Texto: Frei José Dias de Lima. OFM
“esta transformação foi possível pelos
sentimentos cristãos que a sua mãe lhe incutira”
Gonçalo Malafaia, armado de arma branca,
investiu, contra D. Efigénia, que se preparava para entrar no seu automóvel:
- “A carteira, os anéis e o colar, e já!” Amedrontada,
D. Efigénia entregou tudo imediatamente.
- “Aqueles três sacos, que estou a ver
dentro do carro, também, rápido!”
- “Mas, nào são valores, são apenas algumas
mercearias, uma ^juda para uma necessitada que conta os cêntimos no fim do mês
para poder sobreviver!”
- “Fico com tudo!”
- “É demais! - disse D. Efigénia, num gesto
de coragem - para além de querer roubar o que é meu, quer ainda tirar-me estas
mercearias que aquela pobre, presa a um andarilho, precisa para matar a fome e
a fome do malandro do filho que não quer trabalhar'?!”
- “Presa a uni andarilho?!” Perguntou
Gonçalo.
- “Presa a um andarilho, sim!
- " E onde mora essa entrevada?”
Continuou Malafaia.
- “A dois quarteirões daqui, no fim da Rua
Direita no r/c -1.° Esquerdo!”
- “E como se chama essa mulher entrevada?”
- “Guilhermina Malafaia é o seu nome! Mas
porquê?! Qual o interesse em saber o nome e a morada da pobre, se a gente da
vossa laia não respeita ninguém?! Quererá também roubá-la?! Seu desgraçado!
Desengane-se que o filho lhe leva tudo e a põe pele e osso!”
Gonçalo, corado de vergonha, e sem se atrever
a olhar para D. Efigénia, ao mesmo tempo que lhe devolvia a sua carteira e
todos os seus pertences disse, subitamente:
- “Fique tranqüila minha senhora, que não
lhe farei mal. E desculpe!”
- "Desculpe?! Essa traz água no bico!
Onde se viu ladrão pedindo desculpa e devolvendo na hora o que tão depressa
roubou?! Invecti- vou D. Efigénia, muito admirada.
- “Minha senhora, o meu nome é Gonçalo Dias
Malafaia Gomes, e a senhora entrevada no andarilho, a quem se destinam as
mercearias, é a minha mãe!”
- “O desgraçado, és tu o filho da Guilhermina
Malafaia?! Pobre da tua mãe! O que ela passa para te manter, rapazola! Quantos
dolorosos desabafos, a teu respeito, e que eu oiço com atenção, porque tenho
quatro filhos, cresceram, arrumaram a vida mas, graças a Deus, nenhum me causa
lágrimas."
- “Diga-me, por favor que lhe diz ela de
mim?” Implorou Malafaia.
- “Olha, rapaz, desabafa que daria sua a
própria vida para te tirar desse caminho lamacento em que te meteste, se lhe
fosse possível. Agarrada ao terço e a um velhinho livro de orações, não pára de
pedir a Deus o milagre da tua mudança de vida e o regresso ao comportamento
recto e à vida cristã que te levou à Primeira Comunhão e ao Santo Crisma, mas
que abandonaste e trocaste pelas más companhias!”. Gonçalo Malafaia, aíi mesmo,
com os olhos embaciados pelas lágrimas disse, emocionado pelo que ouviu:
- “Minha Senhora, não veja mais a luz do dia
se a partir de hoje não deixar de ser o traste de filho em que me tomei. Porque
há-de minha mãe mendigar as migalhas, de gente tão boa como a senhora, para me
dar de comer, se eu posso ser a sua companhia e dedicar-me a um trabalho
honesto para que ela sinta, ao menos, nos poucos anos que lhe restam, alguma
alegria e não carregue o fardo da vergonha por minha causa? Ah caia eu redondo
no chão se falhar este propósito!” Aproveitando a boleia daquela ben- feitora,
Gonçalo malafaia acompanhou-a até casa da sua mãe, e ali, diante de sua mãe,
renovou o compromisso que tomou. D. Guilhermina providenciou-lhe um trabalho,
que ele agarrou, decidido. A lição que este jovem recebeu, naquele encontro
acidental, fê-lo arrepiar caminho e mudar radicalmente o seu proceder. Claro
que toda esta transformação foi possível pelos sentimentos cristãos que a sua
- mãe lhe incutira desde o berço e que ele
tinha esquecido em virtude das más companhias que o assediaram, mas que agora
estavam produzindo frutos de conversão e arrependimento. E que a caridade,
unida à fé, dá frutos não duvidemos, senão aprendamos com D. Efigénia e com a
conversão de Gonçalo Malafaia.
Que lição maravilhosa para este Ano da Fé! Fev. 2013,In Missões
Franciscanas
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