Não troco a minha fé por outra fé
Quatro
questionamentos frequentes sobre a fé católica e as respostas que a Bíblia
oferece
Sempre, em minha caminhada de Igreja, ouvi
questionamentos sobre certas práticas da Igreja Católica, tanto de católicos em
dúvidas quanto de alguns evangélicos mal informados ou talvez mal formados (e
que buscam comunidades pentecostais onde qualquer formação é deixada de lado).
Para ser breve, apresento algumas dessas questões.
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O leitor Bruno Salles de Oliveira nos enviou seu testemunho sobre alguns
questionamentos que lhe fazem quanto à fé católica e como ele responde a partir
da Bíblia.
NÃO TROCO A MINHA FÉ POR OUTRA FÉ
Bruno Salles de Oliveira
Sempre, em minha caminhada de Igreja, ouvi questionamentos sobre certas
práticas da Igreja Católica, tanto de católicos em dúvidas quanto de alguns
evangélicos mal informados ou talvez mal formados (e que buscam comunidades
pentecostais onde qualquer formação é deixada de lado). Para ser breve,
apresento algumas dessas questões:
- “Por que os católicos têm imagens se a Bíblia as proíbe?”
- “Por que a Igreja Católica usa incenso? Isso não é coisa de bruxaria?”
- “Por que acreditar na ação dos santos?”
- “Por que dizer que Maria é virgem se a Bíblia fala dos irmãos de Jesus?”
Há mais perguntas, mas vamos a estas que já preenchem matéria para mais de uma
página.
Sobre as imagens é interessante que há passagens que proíbem a
fabricação de ídolos, mas, depois, na construção do templo que Davi desejou
construir (e que seu filho Salomão teve o privilégio de concretizar), há
orientações bem claras sobre imagens de querubins sobre a arca e estátuas de
bois para servir de apoio à bacia usada nos ritos de purificação. Havia imagens
no templo, mas ninguém as adorava só por estarem ali. Nenhum judeu cometeu
idolatria só porque entrou num templo com imagens de ouro e bronze. Além disso,
temos outros episódios emblemáticos, como o da serpente de bronze incrustada em
um poste (Números 21,8). Deixo a seguir várias citações bíblicas para que cada
um verifique e as guarde para dar respostas a muitos que as desconhecem:
proibição das imagens – Êxodo 20, 4; Deuteronômio 5, 8-10; aprovação das
imagens – 1Reis 6, 23-29; Êxodo 26, 31-33; Êxodo 25, 18-22; 1Samuel 4, 4;
2Samuel 6, 2; Salmo 98, 1; Êxodo 25, 40.
Sobre o incenso, não vou dar uma passagem, mas um livro inteiro! Leiam o
livro do Apocalipse e vejam quantas vezes São João Evangelista fala de
turíbulos de ouro e incenso queimando dentro desses turíbulos. E tudo isso
acontecendo no Céu, diante de Deus! Com certeza, Deus não é bruxo! Por isso é
tão ridículo que algumas crenças questionem o uso do incenso na liturgia
católica.
Sobre os santos, há várias passagens bíblicas que falam deles sob o
altar de Deus, rogando pelos justos. Algumas delas no Apocalipse: 5,8; 6,9-10,
8,3-4. Não tenham dúvida: só há um intercessor no sentido de conceder-nos a
Salvação: Jesus Cristo. Mas cada santo da Corte Celeste pode e roga a Nosso
Senhor Jesus por nós. Eles não fazem milagres; Nossa Senhora não faz milagres;
mas, por intercessão dela e dos santos diante de Deus, recebemos inúmeros
benefícios vindos de Nosso Senhor. Sabemos que Jesus canonizou o primeiro santo
da Igreja Católica, o bom ladrão, conhecido como São Dimas. Jesus garantiu a
ele a Graça do Céu ainda na cruz (Lucas 23,39-43). Ninguém morre e fica
dormindo à espera do Juízo Final: cada qual tem seu juízo particular na hora da
morte (Hebreus 9,27); quem está no Céu, como o bom ladrão, já está contemplando
o Senhor e rogando por nós.
Por fim, quanto aos irmãos de Jesus e a virgindade de Maria: muitos,
muitos mesmo, ficam presos ao versículo da Bíblia que fala dos “irmãos de
Jesus” (Mateus 12,46). Então quer dizer que todos aqueles a quem São Paulo, em
suas cartas, trata por irmãos, e olha que era muita gente, eram literalmente
irmãos dele? Claro que não! São João Evangelista, em suas cartas, chama aos
cristãos de filhinhos; mas nem por isso todos os que liam as suas cartas eram
seus filhos. Os estudos e tradições, aliás, chegaram à conclusão de que João
nem mesmo se casou, quanto mais ter gerado filhos. E Nossa Senhora não foi uma
mulher comum da Palestina. Setecentos anos antes de seu nascimento, o Espírito
Santo, já anunciava, pela boca do profeta Isaías (Isaías 7,14), a vinda do
Messias no ventre de uma jovem (em hebraico almah, que quer dizer virgem). O
arcanjo Gabriel, na Anunciação, a reconheceu cheia de graça (Lucas 1,28). Além
disso, à época de Nosso Senhor Jesus, era comum que parentes próximos, como
primos primeiros, se tratassem por irmãos. Ou ainda, São José poderia ser
viúvo, conforme afirmam alguns estudiosos da Bíblia, e ter filhos do primeiro
casamento, que seriam, portanto, chamados de irmãos de Jesus.
Levando todas estas informações em consideração, fica mais clara a importância
de estudar e conhecer a nossa Santa Religião e saber dar razões da nossa fé.
Espero que cada um possa afirmar como na música do Padre Zezinho: “Não troco
a minha fé por outra fé”.