Os sons e a escrita
Os sons apareceram com os animais. O Homem foi o único que obteve sons
para manifestar uma “linguagem” entendível entre si mais evolutiva e
compreensível. Eram os fonemas do grego “fonos” sons.
Dos sons chegaram às palavras e construíram a sua língua passando a
reduzi-la a escrito com sinais convencionais de acordo com os sons ou fonemas e
das suas significações “convencionadas”.
Foi no Oriente onde aparecem escritos mais antigos e são estes
documentos que começam a fazer a história da linguística. É um das razões que
se deu início, através da escrita à história.
Não quer dizer que não haja documentos mais antigos que a escrita. Não
só os documentos escritos os documentos da história, como no período da pedra
lascada e da pedra polida, do período da idade do ferro e do bronze, não faltam
documentos por aí… e não havia escrita, mas dessas épocas já aparecem alguns hieróglifos.
Documentos escritos só aparecem quando no Oriente o homem começou a
traduzir por sinais alfabéticos, talvez os fenícios, um milénio antes de Cristo
(?) e de lá até cá chegaram à Ibéria, talvez os primeiros escritos
celtibéricos, pré-românicos, latinos, gregos, conforme os povos encontrados nas
diversas zonas da Península Ibérica como os lusitanos foram “aglutinados” pela
língua românica, a latina.
Temos muitos documentos anteriores à história e, se a história começou
pela escrita, antes aconteceu a pré-história. Já não são tantos esses
documentos como gostávamos de observar e conhecer, pelo menos na antiguidade.
Há por aí estelas funerárias, algumas inscrições de actos episódicos
inscritos em pedra, em cerâmica, em bronze, etc…
Possuo talvez uma estela funerária com uma inscrição celta que
descobri num castro. Eu digo “talvez” porque já mostrei a especialistas, um
deles professor de uma Universidade Alemã e hábil em línguas celtas, mas
ninguém disse que não era; todos disseram que seria, mas o meu amigo professor ficou
de me dar a leitura da inscrição e nunca mais ma deu.
Outra pedra, pedaço de um tranqueiro de uma porta com inscrição
(grega?). Parece uma inscrição grega!
Outras, eu conheço na Serra d’Arga do tempo da idade da pedra com
hieróglifos e também da idade do ferro…
Vejamos a linguística de palavras fulcrais da natureza, os quatro elementos
fundamentais da natureza: como a Terra, a Água, o Ar e o Fogo (Luz).
Têm fonemas semelhantes, só variam conforme o domínio sobre os fonemas
indo-europeus: os fenícios, os latinos, os eslavos, os germanos, os gregos,
etc…
Assim a Terra nos eslavos e germânicos o fonema “and” à volta de”Land”,
igual a terra e nos latinos “terra” terra com é aberto. A água é em quase todas
as línguas formada, ou contém a letra gutural “a”, primeira letra do alfabeto.
Mesmo no francês “eau” até é semelhante ao au de auga e o “ô” russo
Deste modo o ar também tem e, em quase todas as línguas, o “a” e o “é”
“ae” entram na composição da palavra.
Assim como a Luz a letra “a”, “u”, e “i”, por “ai” aparece com
frequência. Temos luz, lume, lumière, feu, etc…
Não são muitos os fonemas conhecidos indo-europeus, e outros
pré-romanos, mas podemos apontar algumas pré-indo-europeias (alb – altura; bes,
ves, vis = altura;
can, cand, cant, car =
rocha, pedra; cor =
monte; com, cun =
colina; gan = cima;
mes, mis = mesa;
moc, muc = pico; mak
= colina; mot, mont = montículo; peck, pitt = prominência; tut, tot,
tanc = expressivo;
ar, aran = corrente
de água; ara = água;
mar, mer, mir, mur =
água parada ou que resuma; nar, nor, ner, naur =
água; tan = corrente
de água; bai = rio;
bai+xa = ribeira;
car+b = planta de
terreno fragoso; slatta =
vara; matt = maciço.(…)
Lim (Lima) é de origem indo-europeia e significa terreno lamacento, lodoso. terreno
fragoso; slatta =
vara; matt =
maciço.(…); Asco (sufixo) = Pa+nasco = Panasco; Antia – entia = Palência,
Argança; Ace = Alface, Peace; Paz, Cabaz, Ufaz, segundo Mendes, Pidal; Ice =
Penerice, Beiriz, Sabariz; Oc = Queiroz; Karim =Abrantes; Aires = ar = aar
(águia); Alba = pedra preciosa; Celta: art = urso; ur = grande; Badi = Badih de
árabe famoso; Sabino = povo da Itália vizinho dos latinos; Azur = ajudante em
hebreu; Amb = leito; abaço significa maçã; ad-dur = “as casas”; Ayn = fonte;
Anya – rio de água estancada;
A linguagem é como um rio nasce na fonte e
segue o seu caminho, recebe água de outros afluentes e vai ter ao imenso mar. A
linguagem quando nasceu assim foi uma, duas, três e mais ao mesmo tempo através
dos povos saídos da pré-história em que já eram utilizados alguns hieróglifos,
expressões com imagens, de ideia que o homem tinha.
Cada tribo
nação, cada povo tinha a sua linguagem, aliás era um dos elementos necessários
à identificação cultural à criação de tribos, de povos, de nações, do nome,
como a religião, os costumes e tradições e até a “política”; assim nasceu o
natal ismo, a terra natal, o patriotismo.
A linguagem
tem margens como um rio, mas desde que nasça é sempre um risco porque vai como
a água ter a todo lado, até ao mar. O “mar” de agora está a ser colonizado pela
linguagem inglesa. É a linguagem que anda através das migrações, através das
uniões políticas, económicas e globais. Assim aconteceu com todos os povos
colonizadores e não podemos esquecer a nossa linguagem portuguesa que chegou
não só às próximas ex-colónias, mas ainda hoje há no dicionário malaico e em
várias zonas do Oriente e na América Latina umas centenas de palavras
portuguesas, na India, na China, por todos os locais por onde os nossos
antepassados andaram. Hoje não acontece isso, mas a globalização, os interesses
económicos e políticos à mistura com a velocidade que a evolução atinge, é preciso
saber inglês sem o qual fica ultrapassado em tudo… Então globalmente é útil que
haja uma só linguagem. Tudo é global e até a língua será global – a linguagem
inglesa será o futuro, o proto europeu ou
proto global dos séculos desta era… Tudo o resto será equiparado ao
pré-indo-europeu.
Creio que
não estou muito longe da verdade e, desde que nasceu a linguagem o maior risco
é esse, porque, perder a identidade cultural ligada à sua terra natal, se estão
a questionar princípios e valores que se perdem tão velozmente como os foguetes
multicolores quando rebentam na escuridão da noite.
Seja como
for. A linguagem, e eu não sei nada de linguística, por isso não deixa de ser a
minha opinião, mas parece-me que esta está a ser uma exigência que hoje quem já
não souber inglês não pode andar pelo mundo muito longe da sua terra.
Quando esta
passou à escrita, isto é, começou o Homem a reduzir as suas ideias a sinais e a
comunicar, um pedaço de barro com escrita do século XIV A. C. foi encontrado em
Jerusalém.
É esta escrita
que começa a completar a significação da história dos documentos mortos, a dar-lhes
vida e descobrir melhor o seu sentido através da linguagem, pois a tradição, a
história que passa de geração em geração não deixam de ser documentos, mas só
pela linguagem escrita toma forma de um documento mais eficaz que logo cada um
descobre o que significa sem margem para dúvidas. Será ou não será isto?
( Continua…)
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