segunda-feira, 29 de junho de 2015

Violência


Violência

Manuel de Oliveira Martins
 
Todos os dias somos confrontados nos meios de comunicação com notícias de violência desmedida e injustificada, com origem, muitas vezes, em razões fúteis, que degeneram em agressão e/ou em morte.

Este surto de violência tem vindo a aumentar nos últimos tempos, é preocupante e merece das autoridades uma atenção redobrada e um inquérito às causas que estão na sua origem.

Sempre ouvi dizer que se deve ex-terminar o mal pela raiz, expressão com a qual concordo plenamente. Não se deve negligenciar os princípios básicos que regem a sociedade, sob pena de se perder o controlo dessa mesma sociedade.

A educação está na base de tudo o que se é na vida. Nela reside a essência da sociedade que construímos. A educação não suporta negligência e tolerância, antes pelo contrário, exige disciplina e rigor, que é muito diferente de prepotência e brutalidade.

É no «berço» que se criam e perpetuam para a vida os bons hábitos, que a escola deve complementar, e corrigir nos casos desviantes de conduta atípica motivados pela falta de carinho, atenção e amor, que não foram ministrados no «berço».

Os casos de violência que têm vindo a lume revelam que a sociedade está enferma e precisa urgentemente de ser tratada dos males que padece.

A polícia, entidade do Estado de direito, tem como missão principal garantir a segurança de pessoas e bens.

Não querendo fazer julgamentos prévios ao oficial de polícia que foi protagonista dos inqualificáveis incidentes ocorridos no dia 17 de maio, no final do jogo entre o Guimarães e o Benfica (penúltimo jogo da 1- Liga de futebol) que terminou com um empate a zero, nem tão-pouco classificar a instituição de Polícia por este ato tresloucado de um dos seus agentes, não posso deixar de mais uma vez apelar ao legislador para rever as regras de admissão e progressão dos agentes de autoridade, submetendo-os a exames psicotécnicos imprescindíveis para o exercício da profissão que envolve o contacto com seres humanos possuidores dos mais díspares caracteres e personalidades.

Os órgãos de comunicação social, céleres em dar a notícia em primeira mão para captar audiências, também precisam de aprender e ponderar, quando e como, devem dar a notícia para evitar o despoletar de situações como as que se viveram no Marquês de Pombal. E preciso ter consciência do acendimento do rastilho, para evitar situações desagradáveis como aquelas que se viveram na noite dos festejos do título na zona do Marquês de Pombal, que podiam ter sido muito mais graves.

Outro caso que se prende com a violência e que merece também muita atenção da parte do legislador, é o caso do sargento com baixa psiquiátrica, que possuía um arsenal de 30 armas, das quais 29 estavam legalizadas; a única que não estava foi a que originou o crime que vitimou o gerente da pastelaria de Benfica. Um militar perfeitamente identificado e com cadastro, com baixa psiquiátrica, não pode andar à solta nem ter acesso a uma arma, muito menos a 30.

Somos aquilo que criamos, para o bem ou para o mal. Não basta ter pão, é preciso ter educação, ferramenta primordial em toda a estrutura do ser humano enquanto membro de uma sociedade sadia e culturalmente evoluída.


A aurora do Lima – 18 de Junho de 2015

O primeiro filho


O primeiro filho
Sidónio Ferreira Crespo

 A parturiente, que fora internada no hospital da cidade onde vivia, acabou de deixar a sala de partos, após o nascimento de uma criança robusta e perfeita, que passou a alegrar todo aquele ambiente maternal. Mas a jovem mãe não conseguiu recompôr-se, naquele momento, o mais sublime de toda a sua vida, o de ver nascer o filho amado, desejado e esperado. Como reforço de apoio foi acompanhada pelo homem mais especial do mundo, que naquela altura era o seu entendimento, e que tinha escolhido para dividir tudo, inclusive, ou principalmente, aquela ocasião enorme, gigantesca, incontida, no palpitar de todas estas emoções.

Meio perdida, aliás, neste instante completamente, regressa ao quarto da maternidade, deixando o seu que há pouco tempo era parte do seu corpo, agora, aos cuidados médicos e de enfermagem, para o obrigar a respirar e a experimentar os seus primeiros momentos secos. A anestesia injectada através da milagrosa agulha, vai deixando a epidural de fazer efeito e a lucidez absoluta começa, então, a aparecer, a pouco e pouco.

Eis que chega, depois, a criança recém nascida. Rostinho redondo, toda flácida, rosada, num sossego que quase sufoca das ondas do amor que levanta dentro da gente. A chata da enfermeira pergunta se urinou e, quando finalmente, ouve a resposta afirmativa, acrescenta — e defecou? —. Bolas! Não são horas de falar nessas coisas, mas nos cuidados, futuros, do bebé.

É hora, também, de regularizar outras situações relacionadas com a higiene da mulher e daquele que há pouco era nascituro. — Venha tomar um banho. — Convida a danada da enfermeira.

A pessoa, enquanto tenta calcular todas as possibilidades de fuga viáveis, responde, automaticamente, após o parto, as sensações vividas são as mais estranhas. Parece que tudo está solto por dentro do corpo, sem caber, sem poder segurar-se. Pensar que, no primeiro passo a dar se iria tropeçar, de certeza, através da mente, no útero ou na bexiga, tudo vencido pela gravidade, toma-se um prodígio. O pensamento gravita no espaço físico que nos envolve, dando a impressão que não deve ser muito diferente do que andar no planeta lua.

O que não se poderia imaginar revelou-se, então, quando a enfermeira pediu para ser tirada a bata do hospital. Nos momentos seguintes, as cenas vividas deveriam estar censuradas para menores e, principalmente, para puérperas. A barriga, a barriguinha, da qual tanto se cuida virou uma... uma coisa completamente diferente do que era antes. Lamenta-se! Mas num jeito bastante ameno aceita-se, face ao prazer de ser mãe.

A enfermeira aconselha a usar cinta, a fim de dar início ao esforço, para arrumação interna, do organismo da pessoa. Nada está perdido. Tudo se conjuga. Vem a caminho a troca de fralda, o bálsamo, as gotas para as dores intestinais, a compensação do momento, a certeza de que tudo está no lugar adequado, na hora exacta, na conjugação com a mãe, o pai, restante família e aquela bênçãozinha toda acautelada. Meu Deus! Tudo gira em volta daquela criança e nem se dá conta de que tudo isso é o primeiro dia, ou na verdade, as primeiras horas, orientado pela enfermeira que dá, sempre, uma mãozinha.

Há mulheres e mulheres! Aquelas que não querem ter filhos por opção própria. Aquelas que queriam ter filhos, mas a medicina ainda não debelara as causas impeditivas. Aquelas que gostavam, porventura, de ter filhos, mas por variadas razões, tanto próprias, como conjunturais, ladeiam o problema do parto. E há as que a ocasião materna é tudo para elas. Criar um ser, dentro delas, preso por um cordão umbilical, durante cerca de nove meses e sentir, com o tempo, essa nova pessoa a criar forma e a dar sinais de vivacidade, torna-se fenomenal, além de se transformar num dos maiores dons da natureza. 0 Projecto procriar, à primeira vista, é muito assustador. Surge a responsabilidade, na vida, de ter que administrar, pela primeira vez, algo que não pode, jamais, dar errado. Não se pode acabar, cancelar, adiar, deixar para o outro dia, protelar, prorrogar, delegar, fugir, a correr, para o meio da rua... É necessário encarar!

O primeiro dia em casa, após a maternidade, torna-se uma loucura. Falta a prática, sobra a manga da camisa para uns bracinhos tão miudinhos, sem falar nos intermináveis choros e nos "cocós” em jacto. E o banho? Loucura colocar na banheira uma coisinha de tão pequena dimensão e friorenta. Muitas fraldas. As cólicas prosseguem. Depois, tudo se acalma. A rotina torna-se agradável...

Uma vez em casa, por norma, tudo fica a cargo da mãe, que atende o bebé, além do não menos trabalhoso puerpério. Nesse período, segundo dizem os peritos do foro da obstetrícia, tecnicamente compreendido entre os doze meses que separam o parto da vida normal, as primeiras semanas são maçadoras. O peito incha, dói, seca, dói de novo, depois racha, a cinta aperta, a barriga cai toda a vez que se vai tomar banho, mas o marido e os pais, dos dois lados, agora avós, tentam controlar todas estas crises que afectam o normal funcionamento familiar. Se os réditos, porventura, não escasseiam, pensa-se consultar o cirurgião plástico, a fim de reparar todas aquelas sequelas, através do silencioso bisturi, sem tão-pouco esquecer as estrias corporais, que só com cremes e massagens ficam apenas disfarçadas. E ninguém dorme dentro de casa... porque o redentor pequerrucho acorda, a cada instante, na sequência dos eventuais ataques de choro.

O tempo passa... As feridas cicatrizam, a barriga volta ao normal, pelo menos ao que se pode considerar normal, dali para a frente, e os hormónios estabilizam. Nota-se o desdobrar das unhinhas das crianças, as fraldas vão sujando menos, o umbigo cai, os sonos equilibram-se e tudo, então, se vai ajustando. Chegará o dia em que a mãe e o pai conseguem acertar, novamente, a metarmofose do viver.

É uma delícia presenciar o rebento a crescer... Observar os primeiros sorrisos, a ida às vacinas, as iniciais tentativas de segurar as coisas, o jeito que vai tomando, que cada dia se torna mais apaixonante. Mas, quando se está no auge do idílio, acaba-se a licença de maternidade. Que aborrecimento! Um novo cordão de vida se parte. Uma ruptura mais doída, é verdade, mas tudo terá de ser adaptado, atenta a lei natural que rege as coisas.

É nos doze primeiros meses de vida que a criança alcança a sua maior taxa de crescimento. O normal é dobrar de tamanho e de peso. Sem falar, tão-pouco, no que tem de aprender a sentar-se, a andar, a expressar as vontades, a comer, a brincar, a rir e a falar. Vieram os primeiros passos, as primeiras quedas e, logo em seguida, um tombo enorme, que se espera ser o único, mas que nunca bate certo. Para maior complicação surge, ainda, a esquisita comichão numa boca tão pequenina, devido ao nascimento dos primeiros dentes.

Engraçado! Como o bebé se desenvolve rápido. Aliás, de repente. Não é que se pariu hoje e nem se sente o tempo passar, até se perceber que virou a um sujeitinho voluntarioso e falante. Tudo acontece aos saltos! Num dia mal se sustentam sentados e passado pouco tempo estão engatinhando. Os primeiros anos de vida são um mundo cheio de descobertas, para o bebé, e surpresas, para os pais.

A gente fica parva cada vez que uma nova habilidade é adquirida, por mais que se tenha vivido tudo, ali, sempre de perto. Aparece o abraço mais apertado e querido do mundo, quando ele, ou ela, numa alegria cintilante, mostrando uma carinha cheia de felicidade, afirma, de forma peremptória, sem reservas íntimas, mais ainda com a voz oscilante, que ama os pais.

Nota: Este conto, por vontade do autor, não segue as normas do novo acordo ortográfico.

A aurora do Lima – 18 de Junho de 2015

Até as prostitutas vos precederão no Reino de Deus


Até as prostitutas vos precederão no Reino de Deus

Manuel José Ribeiro

Última crónica tinha como título "As mulheres e as religiões" e, sobre esse tema, relatava as pesquisas que tive de fazer para provar a seriedade do seu conteúdo. O título da presente crónica também não é invenção minha. Fui buscá-lo a uma sentença de Jesus Cristo, a que retirei a palavra "publicano” e acrescentei, para dar mais força expressiva, a palavra "até". Quem quiser ter uma noção das circunstâncias dessa frase poderá consultar o Evangelho de Mateus no capítulo 21, 23-32. A sentença textual de Jesus é esta: "Em verdade vos digo: os publicanos e as prostitutas preceder-vos-ão no Reino de Deus". Se tivermos em conta a quem Jesus dirigiu estas palavras fortes, poderemos concluir muita coisa. Estas palavras foram dirigidas aos Príncipes dos Sacerdotes, à poderosa e interesseira classe sacerdotal do Templo de Jerusalém, quando encontraram Jesus a ensinar e, de imediato, aqueles lhe perguntaram com que direito Jesus ensinava e quem lhe tinha dado a autoridade para isso! Se da palavra prostituta (ou meretriz ou puta] ninguém tem dúvidas quanto ao seu significado e à baixíssima posição social que "a mais antiga profissão do mundo" sempre ocupou, resta-me acrescentar que os publicanos eram odiados (isso mesmo, odiados) pelo povo de Israel, pois eles, além de cobradores de impostos para os Reis e para os Imperadores Romanos, também retiravam largas somas de dinheiro para si próprios. Umas e outros, já se vê, eram fortemente desconsiderados.

Portanto, se para Jesus até as mulheres mais desacreditadas socialmente — as meretrizes — eram mais dignas do que a classe sacerdotal do seu tempo (intelectualmente autoconvencida, soberba, poderosa, ciosa dos seus privilégios, gananciosa), qual seria a consideração de Jesus Cristo pelo comum das mulheres, das esposas e mães, que eram maltratadas quer pela Lei de Moisés e, claro, pelo poder patriarcal e machista dos homens do seu tempo? Obviamente: Jesus tinha pelas mulheres a mais elevada consideração!

E, de imediato, ocorre-me a pergunta (a mim e, muito provavelmente, aos leitores que me seguem). E tem justificação plausível o tratamento discriminatório (no mínimo) que a "classe sacerdotal" do cristianismo, a partir das imperiais cidades de Roma e Constantinopla, deu às piedosas mulheres cristãs? Nenhuma justificação. Jesus foi uma pessoa fora do comum, de elevadíssima inteligência e, realmente, de uma infinita bondade. Mas não deixou códigos alguns e muito menos manuais de doutrina ou de comportamentos de qualquer espécie, designadamente sobre matéria sexual, e fez tudo para banir os preconceitos do seu tempo. O único mandamento foi o do Amor (amai-vos os aos outros como eu vos amei) e a única oração foi a do "Pai-nosso que estais no Céu". No dia em que escrevo esta crónica (o Domingo do Corpo de Deus), é indubitável a posição de Jesus em relação a toda a humanidade e, claro, às mulheres. Trata-se do episódio da Última Ceia (instituição da Eucaristia), nas vésperas das celebrações pascais judias:" Isto é o meu corpo, o sangue da Aliança, que é derramado por toldos" (Marcos, 14, 22-24)

Os próprios evangelhos canónicos (aqueles que são usados e autorizados pelas Igrejas Cristãs) narram vários episódios e transcrevem muitas palavras de Jesus que desmentem categoricamente esse comportamento discriminatório em relação às mulheres, tratamento esse que foi norma e prática da hierarquia religiosa (masculina) até aos nossos tempos. Se a esses episódios dos evangelhos canónicos juntarmos outros que vêm referidos nos chamados evangelhos apócrifos (secretos, escondidos), torna-se claríssimo que, nessa matéria, a doutrina (o dever ser) das Igrejas Cristãs (de uma parte delas, designadamente o Catolicismo) não é coerente com os ensinamentos de Jesus. Mas salvo melhor opinião.

Julga-se que é o momento de mudar algo (ou muito) sobre o papel das Mulheres na orgânica da Igreja. Há que pôr fim à demonização da mulher e trazê-la para o seio da comunidade cristã sem horrendos preconceitos e ultrapassadíssimas cautelas. O clero masculino (todo ele) só teria vantagens nessa aproximação natural, às claras. Os crentes católicos esperam que o Papa Francisco, depois do Sínodo dos Bispos sobre a Família, se vai concentrar no arejamento da orgânica clerical, exclusivamente machista ainda nos tempos actuais, e, portanto, parcialmente representativa da Humanidade: "O sangue da aliança foi derramado por TODOS", ensinou Jesus.

(NOTA: a maior parte das edições dos Evangelhos, que consultei sobre o episódio da Última Ceia, refere, para minha surpresa (embora não total, mas, mesmo assim, perturbadora), as expressões "sangue derramado por muitos homens" (Mateus), ou "derramado por muitos" (Marcos), ou "sangue derramado por vós" (só os discípulos?), em Lucas. Em que ficamos? Num tempo em que as informações correm mais velozes e todo o mundo tem acesso às mesmas, torna-se imperioso que alguém explique estas estranhíssimas incongruências).

(Bibliografia base: os Evangelhos e o livro "Jesus e as Mulheres”, de Françoise Gange, Editora Vozes, de Petrópolis, Brasil)

(manuelribeirojor@gmail.com)

A aurora do Lima – 18 de Junho de 2015

domingo, 28 de junho de 2015

Dar Alma à Vida XLIV


Dar Alma à Vida XLIV

 

Envolver-me no mundo com alegria e com coragem para darmos as mãos para atingir o mesmo objectivo, é dar Alma à Vida.

Deus é Deus, é o que é, nunca foi, nunca será, é um eterno presente ser (é).

Deus é Vida que envolve a vida de todos e dar Alma à Vida é fazer com que a Vida se envolva nas dimensões de horizontalidade e na Verticalidade.

Dar Alma à Vida é fazer com que respeitar e amar o outro, como se diz, não faças aos outros o que não gostarias que te fizessem a ti.

Esta é de facto uma máxima para que a Vida tenha mais Alma, e esta faça da Humanidade uma Comunidade de paz e de Amor.

Dar Alma à Vida é envolver-me na Vida de Deus, Deus que é Amor.


Amar com a medida de Deus demonstrada no seu Filho Jesus, é dar Alma às coisas que fazemos.

Não se dá Alma à Vida quando se magoa alguém, quando se atropela a inocência de uma criança, ou se violenta moral ou materialmente um deficiente, um idoso, um indefeso, ou outro qualquer ser humano.

Não se dá Alma à Vida quando não se faz nada pela natureza obra de Deus. Quando não se defende o ambiente…às vezes, em vez de lhe dar a beleza que lhe Deus lhe deu para nosso bem, a tirarmos.


 
Não damos Alma à Vida quando destruímos tudo quanto Deus fez e se é racista no sentido lato, destrói aquilo quanto Deus nos deu para o equilíbrio do ambiente, da natureza.

Dar Alma à Vida XLIII


Dar Alma à Vida XLIII

  


Envolver-me no mundo com alegria e com coragem para darmos as mãos para atingir o mesmo objectivo, é dar Alma à Vida.

Deus é Deus, é o que é, nunca foi, nunca será, é um presente ser (é).

 
Deus é Vida que envolve a vida de todos e dar Alma à Vida é fazer com que a Vida se envolva nas dimensões de horizontalidade e na Verticalidade.

Dar Alma à Vida é fazer com que respeitar e amar o outro, como se diz, não faças aos outros o que não gostarias que te fizessem a ti.

Esta é de facto uma máxima para que a Vida tenha mais Alma, e esta faça da Humanidade uma Comunidade de paz e de Amor.

Dar Alma à Vida é envolver-me na Vida de Deus, Deus que é Amor.

Amar com a medida de Deus demonstrada no seu Filho Jesus, é dar Alma às coisas que fazemos.

Não se dá Alma à Vida quando se magoa alguém, quando se atropela a inocência de uma criança, ou se violenta moral ou materialmente um deficiente, um idoso, um indefeso, ou outro qualquer ser humano.

Não se dá Alma à Vida quando não se faz nada pela natureza obra de Deus. Quando não se defende o ambiente e em vez de lhe dar a beleza que lhe Deus lhe deu a tirarmos.

Não damos Alma à Vida quando destruímos tudo quanto Deus fez e se é racista, destrói aquilo quanto Deus nos deu para o equilíbrio do ambiente, da natureza ou das coisas vivas.

Dar Alma à Vida XLII


Dar Alma à Vida XLII

 

É fazer das nossas relações sociais entre uns e outros, relações algo de mais transcendental, ainda que pareça difícil.

Dar Alma à Vida é preciso vivê-la com o que é transcendental para mim. É a minha opinião; seja a transcendência que for.

 
Dar Alma à Vida ainda que tenha cariz laico como dizer “Nosso Senhor nos valha” de quem não tem fé, é tão importante como dizer que a nossa vida esteja ligada a algo absoluto e por isso muitas vezes ouvimos palavras como “Graças a Deus”, “Até amanhã, se Deus quiser”, “Deus nos dê boa viagem”, “Com saúde e a graça de Deus já não se é pobre”, “Deus nos dê boa noite”. Em Goa, no seu dialecto, está no Bom dia (Deus te dê um bom dia), Boa tarde (Deus te dê boa tarde), Boa noite (Deus te dê boa noite), quando se dá bom dia, boa tarde e boa noite. Esta marca que ficou no seu dialecto verifica-se que desde o Oriente ao Ocidente ninguém nos pode retirar raízes cristãs. Elas vêm ao de cima e a Vida vivida assim até tem mais Alma.

 
Dar Alma à Vida é reconhecer que Deus Pai não nos abandona nas adversidades, Deus Pai não deixa o homem só, à deriva, como Sua Mãe, Mãe do Céu, junto à Cruz de seu Filho, agora no Céu, interceda por nós e dá-nos força e coragem para seguir em frente.

Dar Alma à Vida XLI


Dar Alma à Vida XLI

 

É preocupar-me com quem precisa porque Deus nunca deixa o homem sozinho, perdido no tempo e no espaço.

Dar Alma à Vida é cuidar com Amor de Pai aquele que se encontra ao meu lado e Deus está com ele a fazer uma caminhada de esperança na salvação…

Dar Alma à Vida é dar com o outro um passo em frente na Vida. É levar a Vida com maiúscula àquele que a vive com minúscula. Vidas há muitas, mas vidas com Alma há menos!...

Dar Alma à Vida é respeitar a natureza como um dom de Deus que se quer perfeito e estável para o mundo. É abandonarmo-nos na mão de Deus com humildade e com confiança fazendo tudo o que nos cabe a nós para que a nossa Vida seja vivida com Alma.


Dar Alma à Vida é olhar para o nosso Deus e não o ver tão distante, mas muito próximo e nada indiferente às nossas fragilidades e adversidades que o mundo nos traz.

Dar Alma à Vida é ter a Alma do Apóstolo Paulo que não tendo visto Jesus, descobriu-o numa nova forma de ver, descobriu numa Luz que não se apaga mais e com ela quer fazer felizes os outros.

Dar Alma à Vida é crer no mistério, rasgar as trevas da noite porque nas tempestades da Vida, como nas vitórias há sempre Alguém que acalenta, dá força e coragem.

Dar Alma à Vida é viver a Vida com Luz, Alegria e Esperança em Jesus e Maria, em que pomos toda a nossa confiança.