Sonhemos uma
sociedade utópica, a portuguesa. onde os cidadãos não têm de ser pedintes e os
direitos não são favores, tão constitucionalmente democrática que assegure a
coesão social, na equitativa redistribuição da riqueza para vencer qualquer
“apartheid" social.
Mesmo em tal
paraíso, as meritórias obras das misericórdias, das mutualidades e de outras
modernas instituições de solidariedade social ainda têm voz e vez para o seu
voluntariado generoso, sem necessidade sequer de dar por caridade o que a
todos é devido por justiça.
Declarações de
Isabel Jonet à SIC Notícias. na semana passada, causaram ondas de indignação
na blogosfera e nas redes sociais. A presidente do Banco Alimentar Contra a
Fome afirmou que “vamos ter que empobrecer muito, mas sobretudo vamos ter de
reaprender a viver mais pobres"; que as pessoas não têm dinheiro, então
não podem comer bifes todos os dias: que “vivíamos muito acima daquilo que eram
as nossas possibilidades”, acrescentando que "há uma necessidade
permanente de consumo e de bens para uma satisfação das pessoas e que conduz à
felicidade que não é real": e ainda que “em Portugal não temos miséria”
(como. na sua opinião, acontece na Grécia).
Isabel Jonet
preside ao Banco Alimentar Contra a Fome e à Federação Européia dos Bancos
Alimentares Contra a Fome. que reúne 247 instituições na Europa.
O Banco
Alimentar Contra a Fome é uma obra voluntária de bem-querer e de bem- -fazer.
Tem sido. Em Portugal, onde as pessoas sofrem as dores reais da pobreza, um
paliativo em situações dramáticas de tanta aflição.
Sabemos bem
que. na pobreza e na miséria, nem sequer as costas folgam enquanto o pau da
justiça vai e (não) vem. Disso não se iludam os bem pensantes, sobretudo os
que em solidariedade nem sequer mexem uma palha, a não ser a ligeireza das suas
palavras exaltadas de protestos que presumem sempre politicamente corretos.
Admito que
Isabel Jonet não foi feliz em linguagem mediática. mas não posso esqOe- cer
quanto lhe devem as pessoas beneficiárias do Banco Alimentar Contra a Fome.
Já agora, os
responsáveis das misericórdias. Mutualidades e instituições de solidariedade
social sejam prudentes para que evitem a colagem ao Poder político e para que
as suas práticas fujam do assistencialismo como o diabo da cruz. Quando dão por
caridade, façam-no como quem mais exige da justiça, para que as suas boas
práticas respeitem a j identidade
e a dignidade das pessoas, a começar pelos pobres, bem como defendam! a
promoção do bem comum em redes da solidariedade e de subsidiariedade.
Lamento que
Isabel Jonet tenha sido “queimada” nas redes sociais. Não posso imaginar que
isso sirva de pretexto para que alguém se escuse a colaborar em próximas
campanhas de recolhas de bens para socorrer portugueses com fome. □
conegoruiosorio@diocese-porto. in Voz Portucalense
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