sábado, 11 de julho de 2015

Dar Alma à Vida L


Dar Alma à Vida L

 

É ser profeta na sua terra e fora.

Nunca se é bom profeta na sua terra, até Jesus Cristo o experimentou. “Então não é Ele o Filho do Carpinteiro? De onde lhe vem tão grande autoridade?!...

Ser profeta é dar Alma à Vida e há os que são contra a Vida, com letra maiúscula.

É sempre o Diabo, as forças do mal que se metem onde quer gerar confusão, maldade, ódio e morte.

É por isso que o profeta tem um caminho marcado pela perseguição, rejeição, incompreensão, rejeitado pela autoridade civil e religiosa. Aconteceu com Jesus; pior será connosco…

 
A dor da rejeição é dor sem medida para o corpo e para a alma.

Como é difícil dar Alma à Vida se a dor pode ser malevolamente muito forte. Mas é a sorte do profeta, como foi a de Cristo, mas S. Paulo diz-nos que é na nossa fraqueza em que o poder de Deus se manifesta, é nesse poder que rasga as trevas das insídias do ódio e da morte e chega ao mistério de Deus.

É por isso que só é profeta quem é chamado a esta missão; é a voz que chama e o profeta responde sim porque entendeu ser a voz de Deus. É uma missão.

Dar Alma à Vida é ser profeta, mesmo na terra onde é rejeitado, porque esta voz é dirigida a uma pessoa em concreto. E esta voz não é minha, nem tua… Ela vem do Alto.

 
Não serei eu, pobre e miserável homem da terra, fraco e mortal, segundo S. Paulo. Mas, é Cristo que vive em mim e é a Alma que eu dou à Vida.

Dar Alma à Vida é ser este homem a quem Deus chama pelo nome para que transmita a verdade e denuncie a mentira.

Dar Vida à Alma é ser enviado aos rebeldes a anunciar as profecias daquele que me envia. S. Paulo também foi atrás dos gentios…

É levar a mensagem daquele que nos enviou pelo baptismo que, por diversas vezes, fomos fazendo opções na vida!...

É esse Senhor Absoluto, transcendente que nos chama à missão a quem obedecemos, nunca esquecendo que a cruz é sempre pesada, e, muitas vezes, tornada mais pesada pelos que andam connosco e comem, connosco, à mesa.

Esses são os que mais fazem sofrer os profetas do nosso tempo, como já aconteceu com o Mestre.

Dar Alma à Vida é estar atento aos planos de Deus e não aos nossos ou, dos nossos inimigos, dos diabos que nos abrem caminhos diferentes e díspares, fáceis,  e de prazer imediato!...                                                         Foggia -  Padre Artur Coutinho

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Dar Alma à Vida IXL

Dar Alma à Vida IXL

 

Dar Alma à Vida é cuidar do que o outro precisa, na sua esperança, é dar de comer a quem tem fome e de beber a quem tem sede, vestir os nus, dar pousada aos peregrinos, visitar os presos e enterrar os mortos.

Dar Alma à Vida é dar bons conselhos, ensinar os que erram, consolar os tristes, visitar os doentes e os presos.

 

Dar Alma à Vida é cuidar do pobre, onde mora Jesus, dar vida ao inimigo e ao amigo que me traiu.

Dar Alma à Vida é ultrapassar as adversidades sem vacilações, pôr termo à guerra, às divisões; é levar a paz, a harmonia e a justiça, onde falta.

Dar Alma à Vida é ser forte para amar ao jeito de Jesus Cristo que os “insultos daqueles que Te insultavam caíram sobre mim”, diz S. Paulo aos Romanos.

Dar Alma à Vida é portanto saber suportar as fraquezas dos mais débeis dos irmãos e não procurar a sua própria satisfação.

Assim Cristo não procurou o que Lhe era agradável.

Dar Alma à Vida sem vacilar, eis a questão para que a nossa Vida seja uma Vida com Alma.
                                                                                                           Barlleta- Artur Coutinho

Dar Alma à Vida XLVIII

Dar Alma à Vida XLVIII

  


Dar Alma à Vida é fazer o belo silêncio que segundo um autor de renome que não recordo o seu nome “O Homem que cala é mais belo que o Homem que fala. De facto também se diz em português: “Quem muito fala, muito erra.” E mais vale dizer “pauca multis” do que “multa paucis”, do latim. Falar pouco e dizer muito do que falar muito e não dizer nada.

Também Gandhi dizia que “O muito falar afasta-nos de Deus; o nosso dinâmico calar atrai Deus a nós.”.

E só compreende isto quem se integra em Deus porque sabe o que Deus é pelo menos o que tem e, como um mistério, e integra-se n’Ele pelo Dom da Fé.

Dar Alma à Vida não é dar-lhe sabedoria, também, mas aquele que não tem conhecimento ou formação teológica também tem de dar Alma à Vida, conhecendo-se a si mesmo; o ignorante, por ser ignorante, nem por isso pode deixar de dar Alma à Vida para viver uma Vida Feliz.

Ser Feliz é dar Alma à Vida fazendo do trabalho um tempo ganho em oração e nunca perdido porque se trabalha. Então o homem não pode, nem deve fazer do trabalho e do repouso um tempo para Deus?

Dar Alma à Vida é ter presente que nenhum tempo é perdido àquele que o consagramos ao trabalho, diz Emerson.

Dar Alma à Vida não é preciso estar sempre de mãos erguidas a rezar. A regra de S. Bento é claro que é necessário rezar e trabalhar ou trabalhar e rezar. “Ora et Labore” (Reza e trabalha), este é o lema beneditino.

 
Dar Alma à Vida é saber ser moderado quando se repreende alguém. É fácil castigar com severidade do que com a máxima: “Não faças aos outros o que não queres que façam a ti”.

Dar Alma à Vida é pôr em prática e correcçãofraterna do Evangelho: não humilhes ninguém. Primeiro, chama-o a sós e só depois de insistências, acusa-o às autoridades.

Dar Alma à Vida é fazer correcção fraterna sem magoar, humilhar. Não é aceitar, mas fazer compreender que há outros caminhos, para chegar ao Pai da Vida. Ninguém o pode fazer se não estiver na verdadeira sabedoria, nem segundo Galileu, conhecer-se primeiro a si mesmo.

Enfim dar Alma à Vida é viver para os outros, é servir os outros, como o fez Jesus Cristo.
                                                                                                                   Bari-Artur Coutinho
 

Dar Alma à Vida XLVII


Dar Alma à Vida XLVII
 

Dar Alma à Vida é cuidar não só da higiene externa do corpo, mas também da higiene interna e, se para a higiene externa precisamos de água, também para a higiene interior precisamos de água para eliminar na digestão os detritos que são origem de muitas doenças e fazem perder para muitos a Alma que deve dar à Vida.

 
Dar Alma à Vida é respirar bem o ar da manhã antes do nascer do sol, na serra, na floresta, à beira mar, é fazer exercício ao ar livre para que o ar dos pulmões, o Espírito, o sopro do espírito, dê Espírito à Alma e à Vida.
 

Dar Alma à Vida é dar descanso ao cansaço e não é dormir demais.

Dar Alma à Vida é ser sóbrio no comer, no vestir, nos nossos bons actos diários para que tenham a força moral e sejam luz para os outros. Não sejam eles maus que matem a Alma, a Vida; não só a tua, mas a dos outros.

                                                                                                           Em Bari, Artur Coutinho

Dar Alma à Vida XLVI


Dar Alma à Vida XLVI

 

Dar Alma à Vida é dar ocupação sadia à nossa Vida, quer no aspecto espiritual, quer no material. É consagrar o tempo ao descanso e ao trabalho; o descanso revitaliza, recupera e o trabalho nunca é tempo perdido. É dar tempo à oração e ao convívio; a oração alimenta o Espírito e o convívio alimenta o equilíbrio corporal.

 
Dar Alma à Vida é dar tempo aos outros e a Deus. É fazer da Vida uma Vida para os outros com os olhos fitos no Alto.

Dar Alma à Vida é dar tempo ao silêncio que é sempre mais belo do que falar demais, sobretudo, quando se fala dos outros; ou se cochicha, criando mau ambiente entre as relações humanas com os outros com quem se convive ou com quem se trabalha. Muitas vezes o silêncio fala mais alto e melhor.

Dar Alma à Vida é fazer a boa acção de todos os dias, não uma, mas todas que elevam a Alma e incutem a fazer ainda mais e melhor em cada momento que passa.
 

Dar Alma à Vida é ajudar o semelhante e ser bom samaritano; não é levantar a carga e levá-la, mas ajudar a levantar para que o outro siga com ela.

Dar Alma à Vida é educar a criança, diz-se “de pequenino se torce o pepino”, e “se não se quiser castigar o homem” é educá-lo para ser Homem ou Mulher com Vida e com Alma, após o nascimento.

Dar Alma à Vida é criar uma teia à nossa volta, onde a vida seja urdida com Alma.
 


Dar Alma à Vida é fazer feliz o outro sem o conhecer, ou melhor, é envolver-me na humildade do Mistério de Deus uno e trino: Criador, Redentor e Animador.

Dar Alma à Vida é sentir-me enredado nesta rede de “Deus é Amor”, segundo S. João.

                                                                                                       Avião, Artur Coutinho

Dar Alma à Vida XLV


Dar Alma à Vida XLV


É não fazer aos outros o que não desejas para ti mesmo. É Amar a Deus e ao próximo como a ti mesmo. São duas sentenças que darão Alma à Vida e saúde ao corpo.

É ter sempre presente que Deus quer o melhor para nós e que tudo o que nos possa inevitavelmente acontecer em nada deva afectar a serenidade do que a Alma dá à Vida.
 
Dar Alma à Vida é imitar o relógio do sol que mostra as horas com alegria, com clareza e que estes ajudam a vencer a tristeza ou qualquer névoa que perturba a nós, ao nosso Espírito, a nossa Alma.

Dar Alma à Vida é abraçar o trabalho como se fosse uma oração a Deus “Ora et Labore”, de S. Bento.
 

Seja qual for o trabalho, nunca te esquecerás que Deus aí está. A nossa Alma manifestará sinais de Vida e não de morte.

Dar Alma à Vida é não destruir o nosso corpo com alimentações abusivas em gorduras, em proteínas e a natureza nos oferece muita mais quantidade de alimentos para o corpo que o queremos são.

 
 O homem é escravo de costumes e tradições no prazer de comer, sobretudo, o que lhe faz mais mal e a resistência às mudanças é grande, mas é com a força da Alma que se vive o Espírito. Este é mais forte que a morte e, por isso, quem dá Alma à Vida vive mais tempo.                                                                                                       
                                                                       No Subiático- Artur Coutinho

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Vivências da Dor


Vivências da Dor

 

Quem sofre, sofre e mais nada. Mais dor, menos dor, cada um sofre as suas, ou a dos outros…mas um doente, normalmente, não gosta de visitas demoradas porque cansam, mas, com tempo comedido, é sempre acto de alívio, de conforto e esperança.

 
 
Como as pessoas que, por si, são negativas não se deve insistir demasiado. O pior que acontece a um doente é alguém que venha filosofar ou insistir demasiado na esperança porque não acredita nele, como aquele que pensa ainda em termos antigos: (É a tal história: está doente, está em pecado e enquanto não tiver acreditado e se confessar não sai “o mal” dele. “Deus não está com ele”. Está a sofrer os males que já fez na terra, agora que os pague. “O que cá se faz, cá se paga”, dizem ainda. Esquecem-se que os nossos juízos são sempre precipitados e não têm em conta os critérios de Deus.

Claro que o pecado, a desobediência deliberada consentida tirou-nos do paraíso…

 
Segundo a doutrina Buda a vida é uma dor e quanto mais se foge da dor, mais imperfeito é. Para chegar ao nirvana é preciso que ame a dor e o sofrimento como um dom para atingir a perfeição.

O nosso Deus, Deus de Amor, não quer que sejamos masoquistas, nem sadistas  e não nos impõe sofrimento. Ele sofre connosco e ninguém está sozinho quando tem dor.

Se alguém se queixa, tem sempre uma razão, ainda que seja uma dor psicológica, mas, que tem razão para se queixar, tem.

Normalmente as dores orgânicas distinguem-se com mais facilidade: hoje é de um pé, amanhã é de uma nádega, depois é duma perna ou dum braço; agora dói o peito ou as costas, o abdómen de noite ou de dia, doem os olhos e o que mais possam pensar. É do estômago, é de algo que não se sabe.

No caso dos fibromiálgicos até muitos os vêem como maníacos que precisam de psiquiatria.

A dor nunca está no local, mas na cabeça. Não é o pé que dói, é o pé que não está bem e transmite o seu mal aos neurónios.

Curando os neurónios, não se cura a dor, mas o sofrimento e o mal lá está no pé, por exemplo.

É preciso tratar do pé e não da cabeça. A cabeça é apenas o reflexo das transmissões pelos neurónios ao centro nevrálgico localizado no cérebro.

Conviver com a dor é sempre fácil quando se convive com fé e confiança n’Aquele que sofreu por nós, sem cometer pecado. A nossa dor nunca será igual à d’Ele.
 
 
Nós merecemos, mas o Mestre não fez mal algum e nós não somos mais que o Mestre.

A dor acaba por nos lembrar que, assim como temos deitar sentido à nossa Alma, há que cuidar do corpo. A Alma dá sempre Vida ao corpo quando ela quer ser grande ao modo de Jesus Cristo, e não ao modo de qualquer coisa porque muitos se dividem por Deus e pelo Diabo, pelo Bem e pelo Mal, e, neste caso, não se observa o conformismo porque no meio não é provado que esteja a virtude. Deus é radical. Ama e só Ama. Nós não podemos estremecer entre o sim e “o sopas”. Ou é sim ou “sopas”. Sim ou não e não há meio-termo, pois aí está toda a razão da nossa vida. Como o amor conjugal, não pode ser um amor assim, assim… Descobrir essa razão é precisamente descobrir o sentido da nossa Vida com Alma, viver com Alma porque a Vida é dom de Deus.


A dor, se superável, faz parte a Vida. Não há Vida sem dor nem, dor sem Vida; os mortos já não sentem nada, mas aí já não tem, aí a Alma que, pela serenidade com que sofreu goza eternamente com o prazer da Vida com Deus, ou então, sofre porque, na posse da verdade, lhe falta a felicidade da Presença que devia ser do seu Criador…

Conviver com a Dor leva-nos a tirar a conclusão de que quando damos ou recebemos somos alertados para a responsabilidade de nossas vivências, valores, sentimentos, condutas… Somos levados a estar atentos mais ao nosso corpo, às nossas emoções e à voz interior e a saber compreender e tolerar o outro.

 
 
 
 
 
Custa menos o sofrimento quando vemos os outros como algo valioso… e estamos a integrar, elaborar, dirigir, aproveitar e usar o serviço do nosso bem-estar e discernimento, não do que somos e dos que são… e os que são. A oposição é sofrimento, segundo Arnaud Desjardins, porque ficamos revoltados quando rejeitamos. Carrega-nos mais essa cruz da revolta. Enquanto o assentimento é felicidade, conduz-nos à felicidade e recuperamos, aproximamos, pois o corpo é o santuário da Alma e nele se tem de viver com sintonia e equilíbrio que são manifestos nos olhos. É por isso que se diz que estes são os espelhos da alma.
 
 

A Alma gregária, ao dar Vida não pode existir e mata, nem pode deixar-se vencer por paixões.
 
Aqui não quero apenas me referir a uma dor em particular, mas nas suas mais variadas formas. Sejam quais forem, a resistência a elas como uma oposição, ainda aumenta a carga da mesma, isto é, maior o sofrimento, maior é a dor.
 

 
 
Quando lhe damos assentimento porque nela descobrimos algo de novo até somos capazes de nos sentir felizes. Mais facilmente nos preparamos para debelá-la e recuperar a saúde, porque nos fizemos mais próximos. Convivemos e dialogamos amorosamente. Fizemos que, no nosso corpo, houvesse um melhor equilíbrio e sintonia daquilo que lhe dá vida, que é a Alma; ainda que seja precária, ela é sempre com sentido elevado, positivo e vivido ao mais alto nível.

Fazer uma convivência sadia entre o Corpo e a Alma é saber compreender e viver a Dor; eis a forma mais simples de viver a Vida com Alma.