A Beata Alexandrina Maria da Costa bem se pode apelidar com o
título da “Mística da Eucaristia”. Sua vida foi paixão contínua por Jesus na
Eucaristia. Sua união ao sacrário, a Jesus, seu Tesouro, era quase permanente.
O seu desejo de participar na Eucaristia e de comungar era intenso. A graça de
ter passado mais de treze anos sem comer nem beber, só alimentada pela
Eucaristia, foi dom místico admirável do amor de Jesus. Ela viveu apaixonada
pela Eucaristia, é uma Vítima oferecida na Eucaristia com Jesus. Sua vida
eucaristica é modelo para cada um de nós. Recordar neste Boletim a Eucaristia é
centrar-se na riqueza máxima que encantou a vida e o coração de Alexandrina.
Na Quinta-Feira Santa, o Senhor Jesus celebrou e instituiu a
Eucaristia. Depois de Se ajoelhar e de lavar os pés aos seus discípulos,
deu-lhes a comer o seu Corpo e a beber o seu Sangue. Ceia da nova e eterna
aliança selada no seu Sangue, na sua oferta redentora, antecipando para a
véspera o dom que faria na Cruz, a oferta da Vítima em holocausto perfeito e
total. Banquete sagrado em que nos é dado como alimento o próprio Deus, o Verbo
feito Carne no seio da Virgem Maria. Crer na
Eucaristia é centrar a
nossa alma e o nosso coração no Mistério da Fé, no cume da vida cristã, no
tesouro da vida da Igreja, na refeição sagrada em que nos é dado o Pão do Céu,
Pão Vivo que nos alimenta, nos fortifica, nos purifica, nos transforma, nos
cristifica, nos diviniza, nos cura, nos ilumina, Pão que é fonte de vida e de
santidade.
Crer na Eucaristia, como nos ensinou o Beato João Paulo II, é
acreditar no mistério que se nos apresenta com três pólos: celebração, comunhão
e sacrário. Celebração que renova a Ceia que Jesus celebrou, que é o maior
sacramento, que é o centro para o qual deve convergir a nossa vida e que é
fonte da qual tudo nos vem. Celebração que renova o Mistério Pascal da Morte e
da Ressurreição de Jesus Cristo e O toma presente em cada altar, feito dom e
alimento de vida eterna. Por isso, o segundo pólo é a comunhão, pois a
Eucaristia é Ceia, é Banquete em que a Vítima tem que ser comida, como alimento
salvador. Comer o Pão do Céu, alimentar a vida espiritual e interior com o
próprio Jesus, entrar em intimidade com Ele, permanecer n'Ele e Ele em nós pelo
dom da sua dádiva. Crer na Eucaristia leva-nos a preparar- nos para o Banquete
e a receber o Pão do Céu, o alimento divino, o próprio Jesus.
Mas há ainda, na fé da Igreja e na nossa fé em Igreja e com a
Igreja, o sacrário, onde Jesus está em Corpo, Sangue, Alma e Divindade.
Presença em milhões de sacrários dAquele que é o Senhor, que é o Rei do
Universo, que é o Omnipotente, que é Filho de Deus e Filho de Maria. Por isso,
o Beato João Paulo II nos disse que o sacrário é como um “iman que nos atrai”,
pois está lá o nosso Amigo, o nosso Salvador, o nosso Deus. Atrai o coração e a
alma de cada cristão para ir estar com Ele em adoração, em louvor, em acção de
graças, em súplica, em contínua reparação. Atrai- nos pois tem sede de nós, da
nossa companhia, da nossa amizade, do nosso diálogo, da nossa presença, da
nossa oração. E se Ele tem sede de nós, nós devemos ter sede d'Ele e ir para
junto da sua Pessoa, cultivando a amizade e a companhia. Ter sede do Pão do
Céu, pois acreditamos que é Ele, Jesus de Nazaré, que está em cada sacrário.
Acreditamos que cada Hóstia consagrada é Ele, acreditamos que a Eucaristia é a
sua oblação, a sua Ceia, o seu Mistério pascal renovado.
Acreditar na Eucaristia
deve transformar a nossa vida, deve ir divini- zando o nosso ser, deve ir
santificando o nosso corpo e a nossa alma. Acreditar na Eucaristia e comungar
Jesus deve ser fonte e escola de contínua caridade, pois Ele dá-Se-nos para nos
ensinar a darmo-nos aos outros em serviço dedicado e humilde. Acreditar na
Eucaristia levar-nos-á a oferecer-nos no altar com Jesus, pois queremos ser
colaboradores da redenção e ser oferta viva para que o mundo tenha vida e a
tenha em abundância. Acreditar na maravilha da Eucaristia, na pérola que é a
Missa levar-nos-á a centrar n'Ela a vida toda, vivendo o dia em eucaristia,
sendo dom e entrega aos outros ao jeito de Jesus. Precisamos de viver mais a fé
na Eucaristia, celebrando melhor, comungando mais vezes e de um modo mais digno
e mais comprometido, unindo-nos mais a Jesus em sacrário, expondo-0 em custódia
para adoração e louvor perene. Precisamos de cultivar o culto eucarístico que
desenvolve em nós o amor, a caridade pastoral, a unidade e a paz.
P. Dário Pedroso, in Esperança e Vida
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