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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Igreja apela à oração pela paz na Ucrânia

Igreja apela à oração pela paz na Ucrânia

A situação na Ucrânia se agravou depois dos confrontos destes dias entre manifestantes e forças da ordem

 
 
SERGEI SUPINSKY / AFP
Perante o aumento da tensão na Ucrânia, a Igreja lançou um apelo à oração pela paz e pela contenção da violência. Ontem, ao final do dia, em declarações feitas por telefone à Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), diretamente da Praça Maidan, em Kiev, o Bispo Auxiliar da diocese de rito latino de Kyiv-Zhytomyr explicou que cristãos de todas denominações estavam em oração pela paz, reunidos em duas tendas transformadas em capelas.

Quando soube do agravamento da tensão entre manifestantes e agentes da autoridade, o bispo, Dom Stanislav Szyrokoradiuk, dirigiu-se imediatamente para a Praça, para “oferecer o apoio espiritual às pessoas necessitadas”, independentemente das suas convicções religiosas. “Não faz diferença se alguém é católico ou não”, acrescentou o prelado que destacou ainda a presença no local de “padres capuchinhos que estão também ajudando a cuidar dos feridos”.

Durante a tarde de anteontem, os sinos das Igrejas católica e Ortodoxa estiveram tocando, reforçando o apelo para que todos os cristãos se unam numa corrente de oração pela paz. Também o Bispo Petro Herkulan Malchuk sublinhou a urgência deste apelo, pedindo, através da AIS, que toda a comunidade cristã “reze conosco pela paz na Ucrânia”.

Já hoje, o Papa Francisco também manifestou a sua preocupação pela violência na Ucrânia. Durante a audiência pública semanal, na Praça de São Pedro, o Papa Francisco disse acompanhar "com o espírito preocupado", o que está acontecendo por estes dias em Kiev. "Asseguro a minha proximidade ao povo ucraniano e rezo pelas vítimas da violência, seus familiares e pelos feridos". O Papa convidou ainda que ambas as partes cessem de imediato com a violência e procurem "a concórdia e a paz" para o país.

No final de Janeiro, o presidente executivo da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, Johannes Freiherr Heereman, num encontro com representantes das conferências episcopais da Alemanha, Polônia e Estados Unidos, reiterou a importância do “papel das Igrejas cristãs como força de pacificação na Ucrânia”.

A Ajuda à Igreja que Sofre permanece em contato permanente com representantes da Igreja na Ucrânia e convida a todos para rezar pela paz no país.
ALETEIA
sources: AIS Brasil

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Uma Ucrânia integrada à Europa limita o revanchismo russo, alivia a pressão russa sobre a Polônia e os países bálticos e garante a não reconstituição “de facto” da União Soviética

O drama da Ucrânia

Uma Ucrânia integrada à Europa limita o revanchismo russo, alivia a pressão russa sobre a Polônia e os países bálticos e garante a não reconstituição “de facto” da União Soviética

                                 George Weigel                                                                                                                                                                         
 
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O meu fascínio pela Ucrânia começou em 1984, durante um ano sabático no Centro Internacional Woodrow Wilson para Acadêmicos. Lá, um dos primeiros amigos que fiz foi o Dr. Bohdan Bociurkiw, professor ucraniano-canadense da Universidade Carleton, de Ottawa. Nosso primeiro ponto em comum foi o interesse pela liberdade religiosa por trás da cortina de ferro. Poucas semanas depois, Bohdan me deu aulas particulares sobre a história e a cultura da sua terra natal, incluindo uma aprofundada introdução à história da Igreja greco-católica ucraniana (IGCU).

Em 1984, a IGCU era não apenas a maior das Igrejas orientais católicas, mas também o maior corpo religioso do mundo a viver sob um regime de proscrição e perseguição. Proibida na União Soviética pelo infame sobor de Lviv de 1946, uma farsa orquestrada pela polícia secreta soviética, a IGCU tinha conseguido manter a sua vida eclesial apesar das circunstâncias draconianas. A maioria dos seus bispos e do clero foi deportada para gulags; os seminários e a vida litúrgica da Igreja continuaram clandestinamente, muitas vezes escondidos em florestas.

Entretanto, o líder da IGCU, cardeal Josyf Slipyj (o modelo de "papa das estepes" de Morris West em "As Sandálias do Pescador"), nunca abandonou a esperança em um futuro diferente. Durante o exílio romano, Slipyj lançou as bases para uma instituição que Bohdan Bociurkiw não viveu para ver, mas com a qual teria exultado: a Universidade Católica Ucraniana (UCU), em Lviv, a única instituição católica de ensino superior na ex-URSS.

Nos últimos quinze anos, eu dei aulas para estudantes e pós-graduandos da UCU na série de conferências Tertio Millennio. Eu vi, ao longo desse tempo, a autoconfiança, a maturidade intelectual e o compromisso deles com a construção de um futuro decente para o seu país. Em julho passado, tive a honra de fazer o discurso de formatura na UCU, onde falei dos mártires da Ucrânia do século XX como a base sobre a qual uma Ucrânia livre e virtuosa poderia ser construída no século XXI.

Menos de cinco meses depois, alguns dos graduandos para quem eu tinha discursado, e alguns dos alunos com quem eu tinha discutido as bases morais e culturais da democracia durante um seminário de filosofia na véspera do discurso, estavam na linha de frente de uma onda massiva de protestos públicos na Ucrânia, iniciados quando o governo corrupto do presidente Viktor Yanukovich interrompeu abruptamente as negociações com a União Europeia sobre a eventual entrada da Ucrânia no bloco.

A sociedade civil ucraniana foi praticamente destruída pelo comunismo. Os protestos ucranianos dos últimos dois meses testemunham o renascimento espontâneo da sociedade civil, liderado em grande parte por jovens sem memória do comunismo, que sabem que as atuais condições morais e culturais do seu país são intoleráveis – sem falar da economia em frangalhos e da política abominável. Entre os líderes desses jovens que lutam por democracia e desses ativistas dos direitos humanos há graduados e estudantes da UCU, que aprenderam sobre a sua própria dignidade como homens, mulheres e cidadãos em uma universidade que leva a formação do caráter tão a sério quanto a formação intelectual.

Vladimir Putin entende muito bem a grande importância estratégica do futuro da Ucrânia, mas muitos norte-americanos, incluindo o governo, não. Uma Ucrânia integrada à Europa limita o revanchismo russo, alivia a pressão russa sobre a Polônia e os países bálticos e garante a não reconstituição “de facto” da União Soviética. Uma futura liderança russa, percebendo que o jogo revanchista de Putin não vingou, poderia parar de dar de ombros ao mundo e voltar-se aos grandes problemas internos da Rússia. Há muita coisa em jogo na Ucrânia, geopoliticamente.

E há muita coisa em jogo também moralmente. O levantamento popular ucraniano do final de 2013 não foi motivado por uma sede insaciável de MTV e de outras expressões da decadência ocidental. Foi motivada por um profundo anseio de verdade, justiça e decência elementar na vida pública. A Igreja greco-católica ucraniana, uma Igreja da “periferia” de que o papa Francisco nos fala, está totalmente envolvida na briga pelo futuro moral da Ucrânia. Essa brava Igreja merece a solidariedade dos católicos do mundo inteiro.