecer as políticas de emprego e voltar a dar-lhe dignidade", a questão migratória: "não se pode tolerar que o Mediterrâneo se torne um grande cemitério", a ecologia: devemos ser "guardiões" e "não donos" da natureza.

"Chegou a hora de construir juntos a Europa que não gire à volta da economia mas da sacralidade da pessoa humana, dos valores inalienáveis", que abrace com valentia o seu passado, com o seu "património cristão", e olhe "com confiança o futuro", vivendo "o presente com esperança", abandonando "a ideia de uma Europa atemorizada". Para promover "uma Europa protagonista, transmissora de ciência, arte, música, valores humanos e também de fé. A Europa que contempla o céu e persegue ideais, que caminha sobre a terra segura e firme, precioso ponto de referência para toda a humanidade".

 

2. 0 que Francisco pensa de verdade sobre a Europa disse-o, em Outubro, ao Conselho das Conferências Episcopais da Europa, ao abandonar o discurso oficial e falar ex corde.

"Que se passa hoje na Europa? Continua a ser a nossa mãe Europa ou é a avó Europa? É ainda fecunda? É estéril? Por outro lado, esta Europa cometeu algum pecado. Temos de dizê-lo com amor: não reconheceu uma das suas raízes." Por isso, já não se sente cristã "ou sente-se cristã um pouco às escondidas, mas não quer reconhecer esta raiz europeia".

A Europa "está a ser invadida". "Será a segunda invasão dos bárbaros, não sei. Agora, sente esta 'invasão' entre aspas, de gente que vem à procura de trabalho, liberdade e uma vida melhor."

"A Europa está ferida." E fala da crise e do desemprego, sobretudo dos jovens. "A Europa descartou as crianças. De modo um pouco triunfal. Recordo que quando era estudante num país as clínicas que faziam abortos depois mandavam o resultado para fábricas de cosméticos. A beleza da maquilhagem feita com o sangue dos inocentes."

A Europa está cheia de velhos. E "cansada de desorientação". "Eu não quero ser pessimista, mas digamos a verdade: depois da comida, da roupa e da saúde, quais são os gastos mais importantes? A cosmética e os animais de estimação. Não têm filhos, mas afecto ao gatinho, ao cãozinho. É este o segundo gasto depois dos três principais. O terceiro é toda a indústria para favorecer o prazer sexual. Os nossos jovens sentem isto, vêem isto, vivem isto."

Mas não é o fim, pois a Europa "tem muitos recursos para andar para diante. E o recurso maior é a pessoa de Jesus". No meio das feridas, esta é "a nossa missão: pregar Jesus Cristo, sem vergonha".

 

 

Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

Cinco perigos mortais da cultura de hoje

Cinco perigos mortais da cultura de hoje

A história julgará severamente a nossa civilização


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Eu acredito sinceramente que os católicos podem e devem abraçar o que existe de bom na cultura atual e servir-se dela de maneira construtiva para agir no mundo a fim de produzir nele um impacto positivo.

Mas a necessidade de "servir-se dela de maneira construtiva" não poderia ser mais urgente, assim como as consequências da falta de ação positiva no mundo atual não poderiam ser mais terríveis. Vários traços da nossa moderna sociedade ocidental serão julgados com severidade pela história, e, com visão imparcial, podemos identificá-los desde já. Cito cinco deles.

1. O abandono da família por parte dos homens

A família foi a maior invenção da história para trazer a paz, a estabilidade e a prosperidade aos seres humanos. Antes do surgimento do cristianismo, o modelo de pai e mãe fiéis um ao outro e aos filhos estava muito longe de ser o padrão. Foi o cristianismo que definiu o mais elevado conceito de família, e foi o conceito de família que nos permitiu garantir os direitos das crianças e das mulheres, além de embasar uma unidade estável e amorosa na qual a civilização pudesse desenvolver-se e florescer.

O desprezo pelo modelo de família tradicional é um fator de crucial importância no aumento da pobreza. As famílias tendem a ficar presas num círculo vicioso em que os homens abandonam suas responsabilidades e, agindo assim, “convencem” a próxima geração a seguir os mesmos passos. Quando os homens abandonam suas famílias, os filhos acabam recebendo menos educação e ficando mais expostos ao crime e à violência.

Será que a história vai nos marcar como a cultura que conseguiu extinguir a instituição da família?

2. O extermínio dos mais frágeis

"Toda sociedade será julgada com base no seu modo de tratar os membros mais fracos", declarou o papa João Paulo II, numa afirmação absolutamente certa. Ficamos horrorizados com os pecados das sociedades do passado: torturas, punições assustadoras e perseguições raciais. As culturas do passado eram muito mais brutais do que a nossa, desde que não levemos em conta o aborto.

E por quê? Os historiadores do futuro ficarão horrorizados ao documentar que a mesma civilização que conseguiu tantos avanços na compreensão e no tratamento da vida humana ainda no útero também matava um milhão de crianças não nascidas por ano.

Graças aos esforços incansáveis de católicos e de outros cristãos, temos trabalhado com perseverança para superar esta mancha em nossa evolução, mas ainda não conseguimos eliminá-la.

3. A epidemia de suicídios

Os índices de suicídio têm aumentado ao longo do século XXI. Hoje, o gesto de acabar com a própria vida é a terceira principal causa de morte de jovens nos Estados Unidos. Em 2012, ainda nos EUA, o suicídio ultrapassou os acidentes de carro como a principal causa de morte por lesão e se tornou também a principal causa de morte entre os militares da ativa.

Há muitas teorias sobre o porquê deste fenômeno. Uma delas aponta para o crescente isolamento social: é cada vez menos comum as pessoas terem um confidente ou um grupo regular de amigos ou vizinhos com quem possam contar. E a solidão leva ao desespero.

As palavras de São Pedro têm sido, há muito tempo, uma espécie de declaração de missão da apologética cristã: "Sabei dar razão da esperança que habita em vós". O mundo está precisando dessas razões mais do que nunca.

4. A sexualização infantil

Quanto mais as crianças usam as mídias modernas, mais elas são convencidas de que a sexualidade é a coisa mais importante que existe. As meninas, em especial, recebem esta mensagem desde muito jovens, através de peças de vestuário, bonecas e programas de televisão carregados de sensualidade, sem falar no conteúdo online disponível 24 horas por dia.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Imaculada Conceição: Disponibilidade de Maria desafia sociedade a «desinstalar-se», diz bispo

Imaculada Conceição: Disponibilidade de Maria desafia sociedade a «desinstalar-se», diz bispo

Agência Ecclesia
 
DR - D. Virgílio Antunes
DR - D. Virgílio Antunes

D. Virgílio Antunes criticou «passividade» diante das «situações gritantes de infelicidade e de injustiça»

Coimbra, 09 dez 2014 (Ecclesia) – O bispo de Coimbra considera a celebração da Imaculada Conceição de Nossa Senhora um “dogma” que deve “provocar a fé e a razão” e por outro lado, “a vida e o modo de estar nela”.
Durante a missa dedicada àquela festa litúrgica, esta segunda-feira na capela da Universidade de Coimbra, D. Virgílio Antunes frisou que é preciso “ir mais longe na missão de transformar a sociedade”, marcada por “situações gritantes de infelicidade e de injustiça”.
Dificuldades que poderão ser superadas em conjunto, se as pessoas conseguirem “desinstalar-se das suas comodidades interiores e existenciais, das suas passividades ao nível familiar, social, laboral e humano”.
“Esta solenidade diz-nos que é possível renovar e transformar a sociedade que somos, se estivermos disponíveis para mudar de metodologia e de atitude, inspirados no lema de Maria: Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra”, complementou.
Perante a comunidade estudantil de Coimbra, que tem a Imaculada Conceição como padroeira, o bispo de Coimbra frisou também a importância de continuar a indagar, na sociedade atual, “o lugar de Deus no conhecimento, na fé e na vida da humanidade”.
“Se há questões que é difícil anular, a fé em Deus é uma delas, e nós todos os anos temos a graça de a formular de muitas maneiras, incluindo nesta celebração”, salientou o prelado.
Para D. Virgílio Antunes, a escolha da Imaculada Conceição como patrona da universidade conimbricense é mais do que adequada, já que trata-se de “um dos dogmas que mais desafiam a inteligência, a razão e a fé”.
Neste prisma, alunos e investigadores devem sentir-se desafiados a “nunca desistir de procurar o conhecimento da verdade, numa perspetiva de abertura total a percorrer os caminhos para a encontrar”.
“A Humanidade tem sempre a possibilidade de se renovar e transformar, desde que se abra à verdade e não se canse de procurar ser livre diante de todas as propostas de escravidão que a cercam e que a prendem”, concluiu.
JCP