Deus
ou deuses?
Em quem (que) acredito
eu?
|
O Ano da Fé é a ocasião
propícia para me interrogar sobre os fundamentos da minha fé. E se o não fiz
até agora, corro o risco de passar marginal a todo o dinamismo pastoral
surgido da ousada proclamação do agora Papa emérito. Falei de ocasião propicia
porquanto questionar-se sobre o Quem
ou que da minha fé é
atitude que se mantém sempre em aberto e que acompanha a vida toda.
A experiência diz-nos que
quem não se preocupa com Deus cai nas malhas dos deuses. Porque precisamos
todos de acreditar em algo ou alguém, se não nos transcendemos para o
verdadeiro Deus cairemos voltados para os idolos. Numa palavra, todos somos crentes
em Deus ou nos deuses. A nossa vida pode até dizer-se um balancear constante
entre Deus e deuses. Precisamente em Cristo, Deus revela-se a mim que o
procuro. Mas se não procuro o Deus autêntico acabo por «descansan agarrado
pelos idolos. Enquanto Deus é percebido pelo ser humano que o procura como
agente de libertação, razão do sentido da existência, finalidade ou meta a
alcançar, e, portanto, como Alguém que desafia, provoca e inquieta, os deuses
não «chateiam» ninguém, deixam-nos adormecer na tranqüilidade pantanosa das
vidas arrastadas e mergulhadas no consumis- mo, sem tensão para o que é mais
belo, nobre, digno e perfeito. De facto, Deus. é «importuno. Impele-nos a
avançar porque há diante de nós uma vida mais bela e atraente. Há, diante de nós,
uma vida eterna, a luz da qual a vida terrena e temporal pode adquirir outra
elevação, outra beleza.
Quando, sensível às
misérias do seu povo, mata o egipeio que atentava contra um hebreu, Moisés
terá de se refugiar e perceber que a sua acção se tornara inútil. Deus
desperta-o para uma libertação do povo de caracter colectivo. E, convertido a
este Deus que se lhe dá a conhecer como Único, essência mesma do Ser, o
Existente por si - Ele é e os deuses não
são - Moisés aventura-se numa missão que lhe parece impossível.
Só «convertendo-se> no
seu dia a dia a Deus é que a gesta do êxodo se torna possível e a história de
Israel se pôde afirmar como acção de Deus na história concreta dos homens.
Deus não se pode definir
nem os ho- ' mens devem ousar pôr limites. Por isso ' a linguagem humana para
dizer Deus se torna sempre imperfeita e incapaz. E - muitas vezes ao tentarmos
dizer Deus reduzimo-lo a um ídolo com as nossas próprias medidas. Tentamos
dizer Deus „ e, diante da dificuldade sentida, fazemos silêncio. Afinal, a
atitude mais acertada quando é sinal de acolhimento do mistério.
A nossa IV Semana Bíblica,
que ocorre ao longo da semana, vai abordar as temáticas muito comuns ao longo
do Antigo
Testamento em que o confronto Deus/ídolos
aparece bem vivo. Tal como nos nossos tempos, talvez estes mais penosos e
hipócritas precisamente por pretenderem passar à margem das questões em
confronto.
Teremos, cada um de nós, a ousadia de nos confrontarmos com
Deus em Quem acreditamos, separando-o dos idolos que nos povoam? A oportunidade
a esta. Se ficarmos em casa, enredado; nas nossas mil e uma desculpas pari não
aproveitarmos a proposta, mai; uma vez os idolos nos enredaram e Deu: foi
dispensado. A cidade de hoje precisé de um novo rosto de Deus. Converte-te tu
ao Deus único antes de identificarei os idolos dos outros.
O Prior - P. Abílio Cardoso,in Boletim Paroquial
Sem comentários:
Enviar um comentário