CARTA DOS DIREITOS DA FAMÍLIA -4
No 30º aniversário
Continuando a ( re)ler a Carta dos Direitos da Família ,
mais concretamente o seu notável e
oportuno Preâmbulo, gostaria de parar no Considerando K .Este refere,
explicitamente que
“muitas famílias
veêm-se obrigadas a viver em situação de pobreza que as impedem de cumprir com
dignidade a sua própria missão”.
Mas a que pobreza se
refere aquele Considerando e que se acaba de transcrever?
Não estando no espírito do autor, crê-se que não será abusivo
pensar que a pobreza é multimodal, endógena e exógena à própria estrutura
familiar. De facto, há inúmeras formas de pobreza que dificultam ou ,até, impedem ,as famílias
de “ cumprir com dignidade a sua própria missão”.
Missão de ser família
a partir da conjugalidade livre e responsavelmente assumida e que uma sociedade erotizada, hedonista ,
relativista e egolátrico ameaça, gerando uma cultura divorcista e dilacerante
da própria família.
Missão do acolhimento
à vida que uma envolvente cultural, social e económica ridiculariza e menospreza e desvaloriza, fundadores de
uma mentalidade contraceptiva e eugenista, geradora de desprezo pelo
direito à vida desde a o momento inicial, a fecundação.
Missão de acolher os velhos e deficientes com a atenção, carinho
e apoio que merecem, por serem frágeis e que uma cultura dominante deseja
excluir e banir da sociedade, considerando-os um fardo de que é preciso
libertarmo-nos.
Missão educativa dos filhos, de que os Pais são tutores
muito especiais, dificultada por um sistema de ensino que não reconhece, de
facto, que os Pais são os primeiros e principais educadores dos seus filhos e
que relativiza / ultrapassa a função do exercício parental.
Missão de alimentar e
alojar ,com dignidade, todos os membros
da família, independentemente da idade
de cada um dos membros da família ,numa sociedade do desperdício e da
extravagância, verdadeiros atentados aos que ,talvez por isso, passam fome.
Missão de viver num
lar onde, de acordo com os gostos estéticos de cada um, se possa viver num ambiente ecológica e culturalmente
aceitável e digno.
Face a tantos constrangimentos , sumariamente enunciados, de
facto, há muitas famílias a viver em situações de pobreza. E estas impedem as
famílias de serem o que devem ser: tempo e espaço de amor, felicidade,
partilha, solidariedade, compaixão, abnegação, confiança, ternura … na
diferença de cada um que não foi feito para nosso uso, à nossa semelhança, em
versão revista e melhorada!
… E há constrangimentos que, se se quiser, podem ser
eliminados pois só dependem de … nós e do nosso querer alterar o que deve ser
alterado, a bem da família, para que cumpra “ com dignidade a sua própria
missão”.
Carlos Aguiar Gomes
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