A Comissão Arquidiocesana para a Pastoral Social e a
Mobilidade organiza, no dia 30, auditório da Faculdade das Ciências Sociais, da
UCP, em Braga, mais um Fórum para as Instituições Sociais que, este ano,
reflete sobre envelhecimento ativo.
D. Jorge Ortiga
diz que a política vive momento de «profunda
desorientação»
Doutrina Social da Igreja tem de chegar à cultura social para uma nova mentalidade da
sociedade portuguesa.
Álvaro Magalhães
O presidente da Comissão Episcopal da Pastoral e Mobilidade
Humana, D. Jorge Ortiga, defende que, no momento social atual, o «melhor
contributo» que a Igreja pode dar para se conseguir uma sociedade solidária
passa pela «Doutrina Social da Igreja» que «tem de chegar à cultura social,
dentro e fora da Igreja, para uma nova mentalidade».
Esta posição foi assumida pelo Arcebispo Primaz durante a
conferência que proferiu na Semana Social, a decorrer no Porto (Casa de Vi lar), até amanhã.
Nesta mesma oportunidade, o prelado disse que a política
está a viver um momento de «profunda desorientação» e que «estamos perante
uma geração de políticos que nasceu e cresceu no período das grandes
ideologias com as suas linguagens e símbolos, que hoje está a trabalhar num mundo postideológico e desencantado, muito diferente e incapaz de compreender
as suas palavras e quase que incapazes de transmitir as ideias em que
acreditam»
D. Jorge Ortiga iniciou a intervenção alertando para o facto
«que esta crise ecocómico-financeira será longa e a sua duração
ultrapassará as previsões dos peritos que a comunicação social transmite»
indicando, todavia, ser fundamental «encontrar uma luz no fundo do túnel».
Porém a crise obriga a uma recentralização na
pessoa «para reiniciar um período novo na história», defendeu.
Ainda sobre a atual geração de políticos, D. Jorge Ortiga
considera que «a política, ou político, talvez não seja capaz de fazer uma
verdadeira síntese, de oferecer uma autêntica leitura do mundo e da história»
do tempo atual.
Assim, a Igreja desempenha um papel crucial na sociedade já
que é essencial acreditar «que tudo dependerá duma hierarquia de opções que
devem ser criadas através de uma reflexão
conjunta», salientou na sua intervenção sobre
“Sociedade solidária e a responsabilidade da Igreja".
Recordou que «a economia é só uma dimensão da política, um
fragmento no meio duma multiplicidade de fatores igualmente importantes e
essenciais», alertando não sabe envelhecer caminha por estradas erradas, como
aquela que não compreende e valoriza os verdadeiros jovens». E avisa; «a nossa
sociedade é a primeira que está juntando estes dois erros fatais».
Com o tema
“Estado Social e Sociedade Solidária”, na Semana Social - reúne cerca de 300
participantes - D. Jorge Ortiga disse ser «utópico pensar numa igualdade
efetiva», mas mesmo conscientes desta situação, não se pode «ignorar a
escandalosa desigualdade entre seres humanos».
Perante este cenário, o prelado recomenda uma ação social
baseada «no exercício organizado da caridade». Caridade que, defende, é
«critério de credibilidade da Igreja na sua missão de anunciar o Evangelho».
Esta Semana Social, uma iniciativa que é promovida de três em três anos pela
Conferência Episcopal Portuguesa, sob a orientação da Comissão Episcopal da
Pastoral e Mobilidade Humana.
A coordenação desta iniciativa está entregue a um grupo
presidido por Guilherme d’01iveira Martins, e composto, entre outros por Alfredo
Bruto da Costa, Eugênio Fonseca, padre José Manuel Pereira de Almeida e
Joaquim Azevedo.
In Diário do Minho
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