Estado Social e sociedade solidária
Reforma do Estado deve passar pela
reforma das organizações
0 economista Américo Mendes
considera que a reforma do Estado Social em Portugal deve passar pelo
«reforço» das organizações de economia social.
Para o diretor do Departamento
de Economia da Faculdade de Economia e Gestão da Universidade Católica Portuguesa
- Porto (UCP-Porto) que participa na Semana Social, a decorrer na cidade
portuense (Casa de Vilar) até hoje, realça também que o Estado deve
«aproveitar, melhorar e reforçar» estas organizações e incentivar «a cooperação
entre elas».
Américo Mendes refere que o
Estado deve promover uma «maior participação cívica nas políticas públicas,
a começar pelas políticas sociais, tomando-as menos centralistas».
«Não se deve continuar a
financiar o Estado Social e o resto das atividades do Estado repousando,
principalmente, em impostos sobre o rendimento do trabalho», acentuou o
economista que participou num painel sobre «Reformular o Estado Social: novos
riscos sociais, susten- tabilidade e justiça».
O «aumento dos impostos sobre as transações financeiras» e sobre os «rendimentos de capital» são medidas defendidas por Américo Mendes que acentua: «É preciso pôr muita ordem no setor das offshores».
O «aumento dos impostos sobre as transações financeiras» e sobre os «rendimentos de capital» são medidas defendidas por Américo Mendes que acentua: «É preciso pôr muita ordem no setor das offshores».
Na conferência sobre “A
Reforma do Estado Social e a Doutrina Social da Igreja”, Guilherme d’01iveira
Martins sublinhou que a circulação do «capital financeiro» gerou a ideia de
que a «afluência de dinheiro, mesmo ilusória, poderia ser confundida com a
geração de riqueza duradoura».
Alertou que a Doutrina Social
da Igreja ( DSI ), mais do que um «conjunto de princípios», ela é um «pôr em
prática, um apelo permanente ao inconformismo e à realização de uma sociedade
assente no bem comum e na dignidade das pessoas».
No entanto - reconheceu o
orador - o «crédito fácil tornou-se uma perigosa armadilha, em que muitos
caíram, julgando que o dinheiro barato era um adquirido definitivamente».
Para Guilherme d Oliveira
Martins, falar de um «sentido ético» da economia é, no fundo, «pô-la ao
serviço das pessoas e compreender que o respeito mútuo e a salvaguarda da
liberdade, da igualdade e da solidariedade» são essenciais para «defender um sentido
pessoal e comunitário da vida».
No penúltimo dia da Semana
Social participou também o monge da comunidade monástica
italiana de Bose, Luciano Manicardi, que afirmou que
a fome, a falta de abrigo e de trabalho, «não toleram esperas».
Para este monge italiano, no
«precário panorama social e econômico», os cristãos devem lembrar-se «que é
urgente assumir a caridade da razão» e acrescenta: «É importante recordar as
razões da caridade, mas urge sobretudo instaurar a caridade da razão».
Os «dias maus» - continuou
Luciano Manicardi - pedem «a restauração da gramática básica da atenção ao
outro, a defesa da centralidade da pessoa necessitada, sem voz, sem poder, sem
visibilidade e redescoberta da urgência da caridade».
Economista Américo Mendes defende que o
Estado deve promover uma maior participação cívica nas políticas públicas
|
«razão política seja enxertada na caridade» e que esta não seja apenas «sentimento ou vaga de
piedade» porque «caridade é sentido do outro e por isso dos seus direitos enquanto ser humano».
in Diário do Minho
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