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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Papa Francisco: peçamos a graça de morrer na Igreja * Em sua homilia de hoje, o Papa sublinhou a necessidade de pedir a graça de morrer na Igreja, na esperança e deixando a herança de uma vida cristã

Papa Francisco: peçamos a graça de morrer na Igreja

Em sua homilia de hoje, o Papa sublinhou a necessidade de pedir a graça de morrer na Igreja, na esperança e deixando a herança de uma vida cristã

Rádio Vaticano
 
CC William Pearce
Na missa desta quinta-feira na Capela da Casa de Santa Marta, o Papa Francisco, na sua homilia, comentou a primeira leitura do dia que nos relata a morte de David depois de uma vida ao serviço do seu povo. Foi uma reflexão do Santo Padre sobre o mistério da morte, da qual podemos extrair três ideias: permanecer até ao fim com o Povo de Deus no seio da Igreja; morrer conscientes da esperança; e deixar um testemunho cristão como herança.

“Pecador sim, traidor não! É esta é uma graça: permanecer até ao fim no Povo de Deus. Ter a graça de morrer no seio da Igreja. E este é o primeiro ponto que eu gostaria de sublinhar. Também para nós pedir a graça de morrer em casa. Morrer em casa, na Igreja. E esta é uma graça! Isto não se compra! É um presente de Deus e devemos pedi-lo: ‘Senhor, dá-me a prenda de morrer em casa, na Igreja!’. Pecadores sim, todos somos! Mas traidores não! E a Igreja é tão mãe que nos quer assim, tantas vezes sujos, mas a Igreja limpa-nos: é mãe!”

“Santa Teresinha do Menino Jesus dizia que, nos seus últimos tempos, na sua alma havia uma luta e quando ela pensava no futuro, àquilo que a esperava depois da morte, no céu, ouvia como que uma voz que dizia: 'Mas não sejas tonta, espera-te a escuridão. Espera-te apenas a escuridão no nada!’ É a voz do diabo, do demônio, que não queria que ela confiasse em Deus! E pedir esta graça. Mas confiar em Deus começa agora, nas pequenas coisas da vida, mesmo nos grandes problemas: confiar sempre no Senhor e assim ficamos com este hábito de confiar sempre no Senhor e cresce a esperança. Morrer em casa, morrer na esperança.”

A terceira ideia da reflexão do Papa Francisco é sobre a herança que deixa David. Recordando que tantos são os problemas e escândalos que existem em muitas famílias sobre as heranças, o Santo Padre afirmou que a melhor herança que podemos deixar aos outros é o testemunho cristão:

“Esta é a herança: o nosso testemunho de cristãos deixado aos outros. E alguns de nós deixam uma grande herança: pensemos nos santos que viveram o Evangelho com tanta força, que nos deixam um caminho de vida e modo de viver como herança."

"Eis as três coisas que me vêm ao coração na leitura desta passagem sobre a morte de David: pedir a graça de morrer em Igreja; morrer na esperança, com esperança; e pedir a graça de deixar uma bela herança, uma herança humana, uma herança feita com o testemunho da nossa vida cristã. Que São David nos conceda a todos nós estas três graças!”

(Com Rádio Vaticano)

 

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Podemos ser bons sem Deus e sem a Igreja? * Todo ser humano anseia pelo bem em seu coração, mas há algo na fé que faz a diferença


Podemos ser bons sem Deus e sem a Igreja?
Todo ser humano anseia pelo bem em seu coração, mas há algo na fé que faz a diferença
Desde la Fe


Podemos ser bons ser Deus?, pergunta o apologista católico Todd Aglialoro em seu blog. E responde dizendo que, sem dúvida, há pessoas não crentes que são boas pessoas, mas que ter fé faz uma grandíssima diferença. E dá quatro poderosas razões:

1. Deus determina o que é bom. Por nós mesmos, poderíamos considerar bom roubar ou matar, seria o caos. Só Deus tem autoridade para definir o que é bom.


2. Deus oferece uma perspectiva eterna. Saber que o que fazemos aqui determina onde passaremos a eternidade nos motiva a ser bons, ao contrário de quem pensa que não existe um Deus a quem um dia prestará contas.


3. Deus nos dá um verdadeiro humanismo. Todos nós amamos nossos entes queridos e ajudamos os necessitados, mas os crentes estão dispostos a fazer algo que muitos não crentes consideram insensato e inclusive repulsivo: amar os inimigos, perdoar, fazer o bem a quem nos fez um mal, defender a vida da concepção até seu fim natural.

4. Deus dá sua graça. Todos nós pecamos, mas os crentes contam com a graça de Deus para livrar-se do pecado.


O apologista conclui que precisamos de Deus para ser verdadeiramente bons.

E há quem pense que só precisa de Deus, mas não da Igreja. Mas será que podemos sem bons sem a Igreja?


Assim como no caso anterior, a resposta é que, para ser verdadeira e plenamente bons, precisamos da Igreja. Consideremos estas quatro razões:


1. A Igreja ajuda a interpretar a vontade de Deus e aplicá-la à nossa vida cotidiana. Conhecemos Deus por meio da Bíblia, mas a Bíblia pode ter muitas interpretações; há inclusive quem a cita para defender atos ruins. Para entendê-la corretamente e aproveitá-la para bem próprio e alheio, precisamos da Igreja, fundada por Cristo e conduzida pelo Espírito Santo.


2. A Igreja nos integra à grande família de Deus e nos convida a construir e habitar, desde agora, o Reino dos céus. Ela nos incentiva a ser bons, a rezar, a imitar Jesus, a aproveitar os exemplos e ensinamentos de crentes sábios e santos de todos os tempos. Em um mundo para o qual o que é bom se apresenta como mau e vice-versa, a Igreja é uma referência indispensável para não perder a bússola.~


3. Na Igreja, aprendemos a pedir perdão e a perdoar, a amar como Cristo nos ama, a fazer o bem a todos. Pertencer à Igreja é pertencer à instituição que oferece mais ajuda humanitária no mundo inteiro, sem distinção de credos, etnias, condição econômica, política ou social.


4. A Igreja nos dá, por meio dos sacramentos, a graça divina indispensável para poder cumprir o que Jesus nos pediu (cf. Lucas 6, 35; Mt 5, 48) e ser não só bons, mas santos.

(Artigo publicado originalmente por
Desde la Fe)

Desde la Fe

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Fé: abandonar-se nas mãos de um amor que tem sua origem em Deus


Fé: abandonar-se nas mãos de um amor que tem sua origem em Deus

A fé é compreendida como a resposta que o homem dá com responsabilidade a uma proposta, decifrada como sendo a revelação do próprio Deus na vida concreta

 

 
 

Por Frei Marcos Antonio de Andrade

A evidência da fé…

O Novo Testamento fala tanto da dúvida como da fé. Os apóstolos não estavam muito surpreendidos pela dificuldade em acreditar, pois sabiam que ela estava predita pelos profetas. Paulo e João citam a palavra de Isaías: «Senhor, quem acreditou na nossa mensagem?» (Jo 12,38 e Rm 10,16). João acrescenta: «era o que Isaías tinha dito ainda: ‘Cegou-lhes os olhos e endureceu-lhes o coração, para que seus olhos não vejam, seu coração não compreenda’» (Jo 12, 39-40). Os quatro Evangelhos fazem referência a esta passagem do capítulo 6 de Isaías. O que podemos notar é que a fé não é evidente!

O Evangelho de João mostra a fé no pano de fundo do seu oposto. Desde o início Cristo é ignorado: «Veio para o que era seu e os seus não o receberam» (Jo 1,10-11). É verdade que a certa altura muitos seguiram Jesus. Mas, rapidamente, a maioria deixa de acreditar nele: «Muitos discípulos voltaram atrás e não andavam mais com ele» (Jo 6,66). Jesus não tenta agarrá-los. Constata: «Por isso é que vos disse: ‘Ninguém pode vir a mim se não lhe for concedido por meu Pai’» (Jo 6,65). Cristo não procurou suscitar a adesão através da persuasão, pois a fé tem uma profundidade que ultrapassa a inteligência e as emoções. Enraíza-se nessas profundidades onde «o abismo chama outro abismo» (Sl 42,8), onde o abismo da nossa condição humana toca no abismo de Deus. «Ninguém pode vir a mim, se o Pai, que me enviou, o não atrair» (Jo 6,44). A fé nasce inseparavelmente da atuação de Deus e da vontade humana. Ninguém acredita se não quiser. Também ninguém acredita sem que Deus o permita.

Se a fé é um dom de Deus e se nem todos acreditam, será que Deus afasta alguns? Na passagem onde João cita Isaías sobre a impossibilidade de crer, também transmite uma palavra de esperança de Jesus: «E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim» (Jo 12,32). Elevado sobre a cruz e elevado na glória de Deus, Cristo «atrai» como o Pai «atrai». Como é que ele faz para atingir todos os seres humanos? É impossível dizê-lo. Mas por que não havemos de confiar nele no que diz respeito àquilo que nos ultrapassa?

Até à última página, o Evangelho de João mostra a fragilidade da fé. A dúvida de Tomé tornou-se proverbial. Mas o que é decisivo é que, sem acreditar, permanece na comunidade dos crentes – e evidentemente, estes não o expulsam! Tomé espera, o Ressuscitado mostra-se a ele, e ele acredita. Depois Jesus diz: «Porque viste, creste. Felizes os que não viram e creram!» (Jo 20,29). A fé não é um feito. Vem inesperadamente, ninguém sabe como. É uma confiança que se espanta com ela própria.

A fé enquanto abertura radical ao Mistério

Diz Leonardo Boff num de seus livros: “A fé consiste fundamentalmente numa atitude radical de abertura para o Mistério de nossa existência e de sua acolhida amorosa, modificando o caminhar humano. Crer em Deus é um modo de viver a vida como confiada, entregue, colocada em Suas mãos; é uma maneira de totalizar todas as nossas experiências e interpretar o mundo, vendo-o a partir do desígnio de Deus e ligado umbilicalmente à Sua divina realidade.”

Este é o sentido originário de crer, como um existir em confiança e abertura, mas uma abertura iluminada por um Tu absoluto, uma “Luz na qual vemos a luz” (Sl 36,10). Esse tu comungado e amado deixou sua obscuridade misteriosa e se fez nosso irmão em Jesus Cristo, Deus encarnado. Crer, significa abrir-se, deixar-se orientar, acolher a santa humanidade de Jesus de Nazaré na qual encontramos o Absoluto Mistério, sentido de nosso viver e morrer.

Crer é mais que um confiar-se radical e ontológico ao Tu divino; é também abrir-se e acolher o que Ele nos tem a dizer, seu projeto histórico sobre o homem, sua revelação sobre o destino do mundo. O que Ele nos tem a dizer o auscultamos em nossa consciência; com sentidos afiados por Sua luz o descobrimos nos sinais dos tempos e na história que Ele fez com um povo. Isso é testemunhado pelas Sagradas Escrituras,  interpretadas à luz da história da fé cristã, história que culminou no caminho concreto de Jesus de Nazaré vivo, morto e ressuscitado.

Essa atitude de abertura e acolhida, por um lado universal e por outro concreta, constitui uma manifestação do que seja graça em cada homem. Porém, esta graça não se restringe a uma dimensão pessoal, ela se desdobra numa dimensão eclesial e social. Em última análise, é por causa da fé que nós somos responsáveis pelo tipo de sociedade, de fraternidade, de Província, de Ordem, de Igreja e da qualidade de vida criadas ao nosso redor. Se elas dão margem à emergência de Deus ou O abafam com sua prepotência. A emergência, a transparência e a epifania da fé se dá nas obras (Tg 2, 14-18).

A fé enquanto resposta do ser-humano   

A fé é compreendida como a resposta que o homem dá com responsabilidade a uma proposta, decifrada como sendo a revelação do próprio Deus na vida concreta. Ela deve exprimir a nossa assunção de forma livre para uma realidade que é fundamento e destinação. O homem exprime essa sua experiência por várias formas: pelo culto, por símbolos, por fórmulas doutrinais e por organizações religiosas. A religião é a fé institucionalizada, e a fé é o núcleo e a substância da religião.

Embora geralmente a fé seja vista como uma religião, porque trata da relação com esse Absoluto a que se chama Deus, esta noção não se revela muito útil para a captar no seu carácter único. Será ela então uma espiritualidade? Sim, no sentido em que oferece um caminho pessoal e vivido de aprofundamento do sentido da existência. É uma peregrinação nas pisadas de Cristo, e coloca forçosamente o peregrino em relação com todos aqueles que estão no mesmo caminho. Sabemos que não pode haver fé sem religião, mas pode contudo haver religião sem fé! Basta observarmos o legalismo, o ritualismo, o dogmatismo, o sacramentalismo, etc.

Mas a fé é quase nada, mal se discerne – pequena como um grão de mostarda, dizJesus (Lc 17,6). Ao mesmo tempo, é «mais preciosa que o ouro» (1Pd 1,7), «santíssima» (Jd 20). A fé pertence às virtudes teologais, nos diz o Catecismo: «são infundidas no homem com a graça santificante, tornam-nos capazes de viver em relação com a Trindade e fundamentam e animam o agir do cristão, vivificando as virtudes humanas. Elas são o penhor da presença e da ação do Espírito Santo nas faculdades do ser humano» (CIC 384). Segundo S. Paulo «A fé, a esperança e a caridade permanecem para sempre. Porém, a maior delas é a caridade» (1Cor 13,13), pois «a Fé atua pelo amor» (Gl 5,6). No séc. VII, Máximo, o Confessor, identifica a fé com o reino de Deus: «A fé é o reino de Deus sem forma visível, o reino é a fé que tomou forma segundo Deus». E acrescenta que a fé realiza «a união imediata e perfeita do crente com Deus em quem crê».

O fundamento da fé

“Ressuscitou!” Este é o fundamento da nossa fé, a razão da nossa esperança e o motivo da nossa caridade: «Se Cristo não ressuscitou, vazia é a nossa pregação, vazia também é a nossa fé» (1Cor 15,14). Sem esta experiência, a cruz de Jesus e as nossas seriam uma tragédia e a vida cristã um absurdo. A partir dela, ao contrário, podemos cantar com a liturgia: “O Crux, ave, spes unica” (Salve, ó cruz, nossa única esperança). O Crucificado «ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras» (1Cor 15,4). Eis aqui o núcleo central da nossa fé e do kerigma primitivo: «Tanto eu como eles, eis o que proclamamos» (1Cor 15,11). A ressurreição é o grande “sim” de Deus Pai a seu Filho e, nele, a nós, por isso é também o tema do anúncio e o fundamento da nossa fé.



terça-feira, 8 de outubro de 2013

Assim poderemos viver felizes nesta vida, e tranquilos, como aquele menino que seguia no trem cujo maquinista era seu pai *A fé que remove montanhas


A fé que remove montanhas

Assim poderemos viver felizes nesta vida, e tranquilos, como aquele menino que seguia no trem cujo maquinista era seu pai

07.10.2013


Prof. Felipe Aquino

 

Um menino viajava sozinho em um trem de carga. Quando o trem chegou a uma estação, o chefe desta perguntou-lhe intrigado:

- Menino, o que você faz neste trem? Você sabe para onde este trem vai?

O garoto, muito tranqüilo, lhe respondeu:

- Não se preocupe, senhor, estou apenas andando de trem. Gosto muito de andar de trem.

O chefe da estação, mais intrigado ainda, ordenou-lhe que saísse do trem e disse que providenciaria para que ele voltasse para casa. Nisso o garoto lhe respondeu, sorrindo:

- Não se preocupe, senhor, meu pai é o maquinista deste trem… Para onde o trem for, ele vai junto comigo…

Essa história pode ser aplicada à nossa vida religiosa e à nossa fé em Deus. Vivemos dizendo ao Senhor, em nossas orações, que nós confiamos n’Ele, mas tantas vezes não agimos assim nas horas mais difíceis. Não aprendemos ainda a abandonar nossa vida nas mãos de Deus e a deixar que Ele a conduza conforme Sua vontade. Creio ser essa uma das mais profundas experiências religiosas que devemos viver. Como aquele garoto do trem precisamos viajar tranqüilos no trem desta vida, certos de que o “maquinista” dela é o nosso Pai. Ele nos criou por amor e nos guia no Seu amor. Precisamos confiar nisso para ver a mão de Deus na nossa vida e sentir que a Sua face nos acompanha.

Há três versículos na Bíblia que repetem a mesma palavra de Deus: “O justo viverá pela fé” (Hb 2,4; Gl 3,11; Hb 10,38). E há um outro onde São Paulo nos ensinou que “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11,6a). De fato, sem uma confiança profunda em Deus pela fé, é impossível fazermos a Sua vontade, pois essa se realiza em nossa vida na medida em que, pela fé, aceitamos os acontecimentos cotidianos.
 
 







Toda a Bíblia é um livro de fé que narra a aventura de muitos homens e mulheres que, agindo na fé, fizeram a vontade de Deus, vencendo obstáculos intransponíveis. Quando agimos na fé sentimos com clareza o que o anjo disse a Maria: “A Deus nenhuma coisa é impossível” (Lc 1,37).

Jesus repreendia severamente os Seus discípulos quando eles fraquejavam na fé, e chamava-os de “homens fracos na fé”. Depois da tempestade acalmada, disse-lhes: “Por que este medo gente de pouca fé?” (Mt 8,26a). A Pedro, que afundara nas águas do mar de Tiberíades, Ele disse “Homem de pouca fé, por que duvidaste?” (Mt 14,31b).

Deus não pode agir em nossa vida quando não demonstramos confiança Nele e no Seu amor. O poder de Deus é liberado quando nos lançamos em Seus braços com toda a fé. O livro dos Salmos está repleto dessa profunda manifestação de fé em Deus. O rei Davi, que vivia pela fé, cantava:

“O Senhor é meu pastor, nada me faltará

Ainda que eu atravesse o vale escuro,

Nada temerei, pois estais comigo” (Sl 22,1.4a).

“O Senhor é minha luz e minha salvação, a quem temerei?

O Senhor é o protetor de minha vida, de quem terei Medo?” (Sl 26,1)

Essa jubilosa esperança em Deus, que faz brotar dos lábios do homem de fé palavras de confiança no Criador, é a sua força e alegria, mesmo nos momentos mais difíceis da vida. Nós também precisamos fazer crescer nossa fé, repetindo e vivendo essa esperança em Deus todos os dias, até que nossa vida e nosso futuro estejam completamente em Suas mãos. Essa fé é o único remédio disponível para o homem cansado e estressado de nossos dias. Enquanto as âncoras não estiverem presas no absoluto de Deus, não estaremos firmes. Só Deus, no Seu poder, é capaz de nos dar a segurança que está além de tudo  e de todos. Então poderemos cantar como o salmista:

“Só em Deus repousa minha alma,

Só dele me vem a salvação.

Só ele é meu rochedo e minha salvação;

Minha fortaleza: jamais vacilarei.

Ó povo, confia nele uma vez por todas” (Sl 61,2-3.9).

Assim poderemos viver felizes nesta vida, e tranquilos, como aquele menino que seguia no trem cujo maquinista era seu pai.

Prof. Felipe Aquino

(Retirado do livro: “Em Busca da Perfeição”)


(Publicado em Cléofas, no dia 4 de outubro de 2013)

 

domingo, 24 de fevereiro de 2013

O Papa da nossa Fé --- Bispo eméroto de Roma


O Papa da nossa Fé

 
O Ano da Fé é um presente que o Papa Bento XVI ofe­receu à Igreja, entre muitos outros, sendo de destacar o precioso Catecismo da Igreja Católica, de cuja pri­meira edição festejamos os 25 anos. Mas a sua pas­sagem por Portugal também nos ofereceu pequenos exemplos e testemunhos da sua, da nossa Fé.

Refiro-me ao modo como as pessoas recebiam a comunhão das mãos do Vigário de Cristo: de joelhos e com um acólito a segu­rar uma bandeja para recolher as pequenas partículas que even­tualmente pudessem cair das Hóstias consagradas. Soube-se, mais tarde, que se tratava de um pedido formal do Papa e não de um mero gesto protocolar.

O facto deve ter deixado marca na vida interior de alguns portu­gueses, pois aumentou o número de pessoas que se ajoelham, por vezes no chão (sobretudo os jovens) para receber a comu­nhão na boca. Alguns párocos já se aperceberam do fenômeno e colocaram genuflexórios nas suas igrejas, permitindo um maior conforto a quem optar por esta modalidade e mantendo a possi­bilidade da comunhão em pé aos que assim preferirem ou esti­verem impossibilitados de o fazer. Nessas paróquias, reparamos que muitos adultos acompanham o exemplo dos jovens.

Na verdade, é o próprio Cristo que está presente na Hóstia con­sagrada e o Santo Padre recordou-nos isso com estes gestos li- túrgicos de veneração, respeito e adoração. Levantar-se para cum­primentar alguém - os pais, uma senhora, um professor, um su­perior - é um sinal de respeito e de justa retribuição, pois, em princípio, todas estas pessoas contribuíram de alguma forma para a nossa boa forma de viver: deram-nos a vida, formação huma­na, conhecimentos, trabalho e formação profissional, etc.. Quem muito dá, merece alguma retribuição, geralmente manifestada por gestos de carinho, como os beijos dos filhos aos pais. O respei­to é a forma de carinho conveniente entre pessoas que se rela­cionam com menor grau de intimidade ou que desejam manifes­tar reconhecimento ou admiração.

Com efeito, nas relações humanas podemos distinguir dois tipos: as públicas e as privadas. Nas primeiras, é conveniente usar ges­tos previstos ou protocolares e que devem seguir certas regras e convenções de acordo com as tradições dos países, clubes, colégios, etc. Nas privadas é permitida uma maior espontanei­dade. O mesmo sucede em relação a Deus. A comunhão é um acto público e consiste em receber no corpo e na alma o pró­prio Deus que morreu para nos salvar. O gesto conveniente do homem em relação a Deus é de adoração: ajoelhar-se, no nos­so mundo ocidental.

O cuidado de usar bandeja também faz pensar. Se as Hóstias es­tão consagradas, as partículas (migalhas) que delas se despren­dem também o estão e devem ser veneradas com o mesmo res­peito. Uma vez recolhidas, costumam ser colocadas no cálice e consumidas juntamente com água.

Decididamente, devemos agradecer muito ao Papa Bento XVI que nos tenha ajudado a aumentar a nossa Fé, mesmo em atitudes aparentemente de pouca monta.

 In Diário  do Minho ,por Isabel Vasco Costa, em artigo de Opinião

sábado, 1 de dezembro de 2012

A Fé ensina a viver melhor e a ser mais feliz neste mundo



 


A fé, manifestada em Jesus, ensina-nos a viver neste mundo. O nosso ponto de partida pode ser a passagem da Carta a Tito (Tt 2,12), onde se diz a propósito de Jesus: "a graça de Deus, fonte de salvação, manifestou-se a todos os homens, ensinando-nos a viver neste mundo". Esta frase é um desafio, antes de tudo, a tomarmos a sério a huma­nidade de Jesus como narrativa de Deus e do Homem. Nessa humanidade temos o caminho, a verdade e a vida. Hoje sentimos a necessidade muito grande de uma fé orientada para a vida. De uma fé que possa constituir uma arte de viver, um laboratório para uma existência autêntica e não apenas para a manutenção de um conjunto de práticas fragmentárias. E precisamos reencontrar ou reinventar, a partir da fé, uma gramática do humano. A fé é um exercício muito concreto de con­fiança na narrativa de Deus que Jesus nos relata com a sua própria vida, com o seu próprio corpo, os seus gestos, o seu silêncio, a sua história, a poética da sua humanidade. Que se pode concluir então? Que Deus, por exemplo, não bate a uma porta que nós não temos, mas está à nossa porta e bate; que

Deus não está numa época passada ou futura simplesmente, mas Deus emerge no nosso presente histórico e é aí (é aqui!) que o encontro com Ele se torna para nós decisivo.

Há um ensaio literário de uma grande autora americana, Susan Sontag, onde ela se levanta contra a interpretação, porque diz, "O mundo encheu-se de comentários, já só vivemos de coisas em segunda mão". De facto, cada vez estamos mais distantes da fonte, do original, do acontecimento, porque vivemos na novela dos comentários e das interpretações. Há sempre mais uma interpretação que se sobrepõe, à maneira de cascas de cebola. Mas o que é a essência do (nosso) problema? O que é o núcleo fundamental? Isso como que nos escapa. E Sontag dizia que o que temos a fazer é ensinar a ver melhor, a ouvir melhor, a saborear melhor, a tocar melhor. No fundo, a exercitar melhor a nossa humanidade. Uma fé vivida aqui e agora é também uma fé que não se deixa capturar pelo labirinto epidérmico dos meros co­mentários, mas arrisca-se a construir como uma aventura na ordem do ser.

                                                                          José Tolentino Mendonça, in Agência Ecclesia