segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Papa pediu fim da «espiral» da vingança na República Centro-Africana


África: Francisco abriu porta santa do Jubileu da Misericórdia na Catedral de Bangui, «capital espiritual do mundo» por um dia

Agência Ecclesia

Agência Ecclesia
03 de Dezembro de 2015, às 18:04 Evangelização: Papa incentiva a «chegar perto dos mais distantes» Francisco convidou ainda paróquias a pastoral que forma ...


 29 de Novembro de 2015, às 17:05

   

Papa pediu fim da «espiral» da vingança na República Centro-Africana


Bangui, 29 nov 2015 (Ecclesia) – O Papa Francisco apelou hoje na República Centro-Africana ao fim da “espiral” da vingança, num dia em que fez história, ao abrir, pela primeira vez, a porta santa de um Jubileu fora de Roma.

“Uma das exigências essenciais da vocação à perfeição é o amor aos inimigos, que protege contra a tentação da vingança e contra a espiral das retaliações sem fim”, disse, na homilia da Missa a que presidiu em Bangui, perante padre, religiosos, catequistas e jovens católicos.

A celebração começou com a abertura da porta do Ano da Misericórdia (8 de dezembro de 2015-20 de novembro de 2016), convocado pelo Papa, que hoje começou de forma excecional na República Centro-Africana (RCA).

A todos aqueles que usam injustamente as armas deste mundo, lanço um apelo: deponham esses instrumentos de morte; armem-se, antes, com a justiça, o amor e a misericórdia, autênticas garantias de paz”, pediu Francisco, na Catedral da Imaculada Conceição, que reuniu cerca de 2500 pessoas no seu interior; outros milhares acompanharam a celebração no exterior da Sé.

Para o Papa, o rito de abertura da Porta da Misericórdia na RCA fez hoje de Bangui a “capital espiritual do mundo”.

Durante este rito, Francisco sublinhou que quis visitar “uma terra que sofre há anos a guerra, o ódio, a incompreensão, a falta de paz”.

“Nesta terra sofredora também estão todos os países do mundo que passam pela guerra”, observou, numa intervenção improvisada, à porta da catedral.

“Bangui torna-se a capital espiritual da oração pela misericórdia de Deus”, acrescentou.

O Papa convidou a rezar pela paz “para Bangui, para toda a República Centro-Africana, para todo o mundo, para todos os países que sofrem a guerra”.

Francisco surpreendeu a multidão ao falar em língua sango para pedir “amor e paz”.

Após a fórmula de abertura da Porta Santa, o Papa rezou em silêncio e entrou na Sé de Bangui, à frente da procissão.

Já na homilia da Missa, com a ajuda de um tradutor, Francisco deixou uma saudação a todos os centro-africanos, “os doentes, as pessoas idosas, os feridos pela vida”.

A intervenção convidou os habitantes da RCA a rejeitar “conceções de família e de sangue que dividem”.

“Depois de nós mesmos termos feito a experiência do perdão, devemos perdoar”, defendeu.

Neste contexto, o Papa desejou que os responsáveis da Igreja sejam “artesãos do perdão, especialistas da reconciliação, peritos da misericórdia”.

“Em todos os lugares, mas sobretudo onde reinam a violência, o ódio, a injustiça e a perseguição, os cristãos são chamados a dar testemunho deste Deus que é amor”, precisou.

No início do tempo litúrgico do Advento, tempo de preparação para o Natal no calendário católico, Francisco insistiu na importância da “força do amor que não recua diante de nada”.

“Reconciliação, perdão, amor e paz”, concluiu, sob os aplausos da assembleia.

Na saudação da paz, o pontífice argentino desceu do altar e cumprimentou dois elementos da plataforma inter-religiosa para as negociações de paz: o pastor Nicolas Guerekoyame Gbangou, presidente da Aliança das Igrejas Evangélicas Centro-africanas, e o imã Oumar Kobine Layama, presidente do Conselho Islâmico da RCA.

Após a Missa, o programa da visita papal inclui uma vigília de oração com os jovens da RCA, junto à Catedral de Bangui.

OC

 

 

E quando comungar é perigoso para a saúde?


E quando comungar é perigoso para a saúde?


06 Nov, 2015 - 07:22 • Ângela Roque , Ana Lisboa , Isabel Pacheco

Ângela Roque - Renascença
Vim para a Renascença em 1988 para frequentar um curso de formação de jornalismo. Sou jornalista do grupo R/com desde Janeiro de 1989. Acompanhei a área de ...


É um problema desconhecido para muitos, mas que é real: comungar pode ser perigoso para os doentes celíacos ou com intolerância ao glúten, porque as hóstias normais são feitas de farinha de trigo. Em Braga, são fabricadas hóstias sem glúten, que seguem para todo o país e para várias partes do mundo.



Beatriz Lisboa tem 19 anos e quer ser bailarina. Sofre de alergias desde criança, mas só há três anos e meio é que descobriu que não podia comer pão comum, massas ou bolos. Não é doente celíaca, mas tem uma intolerância grave ao glúten, um composto presente no trigo, centeio, cevada e aveia.

Habituada a ler os rótulos dos alimentos e a questionar-se sobre tudo o que ingere, deu consigo a interrogar-se sobre de que seriam feitas as hóstias, quando se estava a preparar para a primeira comunhão, que só fez o ano passado, com 18 anos. Descobriu que seria um problema, mas também que já havia solução: “Foi o sacerdote que me preparou, que me ofereceu um primeiro saco de hóstias sem glúten”, que agora transporta numa caixinha sempre que quer comungar.

Admite que “a logística, às vezes, é um bocadinho complicada”, mas desdramatiza: “Quando faço missa diária, normalmente, não comungo. Para a missa dominical, depende do sítio onde vou”.

Na Capela do Rato, explica, “há uma senhora que é celíaca e que se disponibilizou a dar as hóstias sem glúten a quem não pode comungar uma hóstia normal”. Quando se desloca a outras paróquias, leva a sua caixa e fala com algum responsável antes da missa: “Digo que tenho esta intolerância, que a minha hóstia tem de ser diferente. Normalmente, as pessoas estranham um bocadinho, porque é um pedido que não é comum, mas aceitam. Nunca tive problemas.”

Beatriz tirou a “prova dos 9” à sua alergia quando, um dia, foi à missa, sem planeamento prévio. Não tinha consigo a caixinha, mas queria muito comungar e arriscou. “Correu muito mal”, diz, lembrando a reacção alérgica que teve. Mas garante que a fé a tem ajudado a superar este obstáculo na sua vida: “Foi, sem dúvida, a descoberta de Deus que me ajudou a suportar este problema, que é muito físico. Porque isto condiciona muito a nossa vida, as pessoas nem imaginam. A concentração é completamente diferente, a nossa resistência em termos desportivos também. Eu sou bailarina e é complicado. E, muitas vezes, doloroso.”

Beatriz acrescenta: “Todos os problemas têm solução e é preciso relativizar. Isto é dramático, mas há coisas muito piores e, afinal, até há solução."

A experiência do padre Robson

O padre Robson Cruz teve vários casos de paroquianos com intolerância ao glúten, na igreja de Nossa Senhora do Carmo, no Alto do Lumiar, a sua anterior paróquia. “Tinha duas famílias onde havia casos de pessoas celíacas: numa família, era a avó, noutra família, era o pai e duas filhas”, explica.

Como não podiam comungar com as habituais hóstias, a primeira abordagem do padre Robson, hoje à frente da paróquia de São João de Deus, também em Lisboa, foi tentar que comungassem só do cálice, mas, também não era solução: “Como nós fazemos a tradição do norte de África, de colocar um fragmento da hóstia consagrada no cálice, isso era o suficiente para contaminar o vinho também com o trigo que estava presente na hóstia”. Foi quando ouviu falar nas hóstias sem glúten.

“A primeira procura que eu fiz foi saber se eram hóstias de trigo ou se eram hóstias de milho, uma vez que há a obrigação litúrgica das hóstias que vão ser consagradas serem mesmo de trigo”. Ficou a saber que “o processo era tentar retirar o glúten, que era solúvel em água, do amido de trigo. E, a partir daí, conseguia-se fazer hóstias não completamente sem glúten, mas com uma pequena percentagem, sobretudo dos produtos solúveis do glúten”. Compram-se na loja do Patriarcado de Lisboa ou no Santuário de Fátima.

As hóstias, mesmo para quem é intolerante, nunca são completamente sem glúten. “Há um documento da Congregação da Doutrina da Fé, de 24 de Julho de 2003, sobre o uso do pão com pouca quantidade de glúten, que nos proíbe de usar outra matéria que não seja, de facto, o trigo”, sublinha o padre Robson, lembrando que a liturgia “tem sempre como memorial aquilo que foi o gesto de Jesus, que foi tomar um pão de trigo, dar graças sobre ele; tomar um cálice com vinho, dar graças sobre ele, e dizer: isto é o meu corpo, isto é o meu sangue”. Ou seja, para a Igreja “a fidelidade do sinal obriga também à fidelidade dos materiais de que era feito o sinal. Portanto, nós não podemos usar uma broa de milho para repetir o mesmo gesto, porque senão o sinal perde-se”.

Os cuidados a ter na comunhão dos celíacos

O pároco de São João de Deus recorda um dos casos que acompanhou, ainda no Lumiar, de uma senhora idosa que comungava todos os dias. “Arranjava-lhe as hóstias, dava-lhe uma quantidade razoável, tipo 60. E ela, sempre que vinha à missa, colocava uma caixinha com a hóstia sem glúten para ser consagrada também”. Mas havia uma série de precauções a ter: “Habitualmente, ela era a última a comungar, porque, depois, tinha que trocar as caixas. E eu tinha que ter cuidado para que os dedos que usava para dar a hóstia não fossem os mesmos que tinha usado para dar as hóstias com glúten”.

No caso das pessoas que são totalmente intolerantes ao glúten, não podem mesmo comungar estas hóstias especiais. A alternativa é comungarem do sangue do Senhor. “Isso obriga a alguma atenção, não apenas para não se misturar nenhum fragmento da hóstia, mas até no manuseamento, ou seja, há que usar cálices que não tenham ainda resíduos de trigo no seu interior e que os panos do Altar também não tenham sido engomados com amidos de trigo. São as preocupações básicas”, refere o padre Robson Cruz.

Hóstias sem glúten: do Minho para o mundo

É no Instituto Monsenhor Airosa, em Braga que são fabricadas hóstias sem glúten. Seguem daí para todo o país e para várias partes do mundo. “Vão para todo o lado, América, África e Europa”, diz o director da Instituição, Luís Gonzaga Dinis. É assim há 30 anos. Só no ano passado, foram ali produzidas mais de 30 mil partículas sem glúten. Com glúten, foram mais de 90 mil, com destino a várias dioceses portuguesas e também a Espanha e Angola.

Ao contrário das hóstias normais, que são vendidas para financiar a instituição, as partículas sem glúten, próprias para celíacos, são oferecidas, por se entender que é um “serviço que se presta à comunidade”.😱

Com ou sem glúten, o processo de fabrico de hóstias é o mesmo. Filipa Pimenta, uma das funcionárias, explica que “o segredo está na receita da farinha”, mas não o revela. “Também não vamos aos pastéis de Belém pedir a receita!”, brinca.

É a fórmula da farinha própria para celíacos que faz a diferença, conta o director do Instituto, uma vez que algum glúten tem de estar presente: “As que fazemos têm menos de dez partes por milhão. O glúten está numa quantidade tão diminuta que não prejudica a saúde dos celíacos, por um lado, por outro não retira integralmente as componentes do trigo”.

Uma subtileza que faz toda a diferença e que, graças à autorização do Vaticano, faz do Instituto Monsenhor Airosa uma das duas oficinas com fabrico próprio de partículas para celíacos. A outra está na Argentina, por iniciativa do actual Papa, que quis saber como se fazia em Portugal: “Jorge Bergoglio, na altura cardeal de Buenos Aires, terá ouvido falar nisto e contactou a arquidiocese de Braga, no sentido de saber como se haveria de fazer. E ele próprio, enquanto arcebispo de Buenos Aires, arranjou a autorização do Vaticano para fabricar essas hóstias."😊

A dificuldade dos doentes celíacos para comungar e a forma como a Igreja vai dando resposta a essas dificuldades vai ser um dos temas em destaque no programa “ Princípio e Fim” do próximo domingo, 8 de Novembro, na Renascença, às 23h30.

 

domingo, 6 de dezembro de 2015

A Liturgia e a Paróquia


A Liturgia e a Paróquia

 

Sem evangelização não poderá haver liturgia, pois esta é fruto da experiência de fé para poder compreender vivencialmente a complexidade tão nobre, como é nos seus aspectos, compromissos e experiências pessoais e comunitárias, numa celebração litúrgica.

Não se celebra a liturgia sem comunhão entre os participantes, pelo menos, não será verdadeira liturgia. Não haverá liturgia autêntica se não houver comunidade e a comunidade é fruto da liturgia, sem que se despersonalize a pessoa que, na comunidade, participa. Uma comunidade religiosa é uma realidade social quer queiramos quer não, quer seja perfeita, quer seja imperfeita.

A comunidade religiosa é um grupo de pessoas que vivem com objectivos comuns do âmbito religioso, onde a pessoa se realiza socialmente. Ninguém, pois, se pode realizar independentemente dos outros...

É na dimensão social do homem que ele vive mais profundamente a comunidade religiosa e através dela forma uma comunhão pessoal de vida. É através da Comunidade que a pessoa comunica e participa, dá e recebe e onde se exercem as virtudes da humildade e da generosidade, do compromisso e da partilha...

 É estar com os outros e ser com os outros que enriquece a sua espiritualidade porque “nem só de pão vive o homem”. É nela que se integra e se manifesta ser para os outros e ser com eles. Há aqui um relação diferente quando ela é religiosa, cultual, pois vai mais além, é transcendente e não é aleatória; parte da vontade própria e sente a necessidade de intervir, de ser no mundo assim, com os outros e para os outros...

A base desta comunidade litúrgica está na trindade, onde ela é perfeita. A nossa, por mais perfeita que seja será sempre um sinal muito frágil da Trindade Santíssima.

Pela encarnação do filho de Deus, Ele estabeleceu a sua morada entre nós, não está junto a nós, mas está connosco. Isto quer dizer que pela encarnação do Verbo nasceu a Igreja. A Igreja é a humanidade reunida e convocada para a comunhão com Deus, para a comunhão dos homens entre os homens e entre estes e Deus. Só assim é possível pelo Espírito vivermos congregados num só Corpo.

Nos Actos dos Apóstolos há uma passagem muito própria quando se refere a Ananias e Safira que usurparam os bens que lhes pertenciam não os entregando todos como os outros fizeram generosamente ao serviço da Comunidade. Pedro chama-lhes a atenção: “Mentistes contra o Espírito... contra Deus...”. Cf. Hebreus 5.

A comunidade deve discernir que não é ela própria que escolhe, mas Deus. Não somos nós que escolhemos ou nos elegemos para viver comunitariamente um ideal inspirado pelas nossas aspirações religioso-ascéticas. Tem de aceitar que nela pode haver pluralidade de carismas. Se o Espírito Santo é a alma da comunidade, a pluralidade de carismas nela é natural porque onde está o espírito está a abundância das suas graças na construção do Reino, onde, entre os membros, sempre existirá o pecado portanto uma comunidade de pecadores, e ininterruptamente chamados à conversão.

Já abordei a origem da comunidade cristã.

E como comecei não há comunidade sem Liturgia, nem Liturgia sem comunidade, daí que até um sacerdote sozinho pode rezar, fazer a oração, rezar a liturgia das horas com toda a Igreja mas não tem que celebrar a Eucaristia que é um acto estritamente comunitário, onde a comunhão se deve manifestar e o padre sem fiéis não tem motivo para esta oração, Acção de Graças.

Toda a liturgia nasce da comunidade cultual. O culto é a fonte sempre insubstituível da vida e do desenvolvimento.

É por isso que sempre tivemos o cuidado de celebrarmos os sacramentos com a liturgia mais adequada, a começar pela Eucaristia que depois do Baptismo é aquela que alimenta a vida de Comunhão.

Logo em 1979 já tínhamos uma equipa de liturgia que preparava as missas de cada Domingo. Dela fizeram parte várias pessoas que, semana a semana, na sacristia, onde se fazia tudo, ao fim da tarde, se reflectia na liturgia da Palavra, etc...

Logo houve no princípio um curso de leitores que já se repetiu por quatro vezes. Embora tenhamos insistido, nem sempre se lê do melhor modo, o que me faz muita pena. Ainda outro dia ouvi um comentário destes, “O meu marido telefonou-me para que se fosse à missa desse atenção à primeira leitura e afinal não entendi uma palavra sequer”. E isto que eu estava a ouvir uma senhora a contar a outra, era na realidade, uma verdade porque tinha sido eu o celebrante e ouvi e calei-me. Muitas vezes acontece isso, um ou outro leitor não sabe o que vai ler e depois lê para ele e nem sequer ele, às tantas, foi capaz de compreender.

Tudo tem de ser preparado com antecedência.

Pessoas que nunca participaram em formação de leitores, só em caso de suplência devem ler, mas deve preparar-se antes, como qualquer outro o devia fazer.

Também logo em 1979, ainda no tempo em que era usado a máquina de stencil surge a primeira “Luz Dominical” de forma muito rudimentar, mas havia esse cuidado, com comentários às leituras e informações paroquiais. Nesta altura é de formato A5 e contém os cânticos da missa sobretudo da missa vespertina.

O coral a que chamamos coral litúrgico, é o coral dos mais velhos, formado de pessoas que ficaram do Espectáculo Marcos 9,37 animado por Joaquim Gomes. Aqueles que pertenciam ao coral quando aqui entrei continuaram, mas a pouco e pouco, por isto ou por aquilo, foram deixando, mas há um núcleo que vem desde 1979 ao qual já se juntaram vários colaboradores e, assim, se tem mantido o coral que anima a missa vespertina e festas importantes da Paróquia.

A missa da catequese sempre foi animada por outra gente, mas há 15 anos que a Célia Novo, formada em Arte e Design é a animadora de um grupo juvenil, sempre escolhendo cânticos ao gosto das crianças...

Aparece mais tarde um grupo de jovens que supriu a falta do “coral litúrgico” que também cantou na missa do meio-dia, a tomar este lugar. Na maioria são alunos da Academia de Música, cantam cânticos às vezes a 4 vozes, cânticos clássicos, enfim, uma missa diferente e que a assembleia também gosta.

Logo que aqui dei entrada pareceu-me litúrgico o sacerdote receber à porta da igreja todos os que chegavam para a celebração. Fiz isso muitos anos. Agora é raro, mas quando posso ainda me sinto bem a fazer esse acolhimento a quem chega para celebrar comigo.

Há sempre uma palavra diferente para um ou para outro, enfim... Vamos fazer comunhão poucos momentos depois...

No entanto estão sempre dois paroquianos a receber quem chega a entregar a “Luz Dominical” e, certamente, a fazer um pouco aquilo que eu fazia... Um olá! Uma palavra! Um bem-vindo!... Como está?

Agora esse acolhimento ao sábado tem sido feito pelo pároco dentro da igreja e à porta por um leigo.

Entretanto, enquanto se faz o acolhimento, o animador da assembleia e o coral faz os últimos ensaios dos cânticos para que a assembleia aproveite e possa acompanhar depois o coral, fazendo com que muitos participem no canto.

Os salmistas também têm sido bem preparados para que a celebração seja sempre muito digna.

Procuro não me alongar na homilia, apenas 5 a 7 minutos. Não vá a minha palavra ser mais importante que a palavra de Deus!...

Deste modo são sempre os 45 a 50 minutos o tempo da celebração. Às vezes, por motivo de festa, pode ir mais longe...

Os Ministros Extraordinários da Comunhão não só colaboram na distribuição da Sagrada comunhão, como levam a comunhão aos doentes.

A Eucaristia não é o único acto de culto que envolve a liturgia.

Já há uns anos que fizemos paroquialmente formação para Acólitos Adultos e, desse modo, temos uma equipa que soleniza os dias de festa com o sacerdote, utilizando a procissão com o crucífero com a cruz levantada à frente, os ceroferários, o turiferário e o ajudante seguindo os dois acólitos e o sacerdote.

Mas a missa não é o único acto de culto. Todos os outros sacramentos são actos de culto com liturgia também apropriada.

Lutamos pelos baptismos comunitários, celebrados em colectividades ou celebrados dentro das missas. Os pais são acolhidos por um casal e depois há preparação para pais e padrinhos mensalmente feita pelo pároco. Os párocos da cidade distribuíram ultimamente uns desdobráveis dando informações sobre o que é e as condições necessárias para o Baptismo. Um trabalho foi feito em comum com as paróquias da Meadela, N.ª Sr.ª de Fátima, S.ta M.ª Maior, Monserrate, Senhor do Socorro, Areosa e Darque.

Para o sacramento da Penitência que renova a graça baptismal prejudicada pelo pecado temos tempos fortes pela Páscoa e pelo Natal. Pela Páscoa temos 24 horas de acolhimento para a Confissão e durante o ano à sexta-feira pela manhã antes da missa e à também antes da missa. No entanto todos os dias pelas 14.30 na Igreja da Sagrada Família e na Igreja Paroquial sempre que o Pároco ou na vez dele alguém esteja.

Já se fizeram celebrações penitenciais por altura da Quaresma, mas as pessoas não aderiam com facilidade. O número era muito reduzido. Fazemo-las agora na festa do Perdão para as crianças da catequese, e...

O sacramento da Confirmação já desde há 30 anos, que administrámos o sacramento da Confirmação aos jovens que completem 10 anos de catequese. No tempo de D. Armindo Lopes Coelho, de 2 em 2 anos sensivelmente vinha crismar aqui na Paróquia, embora alguns fossem à Sé. Com os critérios do novo Bispo de Viana alguns têm ido à Sé Catedral para serem crismados no dia de Pentecostes. Aqui agora só haverá crisma quando for marcada visita pastoral.

Para os que saem fora do esquema da catequese normal, e já têm idade adulta, há outro tipo de preparação para o Crisma.

O Sacramento da Santa Unção tem sido administrado anualmente a idosos e doentes na quarta-feira santa na Igreja Paroquial, de forma comunitária, e ao domicílio quando pedem. Procuramos que cada ano seja diferente a festa da Administração do Sacramento da Santa Unção e da Comunhão Pascal.

Quanto ao Sacramento do Matrimónio é feito um acolhimento por um casal e depois é feito o CPM (Centro de Preparação para o Matrimónio) ao Domingo pela manhã.

Temos tratado do processo civil para ajudar ou facilitar os noivos e organizamos o processo religioso como não poderia deixar de ser.

Quanto à liturgia procuramos dar a oportunidade aos noivos de escolherem as leituras e, até às vezes fazer uma liturgia apropriada a cada casamento para não ser tão repetitiva.

Quanto ao Sacramento da Ordem!... Nada se tem feito a não ser o aconselhamento e o desafio feito para que despertem vocações sacerdotais ou religiosas, mas... sem sucesso! Só houve um seminarista no Seminário Diocesano e no Seminário do Carmo, nestes 25 anos. E o último sacerdote que esta zona deu à Igreja foi o P.e Manuel Miranda; ainda não era Paróquia e já falecido, assim como uma irmã religiosa.

Ao longo destes 37 anos, pontualmente, fizeram-se muitas coisas a nível litúrgico em relação a leitores, ostiários, acólitos, corais, mec.s, etc.… neste ano santo da Misericórdia prevêem-se outras mais para utilizar ao longo do ano que poderão ser as mais próximas tornadas públicas após a abertura da Porta Santa na Sé Catedral.

Esperemos!...Vem, Senhor Jesus!                                                       PC









sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

A Liturgia também espaço de Voluntariado


A Liturgia também espaço de Voluntariado

A liturgia é a celebração da fé. Quem tem fé, celebra-a nos actos próprios.

Celebra-a com mais ou menos participação. Aqui existe tembém um certo voluntariado.

O Pároco faz apelos, às vezes faz convites directos às pessoas e “muitos são chamados, mas poucos são os escolhidos”, isto é, poucos dizem sim. Este sim é ao mesmo tempo um problema de fé, é uma resposta de fé, mas é também um voluntariado que se oferece num serviço de animação litúrgica, no canto, na leitura, no acolhimento, na recolha das ofertas, na decoração e ormamentação do espaço, na caridade com as alfaias próprias e necessárias ao serviço digno da liturgia, à informação e orientação da liturgia através de uma folha conhecida por “Luz Dominical” ou “Horizonte”, o Ministério da Comunhão, a Comunhão dos Doentes. As paraliturias... a Oração de Vésperas na Quaresma. A oração dos Ciganos (orientada por eles) e com os ciganos, o salmista e o comentarista.


Ao princípio o acolhimento era feito pelo pároco. Depois passou a ser feito por ele e por dois leigos que distribuíam a “Luz Dominical”. Depois criou-se uma equipa de liturgia que reunia todas as semanas, reflectia semana a semana, sobre a liturgia, preparava-se a liturgia, preparava-se a “Luz Dominical” e os “cantos”. Fizeram-se cursos vários para leitores, para ostiários, para acólitos adultos e juvenis.


Com os ostiários abre-se a igreja todos os dias das 8H às 12H e das 14H às 19H. Só está encerrada nos feriados e aos Domingos de tarde.
 


Tudo isto é voluntariados que põe isto em movimento. Nem todos se prestam a fazer estes trabalhos. Há três grupos corais, a saber: o litúrgico (Adultos animados e orientados por Joaquim Gomes); o Juvenil orientado e animado por Célia Novo; o Clássico orientado e animado por Rui Felgueiras.


Há membros que têm participado em encontros de pastoral litúrgica diocesana e, a  nível nacional,  há um leigo que há anos seguidos, assim como leitores, acólitos e M. Extraordinários da Comunhão.

Na liturgia têm sido explorados algumas devoções como: dos dias 13, das primeiras sextas-feiras, primeiros sábados, das primeiras quintas-feiras, de uma missa semanal pelas almas, o mês de Maio e o mês de Junho, a novena do Menino, na Abelheira.
 

A oração diária do Terço, à semana, antes da Missa da tarde.

Missa própria para as crianças da catequese em número de 930 crianças activas, faltosas cerca de 250, ao Domingo e missa vespertina para a catequese de sábado, envolvendo assim as crianças, as famílias e os catequistas na Missa dominical porque as crianças que têm missa ao sábado normalmente não vêm ao Domingo à Missa. Assim está cheia a missa de sábado e a do Domingo da catequese e sendo, mesmo assim inconfortável o espaço quer em salas, quer em igreja  para a catequese, esperando-se pela nova Igreja.


A Liturgia não se restringe apenas aos actos do culto.

Quem canta, quem reza, quem medita gosta de encontrar uma decoração bonita, uma limpeza o mais perfeita possível, um espaço o mais condicionado possível em altura em comprimento e em altura, em relação ao número de pessoas, ao género com mais ou menos grou de vivência espiritual.


Recebi alguns testemunhos de pessoas que se dedicam à liturgia como o de um acólito que está convencido  que a liturgia “é mais rica, mais linda” assim. Um leitor afirma que “o padre deve fazer tudo na missa e nem só ele sabe ler. Gosto de emprestar a minha voz. Já participei em 4 cursos de leitores.”  “Sou zeladora porque não gosto de ver a igreja mal arranjada”, enfim...,mas, o mais longo  e “per latum” testemunho vai ser transcrito na sua totalidade,como segue:


Falar de voluntariado no Coral Juvenil da Paróquia de Nª Srª de Fátima significa falar de uma vivência e de uma partilha de sentimentos religiosos, de fé cristã apre(e)ndida e proveniente dos bancos da catequese, a par de uma disponibilidade humana, social e cultural dos jovens que dele fazem parte.


A palavra “voluntariado” convive com a palavra “apostolado”. Se, por um lado, a participação dos jovens tem uma relação directa com a catequese e um princípio base de “serviço pastoral”, por outro, reveste-se de sentimentos de voluntariado humano, social, cultural, quando há uma participação activa nas actividades de angariação de fundos para as obras – como foi com a gravação de um CD em conjunto com os outros dois grupos corais –, bem como outras actividades que, embora de carácter religioso, contribuem para a sensibilização da Comunidade – para a fragilidade social, entre outras – como aconteceu com a realização, em 1997, de um Gospel Night (Noite de Evangelho), com uma mensagem repleta de valores humanos e cristãos.


Enquanto espaço de convívio, formação cristã e amizade, no Grupo Coral Juvenil cada um é “voluntário para o outro” na medida em que se “oferece” para o crescimento e formação de todos e, em grupo, para as necessidades da Paróquia. 

Alguns elementos deixam também o seu testemunho pessoal:

“Ser voluntário é SER AMOR!”

“Ajudar é um bem preciso e por isso eu ajudo com vontade e não por pedido”

“Voluntariado não é só ajudar materialmente as pessoas mas, também, encher-lhes o coração de alegria e alento de viver, através da nossa voz e da nossa música.”

“Eu fui para o coro porque gosto de cantar, de ter amigos novos e, de Jesus!”
 

“Ser voluntária é partilhar com os outros uma pequena parte de mim, recebendo em troca um espírito mais rico.”

“Fazer voluntariado é cada vez mais importante para as pessoas saberem ajudar sem ter nada em troca a não ser gratidão e amizade.”
 

“Entrei para a catequese involuntariamente(…) Gostei! Continuei voluntariamente, fiz grandes amizades, aprendi muito e cresci também bastante como pessoa. Apaixonei-me ainda mais pelo voluntariado desta “casa” que só vive por nós e graças a nós. O coro é, agora, como uma bebida quente que aquece a garganta, dá energia e reconforta a mente!”

 
 “É bom cantar, animar uma festa na casa de Deus, pois leva a oração e alegria ao coração das pessoas.”

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Espiritualidade Vicentina


Espiritualidade Vicentina
 

 
Deus á amor e Cristo o revelou como tal. Por isso Jesus amou sem medida e o realizou plenamente. Foi por a espiritualidade vivida por S. Vicente de Paulo, que nos fez entender e conhecer o Cristo Vicentino que trabalhou e caminhou como nós e levou a que Frederico Ozanan fundasse as Conferências Vicentinas de S. Vicente de Paulo. Quando Frederico Ozanan e alguns seus amigos tiveram a inspiração de se unirem para o serviço dos pobres, fizeram-no da maneira mais humilde e discreta possível. Sentiam a necessidade de dar testemunho da sua fé cristã mais por actos do que por palavras. Consideravam os seus irmãos infelizes, quaisquer que fossem e qualquer que fosse o seu sofrimento. Viam neles o Cristo sofredor. Amavam-nos como homens e como filhos de Deusa; reconheciam neles não só a sua dignidade de homens confrontados com a sua miséria, mas também a dignidade a quem é dado em primeiro lugar o Reino de Deus.
 

 
Quando entraram em contacto pessoal com os pobres verificara, que a caridade é inseparável da justiça. Mas, como nem sempre é possível a justiça neste mundo, quiseram ao menos fazer o que deles dependi: “dar aquilo que o mais pobre pode dar” – a partilha do seu tempo, dos seus poucos recursos, a sua presença, um simples sorriso de modo a fazer tudo o que lhes era possível para levar um pouco de alívio – muitas vexes apenas quebrar a solidão. Deste diálogo aperceberam-se que, para compreender os pobres é preciso ser pobre com eles. Desta forma, a S. Vicente de Paulo não podia senão chamá-los ao aprofundamento da sua vida espiritual.

Viver deste contacto pessoal com os que sofrem, vivê-lo unidos em comum e com aquele espírito fraterno que é a sua própria essência, o carisma fundamental, original da S. S. Vicente de Paulo.

No Evangelho encontrou a inspiração que animou S. Vicente de Paulo a fundar a sua associação.

O Reino de Deus já chegou – estão nele os pobres, os pequeninos que a ele foram, chamados em primeiro lugar. O Reino de Deus é a lei do amor; o testamento de Cristo é o amor fraterno vivido conjuntamente através do amor de Deus e começa pelo serviço ao próximo. A caridade é universal e recíproca; os pobres servem os pobres e dão esmola e o seu testemunho é o mais alto; o serviço dos pobres é o serviço do próprio Cristo.

A História da Cristandade ilustra o cuidado e a dignidade do serviço dos pobres. Frederico Ozanan nos seus escritos refere o lugar ocupado pela mensagem de pobreza vivida com os pobres e é exemplo de incansável dedicação e da eficácia de S. Vicente de Paulo, eleito padroeiro da Sociedade que acabava de fundar. Sendo assim, o que é ser Vicentino?

Ser Vicentino é uma vocação, um apelo da consciência esclarecida pela graça do Espírito Santo. Quem quer que um dia tenha desejado ser vicentino, traduziu em acto o que é uma consequência da fé cristã – A Fé sem obras é morta. – S. Paulo

Mas, quais são as qualidades fundamentais para ser realmente vicentino?

A Espiritualidade Vicentina está no testemunho de S. Vicente de Paulo e seus companheiros e no Evangelho de Jesus Cristo que as reuniu em cinco virtudes essenciais nomeadas pelo próprio Vicente de Paulo.

- SimplicidadeHumildadeMortificaçãoMansidãoZelo pelas Almas (Zelo Apostólico).

Não me vou alongar muito a comentar estas virtudes que enunciei, pois demoraria muito tempo, mas apenas umas breves explicações. As virtudes vicentinas não são tratados teológicos, mas posturas humanizantes e humanitárias da pessoa que assume uma missão dentro do universo da espiritualidade vicentina junto dos mais carenciados. Os vicentinos são conhecidos pelos mais empobrecidos, não pelo seu discurso, mas pela sua postura aproximada do mundo dos pobres. As virtudes vicentinas dão uma configuração própria à nossa maneira de viver – castidade, pobreza, obediência, serviço aos pobres.

1ª – Simplicidade – a vivência desta virtude educa-mos para a proximidade do mundo dos pobres na realidade de hoje, no seu universo sócio-económico, cultural, religioso, geográfico, etc. Esta aproximação coloca-nos num clima de disponibilidade para acolhermos e nos aproximarmos do diferente, do pluralismo no meio da humanidade. Leva-nos ao tratamento da pessoa com devido cuidado, respeito e atenção que merece. A espiritualidade vicentina necessita de uma forte experiência com Deus para que a posamos pôr ao serviço dos pobres.
 
 

 
 
 
 
 
Trabalhar com os pobres no contexto actual exige de nós uma busca constante de preparação intelectual justamente pelo respeito que devemos ter à dignidade de todo o ser humano. O empobrecido não é um ser menos humano.

Vicente de Paulo descreve a simplicidade desta forma: Deus é simples. Onde encontrares a simplicidade cristã caminharás seguro; pelo contrário, os que recorrem a precauções e artimanhas estão com um medo contínuo de que descubram o seu artifício e que, ao ver-se surpreendido na falsidade, ninguém vai ter confiança nele.

2ª – Humildade – Torna-nos capazes de reconhecer e admitir as nossas fraquezas e limitações, criando a possibilidade de confiar mais em Deus e menos em nós mesmos. Ajuda-nos a livrar-nos da nossa autosuficiência, a reconhecermos a nossa dependência do amor de Cristo e a nossa interdependência comunitária. Educa-nos para a tolerância dialogada. Torna-se condição necessária para nos desenvolvermos, crescermos e fortalecermos como pessoas em comunidade apostólica, como atitude que nos leva a reconhecer que todos necessitamos do outro para nos enriquecermos e superar as nossas próprias dificuldades. A humildade faz-nos ver que todo o ser humano é pecador. Sensibiliza-o perante o pecado. A atitude de nos reconhecermos pecadores perdoados pelo sangue de Cristo responsabiliza-nos a reconhecer que a nossa vida se enriquece e fortalece com o perdão; o perdão implica aceitação, e para aceitar é necessário sair de nós, esvaziarmo-nos de nós mesmos, esvaziarmo-nos do nosso egoísmo, mudo, dar um passo na direcção do outro, quebrar as nossas arestas, derrubar muros e construir pontes.

 
3ª – Mansidão – permite à pessoa moderar razoavelmente a sua ira e indignação. A mansidão não é agressiva, raivosa, barulhenta. Ajuda a construir a confiança de uns com os outros. Se não se pode ganhar uma pessoa pela amabilidade e pela paciência, será difícil consegui-lo de outra forma. Com vinagre não se apanham moscas!

Numa comunidade é necessário que todos que a compõem e que são seus membros, sejam condescendentes uns com os outros. Com esta disposição os sábios têm que condescender com a debilidade dos ignorantes, nas coisas em que não há erro nem pecado. Não há pessoas mais constantes e firmes no bem que aqueles que são mansos e pacíficos; pelo contrário, os que se deixam levar pela cólera e pelas paixões são geralmente muito inconstantes, porque agem por impulsos e ímpetos. São como as torrentes que só têm força e impetuosidade nas chuvas, mas secam logo depois de ter passado o temporal, enquanto os rios que representam as pessoas pacíficas que caminham sem ruído, no seu leito, com tranquilidade, sem jamais secarem.

4ª – Mortificação – Esta virtude pede que nos entreguemos totalmente pensando primeiro nos outros, pensando especialmente nos pobres antes de pensar em nós mesmos. S. Vicente de Paulo diz: “Os santos são santos porque seguem as pegadas de Jesus Cristo, renunciam a si mesmos e mortificam-se em todas as coisas”.

A oração pessoal e comunitária é uma fonte inesgotável para um autêntico cristão vicentino, por isso mesmo foi insistentemente recomendada por S. Vicente. É muito importante rezar de modo disciplinado, dar à oração o seu tempo, não a fazer a correr, compartilhar com os irmãos a sua espiritualidade, fazer dos sacramentos um alimento para a vida diária. S. Vicente de Paulo dizia: “Somos firmes em resistir à natureza pois se permitimos que alguma vez se cole em nós um pé, rapidamente chegará a outro e estamos seguros de que a medida do nosso progresso na vida espiritual está no progresso da virtude da mortificação que é especialmente necessária para os que hão-de trabalhar na salvação das almas – pois é inútil pregarmos a penitência aos outros, se nós estamos vazios dela e se não a demonstramos nas nossas acções ou no modo como nos comportamos. (Bem prega Frei Tomás…).

 
 
5ª – Zelo Apostólico – O Zelo Apostólico é a consequência de um coração verdadeiramente compassivo. Trata-se da paixão por Cristo, pela humanidade e paixão especialmente pelos pobres. É uma virtude missionária que todos nós recebemos pelo Baptismo e expressa-se sob a forma de disponibilidade, de disposição para o serviço e a evangelização, mesmo quando as forças físicas já estão decadentes. O zelo apostólico é o amor por uma missão que dura a vida inteira; é entusiasmo, cria a disponibilidade para ir a todo o mundo levar o fogo do amor de Cristo e do temor de Deus. Outro aspecto do zelo apostólico é a busca de assumirmos responsabilidades compartilhadas, trabalho em equipe, decisões colegiais. Deus é nosso provedor e atende todas as nossas necessidades e algo mais.

Não sei se nos preocupamos muito em agradecê-lo. Vivemos do património de Jesus Cristo e do suor dos pobres.

Conclusão – A vocação vicentina não consiste somente em servir os pobres, mas também prestar este serviço em comum dentro de um grupo – a Conferência de S. Vicente de Paulo.

A A espiritualidade vicentina sente como um escândalo que se seja indiferente à presença de Cristo na Eucaristia e à sua presença nos pobres. A espiritualidade vicentina sente como um escândalo que se seja indiferente à segunda (pobres) quando se tem tanta piedade pela primeira (Eucaristia). Cada um aproveita da espiritualidade segundo a graça que recebe e o acolhimento interior que lhe reserva. A esperança de todo o vicentino, se ele corresponde à graça está na realização do desejo expresso numa das orações do fim das sessões… a fim de que tendo dado com a melhor vontade aos pobres o que possuem, se dêem a si mesmos.