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quarta-feira, 12 de junho de 2013

A Peste Branca dizima população!


A Peste Branca dizima população!

   É muito preocupante a situação demográfica em Portugal. Contrariamente ao que muitos pensam, não basta criar mais e melhores condições económicas às famílias. Obviamente que estas são positivas. Mas… o mais grave e onde ninguém deseja mexer é tomar medidas na área da mudança de mentalidades. É um facto indesmentível que estamos mergulhados numa mentalidade absolutamente contraceptiva. Separamos o amor do sexo e este da reprodução, quase sempre programada tecnicamente, dilaceramos o acolhimento à vida. Estamos contra ela de forma clara e insofismável. Basta ver como se faz a chamada educação sexual e reprodutiva: ter sexo, não interessa como, quando ou com quem. O importante é não ter filhos em nome de não ter DST – doenças sexualmente transmissíveis. Insiste-se na irresponsabilidade e vagabundagem da actividade sexual! Depois, legalizou-se e liberalizou-se o aborto, em nome da chamada “saúde sexual e reprodutiva” e criaram-se todos os obstáculos possíveis para fazer diminuir o número de abortos. E a agravar a situação, a “pílula do dia seguinte” (RU 486) é de uso e aquisição livre, como contraceptivo que não é, mas sim como um abortivo que é. A “pílula do dia seguinte” não impede a gravidez mas é forma química, mais ou menos eficaz, de eliminar um bebé no início da sua formação. É, sem dúvida um abortivo, promovido a anticoncepcional! Os promotores da mentalidade reinante, ferozmente contraceptiva e abortiva, recorre a todos os meios, económicos, culturais e educativos. Têm dinheiro e os media estão ao seu serviço.

  

   Perante esta campanha anti-vida, sistemática, capilar ou ostentiva, que se esperava quanto à evolução da taxa de natalidade?

 

   Infelizmente, sem crianças não há futuro!... E Portugal está sem futuro! É esta a triste realidade que faz com que haja, anualmente, mais abortos, cirúrgicos ou químicos, e nasçam menos bebés… E para cúmulo, querem chamar casamento a um acto que é, em si, naturalmente, estéril e infecundo, destruindo e desvalorizando o seu sentido profundo que se confirma no… nascimento de um bebé, gerado pela Mãe, acompanhado e também esperado pelo Pai. O casamento é por natureza fértil e fecundo. As excepções só confirmam a regra. Com dois homens ou com duas mulheres, naturalmente, não há fertilidade. Há impossibilidade biológica. Simplesmente. A espécie humana – Homo sapiens – é gonocórica. E não há volta a dar-lhe! Pode-se fingir. Lá isso pode, mas… não é a mesma coisa, pois não?
                                                                                                      Carlos A. Gomes

 

sábado, 2 de fevereiro de 2013

A inveja é pecado?




São Tomás se pergunta, na Suma Teológica, se a inveja é pecado. E aborda o tema deixando clara a diferença entre a inveja e alguns outros sentimentos semelhantes que podem não constituir pecado, pois em muitas passagens da Escritura, bem como nos escritos dos Santos, somos convidados a imitar ou “invejar” o próximo.

Por exemplo, em carta a uma de suas dirigidas espirituais, São Jerônimo recomenda-lhe dar à sua filha “companheiras de estudo que ela possa invejar, cujos êxitos a estimulem”.

A inveja, como foi visto, é uma certa tristeza causada pelos bens alheios. Mas a tristeza à vista dos bens de outrem pode sobrevir de quatro modos.

1º - Quando um homem se entristece por ver que seu inimigo foi promovido e, com isso, ficou em condições de prejudicá-lo, tal sentimento não é inveja, mas sim um efeito do medo. Portanto, pode não ser pecado, explica o Doutor Angélico, citando São Gregório: “Acontece muitas vezes que, sem faltar com a caridade, a ruína do inimigo nos alegre, ou sua glória nos entristeça, sem que haja pecado de inveja, quando pensamos que sua queda permitirá que alguns se levantem, ou quando tememos que seu sucesso seja para muitos sinal de uma injusta opressão”.®

2º - Se nos entristecemos com o bem do próximo, não pelo fato de este o possuir, mas porque dele estamos privados, não é propriamente inveja, é zelo. Consiste no fato de desejar um bem que o outro tem, sem, entretanto, querer que o outro deixe de possuí-lo. Afirma São Tomás: “Se esse zelo se refere a bens honestos, é então digno de louvor, conforme diz o Apóstolo: ‘Tenham emulação pelos bens espirituais’ (I Cor 14, 1). Referindo-se a bens temporais, pode ou não ser acompanhado de pecado”.

3º - Pode acontecer de alguém entristecer-se à vista do bem do próximo, pelo fato de ser indigno quem o possui. Entretanto, tal tipo de tristeza não pode recair sobre os bens honestos, pois estes melhoram aquele que os recebe. Essa tristeza chama-se nêmesis ou indignação causada pela injustiça, explica São Tomás, o qual nos adverte: “Os bens temporais, que os indignos recebem, lhes são concedidos por uma justa ordenação de Deus, para sua emenda ou para sua condenação. Esses bens não têm, por assim dizer, nenhum valor, em comparação com os bens futuros que são reservados aos bons. Por isso essa tristeza é proibida pela Escritura, segundo o salmo: ‘Não tenhas inveja dos pecadores, não invejes os que cometem a iniquidade’ (SI 36, 1). E num outro salmo: Ainda um pouco e eu daria um passo em falso, porque estava com inveja dos ímpios, vendo a paz dos pecadores’ (SI 72, 2-3) ”.

4º - O quarto modo é o que corresponde propriamente à inveja. Ou seja, é a tristeza pelo bem do outro pelo fato de este ter mais do que nós. Isto é sempre pecado, pois nos leva a entristecer por algo que deve causar-nos alegria: o bem do próximo.

 

À Cf. SÃO TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica, II-II, q.

36, a.2.

­ SÃO JERÔNIMO. Epist. 107, al.7, n.4; ML 22, 871.

® SÃO TOMÁS DE AQUINO, op. cit., II-II q. 36, a.2.

¯ Idem, ibidem.

° Idem, ibidem.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

A modernidade reclama e a imaginação desafia


A modernidade reclama e a imaginação desafia


 


Sou dos que acreditam que a confiança é fun­damental para o progresso e desenvolvimento das nações e das instituições, desde logo por­que corresponde a um sentimento profundo de duplo sentido; quer dos que confiam, quer dos que são objeto dessa confiança.

Vivemos dias difíceis, em que os valores que dominaram e foram o motor do desenvolvi­mento da Europa ao longo dos séculos estão postergados e submersos numa cascata con­fusa de interesses e de poderes, que utilizam os recursos financeiros como arma e alavanca. Não sei, não posso saber, durante quanto tempo e para onde nos conduzirá este per­curso; mas é inquestionável que Portugal, mais opção, menos opção, será sempre um elemento frágil deste puzzle.

De facto, não havendo recursos e proliferan­do as necessidades, teremos todos não só que ser realistas, como também eficazes e imaginativos. Porque todos sabemos já que se não existisse setor solidário em Portugal, o problema do Governo não seria o de reduzir a despesa pública em 4,5 mil milhões de euros, mas sim certamente em mais alguns milhares de milhões de euros.

É evidente que a principal função do Estado Social, no futuro próximo, será o de garantir um conjunto de respostas que a dignidade humana exige, a modernidade reclama e a imaginação desafia, e que para nós, católicos, se pode designar de uma forma soberba na expressão de João Paulo II: "A nova fantasia da caridade!"

A devolução dos hospitais às Misericórdias, as experiências-piloto na área do Alzheimer ou do acolhimento de idosos, a rede de can­tinas sociais, os cuidados continuados para crianças, o esforço no sentido da abertura de todas as unidades da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integral em fase de conclusão ou já prontas, a continuação da proteção à deficiência e às crianças em risco, a integração das amas nas instituições, são algumas das manifestações dessa imagina­ção, em que todos temos de dar as mãos, em nome dessa "fantasia" e da nossa missão em cooperar com o Estado, em nome e por causa das pessoas.

Chamo a atenção para a circunstância de ter utilizado a palavra "garantir" e não a palavra "prestar". O Estado Social do futuro próximo pode e deve ser um Estado que garanta as respostas às necessidades dos cidadãos, como regulador para todos, como pagador em nome da solidariedade e da coesão social para os que precisem e só, residualmente, como prestador.

Parece-me evidente que um novo olhar sobre o Estado Social implica um novo olhar sobre o fenômeno social do envelhecimento. Basta olhar para a inquestionável verdade da demografia, associando-lhe as doenças crônicas (70% do orçamento do Ministério da Saúde), as demências (153 mil pessoas em 2010), a solidão, a contínua desestruturação das famílias até, imagine-se, invocando a competitividade, o aumento da incidência da pobreza sobre os mais velhos e dependentes (cerca de 65% dos nossos pobres são idosos), para percebermos que, mais dia, menos dia, o problema vai assumir uma dimensão que pode ser incontrolável do ponto de vista da dignidade humana.

Só uma política humanista de verdadeiro cuidado com os nossos idosos (que podem ser fator de despesa, mas são os nossos pais, os nossos avós, os nossos amigos e um dia nós próprios) evitará que os hospitais públicos, os lares, as unidades de cuidados continuados ou os centros de dia possam correr o risco de se transformarem de lugares em "deslugares", para utilizar a pertinente expressão do padre José Nuno Silva.

É por isso que a reflexão sobre o Estado Social do futuro será pois, também, ne­cessariamente uma reflexão sobre a nossa sustentabilidade, a nossa missão e o próprio projeto europeu.

É evidente que não tenho ilusões que, pelas mais variadas razões, muitos vão tentar tirar ou colocar este debate da ordem do dia, mas nós - Misericórdias e setor solidário - é que não podemos ir ao sabor desses interesses e marés, porque o que está verdadeiramente em causa é a nossa sustentabilidade e a nossa missão de ajudar os que mais precisam!

Se querem esse debate, se querem assumir a responsabilidade de reformar o Estado (por mim acho muito bem!) então vamos lá, mas até ao fim, seriamente, para que Portugal seja finalmente aquele País onde valha a pena viver e onde, como disse, Sá Carneiro "os velhos tenham presente e os jovens futuro".

Manuel de Lemos, Presidente da União das Misericórdias Portuguesas

Creio na Eucaristia - Dou Graças a Deus




 


A Beata Alexandrina Maria da Costa bem se pode apelidar com o título da “Mística da Eucaristia”. Sua vida foi paixão contínua por Jesus na Eucaristia. Sua união ao sacrário, a Jesus, seu Tesouro, era quase per­manente. O seu desejo de participar na Eucaristia e de comungar era intenso. A graça de ter passado mais de treze anos sem comer nem beber, só alimentada pela Eucaristia, foi dom místico admirável do amor de Jesus. Ela viveu apaixonada pela Eucaristia, é uma Vítima oferecida na Eucaristia com Jesus. Sua vida eucaristica é modelo para cada um de nós. Recordar neste Boletim a Eucaristia é centrar-se na riqueza máxima que encantou a vida e o coração de Alexandrina.
Na Quinta-Feira Santa, o Senhor Jesus celebrou e instituiu a Eucaristia. Depois de Se ajoelhar e de lavar os pés aos seus discípulos, deu-lhes a comer o seu Corpo e a beber o seu Sangue. Ceia da nova e eterna aliança selada no seu Sangue, na sua oferta redentora, antecipando para a véspera o dom que faria na Cruz, a oferta da Vítima em holocausto perfeito e total. Banquete sagrado em que nos é dado como alimento o próprio Deus, o Verbo feito Carne no seio da Virgem Maria. Crer na
Eucaristia é centrar a nossa alma e o nosso coração no Mistério da Fé, no cume da vida cristã, no tesouro da vida da Igreja, na refeição sagrada em que nos é dado o Pão do Céu, Pão Vivo que nos alimenta, nos fortifica, nos pu­rifica, nos transforma, nos cristifica, nos diviniza, nos cura, nos ilumina, Pão que é fonte de vida e de santidade.
Crer na Eucaristia, como nos ensinou o Beato João Paulo II, é acreditar no mistério que se nos apresenta com três pólos: celebração, comunhão e sacrário. Celebração que renova a Ceia que Jesus celebrou, que é o maior sacramento, que é o centro para o qual deve convergir a nossa vida e que é fonte da qual tudo nos vem. Celebração que renova o Mistério Pascal da Morte e da Ressurreição de Jesus Cristo e O toma presente em cada altar, feito dom e alimento de vida eterna. Por isso, o segundo pólo é a comunhão, pois a Eucaristia é Ceia, é Banquete em que a Vítima tem que ser comida, como alimento salvador. Comer o Pão do Céu, alimentar a vida espiritual e interior com o próprio Jesus, entrar em intimidade com Ele, permanecer n'Ele e Ele em nós pelo dom da sua dádiva. Crer na Eucaristia leva-nos a preparar- nos para o Banquete e a receber o Pão do Céu, o alimento divino, o próprio Jesus.
Mas há ainda, na fé da Igreja e na nossa fé em Igreja e com a Igreja, o sacrário, onde Jesus está em Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Presença em milhões de sacrários dAquele que é o Senhor, que é o Rei do Universo, que é o Omnipotente, que é Filho de Deus e Filho de Maria. Por isso, o Beato João Paulo II nos disse que o sacrário é como um “iman que nos atrai”, pois está lá o nosso Amigo, o nosso Salvador, o nosso Deus. Atrai o coração e a alma de cada cristão para ir estar com Ele em adoração, em louvor, em acção de graças, em súplica, em contínua reparação. Atrai- nos pois tem sede de nós, da nossa companhia, da nossa amizade, do nosso diálogo, da nossa presença, da nossa oração. E se Ele tem sede de nós, nós devemos ter sede d'Ele e ir para junto da sua Pessoa, cultivando a amizade e a companhia. Ter sede do Pão do Céu, pois acreditamos que é Ele, Jesus de Nazaré, que está em cada sacrário. Acreditamos que cada Hóstia consagrada é Ele, acreditamos que a Eucaristia é a sua oblação, a sua Ceia, o seu Mistério pascal renovado.
Acreditar na Eucaristia deve trans­formar a nossa vida, deve ir divini- zando o nosso ser, deve ir santificando o nosso corpo e a nossa alma. Acreditar na Eucaristia e comungar Jesus deve ser fonte e escola de contínua caridade, pois Ele dá-Se-nos para nos ensinar a darmo-nos aos outros em serviço dedicado e humilde. Acreditar na Eucaristia levar-nos-á a oferecer-nos no altar com Jesus, pois queremos ser colaboradores da redenção e ser oferta viva para que o mundo tenha vida e a tenha em abundância. Acreditar na maravilha da Eucaristia, na pérola que é a Missa levar-nos-á a centrar n'Ela a vida toda, vivendo o dia em eucaristia, sendo dom e entrega aos outros ao jeito de Jesus. Precisamos de viver mais a fé na Eucaristia, celebrando melhor, comungando mais vezes e de um modo mais digno e mais comprometido, unindo-nos mais a Jesus em sacrário, expondo-0 em custódia para adoração e louvor perene. Precisamos de cultivar o culto eucarístico que desenvolve em nós o amor, a caridade pastoral, a unidade e a paz.
P. Dário Pedroso, in Esperança e Vida

Chikowa - Zâmbia -Um Olhar sobre o Mundo


Um Olhar sobre o Mundo

Chikowa - Zâmbia




 

Voltei para a minha an­tiga missão de Chikowa na Zambia onde já tinha trabalhado durante 12 anos. Estou cá desde o início de Outubro e apanhei logo o período de maior calor antes do início da estação das chuvas.

Foi uma experiência bonita voltar a encontrar tantas pessoas com quem partilhei a minha vida durante doze anos; ver como tantos que eram crianças quando parti são agora gente cres­cida e alguns até já com os seus próprios filhos.

A recepção das pessoas não poderia ter sido mais calorosa. Quanto ao meu trabalho estou destinado a trabalhar na escola téc­nica onde temos cerca de 80 estudantes em regime de internato divididos pe­los cursos de agricultura, construção e carpintaria.

De momento ainda não sei exac- tamente que papel serei chamado a desempenhar pois ainda não me encontrei com o nosso provincial. Desde que parti, a escola cresceu muito mas todo o sector produtivo que a sustentava está de rastos e precisa de ser de novo reerguido, 0 que não será uma tarefa nada fácil. A escola tem sido gerida por dois Irmãos togoleses que têm um modo diferente de se organizar e os resultados, digamos, têm sido desastrosos. Nos primeiros dias que aqui cheguei só me apetecia fazer as malas e voltar para casa. A gene­rosa oferta recebida da APARF será usada para tentar reerguer o que está destruído mas de momento, porque ainda não me foi dada uma tarefa específica, nada foi usado.

 Comprometo-me daqui a uns meses a dar-vos um relatório de como foi gasta. Diria também que se a APARF na sua magnanimidade e dentro das suas possibilidades puder ser de novo generosa, quem sou eu para me opor?

Daquilo que pude observar, a esmagadora maioria das pessoas continua a viver numa pobreza ex­trema, que nós, em Portugal, apesar das dificuldades pelas quais o país passa, nem sequer sonhamos. A so­brevivência é uma luta diária contra a desnutrição e as doenças sobretu­do a malária e a sida. As crianças no meio disto tudo são sempre as que mais sofrem; vejo que continuam a ir para a escola levando o almoço que consiste num saquito plástico com grãos de milho tostado. Pelo menos agora e durante mais um mês é tempo de mangas pelo que elas comem um pou­co melhor. Se as crianças portuguesas pudessem ver como vivem estas daqui, certamente que deixariam de sertão caprichosas e exi­gentes. Apesar da pobreza, tanto as crianças como os adultos não se queixam e continuam a viver alegres.

Caro Sr. João e a todos os mem­bros da direcção e restante pessoal da APARF, que o Senhor vos aben­çoe. Se tiver possibilidades e assim o desejar será sempre bem-vindo à missão de Chikowa.

 
                                                                                                                                                                                  Ir. Francisco Amarante


terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A forma do cristianismo em mudança

A forma do cristianismo em mudança

  O teólogo Karl Rahner escreveu que "A Igreja tem sido conduzida pelo Senhor da história para uma nova época". Não se trata só de baixas drásticas nos indicadores estatísticos quando se compara a atualidade com aquele que já foi o quadro da vivência da Fé. A questão é bem mais complexa. Talvez o que o nosso tempo descobre, mesmo entre convulsões e incertezas, seja um modo diferente de ser crente, traduzido de formas alternativas nas suas necessidades, buscas e pertenças. Não estamos perante o crepúsculo do cristianismo, como defendem aqueles que se apressam a chamar pós-cristãs às nossas sociedades. Quem não se apercebe que o radical lugar do cris¬tianismo foi sempre a habitação da própria mudança não o colhe por dentro. Mas há eixos que se vão tornando suficientemente claros para que seja cada vez mais um dever os enunciarmos e contarmos com eles. Podem-se apontar três: Primeiro, os cristãos regressam à condição de "pequeno rebanho". Com a evaporação de um cristianismo que se transmitia geracionalmente como herança inquestionada, os cristãos voltam a sê-lo por decisão pessoal, uma decisão muitas vezes em contra- -corrente, maturada de modo solitário em relação aos círculos mais imediatos de pertença. Já não é de modo previ¬sível que nos tornamos cristãos. Isso acontece e acontecerá cada vez mais como uma opção e uma surpresa. Depois, à medida que se assiste a um enfraquecimento da inscrição institucional das Igrejas no horizonte da sociedade redescobrimos o valor e as possibilidades de uma presença discreta no meio do mundo. Em tantas situações, nesta diáspora cultural onde estamos semeados, a única palavra verosímil é a do testemunho de uma vida vivida com simplicidade e alegria no seguimento de Jesus. E, em terceiro lugar, esta grande mu¬dança epocal mostra-nos que precisa¬mos recuperar aquilo que Karl Rahner chama o "santo poder do coração". Os cristãos são chamados a viver a amizade como um ministério. "Isto é o que vos ordeno: amai-vos uns aos outros como eu vos amei" (Jo 15,17). Há, de facto, uma revelação do cristianismo que só a prática da amizade é capaz de proporcionar. E nisto, o mundo, que pode até perder-se em equívocos sobre os cristãos, não se engana. Mesmo se for um único instante de contacto o que tivermos, tal basta para deixar transparecer uma amizade.                 José Tolentino Mendonça in Ecclesia

domingo, 13 de janeiro de 2013

Centenário:Conferência Vicentina de Barroselas condecorada como Instituição de Mérito



  


COMEMORAÇÕES DO CENTENÁRIO
Conferência de S. Vicente de Paul
No dia 1 de Dezembro, data em que se completava um século de vida ativa da Conferência de S. Vicente de Paulo de Barroselas, prosseguiram as comemorações do centenário. Nesse dia, começaram com a Eucaristia na igreja Matriz, concelebrada pelo Pá­roco, os padres José Domingos e Paulo Correia, superior do Seminário dos Passionistas. No fim da celebração, num dos salões do novo Centro Paro­quial, realizou-se uma sessão solene, presidida pelo presidente da Câmara Municipal, José Maria Costa.




Na mesa de honra estiveram também: o Pároco, José Domingos de Oliveira; José Esteves, da Conferência de Perre; presi­dente do Conselho Vicentino de Viana, Piedade Gonçalves; da Conferência da Senhora de Fátima, o vice-presidente; e Benedito Cunha, presidente da Confe­rência em festa. Presentes igualmente os presidentes da Assembleia e Junta de Freguesia, Teresa Barbosa e Vasco Lima, respetivamente; confrades vindos de toda a Diocese; e muitos amigos e ben­feitores da Conferência.

Benedito Cunha e a vice-presidente do conselho central das Conferências de Viana usaram da palavra para se referir ao centenário da Conferência de Barro­selas e à acção benfazeja dos vicentinos, desde que, em 1883, Frederico Ozanam fundou em Paris a primeira Conferência para socorrer os marginalizados da­quela cidade e rapidamente a ideia se estendeu a toda a Europa.

Encerrou, a sessão solene, o pre­sidente da Câmara, que disse da sua experiência na área social e que por isso acompanha de perto a atividade dos vi­centinos, para a seguir traçar ajustadas considerações sobre a actual situação econômica do País, assegurando que, cada vez mais, é necessária a ação dos confrades. E terminou, felicitando os membros da Conferência de Barroselas pela forma modesta, mas relevante, como comemoraram o centenário da prestimosa associação.

Seguiu-se um almoço solidário no Lar de S. Pedro, durante o qual atuou o conjunto "Entardecer", da Associação de Reformados de Barroselas.

As comemorações encerraram no dia 9, domingo, com um concerto solidário pela Banda Escuteiros de Barroselas, na igreja matriz, cuja assistência fez questão de entregar à Conferência apreciável quantidade de bens alimentares para distribuir pelos necessitados. A Banda, constituída por seis dezenas e meia de executantes e que já possuiu característi­cas de orquestra sinfônica, sob a regência

do maestro Álvaro Sousa, durarante uma hora, apresentou sete obras excelentes; executadas com muita arte e mestria tendo agradado plenamente ao povo que enchia o vasto templo. No final do concerto, o Pároco, padre dr. José Domingues saudou os presentes e os executantes, felicitou a Banda pelo seu gesto sc e por aquela bela tarde de arte, c cendo a generosidade dos presen

No final, o presidente da D da Banda, Armindo Peixoto, em palavras, referiu a história das Confrências de S. Vivente de Paulo e louvou os vicentinos de Barroselas, pela obi durante um século, tem sido o amparo dos necessitados da Vila.

A culminar os atos comemorativos  do 25º aniversário da elevação da freguesia de Barroselas a Vila, no dia 18 de Dezembro,  a Assembleia e a Junta de Freguesia atribuíram à Conferência de S. Vicente de Paulo o título de Instituição de Mérito.

sábado, 17 de novembro de 2012

Saber sofrer para vencer- de Manuel Oliveira martins


Saber sofrer para vencer

Os direitos adquiridos ao longo dos tempos, quer pelas pessoas quer pelas instituições, são, nos dias de hoje mera panaceia para esquecer.

 

Temos de ter consciência que o mundo está em mutação e que o nosso quintal não é só nosso: temos de repartir as couves e as cebolas pelos que têm fome. É um facto. Mas, aquilo que devemos exigir é que a maior fatia seja nossa, porque trabalhamos a terra e temos direito à primeira e melhor colheita. É justo.

Se pensarmos que existe fome em muitas partes do globo, mais nos devemos importar e preocupar, pugnando por com­bater este flagelo.

A nossa entrada para o «clube dos ricos» criou hábitos subsidiários e consumistas, que se enraizaram no modus vivendi do povo português (e não só), que vai ser difícil eliminar ou corrigir.

 
 
Passamos de oito pora oiten­ta, sem estabilizar em quarenta, que seria o patamar que nos per­mitiria viver confortavelmente, sem sobressaltos, não esbanjan­do aquilo que a outros faz falta. Contribuímos, desta forma, para o desequilíbrio dinâmico do mundo, que não se compadece com conjunturas políticas, eco­nômicas ou sociais.

A posição de equilíbrio é estática, mas exige dinamismo para se manter, porque se não cai, qual trapezista em cima da corda. É um dinamismo cruel e sofrido aquele que se vive para alcançar o desiderato que se pretende atingir, neste caso uma forma de vida condigna.

0 mundo em que vivemos está em desequilíbrio com os muito pobres e os muito ricos, sendo necessário passar para a posição intermédia, sem que a balança pese mais para um lado (neste caso o da pobreza), porque o ser humano precisa de comer para sobreviver e todos sabemos do que somos capazes para conseguir esse estado.

Para se conseguir o equilí­brio dos dois pratos da balança temos de tirar de um lado para o outro. É preciso que os que mais têm se limitem ao necessário, abdicando do supérfluo a favor dos que mais precisam. É uma verdade de La Palice, dirão uns, outros afirmarão que é uma utopia e que jamais o mundo conseguirá atingir esse estado de equilíbrio. Concordo em parte com estas duas posições, mas, se cada um de nós nada fi­zer para modificar estas condi­ções anômalas, o abismo entre ricos e pobres aprofundar-se-á, criando desigualdades insaná­veis e injustas.

Nos tempos que correm e a despeito de pagar a dívida que outros contraíram, este Governo está a contribuir para o apro­fundamento do abismo em que nos encontramos. Mas não nos deixemos cair em desânimo. Foi em momentos de crise, alguns até piores, que soubemos dar a volta por cima.

Assim o queiramos.                     Manuel Oliveira Martins, In Aurora do Lima

sábado, 10 de novembro de 2012



Ao correr da pena e da mente... (22)


"O atletismo é indiscutivelmente o mais universal de todos os desportos. Ne­nhuma outra federação congrega tantos países como a Federação Internacio­nal das Associações de Atletismo. Nenhuma outra modalidade goza de seme­lhante acentuação olímpica".

Sequeira Andrade
 
 
Artigo de Opinião de Porfírio Silva, In Cardeal Saraiva - Ponte de Lima



 
 
 

 
Ao falar-se do atletismo - e para termos uma noção clara de que o mesmo é a forma mais antiga de des­porto e/ou a mais universal das modalidades desporti­vas teremos que forçosa­mente recuar até aos primórdios da nossa civili­zação, mesmo até ao tem­po do homem das cavernas que, de uma forma natural, praticava uma série de mo­vimentos, nas actividades da caça e de defesa, onde saltava, corria, lançava, ou seja desenvolvia uma série de habilidades relacionadas com as diversas provas de uma competição de atletis­mo. Contudo, o atletismo sob a forma de competição, teve a sua origem na gran­de civilização grega, cujo espírito agónico era uma das suas características, desde os mais remotos tempos. Esta realidade já se encontra nos Poemas Homéricos, onde a prepa­ração física é realçada como uma componente es­sencial da mundividência helénica. Segundo o pro­fessor catedrático José Ri­beiro Ferreira - um dos grandes especialistas de estudos clássicos - “a pai­xão atlética emerge, assim, no quotidiano de um povo, que desenvolveu o seu es­pírito de competição, atra­vés da participação em di­versos festivais e jogos que proliferaram nas diversas cidades gregas. Imbuídos de [tal] espírito agónico, amantes do exercício físico e desejosos de se supe- riorizarem aos demais, os Gregos gostavam de parti­cipar em competições*© jo­gos desportivos que reunis­sem a fina-flor dos atletas". As primeiras reuniões desportivas organizadas da história foram os Jogos Olímpicos, organizados pe­los gregos no ano de 776 a.C., cujo principal evento aí realizado foi o pentatlo, que compreendia lança­mento de disco, salto em comprimento e corrida de obstáculos. Celebravam-se no santuário de Zeus em Olímpia e cujo principal motivo eram celebrações e festividades religiosas, nas quais se integravam jogos atléticos, que ali se realiza­vam de quatro em quatro anos. Os jogos serviam amiudadas vezes de palco a conversações e a tratados de importância geral para os Gregos. Não é por aca­so que Olímpia foi escolhi­da, com frequência, como lugar ideal para depositar o registo desses tratados e preservar tais documen­tos. Era o tempo em que os atletas vitoriosos eram recebidos com festejos nas suas cidades e cumulados de honras, sendo que os jogos davam a impressão mais nítida de uma unidade grega.
Esta realidade filosófi- co-desportiva é bem dife­rente nos tempos que cor­rem, já que a cumulação de honras vai mais para outro desporto que nos escusa­mos aqui mencionar, para não ferir susceptibilidades, muitas vezes clubistas. É dentro deste contexto civilizacional contemporâ­neo que, em 1975, a cober­to de uma juventude irreverente, seria fundado o
Grupo de Acção Cultural e Desportiva de Mazarefes (GACDM), embrionaria- mente consumado por nós, Manuel Vaz da Silva, José Maria Rodrigues Forte e Américo Afonso da Balinha. Das profícuas actividades deste Grupo, o atletismo foi sempre a vertente asso­ciativa que mais longe levou o nome da nossa terra, a ponto de, a determinada al­tura, ser uma das grandes fontes de rendimentos para a sustentabilidade do mes­mo Grupo. Em 1987, e por­que se precipitavam algu­mas incongruências e cris- pações em relação à moda­lidade, o responsável pela mesma. Manuel Vaz da Sil­va, a conselho de algumas personalidades ligadas ao meio desportivo federado, resolveu romper com o Gru­po que havia ajudado a cri­ar, fundando o Centro de Atletismo de Mazarefes (CAM), com a empenhada colaboração de outros afi­cionados, a saber: Manuel da Silva Liquito, Armando Afonso Forte, José Napo- leão Ferreira Ribeiro, Agos­tinho Dias Forte, João Pau­lo Dias Carvalho, José Go­mes Forte e Antônio José Liquito da Torre. Não foi fá­cil esta ruptura com o GACDM. levando a algu­mas incompreensões e até a empolgadas reacções negativas por parte de quem se manteve fiel ao Grupo, ora órfão do atletis­mo. Os ânimos exaltados foram-se apaziguando ao longo dos anos e todos fo­ram ganhando o seu espa­ço, conquistando as suas cumulações de honras e a respeitarem-se mutuamen­te, fazendo transparecer a certeza de que tal percurso foi o melhor que poderia ter acontecido para a nossa freguesia, porque se dupli­caram talentos, construí­ram-se novas infra-estrutu- ras e promoveram-se pro­ximidades. Tal como na Grécia, essa mesma com­petitividade acabou por ser palco de conversações e tratados de importância ge­ral para todos nós e para a terra que nos viu nascer, e que a alguns soube acolher. Compreendemos perfeita­mente as palavras de Ma­nuel Vaz da Silva, aquando das comemorações do vi­gésimo quinto aniversário do Centro de Atletismo de Mazarefes (27 de Outubro de 2012), a propósito das dúvidas suscitadas pelos mais incrédulos, na tentati­va de menosprezar o traba­lho levado a cabo ao longo destas duas décadas e meia, relevando-as para o caminho percorrido em de­trimento da desconstrução de uns poucos, que nada fizeram pela freguesia e muito menos pelo atletismo, em especial.
Hoje o atletismo em Mazarefes goza de boa saúde, porque há uma ex­celente e saudável articula­ção com as entidades ofici­ais, nomeadamente com a Câmara Municipal de Viana do Cagftelo, Junta de Fre- $ guesia de Mazarefes, Asso­ciação de Atletismo de Viana do Castelo - sendo que o CAM contribuiu de uma forma particular para a sua fundação -, e com a Associação Social, Cultural e Desportiva da Casa do Povo de Mazarefes (saída da fusão do Grupo de Ac­ção Cultural e Desportiva de Mazarefes com a Casa do Povo, da mesma fregue­sia). Fruto desta saudável articulação, Mazarefes dis­põe hoje de uma Pista de Atletismo, de uma excelen­te sede social e de um polidesportivo sintético, há bem pouco tempo inaugu­rado.
Para terminar este nos­so '‘deambular" da pena e da mente, convém aqui sa­lientar que o Centro de Atle­tismo de Mazarefes tem no seu vastíssimo palmarés, desde campeões distritais a campeões nacionais, quer a nível individual quer colectivo, e pelo quarto ano consecutivo é considerado o clube do ano pela Associ­ação de Atletismo de Viana do Castelo, por ser um clu­be dos mais representati­vos, tanto em número de atletas como em títulos con­quistados. Como diria Ma­nuel Vaz da Silva, o atletis­mo existe em Mazarefes há trinta e sete anos - numa alusão clara ao Grupo de Acção - e “por vezes digo que a nível distrital já ga­nhamos tudo que havia para ganhar". Diremos nós que. com este espirito co- lectivo, ganhou a freguesia, a cidade e a região.
Parabéns ao Centro de Atletismo de Mazarefes e a todos aqueles que dão cor­po a projectos desta natu­reza!      






sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Estará Deus atualizado?


 Estará Deus atualizado?

Sei de antemão que, ao terminar este texto, não ficarei plenamente satisfeita, pois isso sempre me acontece. Nada de preocupante, pois é próprio das pessoas serem capazes de se superar e ir melhorando a qualidade das suas obras. O homem, por natureza, está sempre em busca da perfeição. As pontes, as máquinas, as obras de arte, os meios de comunicação e de locomoção, as leis, etc., são portas que se abrem para não se fecharem. Uma vez alcançado um objetivo, logo o homem se lança em novo desafio. Já consegue mover-se sobre todo o mundo, por terra, mar e ar? Pois, vamos á lua. Já a alcançámos? Sonhamos com Marte. E sempre assim será enquanto houver humanidade. O homem viverá sempre com algum grau de desatualização.

E Deus? Estará Ele também desatualizado? A sua obra não precisará de umas reparações, de uns ajustes? Será atual viver a castidade, a fidelidade conjugal, a honestidade, aceitar os filhos concebidos, respeitar os enfermos e idosos, ajudar os indigentes...?

Para responder a estas questões devemos conhecer primeiro os objetivos de Deus ao criar o universo e, particularmente, os homens. Sabemos que devemos servir a Deus e amá-lo sobre todas as coisas, mas também sabemos que fomos criados livres, isto é, podemos não seguir o que Deus espera de nós. Isto é muito curioso porque sempre que alguém faz um trabalho, um frigorífico, por exemplo, não lhe permite que se torne numa televisão, ou num forno, ou num avião. A obra deverá ser rigorosamente o que o operário espera dela, ou ficará desapontado, como me sucede com os meus escritos. Por isso, o trabalho deve ser investigado, estudado, ponderado, avaliado e corrigido. E, mesmo assim, pode deixar de ser útil porque outro produto melhor surge no mercado para sanar as dificuldades ou necessidades da época.

Outra caraterística do homem consiste em ter dificuldade em cumprir com as suas promessas. Pode negar o que disse, dizendo que não foi ele; pode desculpar-se com as circunstâncias que mudaram. Vai dar ao mesmo. Embora livre, o homem e as suas obras são efêmeras; envelhecem, morrem, passam, desatualizam-se. Isto não acontece com Deus porque a criação ficou perfeita e por isso as leis que a regem continuam atuais: as nuvens continuam a produzir chuva em determinadas condições, os peixes continuam a ter guelras e os cavalos pulmões e morrem afogados se saírem dos seus respetivos habitats, o homem continua a sentir dor sempre que se fere e é essa lei que o alerta para se tratar, etc.. Chegamos, assim à conclusão de que Deus não está desatualizado.

Que pensar então do divórcio, do aborto, da eutanásia, da fecundação in vitro, do uso de embriões vivos na investigação científica e ainda um rol de ações em que o homem se embrenhou e legisla a seu belo prazer porque “a Igreja está antiquada”? Meditando com profundidade nestes temas, temos de reconhecer que estas formas de agir geram sofrimento ontem, hoje e amanhã e é isso que Deus nos quer evitar. A lei natural, aquela que está patente na natureza do homem, dos animais, das plantas e dos minerais continua vigente, atual, mesmo quando nós os homens a não queremos seguir.

Não estaremos nós, homens livres e racionais, necessitados de nos reatualizar? De estudar, conhecer e obedecer, com toda a força da nossa vontade livre, às leis divinas? Não sentimos como é urgente e atual o “Ano da Fé” que agora se inicia, a 11 de outubro?

Diário do Minho

28-09-2012

Isabel Vasco Costa

Ensino técnico profissional em Portugal



“É lamentável e repugnante a arrogância e impunidade com que alguns dos autores (ainda vivos) da legislação que permitiu a extinção do ensino técnico profissional em Portugal, ainda se pavoneiam na cena política portuguesa. “

Antes de Abril, nem tudo era mau; após Abril, nem tudo foi bom.

A euforia revolucionária que se seguiu a abril não teve o bom senso de distinguir o trigo do joio e preservar o que de bom existia no antigo regime. Tudo era suposto ser mau e havia que destruir. Todos os que viveram este processo sabem como foi conduzido e qual o objetivo em vista.

Passados quase 40 anos, estamos agora a sofrer as consequências desses desmandos cometidos por alguns, com a conivência de outros, cuja impunidade nos surpreende.

Vem isto a propósito da falta de mão-de-obra qualificada que, de há uns anos a esta parte, se verifica em Portugal, mormente nas áreas que o ensino técnico profissional alimentava com técnicos: de contabilidade, de administração, de eletricidade, de pichelaria, de carpintaria, de soldadura, de serralharia e por aí além...

Quando há cerca de quarenta anos (na mesma altura da revolução de abril), andava na pesca do bacalhau, costumava ir a St. John's, na Terra Nova, onde tinha um amigo Canadiano que me dizia que era difícil conseguir contratar um carpinteiro, um eletricista ou um picheleiro - profissões que cativaram muitos portugueses a emigrar para o Canadá - por que o preço/hora desses profissionais era bastante maior que o de um advogado, de um engenheiro ou mesmo de um médico.

Este cenário está-se a passar no nosso país onde há dificuldade em contratar os serviços dessas áreas de trabalho técnico profissionais, por que a escola não formou gente para preencher as vagas que se iam verificando, por motivo de envelhecimento e fuga para outros países onde eram melhor remunerados.

A formação é, como já disse noutro texto anterior, a peça basilar da economia, onde a força de trabalho é a única riqueza do país.

A decisão de acabar com as escolas técnico profissionais (escolas industriais e comerciais) foi o maior rombo na nossa economia, porque, enquanto outros déficites se podem resolver em anos, esta lacuna leva décadas a solucionar.

A geração dos eletricistas, picheleiros, carpinteiros e outras profissões similares que existiam em 1974, trabalhou para dar um curso superior aos filhos: engenharia, advocacia, arquitetura, etc., na esperança de virem a ter uma vida melhor que a que eles tiveram. Hoje, a maioria deles sentem-se defraudados e revoltados quando constatam que foi em vão todo esse sacrifício para verem os filhos como: caixas de supermercados, balconistas, (com todo o respeito por estas profissões) ou então sem qualquer colocação, a viverem à custa dos pais.

Tenho ouvido alguns desabafos desses pais, desanimados e descrentes que explodem: - Mais valia que o meu filho(a) tivesse enveredado pela minha profissão. No meu tempo trabalhava-se muito, mas não faltava trabalho! - e outros comentários do gênero, tais como : - Quem está a sustentar o(a) meu (minha) filho(a) sou eu. É um(a) inútil! - tal é o desespero.

É lamentável e repugnante a arrogância e impunidade com que alguns dos autores (ainda vivos) da legislação que permitiu a extinção do ensino técnico profissional em Portugal, ainda se pavoneiam na cena política portuguesa.

Pobre país que tais políticos tem!
José Manuel 0. Martins, In Aurora do Lima
maolmar@gmail.com

"Agramonte ou o mundo astral dos profetas" apresentado em Esposende



"Agramonte ou o mundo astral dos profetas" apresentado em Esposende

A Biblioteca Municipal Manuel de Boaventura, de Esposende, acolheu, no passado sábado, dia 22, a sessão de apresentação do livro "Agramonte ou o mundo astral dos profetas", da autoria de Porfírio Pereira da Silva.

O anfiteatro dá Biblioteca de Esposende acolheu mais uma iniciativa cultural, sendo que, desta vez, abriu portas para a apresentação do livro de Porfirio Pereira da Silva, escritor e fundador e director do jornal Foz do Lima.

Nesta apresentação do segundo romance do autor, coube à anfitriã, Luisa Leite, directora da Biblioteca de Esposende, abrir a sessão, fazendo uma breve introdução sobre o autor.

Seguiu-se Antônio Maranhão Peixoto, Director do Arquivo Municipal de Viana do Castelo, que dissertou sobre a obra.

“Partilhamos um banquete de imortalidade, pois, os livros são imortais. E Agramonte ou o mundo astral dos profetas acaba de entrar na galáxia do imperecível, do eterno”, garantia no início da sua intervenção Maranhão Peixoto”.

Na narrativa filosófica da obra “fervilha muito pensamento sobre a vida humana, e as casualidades (se é que existem) empurram-nos para impressionantes revelações que, pelo seu magnetismo, chegamos a duvidar do acaso. O autor diz-nos mesmo que não há coincidências no nosso mundo e mesmo que, por vezes, pareçam ser, não há ocorrências totalmente aleatórias”, assevera Maranhão Peixoto.

“Porfírio Pereira da Silva oferece-nos neste livro um eloquente hino à vida, dá-nos um viajar pluridimensional da existência e doa-nos uma mundividência cósmica da multimilenar aventura humana.” Toda a história deste livro gira em torno da personagem Edmundo e do lugar de Agramonte, um campo energético, lugar de chegada e partida, onde o bem e o mal coabitam sem se molestarem.

Porfírio Pereira da Silva nasceu em 1956, é licenciado em Filosofia e pós-graduado em Filosofia Contemporânea pela Universidade do Minho. Fundador do jornal Foz do Lima e da revista íbis, autor de cerca de uma dezena de livros, é colaborador assíduo da imprensa regional e foi presidente da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Alto Minho. Profissionalmente é animador cultural na Biblioteca Pública de Viana do Castelo.
IN Cardeal Saraiva, de Porfírio Silva

28-09-2012
Parabéns amigo e parente

Átrio dos gentios e nova evangelização


Átrio dos gentios e nova
 evangelização2

O nome Átrio dos Gentios evoca o espaço com o mesmo nome que, no antigo Templo de Jerusalém, hospedava os que não eram judeus.

O Templo, o espaço cultuai mais importante para os judeus no tempo de Jesus, estava dividido em três áreas principais, destinadas aos leigos, sacerdotes e ‘Santo dos Santos’.

Tinha um espaço separado por colunas, e entre elas e o muro exterior, encontrava-se o ‘Átrio dos Gentios’, um lugar de silêncio propício à oração e às procuras mais profundas, onde estavam alguns mestres judaicos disponíveis para conversar com não judeus.

Considera-se hoje serem os novos «átrio dos gentios das nações» os espaços de socialização que os novos media criaram, e se vão enchendo cada vez mais.

Os novos «átrio dos gentios das nações» são, pois, «lugares nos quais se abre um confronto mutuamente enriquecedor e culturalmente estimulante entre cristãos e aqueles que se sentem distantes da religião, mas que desejam aproximar-se de Deus, pelo menos como desconhecido», lê-se na nota 77 do documento preparatório do próximo Sínodo dos Bispos.

O projeto resulta da preocupação da Igreja pela nova evangelização.

Nova evangelização significa imaginar caminhos para a proclamação do Evangelho nestes espaços ultramodernos. E uma das tarefas da «nova evangelização», lê-se no n.º 21 do referido documento; é, certamente, «levar de forma positiva a questão de Deus e a experiência da fé cristã para dentro das questões do tempo; ajudar estes espaços a tornarem-se lugares onde se formam pessoas livres e maduras, capazes, por sua vez, de levar a questão de Deus para dentro de suas vidas, para o trabalho, para a família».

O Átrio dos Gentios é, hoje, uma iniciativa promovida pelo Conselho Pontifício para a Cultura, presidido pelo cardeal italiano Gian- franco Ravasi. Instituído em 1982, tem por objetivo o diálogo com os não crentes.

Quer, diz aquele Purpurado, eliminar a «separação» entre crentes e não crentes, «num encontro de paz, de diálogo e de procura comum».

Com o projeto Átrio dos Gentios a Igreja pretende ouvir pessoas de outras crenças, ou simplesmente ateus, sobre diversas matérias que interessam aos homens de hoje.

É uma forma de dialogar com o mundo, onde crentes e não crentes defendem valores comuns e têm idênticas preocupações.

A gênese desta estrutura, segundo Isabel Varanda, remonta a 1965 com a fundação, por parte do Papa Paulo VI, do Secretariado para os Não Crentes.

Não deixa de ser desejável que o espírito que preside à organização do Átrio dos Gentios, em certos casos, se leve à prática no interior da Igreja. Igreja que não é coutada de ninguém. Onde nem tudo é dogmático. Onde o acolhimento fraterno deve ser prática quotidiana. Onde todos são filhos de Deus. Onde a unidade deve ser construída no respeito pela legítima diversidade. Onde o poder é serviço e há diversidade de carismas e de ministérios. Onde clérigos e leigos atuem de mãos dadas, fazendo cada um tudo e só o que lhe compete. Onde é muito mais importante que as pessoas se fixem no muito que têm em comum do que nas tricas em que divergem.

In Diário do Minho

6-09-2012

Silva Araújo