Um Olhar sobre o
Mundo
Chikowa - Zâmbia
Voltei para a minha antiga missão de
Chikowa na Zambia onde já tinha trabalhado durante 12 anos. Estou cá desde o
início de Outubro e apanhei logo o período de maior calor antes do início da
estação das chuvas.
Foi uma experiência bonita
voltar a encontrar tantas pessoas com quem partilhei a minha vida durante doze
anos; ver como tantos que eram crianças quando parti são agora gente crescida
e alguns até já com os seus próprios filhos.
A
recepção das pessoas não poderia ter sido mais calorosa. Quanto ao meu trabalho
estou destinado a trabalhar na escola técnica onde temos cerca de 80
estudantes em regime de internato divididos pelos cursos de agricultura,
construção e carpintaria.
De
momento ainda não sei exac- tamente que papel serei chamado a desempenhar pois
ainda não me encontrei com o nosso provincial. Desde que parti, a escola
cresceu muito mas todo o sector produtivo que a sustentava está de rastos e
precisa de ser de novo reerguido, 0 que não será uma tarefa nada fácil. A
escola tem sido gerida por dois Irmãos togoleses que têm um modo diferente de
se organizar e os resultados, digamos, têm sido desastrosos. Nos primeiros dias
que aqui cheguei só me apetecia fazer as malas e voltar para casa. A generosa oferta
recebida da APARF será usada para tentar reerguer o que está destruído mas de
momento, porque ainda não me foi dada uma tarefa específica, nada foi usado.
Comprometo-me daqui a uns meses a dar-vos um
relatório de como foi gasta. Diria também que se a APARF na sua magnanimidade e
dentro das suas possibilidades puder ser de novo generosa, quem sou eu para me
opor?
Daquilo
que pude observar, a esmagadora maioria das pessoas continua a viver numa
pobreza extrema, que nós, em Portugal, apesar das dificuldades pelas quais o
país passa, nem sequer sonhamos. A sobrevivência é uma luta diária contra a
desnutrição e as doenças sobretudo a malária e a sida. As crianças no meio
disto tudo são sempre as que mais sofrem; vejo que continuam a ir para a escola
levando o almoço que consiste num saquito plástico com grãos de milho tostado.
Pelo menos agora e durante mais um mês é tempo de mangas pelo que elas comem um
pouco melhor. Se as crianças portuguesas pudessem ver como vivem estas daqui,
certamente que deixariam de sertão caprichosas e exigentes. Apesar da pobreza,
tanto as crianças como os adultos não se queixam e continuam a viver alegres.
Caro Sr. João e a todos os
membros da direcção e restante pessoal da APARF, que o Senhor vos abençoe. Se
tiver possibilidades e assim o desejar será sempre bem-vindo à missão de
Chikowa.
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