sábado, 2 de maio de 2015

Contra uma barbaridade, outra barbaridade!


Contra uma barbaridade, outra barbaridade!

 

   Uma criança, de 12 anos, animalescamente violada pelo padrasto: uma barbaridade!

   A mesma criança , barbaramente,  vai ser submetida a um aborto. Ou seja, um mal hediondo combate-se contra  com um acto ainda mais hediondo.

   Que sociedade é esta que age deste modo?

   Onde estamos e para onde vamos?

   Com ou sem autorização judicial, o mal é o mesmo : o aborto .

   A morte de um bebé, que , como sua mãe, não tem qualquer culpa de ter sido concebido nem aquela de ter sido violada, são um mal. São ambos muito maus. Péssimos. Mas não se apaga um mal praticando outro mal. E no meio disto tudo, o que pensa a criança-mãe a quem lhe vão MATAR o filho?

  Já lhe explicaram que o bebé, que não é um boneco, nem qualquer objecto ,uma criança que vão matar?

   Quem rodeia esta menina-mãe já lhe disse que há instituições que a podem e querem ajudar a  tratar, cuidar e  tomar conta do seu filho e a ela que também carece de grande apoio para superar esta enorme dificuldade, esta feroz agressão?

   Ou tem havido uma preocupação dominante e dominadora de eliminar o bebé que conscientemente querem matar?

   Este é mais um caso, um triste caso, de como o aborto e a lei que o promove tem de ser alterada, no respeito absoluto pelos mais indefesos, as crianças por nascer.

  Incomoda-me esta civilização , esta cultura da morte! A ligeireza com que se matam os indefesos, os desprotegidos.

    Revolta-me a pena de morte, em qualquer circunstância  que, como se sabe, não interrompe a vida, mas termina com ela de forma irreversível . Também a sua promoção como remédio para as injustiças e a falta de valores  que promovemos, acarinhamos e toleramos.

   Esta é uma situação clamorosa perante  a qual não posso silenciar – me. O meu silêncio seria conivente. E não quero dar a minha anuência, pelo meu silêncio , a este crime.

Carlos Aguiar Gomes

Casamento: homem ou mulher, quem manda em casa?

Casamento: homem ou mulher, quem manda em casa?


O forma como se lida com o poder dentro do casamento é uma tema controverso que pode gerar dificuldades entre os casais

O forma como se lida com o poder dentro do casamento é uma tema controverso que pode gerar dificuldades entre os casais

 
 
 
 
LaFamilia.info
01.05.2015
Uomo e donna© Pressmaster/SHUTTERSTOCK
A maneira como se lida com o poder dentro do casamento é controverso e pode causar dificuldades entre os casais.

Antigamente, os papéis estavam definidos: os maridos eram os provedores do lar, os "chefes de família", e as mulheres se ocupavam do lar e da educação dos filhos. Um não se intrometia no terreno do outro. Mas isso mudou: agora, ambos os cônjuges costumam trabalhar fora e, portanto, precisam compartilhar tarefas e dividir as responsabilidades, o que pode causar confusão na hora de lidar com a autoridade no lar.

Por isso, agora mais do que nunca, o trabalho conjunto, no qual o poder é repartido entre os cônjuges, é a melhor opção para obter o bem-estar de toda a família. Como conseguir isso? Apresentamos, a seguir, algumas recomendações.

Autoridade versus autoritarismo

Quando um dos cônjuges é o que manda, decide as coisas sem pedir opiniões e conselhos, determina o que se faz e como se faz, não leva em consideração os desejos, necessidades, sentimentos dos outros, o mais provável é que nesse lar se viva um ambiente tenso, frio e temeroso.

Em uma família saudável, deve existir uma relação complementar, na qual a tomada de decisões seja consensual e os acordos sejam comuns, de maneira que se escolha o que mais convém a todos.

Quando há abuso de poder, seja qual for o contexto, existirá uma relação de subordinação que não é conveniente. No casamento, como em muitos âmbitos, o trabalho em equipe é o que deve predominar. Os dois têm o dever – bem como o direito e a capacidade – de conduzir o lar e formar os filhos. A comunicação precisa ser profunda e o poder deve estar distribuído entre ambas as partes; do contrário, os conflitos surgirão rapidamente.

A divisão do poder

O poder e a autoridade não são elementos maléficos. O que é realmente ruim é quando não há uma boa distribuição deles, quando estão concentrados apenas em uma pessoa, quando não há consenso, mas imposição. Também se apresentam conflitos quando ambos os cônjuges querem mandar na mesma área, pois aí é quando se apresenta a luta por dominar.

O ideal, então, é a negociação, o debate com argumentos dentro de um ambiente de respeito e abertura de mente, no qual um escute o outro e, depois de avaliar os prós e contras, chegam juntos a uma decisão.

Mas, como fazer esta divisão do poder? Não é questão do sexo, mas das capacidades de cada um. Cada cônjuge tem habilidades que talvez o outro não possua; assim, busca-se uma complementariedade, que é a base da convivência harmônica.

Por isso, cada um precisa ser sincero diante do outro para aceitar suas limitações. Por exemplo, muitos casais perceberam que as mulheres costumam ser mais organizadas para administrar as finanças familiares – uma tarefa exercida tipicamente pelo homem. E isso pode acontecer em várias áreas.

Difícil, mas não impossível

Seria um engano dizer que dividir o poder é uma tarefa fácil. Será preciso ter muita humildade  e deixar de lado a atitude competidora, própria do mundo atual. A negociação é a única forma de impedir que se abuse do poder; portanto, o diálogo assertivo é a melhor ferramenta para conseguir isso.

Como explica Aquilino Polaino-Lorente, "homem e mulher são diferentes e, no entanto, iguais. O sentido destas diferenças se encontra precisamente na complementariedade, e não na competitividade. É por isso que precisam buscar entre eles a soma, não a subtração nem a divisão".

E acrescenta: "Não só isso, mas também conhecer o outro e conhecer-se melhor, de maneira que a distribuição de funções e papéis entre eles corresponda às suas respectivas habilidades e destrezas.

O objetivo: bem-estar da família

Vemos com frequência que, uma vez que a discussão começa, somos seres humanos que somos, vêm à tona o ego e a mal chamada dignidade. Levamos a briga até suas últimas consequências, com tal de ter razão.

Esta atitude nos torna cegos e nos faz perder o rumo. Quando isso acontecer, é preciso levar em consideração o que você realmente quer conseguir e para que quer isso. O mais provável é que sua resposta seja: "Quero o melhor para a minha família". Mas será que é dessa maneira que você vai conseguir isso? Lembre-se da importância do bem coletivo acima do bem individual.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

As 4 dimensões do amor humano

As 4 dimensões do amor humano


Somente a integração dessas 4 dimensões permite que o amor dure para sempre

Somente a integração dessas 4 dimensões permite que o amor dure para sempre

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amor© watcharaph
Para construir um casamento duradouro, para manter-se fiel e para ter a certeza de estar dando passos seguros na construção da felicidade, é preciso edificar sobre bases firmes as relações de namoro.

Um dos primeiros erros cometidos de maneira frequente é estabelecer relações sustentadas na simples química cerebral, essa que desperta em nós a atração pela outra pessoa e que, de maneira arriscada, nos faz chamar de “amor” o que ainda não o é.

O enamoramento como tal é apenas a infância do amor e precisa crescer até desaparecer, para ceder seu espaço à escolha livre e ao compromisso duradouro. Por isso, quero compartilhar nesta reflexão as 4 dimensões do amor humano:

1. Todo amor humano tem uma dimensão biológica. As sensações corpóreas, a química cerebral, a atração à primeira vista despertam no organismo, de maneira instintiva, uma forte atração sobre a outra pessoa, fazendo que, de maneira errônea, achemos que amamos quando simplesmente sentimos uma atração pela pessoa.

2. Todo amor humano tem uma dimensão afetiva. Ela se sobrepõe ao primeiro impulso corporal; a descoberta da outra pessoa em seus valores fundamentais nos fazem entender que já não se trata somente de atração física, mas que existem também valores espirituais que nos permitem envolver-nos emocional e afetivamente com ela. Assim, passa-se da atração ao enamoramento. É somente nesta segunda dimensão que o enamoramento surge. Tal enamoramento é simplesmente o desejo de apropriação daquilo de bom que vemos no outro, alimentado pelo desejo de possuí-lo fisicamente mediante a relação sexual.

3. Todo amor humano tem uma dimensão pessoal. Isso, claro, entendendo que somos pessoas, ou seja, seres integrais que não só estabelecem uma relação afetivo-corporal, mas também um vínculo no qual todos os valores humanos, espirituais, emocionais, econômicos e intelectuais nos fazem comprometer-nos com o outro. É só neste momento que surge o compromisso real e o desejo de permanência para sempre.

4. Todo amor humano tem uma dimensão transcendente. Isso significa que somos capazes de compreender que a relação em construção não tem como finalidade somente a entrega mútua e a procriação como fruto dessa entrega, mas que somos chamados juntos à santidade e à transcendência. Trata-se de um amor que não é só intramundano, mas que vai muito além deste mundo, porque tem suas raízes em Deus. Esta dimensão surge quando cada um possui uma relação com Deus séria, íntima e disciplinada.

Quando não se consegue superar as duas primeiras dimensões, então as pessoas ficam presas à dependência mútua e se tornam viciadas uma na outra, buscando simplesmente saciar suas próprias necessidades afetivas, sem conseguir ir além dos sentimentos expressados mediante a genitalidade.

Só a integração dessas 4 dimensões permite que o amor seja para sempre. Pelo contrário, sua desvinculação só traz como consequência a infidelidade, a criação de necessidades e de apropriação do outro, a exploração afetiva dos demais.

Nem na dimensão biológica nem na afetiva podem dar-se a escolha e o compromisso; é necessário ir à dimensão pessoal, à totalidade do que se é como pessoa, como humano, à vinculação da liberdade inteira, à superação do próprio egoísmo, ao despojamento das próprias necessidades afetivas e da exploração ou coisificação do outro, para começar a amar de verdade.

A última das dimensões acrescente um “plus” de sobrenaturalidade, que permite aos (futuros) esposos aprender a amar-se no Senhor.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

SEM JUSTIÇA NEM MISERICÓRDIA


SEM JUSTIÇA NEM MISERICÓRDIA

Frei Bento Domingues, O. P.

Público 26ABR2015

 

1. Lampedusa é um dos cemitérios onde são afogados os que procuram fugir da guerra, da violência, da fome e da própria morte. Foi por aí que o Papa Francisco começou as suas visitas pastorais e onde fez a homilia mais breve da sua vida: Que vergonha!

Quando se perde a vergonha, perde-se a decência e tornam-se vazios os apelos às convenções internacionais, à justiça, à misericórdia e a qualquer princípio. Dir-se-á que estou a simplificar questões complexas de ordem económica, social, cultural e política que envolvem as migrações. As máfias do tráfego humano dominam os seus percursos. É evidente que deixar afogar os pais e os filhos é muito mais simples.

A Europa não pode esquecer a sua parte de responsabilidade pelo que se passa no Medio Oriente. Os horrores da Palestina, do Iraque, da Síria, da Líbia, do Egipto, etc. obrigam as populações a pagar muito caro a morte no Mediterrâneo.  

Antes, porém, de repartir responsabilidades, importa perceber que precisamos de crescer numa solidariedade que permita a todos os povos tornarem-se artífices do seu destino, como já dizia Paulo VI em 1967. Em 1971, lembrou que os mais favorecidos deviam renunciar a alguns dos seus direitos, para poderem colocar, com mais liberalidade, os seus bens ao serviço dos outros.

Para o Papa Francisco, em 2013, a solidariedade é uma reacção espontânea de quem reconhece a função social da propriedade e o destino universal dos bens, como realidades anteriores à propriedade privada. A posse privada dos bens justifica-se para cuidar deles e aumentá-los, de modo a servirem melhor o bem comum. Por isso, a solidariedade deve ser vivida como a decisão de devolver aos pobres o que lhes corresponde. Animados pelos seus Pastores, os cristãos são chamados, em todo o lugar e circunstância, a ouvir o clamor dos pobres.

   Isto não basta, diz, Bergoglio: é preciso assegurar a educação, o acesso aos cuidados de saúde e, especialmente, ao trabalho. No trabalho livre, criativo, participativo e solidário, o ser humano exprime e engrandece a dignidade da sua vida[1].

2. O Papa anda a ser acusado de não ser um teólogo, mas, apenas, um pastor. É uma tentativa ridícula para dizer o quanto ele os incomoda. Neste Domingo, em que Jesus se chama a si próprio pastor – o bom Pastor - a acusação é o maior dos elogios. Vou, no entanto, deixar aqui, a base teológica das opções de Francisco.

“O pobre ocupa um lugar epistemológico central, isto é, o pobre constitui o lugar a partir do qual se procura pensar o conceito de Deus, de Cristo, da graça, da história, da missão das Igrejas, o sentido da economia, da política, o futuro das sociedades e do ser humano. Partindo da perspectiva do pobre, percebemos até que ponto são excludentes as actuais sociedades e em que medida as religiões e as Igrejas são arrastadas pelos interesses dos poderosos”[2].

Bergoglio pertence, sem dúvida, à “fecunda geração dos bispos latino-americanos que, a partir da década de sessenta do século passado, mudaram a face do cristianismo desse continente: antepuseram a ortopraxis à ortodoxia, a fidelidade ao povo à obediência ao Vaticano; optaram pela solidariedade com as maiorias populares empobrecidas face às alianças com os poderosos e fizeram seu o princípio-libertação frente ao princípio-resignação que, durante muito tempo, caracterizou o cristianismo da América Latina”[3].

Porque será que tantas pessoas, de tantos países - católicos ou não - se reconhecem, se solidarizam e se sentem interpeladas pelas atitudes e mensagens deste Papa, como se ele fosse o seu guia espiritual?

Talvez por ele não querer mandar em ninguém e denunciar aqueles que querem tornar a Igreja uma instituição de poder, de dominação das consciências, em vez de uma fraternidade de serviço, seja de quem for, mas, sobretudo, daqueles que sobram na sociedade.

3. A grande dificuldade que Jesus encontrou na relação com os seus discípulos pode exprimir-se de forma muito simples: andavam dominados pela ânsia do poder que criava rivalidades entre eles. Jesus foi obrigado a ser muito claro: entre vós quem quiser ser o primeiro coloque-se ao serviço de todos. O próprio Jesus sentiu-se desesperado com a persistência desta atitude, até mesmo depois da ressurreição (Act 1 6-9). Prometeu o Espírito Santo, Espírito de conversão permanente da Igreja, para que viva ao serviço de todos na oração, na fraternidade, na partilha dos bens. Este é o regime da Igreja quando não se atraiçoa a si própria.

A traição maior é a perda da consciência de que todos são Igreja, ao mesmo título. A Igreja é um Nós, de voluntários, sem proprietários.

No Domingo passado, a Ana Vicente entrou, para sempre, na alegria de Deus. Com a Maria João Sande Lemos trouxe para Portugal, em 1997, o Movimento Internacional Nós Somos Igreja. Tudo o que a Ana realizou em prol da condição feminina, dentro e fora da Igreja, exige uma atenção e uma abordagem que não cabem nestas linhas.

 

 

 

O futuro com quatro bombas


O futuro com quatro bombas

por ANSELMO BORGES
DN 25ABR2015

Haverá alguém que duvide de que vivemos num mundo, por um lado, exaltante, mas, por outro, sobretudo um mundo perigoso, ameaçador?
Numa conferência recente, o filósofo e teólogo Xabier Pikaza alertava para os perigos e as ameaças e enumerava as quatro bombas que pesam sobre a humanidade e o seu futuro.
Chamava a atenção, em primeiro lugar, para a possibilidade da guerra universal, com armamento nuclear: a bomba atómica. O Big Bang foi há 13 700 milhões de anos, e nós, Homo sapiens sapiens - acrescente-se sempre, e demens demens: homem sapiente sapiente e demente demente -, aparecemos recentemente, quando se considera todo o processo de 13 700 milhões: há uns 150 mil anos. Mas, se até aos meados do século passado, vivíamos ainda separados uns dos outros e, sobretudo, a capacidade de destruição era limitada, com a bomba atómica a humanidade pode destruir-se e acabar. O processo que permitiu o nosso aparecimento tem milhares de milhões de anos, mas agora temos a possibilidade de nos matar e destruir em poucos dias ou mesmo poucas horas. Podemos optar por uma morte global. Quem pode garantir, por exemplo, que grupos terroristas não venham a ter acesso ao armamento atómico?
No passada quarta-feira, deveríamos ter lembrado de modo especial a Terra. De facto, o dia 22 de Abril foi estabelecido pela Assembleia Geral da ONU como o Dia Internacional da Mãe Terra. A Terra é efectivamente nossa mãe. No processo da evolução da Terra e na Terra, aparecemos como fruto seu: somos natureza, embora natureza humana, significando isso que somos da Terra, servindo-nos dela, mas ao mesmo tempo sendo responsáveis por nós e por ela. Sabemos que está em perigo e, consequentemente, que nós estamos em perigo. Se não cuidarmos dela, ela expulsar-nos-á dela. Os perigos são iminentes: pense-se no aquecimento global, nos índices da poluição, na destruição da biodiversidade... O célebre biólogo Edward O. Wilson, autor do termo "biodiversidade", conhecendo bem as ameaças, escreveu: "A criação: salvemos a Terra". O conhecido geneticista Albert Jacquard acha que estamos a preparar "o suicídio colectivo". James Lovelock, autor da teoria de Gaia, isto é, da Terra como organismo vivo, alerta para o risco de nos finais deste século desaparecer grande parte da humanidade.
A produção de ciência e tecnologia é característica essencial da pessoa humana. Mas será que tudo o que é tecnicamente possível é moralmente bom? Há agora possibilidades até há pouco insuspeitadas de manipulação genética e, mediante cruzamentos de várias tecnologias que se aproveitam dos conhecimentos da genética e também das neurociências, da computação, da cibernética, de fabricar humanóides em série, uma espécie de híbridos humanos, "máquinas espirituais" com algum tipo de consciência. O que acontecerá então com essas novas entidades, controladas e ao serviço de poderes incontroláveis?
A quarta bomba não é a menos ameaçadora: "o cansaço vital". Até agora, apesar de todas as crises, continuámos, porque havia um estímulo, um prazer, a vida era sentida como um dom e uma aventura. Mas hoje muitos sentem que já não vale a pena existir, a vida é sentida mais como um risco, uma tragédia e um fardo do que como um dom e uma aventura que valem a pena. Por isso, negam-se a ter filhos, promovendo uma espécie de suicídio, pelo "cansaço de uma vida que parece sem fundamento nem futuro".
É na Europa que este cansaço parece mais sentido, sendo bem possível que a desafeição religiosa contribua para a vivência do vazio existencial e axiológico. Assim, o filósofo agnóstico Gilles Lipovetsky faz notar que a reactivação da crença hoje, com o reinvestimento em antigas e novas espiritualidades, se explica pela exigência de sentido englobante, de referências, de uma integração comunitária: "É o que o homem necessita para combater a angústia do caos, a incerteza e o vazio."
Neste sentido, quando a Europa parece envergonhar-se das suas raízes cristãs, foi para muitos uma saudável e bela surpresa a saudação de Páscoa do primeiro-ministro britânico, David Cameron, de que fica aí o essencial. "A Semana Santa é um tempo no qual os cristãos celebram, com a ressurreição de Jesus, o triunfo da Vida sobre a morte. Para todos os outros, é o momento de reflectirem sobre o papel que desempenha o cristianismo nas nossas vidas." O cristianismo é "uma forma de vida": quando há sofrimento, necessidades, a Igreja está presente. "Sei por experiência que, nos piores momentos da vida, a proximidade da Igreja é uma enorme consolação." Através de toda a Inglaterra, a Igreja pratica o amor; por isso, "deveríamos sentir orgulho em dizer: este é um país cristão". Acolhemos e abraçamos todas as religiões e quem não tem nenhuma, "mas somos um país cristão". Como tal, "temos o dever de erguer a voz e denunciar a perseguição dos cristãos no mundo". Devemos recordar e agir a favor de todos estes "cristãos valentes" que sofrem.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

DOUTORAMENTO DO DOUTOR MIGUEL MELO

DOUTORAMENTO DO DOUTOR MIGUEL MELO
 


 
 









José Miguel Lourenço Aviz Miranda de Melo, nascido a 10 de Agosto de 1976, frequentou a catequese aqui na Paróquia, onde habitam os seus pais e as aulas de Religião e Moral até ao 12ºano. É filho de José Miranda de Melo e de Maria Manuela Lourenço Miranda de Melo.
Esteve muito comprometido aqui na Paróquia. Entre os jovens era um bom líder e não falhava aos seus compromissos.
Era um dos melhores alunos na Escola, um jovem ponderado, gostando de levar tudo a sério e atento às programações, colaborando. Depois do 12ºAno com uma nota distinta ficando bem posicionado para a entrada em Medicina, seguindo as pisadas de seu pai.
Ficou na lista da entrada para a Universidade em 15º lugar do Curso de Medicina a nível nacional. Acabou o curso e tirou a especialidade de endocrinologia com 20 valores. Foi sempre muito procurado e participou a nível nacional e internacional em muitas acções para as quais foi convidado como orador e  a escrever artigos da especialidade em revistas nacionais e estrangeiras.
Entretanto, sempre se dedicou à investigação e defendeu agora a tese de doutoramento com o tema “cancro na tiroide” na sala dos Capelos da Universidade no dia 10 de Março do corrente ano, com distinção e louvor por unanimidade.
Com a sala cheia  e contra argumentações, serenamente, defendeu com provas a tese com tanto louvor. É um orgulho para quem foi seu professor e pároco, sem falar nos seus pais e família...
O Miguel vai continuar porque não é homem para se ficar de braços cruzados sobre aquilo em que acredita...


 
 

Gosto de ir à missa, mas não concordo com a doutrina católica ------O que fazer se eu não estou em sintonia com o Magistério da Igreja?


Gosto de ir à missa, mas não concordo com a doutrina católica

O que fazer se eu não estou em sintonia com o Magistério da Igreja?


 Public Domain


Um leitor perguntou:
 

Sempre frequentei a Igreja e seria muito difícil, para mim, renunciar à missa e a outras atividades da paróquia. Além disso, a minha esposa e eu procuramos passar esta mesma disposição para os nossos filhos. Só que, em muitas coisas, não me sinto em sintonia com a doutrina católica: em questões de moral, de teologia, sacramentos, organização hierárquica... Faço certo em continuar frequentando a Igreja ou seria mais coerente deixá-la, reconhecendo que estou fora da comunhão eclesial?



O padre italiano Athos Turchi, professor de filosofia, responde:

As divergências me parecem significativas, mas, sem saber especificamente quais são elas, não é fácil responder à sua pergunta. Uma coisa é você não concordar em comer peixe às sextas-feiras e outra é dizer que Deus não é trino. Se as divergências dizem respeito a questões fundamentais da fé, como parece o caso, é preciso, de fato, você questionar se ainda faz parte da religião que diz professar.

O problema, porém, não está colocado adequadamente, porque, em matéria de religião, a questão não é se você pode comungar com tudo ou com um pouco. Há uma questão prévia: o que é uma religião e o que ela pode lhe oferecer? O que você procura em uma religião e aonde quer chegar com ela? Se você deseja apenas pertencer a certo círculo político, social, cultural, então, obviamente, a religião não é o que você procura. Ela não pode lhe dar essas coisas porque as transcende, nem pode ser flexível e mutável ao sabor das preferências particulares precisamente porque ela não tem uma dimensão evolutiva e dialética, e sim salvífica.

Um exemplo: se a religião diz que somos salvos por viver honestamente, ela não pode mudar de ideia em dado momento e passar a dizer que somos salvos por roubar. Uma religião tão contraditória se desacreditaria e se destruiria sozinha.

Já se você estiver em busca de uma comunhão com Deus voltada à sua salvação eterna, e para isso estiver disposto a seguir uma doutrina de fé e uma prática de aperfeiçoamento, então deverá avaliar a religião que melhor lhe permite alcançar o que deseja, bem como, por consequência, o modo e o método que essa religião lhe propõe para obter aqueles bens eternos, normalmente resumidos no seu corpo doutrinal. O cristianismo propõe um caminho, um método, um conteúdo ou doutrina, um ensinamento e uma organização, chamada de Igreja, e toda essa proposta é derivada de Cristo. Esse credo atende às suas aspirações? Se você disser que deseja aderir ao cristianismo, não poderá viver como um budista; seria uma contradição tanto quanto se dizer vegetariano e continuar comendo carne.

Hoje temos a impressão de que cada um pode pinçar nas religiões os elementos que prefere e até criar uma religião própria, com doutrina e organização personalizada. A questão é, de novo, o que o crente espera da religião à qual decide aderir. Se, por exemplo, a fé cristã ensina que o caminho da santidade é o casamento indissolúvel, mas o crente não está convencido disto, ele é perfeitamente livre para participar de outra religião que pregue algo diferente. Mas atenção: a religião que nega a indissolubilidade do matrimônio deverá negá-la sempre, porque, assim como a cristã, ela deve ser coerente com aquilo que prega. Aliás, a maior parte das outras religiões é muito mais rigorosa do que o cristianismo. Nelas, a salvação vem do cumprimento de leis e regras, enquanto o cristianismo abre espaços para a caridade e para relevar a ignorância, coisa que, em outras religiões, não ocorre. É o caso da blasfêmia: no cristianismo ela é quase uma constante, ao passo que, no islã, para citar um exemplo, talvez ela seja tolerada uma vez ou duas, mas, depois disso, pode ensejar uma condenação à decapitação. Isso quer dizer que, nas religiões, o conteúdo de salvação e de doutrina não pode ser alterado, exceto para ser reafirmado com ainda mais clareza conforme a época em que se está vivendo.

O problema exposto, caro leitor, deverá ser resolvido por você mesmo, que precisa encarar estas perguntas: o que você procura na religião e o que espera da religião cristã? Ela pode lhe dar o que você quer? Você aceita o seu conteúdo, formas, métodos e realizações? Se você só quer pertencer a uma "cultura" cristã, parece claro que não está interessado prioritariamente na salvação, e sim no "pensamento" cristão ou em algumas partes dele. Acontece que isto, obviamente, não é o cristianismo. Já se o seu desejo é a vida eterna mediante o seguimento do exemplo traçado por Cristo, então essas divergências não cabem, pois indicam que você não compreendeu a religião à qual aparentemente pertence e da qual espera a eternidade.

Em suma, o ponto a ser observado é que uma religião não é uma teoria política, nem um movimento social, nem uma organização civil; uma religião é uma prática salvífica voltada a bens eternos que transcendem o mundo e a história. Estes bens, ou a religião atinge ou não atinge. Se ela os atinge, então o caminho a ser seguido é único e sempre o mesmo, porque se a eternidade pudesse ser atingida tanto pelo amor quanto pelo ódio, a religião seria uma farsa.

Quanto aos sete sacramentos, eles são os instrumentos que Deus mesmo nos oferece para a comunhão com Ele: seria insensato achar que não há problema algum em não ser batizado, em pecar, em odiar, em matar, em manter qualquer tipo de relacionamento na hora e do jeito que se quiser. A religião ou tem um significado expresso na sua doutrina ou não tem sentido algum.

O leitor analise, então, o que deseja na vida e considere se a religião cristã pode oferecê-lo. Depois, decida se quer segui-la ou não. Toda a questão se resume nas palavras de Jesus: “Dai a Deus o que é Deus”.  
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