O Papa da
nossa Fé
Refiro-me ao modo como as pessoas recebiam a comunhão das mãos do
Vigário de Cristo: de joelhos e com um acólito a segurar uma bandeja para
recolher as pequenas partículas que eventualmente pudessem cair das Hóstias
consagradas. Soube-se, mais tarde, que se tratava de um pedido formal do Papa e
não de um mero gesto protocolar.
O facto deve ter deixado marca na vida interior de alguns portugueses,
pois aumentou o número de pessoas que se ajoelham, por vezes no chão (sobretudo
os jovens) para receber a comunhão na boca. Alguns párocos já se aperceberam
do fenômeno e colocaram genuflexórios nas suas igrejas, permitindo um maior
conforto a quem optar por esta modalidade e mantendo a possibilidade da
comunhão em pé aos que assim preferirem ou estiverem impossibilitados de o
fazer. Nessas paróquias, reparamos que muitos adultos acompanham o exemplo dos
jovens.
Na verdade, é o próprio Cristo que está presente na Hóstia consagrada
e o Santo Padre recordou-nos isso com estes gestos li- túrgicos de veneração,
respeito e adoração. Levantar-se para cumprimentar alguém - os pais, uma
senhora, um professor, um superior - é um sinal de respeito e de justa
retribuição, pois, em princípio, todas estas pessoas contribuíram de alguma
forma para a nossa boa forma de viver: deram-nos a vida, formação humana,
conhecimentos, trabalho e formação profissional, etc.. Quem muito dá, merece
alguma retribuição, geralmente manifestada por gestos de carinho, como os
beijos dos filhos aos pais. O respeito é a forma de carinho conveniente entre
pessoas que se relacionam com menor grau de intimidade ou que desejam manifestar
reconhecimento ou admiração.
Com efeito, nas relações humanas podemos distinguir dois tipos: as
públicas e as privadas. Nas primeiras, é conveniente usar gestos previstos ou
protocolares e que devem seguir certas regras e convenções de acordo com as
tradições dos países, clubes, colégios, etc. Nas privadas é permitida uma maior
espontaneidade. O mesmo sucede em relação a Deus. A comunhão é um acto público
e consiste em receber no corpo e na alma o próprio Deus que morreu para nos
salvar. O gesto conveniente do homem em relação a Deus é de adoração:
ajoelhar-se, no nosso mundo ocidental.
O cuidado de usar bandeja também faz pensar. Se as Hóstias estão
consagradas, as partículas (migalhas) que delas se desprendem também o estão e
devem ser veneradas com o mesmo respeito. Uma vez recolhidas, costumam ser
colocadas no cálice e consumidas juntamente com água.
Decididamente, devemos agradecer muito ao Papa Bento XVI que nos
tenha ajudado a aumentar a nossa Fé, mesmo em atitudes aparentemente de pouca
monta.
In Diário do Minho ,por Isabel Vasco Costa, em artigo
de Opinião
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